{"id":20800,"date":"2016-04-28T13:48:45","date_gmt":"2016-04-28T13:48:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=208672"},"modified":"2016-04-28T13:48:45","modified_gmt":"2016-04-28T13:48:45","slug":"cameras-contra-a-demolicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/04\/ultimas-noticias\/cameras-contra-a-demolicao\/","title":{"rendered":"C\u00e2meras contra a demoli\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_208673\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-208673\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/aldeia.jpg\" alt=\"Na frente, a aldeia bedu\u00edna n\u00e3o reconhecida de Umm al-Heran na lista de lugares a serem demolidos. Atr\u00e1s, as m\u00e1quinas do Fundo Nacional Judeu preparam o terreno para plantar \u00e1rvores. O Estado obriga a tribo Abu Al Qian a se reassentar na aldeia vizinha de Hura. Foto: Silvia Boarini\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/aldeia.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/aldeia-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Na frente, a aldeia bedu\u00edna n\u00e3o reconhecida de Umm al-Heran na lista de lugares a serem demolidos. Atr\u00e1s, as m\u00e1quinas do Fundo Nacional Judeu preparam o terreno para plantar \u00e1rvores. O Estado obriga a tribo Abu Al Qian a se reassentar na aldeia vizinha de Hura. Foto: Silvia Boarini\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Silvia Boarini, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Umm al-Heran, Israel, 28\/4\/2016 \u2013Em 2013, Israel parecia ter congelado o Plano Prawer, um projeto de lei para \u201cregular os assentamentos bedu\u00ednos no deserto do Neguev\u201d, mas continua tentando eliminar as aldeias n\u00e3o reconhecidas do sul do pa\u00eds. A localidade bedu\u00edna de Umm al-Heran, perto de Hura, est\u00e1 na lista de lugares a serem demolidos.<\/p>\n<p>Tasneem, da tribo Abu Al Qian, n\u00e3o pensa em deixar sua aldeia desaparecer sem luta. Com sua c\u00e2mera, esta brilhante menina de 12 anos integra um grupo de mulheres e crian\u00e7as dedicadas a registrar distintas opera\u00e7\u00f5es da pol\u00edcia, como demoli\u00e7\u00f5es ou deten\u00e7\u00f5es e, inclusive, o trabalho dos tratores do Fundo Nacional Judeu, que prepara o terreno para plantar \u00e1rvores.<\/p>\n<p>\u201cSempre fico muito triste quando acontece uma demoli\u00e7\u00e3o\u201d, contou Tasneem\u00e0 IPS ao lado de sua casa. \u201cMe aborrece. Por que n\u00e3o sou igual \u00e0s crian\u00e7as judias que v\u00e3o morar aqui?\u201d, lamentou. A batalha legal de Umm al-Heran pela sobreviv\u00eancia come\u00e7ou em 2002, quando o Conselho Nacional de Planejamento e Constru\u00e7\u00e3o colocou o selo autorizando a constru\u00e7\u00e3o do assentamento judeu de Hiran neste mesmo lugar.<\/p>\n<p>A tribo Abu Al Qianfoi deslocada para sua localiza\u00e7\u00e3o atual por ordem militar em 1956, pouco depois da cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel. A aldeia, como outras 35 localidades bedu\u00ednas do Neguev, nunca foi reconhecida pelas autoridades e n\u00e3o est\u00e1 ligada \u00e0s redes de \u00e1gua e eletricidade.Apesar da severa falta de oportunidades de desenvolvimento, a aldeia trabalhou para transform\u00e1-la em uma pitoresca localidade rural com geradores e pain\u00e9is solares, onde vivem 700 pessoas.<\/p>\n<p>No tocante \u00e0 justi\u00e7a israelense, o destino de Umm al-Heran ficou selado dia 5 de maio de 2015, quando a Suprema Corte de Israel ordenou a evacua\u00e7\u00e3o da aldeia e que n\u00e3o houvesse mais apela\u00e7\u00f5es. As autoridades israelenses querem reassentar a popula\u00e7\u00e3o na vizinha localidade bedu\u00edna de Hura, que, segundo se queixam, carece de espa\u00e7o e infraestrutura adequada.<\/p>\n<p>A \u00e1rea de Umm al-Heran sofrer\u00e1 uma dr\u00e1stica transforma\u00e7\u00e3o. Segundo o plano-diretor previsto, ser\u00e1 preparada para a instala\u00e7\u00e3o de uma comunidade judia e passar\u00e1 a se chamar Hiran. \u201cNunca podemos dizer que a via legal est\u00e1 definitivamente fechada\u201d, alertou \u00e0 IPS a advogada SuadBishara, que trabalha no escrit\u00f3rio Adalah, que representa esta aldeia desde o come\u00e7o da disputa. \u201cAs op\u00e7\u00f5es s\u00e3o limitadas, mas pode aparecer algo novo e continuaremos apoiando a aldeia\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Mas os advogados doAdalah, escrit\u00f3rio dedicado a defender os direitos da minoria \u00e1rabe de Israel, temem que a senten\u00e7a crie um perigoso precedente, pois permite \u00e0s autoridades evacuar pessoas de terrenos estatais sem que existam \u201cfins p\u00fablicos imperiosos\u201d e dar luz verde a mais demoli\u00e7\u00f5es em massa de lugares n\u00e3o reconhecidos.<\/p>\n<p>Em um comunicado de imprensa divulgado ap\u00f3s a decis\u00e3o judicial, o escrit\u00f3rio explicou que \u201ca senten\u00e7a da Corte legitima a pol\u00edtica que Israel mant\u00e9m h\u00e1 muito tempo contra os cidad\u00e3os palestinos, uma pol\u00edtica colonial arraigada em uma ideologia de discrimina\u00e7\u00e3o racial, segrega\u00e7\u00e3o e expropria\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Apesar da senten\u00e7a, esta aldeia n\u00e3o se rende e mant\u00e9m sua lutae, junto com oAdalah, trabalha com organiza\u00e7\u00f5es defensoras dos direitos humanos e, em particular, dos bedu\u00ednos, para promover uma campanha a fim de encontrar uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para o problema.<\/p>\n<p>\u201cTrabalhamos para armar uma resist\u00eancia forte na aldeia\u201d, indicou \u00e0 IPS FadiMasamra, diretor-geral do conselho regional para aldeias n\u00e3o reconhecidas.\u201cConectamos Umm al-Heran com organiza\u00e7\u00f5es e ativistas para frear o plano estatal para desarraigar estas fam\u00edlias\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O F\u00f3rum de Coexist\u00eancia do Neguev \u00e1rabe-judeu cuida do projeto de documenta\u00e7\u00e3o visual, que envolve meninos, meninas e mulheres em defesa de sua aldeia mediante o uso de c\u00e2meras. A organiza\u00e7\u00e3o, que defende os direitos dos bedu\u00ednos, re\u00fane as fotografias de todos os participantes das aldeias em risco de demoli\u00e7\u00e3o e as usa para divulgar o problema em escala local e internacional.<\/p>\n<p>No final de mar\u00e7o, Umm al-Heran foi escolhido como lugar para celebrar o Dia da Terra, que recorda seis \u00e1rabes-israelenses assassinados pelas autoridades em 1976, durante protestos contra o confisco de terras.\u201cOs \u00e1rabes continuam sofrendo a discrimina\u00e7\u00e3o no acesso a terrenos e moradias\u201d, pontuou o legislador \u00e1rabe-israelense AymanOdeh, da agrupa\u00e7\u00e3o Lista Unida, \u00e0 multid\u00e3o reunida nesse dia. \u201cHoje lan\u00e7amos outros protestos e reclamamos o reconhecimento de todas as aldeias n\u00e3o reconhecidas do Neguev\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cO reconhecimento \u00e9 o que daria a esta aldeia a possibilidade real de se desenvolver\u201d, destacou a advogada Bishara, mas pode ser demolida a qualquer momento. \u201cTrabalharam duro durante 60 anos para este lugar ser habit\u00e1vel. Constru\u00edram suas pr\u00f3prias casas e infraestrutura b\u00e1sica. \u00c9 inconceb\u00edvel em termos morais e legais que tenham de ser evacuados\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Na 7\u00aa Confer\u00eancia do Neguev, realizada este m\u00eas na cidade de Yehuram, o presidente de Israel, Reuv\u00e9nRivlin, felicitou as pessoas que trabalham para o desenvolvimento da regi\u00e3o, mas tamb\u00e9m se referiu \u00e0 necessidade urgente de resolver as reclama\u00e7\u00f5es por terra dos bedu\u00ednos e, em geral, das aldeias n\u00e3o reconhecidas. \u201cSem resolver este assunto complexo, o sul n\u00e3o poder\u00e1 avan\u00e7ar sem problemas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Entretanto, para os bedu\u00ednos no terreno, isso n\u00e3o passa de promessa vazia. \u201cN\u00e3o existe nenhum plano estrat\u00e9gico para resolver a situa\u00e7\u00e3o que leve em considera\u00e7\u00e3o as necessidades da comunidade\u201d, protestou Masamra \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>A pequena Tasneem n\u00e3o se v\u00ea n\u00e3o podendo voltar para sua casa, seu quarto e todas as suas coisas e, aos 12 anos, tem que lidar com a possibilidade de perder tudo isso. \u201cTive uma inf\u00e2ncia t\u00e3o linda aqui, tenho muitas recorda\u00e7\u00f5es boas e n\u00e3o quer perd\u00ea-las\u201d, contou, segurando sua c\u00e2mera. \u201cFa\u00e7o fotos das \u00e1rvores, dos meus amigos, de nossa casa. Fotografo para salvar minha aldeia. Se vierem demolir terei um documento de como foi. Quero recordar como foi crescer aqui\u201d, explicou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Silvia Boarini, da IPS &ndash;&nbsp; Umm al-Heran, Israel, 28\/4\/2016 &ndash;Em 2013, Israel parecia ter congelado o Plano Prawer, um projeto de lei para &ldquo;regular os assentamentos bedu&iacute;nos no deserto do Neguev&rdquo;, mas continua tentando eliminar as aldeias n&atilde;o reconhecidas do sul do pa&iacute;s. 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