{"id":20806,"date":"2016-05-02T12:48:26","date_gmt":"2016-05-02T12:48:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=208764"},"modified":"2016-05-02T12:48:26","modified_gmt":"2016-05-02T12:48:26","slug":"ondas-para-gerar-energia-no-chile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/05\/ultimas-noticias\/ondas-para-gerar-energia-no-chile\/","title":{"rendered":"Ondas para gerar energia no Chile"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_208765\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-208765\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/balneario.jpg\" alt=\"Entardecer no balne\u00e1rio de Algarrobo, no litoral central do Chile, pa\u00eds com 6.435 quil\u00f4metros de costa no Oceano Pac\u00edfico. Foto: MarianelaJarroud\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/balneario.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/balneario-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Entardecer no balne\u00e1rio de Algarrobo, no litoral central do Chile, pa\u00eds com 6.435 quil\u00f4metros de costa no Oceano Pac\u00edfico. Foto: MarianelaJarroud\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Orlando Milesi e MarianelaJarroud, da IPS &#8211;<\/em><\/p>\n<p>Santiago, Chile, 2\/5\/2016 \u2013 O Chile, com 6.435 quil\u00f4metros de costa no Oceano Pac\u00edfico, poderia encontrar nas energias das ondas e das mar\u00e9s a solu\u00e7\u00e3o para sua permanente necessidade de diversificar sua matriz energ\u00e9tica. Um estudo encomendado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) indica que\u00a0 este pa\u00eds tem um potencial bruto de 164 gigawatts (GW)em energia produzida exclusivamente pelas ondas, o que qualifica o pa\u00eds como uma pot\u00eancia \u201c\u00fanica no mundo\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisa acrescenta que o aproveitamento deapenas 10% da energia dispon\u00edvel paragera\u00e7\u00e3o a partirdas ondas e das mar\u00e9s se igualaria \u00e0 capacidade instalada de todo o Sistema Interligado Central do pa\u00eds, pouco superior a 15.500 megawatts (MW).A energia dos mares, \u201ctanto na zona costeira como entre a ilha de Chilo\u00e9 e Cabulco (no extremo sul do pa\u00eds) \u00e9 bastante estudada e seu potencial \u00e9 enorme\u201d, afirmou \u00e0 IPS a ecologista Sara Larra\u00edn, diretora da organiza\u00e7\u00e3o Chile Sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Especialistas e estudos coincidem em explicar que, ao avan\u00e7ar para o extremo do Polo Sul, a profundidade do Oceano Pac\u00edfico aumenta e \u00e9 maior o potencial energ\u00e9tico de suas ondas e mar\u00e9s, oque faz do Chile um pa\u00eds privilegiado para seu aproveitamento.<\/p>\n<p>Larra\u00edn acrescentou que as tecnologias ainda est\u00e3o em n\u00edvel de prot\u00f3tipos, italianos e escoceses, e os avan\u00e7os dependem dos centros de pesquisa internacionais,\u201cporque o Chile n\u00e3o tem a capacidade cient\u00edfica, nem tecnol\u00f3gica e financeira para dar esse salto tecnol\u00f3gico de forma aut\u00f4noma\u201d. Segundo a ecologista, \u201cas experi\u00eancias-piloto funcionaram bem, mas da\u00ed a dar o salto e passar ao tema industrial ainda h\u00e1 um bom caminho\u201d.<\/p>\n<p>O Chile possui 17,6 milh\u00f5es de habitantes e capacidade total instalada de 20.203 MW distribu\u00eddos majoritariamente no Sistema Interligado Central (78,38%) e do Norte Grande (20,98%). Destes, 58,4% da energia \u00e9 de gera\u00e7\u00e3o a diesel, carv\u00e3o e g\u00e1s natural, enquanto o restante corresponde a energias renov\u00e1veis que incluem, em sua grande maioria, a mega-hidroeletricidade.<\/p>\n<p>Apenas 13,5% do total corresponde a energias renov\u00e1veis n\u00e3o convencionais como e\u00f3lica (4,57%), solar fotovoltaica (3,79%), mini-hidrel\u00e9trica (2,8%) e biomassa (2,34%).Gra\u00e7as ao funcionamento de centrais e\u00f3licas e solares, nos \u00faltimos anos o pre\u00e7o da energia el\u00e9trica no Chile, situado por anos comoo mais elevado da Am\u00e9rica Latina, caiu para US$ 104 o MW\/hora, com queda de 34% desde 2013.<\/p>\n<div id=\"attachment_208766\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-208766\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mapa_geografico_chile.gif\" alt=\"Mapa do Chile, um alongado pa\u00eds limitado pela Cordilheira dos Andes e pelo Oceano Pac\u00edfico, cuja profundidade em suas costas apresenta um potencial \u00fanico no mundo de energia gerada pelas mar\u00e9s e pelas ondas, que o pa\u00eds se prepara para aproveitar. Foto: Imagens do Chile\" width=\"340\" height=\"278\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Mapa do Chile, um alongado pa\u00eds limitado pela Cordilheira dos Andes e pelo Oceano Pac\u00edfico, cuja profundidade em suas costas apresenta um potencial \u00fanico no mundo de energia gerada pelas mar\u00e9s e pelas ondas, que o pa\u00eds se prepara para aproveitar. Foto: Imagens do Chile<\/p><\/div>\n<p>Segundo dados oficiais, as necessidades de energia el\u00e9trica aumentar\u00e3o em 54% na pr\u00f3xima d\u00e9cada e o governo lan\u00e7ou, em dezembro, o plano Energia 2050, com o objetivo de ter,este ano, 70% de gera\u00e7\u00e3o procedente de fontes limpas, sete vezes mais do que atualmente. E, para 2035, se projeta que 40% da gera\u00e7\u00e3o chilena vir\u00e1 de fontes de energias renov\u00e1veis n\u00e3o convencionais.<\/p>\n<p>Como parte do plano para alcan\u00e7ar essas ambiciosas metas, Chile e Fran\u00e7a assinaram, em junho de 2015, um acordo de coopera\u00e7\u00e3o para a instala\u00e7\u00e3o de um centro de pesquisa e desenvolvimento aplicado em energia dos mares, conhecido como Meric, sigla de seu nome em ingl\u00eas: Marine Energy ResearchandInnovation Center. \u00danico na Am\u00e9rica Latina, o Mericter\u00e1 custo aproximado de US$ 20 milh\u00f5es, dos quais a Subsecretaria de Energia, por interm\u00e9dio da Corpora\u00e7\u00e3o de Fomento, aportar\u00e1 58% no per\u00edodo de oito anos.<\/p>\n<p>O Meric, com sede no Chile, pode transformar este pa\u00eds em uma refer\u00eancia regional e mundial no aproveitamento da energia dos mares.De acordo com o governo, o centro ter\u00e1 por objetivo final desenvolver conhecimento e coloc\u00e1-lo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria chilena, a fim de propiciar a integra\u00e7\u00e3o e a promo\u00e7\u00e3o de tecnologias de energias marinhas e, num futuro pr\u00f3ximo, permitir com esse conhecimento a diversifica\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica local e uma escalada tecnol\u00f3gica em n\u00edvel nacional e internacional.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s estudar a infraestrutura regional e a cadeia de fornecimento nacional para a ind\u00fastria de energia marinha, o Mericagora pesquisa as condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do mar chileno, emconjunto comuma rede de pesquisadores que integram aliados como o grupo franc\u00eas DCNS e a companhia italiana Enel Green Power, junto com duas universidades locais e a funda\u00e7\u00e3o Inria Chile.<\/p>\n<p>\u201cA avalia\u00e7\u00e3o dos recursos e ecossistemas est\u00e1 em sua fase inicial, com coleta de informa\u00e7\u00e3o sobre o comportamento de mam\u00edferos marinhos, as especificidades chilenas em corros\u00e3o marinha e <em>biofouling<\/em> (assentamento de esp\u00e9cies nos materiais), a modelagem num\u00e9rica da onda e da influ\u00eancia de turbinas no fluxo\u201d, explicou \u00e0 IPS o diretor executivo do Meric, Luc Martin. Est\u00e3o sendo avaliados v\u00e1rios locais potenciais para os estudos, acrescentou.<\/p>\n<p>Buscando adicionar experi\u00eancias sobre energia marinha, o Mericj\u00e1 assinou acordos de confidencialidade com institui\u00e7\u00f5es de pesquisa do Chile, dos Estados Unidos e da Fran\u00e7a, e se prepara para faz\u00ea-lo com entidades do Brasil, da Esc\u00f3cia e da Finl\u00e2ndia. \u201cEsperamos formar uma plataforma multidisciplinar para a pesquisa aplicada no Chile, que impulsione o desenvolvimento da energia marinha no pa\u00eds e no mundo\u201d, destacou Martin.<\/p>\n<p>Para definir exatamente o potencial da energia marinha no Chile e localizar lugares de interesse para um desenvolvimento sustent\u00e1vel da explora\u00e7\u00e3o, s\u00e3o estudadas atualmente as condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, qu\u00edmicas e biol\u00f3gicas, o que permitir\u00e1 estabelecer modelos de comportamento e manuten\u00e7\u00e3o de sistemas desse tipo de energia. De Chilo\u00e9 at\u00e9 o austral Estreito de Magalh\u00e3es,\u201cocorrem diferen\u00e7as de altura muito significativas, que poderiam ser usadas com essa finalidade\u201d, pontuou Carlos Finat, diretor executivo da Associa\u00e7\u00e3o Chilena de Energias Renov\u00e1veis, que re\u00fane empres\u00e1rios do setor.<\/p>\n<p>Em conversa com a IPS, Finatobservou que h\u00e1 muito por fazer, pois o estado de desenvolvimento das tecnologias destinadas a converter a energia das mar\u00e9s em energia el\u00e9trica \u201cainda n\u00e3o atingiu o n\u00edvel de aplica\u00e7\u00e3o comercial, apesar de se estar avan\u00e7ando bastante\u201d.\u00c9 grande a dist\u00e2ncia entre canais, estreitos e fiordes no sul do Chile, os lugares mais fact\u00edveis para projetos que explorem a energia do mar, e os centros de grande demanda de energia el\u00e9trica doe pa\u00eds, situados principalmente no norte.<\/p>\n<p>\u201cO sistema de transmiss\u00e3o atual n\u00e3o seria capaz de transportar blocos grandes de energia entre esses pontos e, portanto, seria necess\u00e1rio construir amplia\u00e7\u00f5es, que neste momento n\u00e3o est\u00e3o planejadas\u201d, ressaltouFinat.\u201cResta um importante caminho a ser percorrido antes de se chegar a prot\u00f3tipos comercialmente vi\u00e1veis, o que seguramente exigir\u00e1 um per\u00edodo de v\u00e1rios anos\u201d,concluiu. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Orlando Milesi e MarianelaJarroud, da IPS &ndash; Santiago, Chile, 2\/5\/2016 &ndash; O Chile, com 6.435 quil&ocirc;metros de costa no Oceano Pac&iacute;fico, poderia encontrar nas energias das ondas e das mar&eacute;s a solu&ccedil;&atilde;o para sua permanente necessidade de diversificar sua matriz energ&eacute;tica. 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