{"id":2081,"date":"2006-10-08T00:00:00","date_gmt":"2006-10-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2081"},"modified":"2006-10-08T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-08T00:00:00","slug":"alemanha-repentino-despertar-diante-do-alarme-terrorista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/politica\/alemanha-repentino-despertar-diante-do-alarme-terrorista\/","title":{"rendered":"Alemanha: Repentino despertar diante do alarme terrorista"},"content":{"rendered":"<p>Berlim, 08\/10\/2006 &ndash; A Alemanha assumiu que tamb&eacute;m pode ser v&iacute;tima de ataque terrorista, depois da pris&atilde;o de Mohamad el-Hadjib, um dos homens que tentou explodir dois trens no Estado da Ren&acirc;nia do Norte-Westfalia. <!--more--> O segundo suspeito, Jihad Hamad, entregou-se nesta quinta-feira no L&iacute;bano, e a justi&ccedil;a alem&atilde; anunciou de imediato que pedir&aacute; sua extradi&ccedil;&atilde;o. El-Hadjib, de 21 anos, e Hamad, de 19, tentaram explodir dois trens no dia 31 de julho. O plano fracassou porque as bombas caseiras n&atilde;o funcionaram. A promotoria da cidade de Karlsruhe disse que os trens poderiam ter se transformado em \u201cbolas de fogo\u201d se os explosivos tivessem funcionado.<\/p>\n<p>O atentado causou profundo impacto na opini&atilde;o p&uacute;blica alem&atilde;, que se considerava um alvo pouco prov&aacute;vel de atentados terroristas porque o pa&iacute;s n&atilde;o participou da guerra do Iraque e tem um vinculo bastante bom com o mundo mu&ccedil;ulmano. O ministro do Interior, Wolfgang Schaeuble, advertiu que n&atilde;o podia descartar um ataque ao sistema de transporte p&uacute;blico alem&atilde;o, semelhante aos de Madri (em 11 de mar&ccedil;o de 2004) e Londres (7 de julho de 2005), nos quais morreram dezenas de passageiros. No fim de semana descreveu a situa&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a interna com excepcionalmente grave. \u201cA amea&ccedil;a nunca esteve t&atilde;o perto\u201d, afirmou &agrave; rede de televis&atilde;o ZDF. \u201cN&atilde;o sabemos o que pode acontecer\u201d. O impacto pelo falido atentado desatou um debate p&uacute;blico sobre como refor&ccedil;ar a seguran&ccedil;a e evitar futuros atentados.<\/p>\n<p>Na Alemanha surgem renovados pedidos para ampliar o sistema de circuitos-fechados de televis&atilde;o em lugares p&uacute;blicos, pois foram as imagens assim obtidas que permitiram prender El-Hadjib, no &uacute;ltimo dia 19, e identificar seu c&uacute;mplice. \u201cProvavelmente, veremos mais c&acirc;maras de televis&atilde;o em espa&ccedil;os p&uacute;blicos, como em outros pa&iacute;ses. Deve ser feita de forma a n&atilde;o atentar contra o delicado equil&iacute;brio entre a liberdade individual e a seguran&ccedil;a da sociedade em geral\u201d, disse &agrave; IPS Michael Zuern, professor do Instituto de Ci&ecirc;ncias Pol&iacute;ticas Ott-Suhr de Berlim. A seguran&ccedil;a j&aacute; foi refor&ccedil;ada nos aeroportos alem&atilde;es, e as autoridades ferrovi&aacute;rias anunciaram a instala&ccedil;&atilde;o de mais c&acirc;maras de circuito-fechado de televis&atilde;o nas esta&ccedil;&otilde;es de trem.<\/p>\n<p>A chanceler, Angela Merkel, disse que os v&iacute;deos de vigil&acirc;ncia s&atilde;o uma ferramenta importante para prender criminosos. Mas alguns pol&iacute;ticos se op&otilde;em ao abuso desse sistema que, advertem, atropela as liberdades individuais e produz um volume de dados imposs&iacute;vel de ser manejado. Outras propostas em discuss&atilde;o s&atilde;o a presen&ccedil;a de policiais armados nos trens e a cria&ccedil;&atilde;o de um registro antiterrorista para que os servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncia e de seguran&ccedil;a possam compartilhar a informa&ccedil;&atilde;o mais rapidamente. As reclama&ccedil;&otilde;es por maior seguran&ccedil;a refletem o temor de que a Alemanha possa se converter em alvo de futuros atentados.<\/p>\n<p>A preocupa&ccedil;&atilde;o dos alem&atilde;es aumentou depois das declara&ccedil;&otilde;es da Promotoria de que os dois supostos respons&aacute;veis pelo frustrado atentado n&atilde;o teriam agido sozinhos e que fariam parte de uma organiza&ccedil;&atilde;o terrorista com o objetivo de organizar ataques violentos no pa&iacute;s. As autoridades tamb&eacute;m seguem a pista de um poss&iacute;vel vinculo com o L&iacute;bano e n&atilde;o descartam uma conex&atilde;o com o Paquist&atilde;o. Junto com as bombas caseiras foi encontrada uma nota escrita em &aacute;rabe, um n&uacute;mero de telefone do l&iacute;bano e pacotes de amido com inscri&ccedil;&otilde;es em &aacute;rabe e ingl&ecirc;s.<\/p>\n<p>Inicialmente, pensou-se que a bomba fizesse parte de uma tentativa de chantagem. Mas quando as autoridades conclu&iacute;ram que se tratou de um atentado frustrado, os alem&atilde;es questionaram pela primeira vez algo que se considerava &oacute;bvio: que n&atilde;o haveria atos terroristas em seu territ&oacute;rio, afirmou o jornal Sueddeutsche Zeitung. \u201cSempre existiu a vaga sensa&ccedil;&atilde;o de que os atentados terroristas n&atilde;o afetariam o pa&iacute;s. A pris&atilde;o feita na cidade de Kiel acabou demonstrando que se tratava de uma id&eacute;ia falsa e ing&ecirc;nua\u201d, disse Sueddeutsche Zeitung em seu editorial.<\/p>\n<p>A gente sempre pensou que em cidades como Londres e Nova York era mais prov&aacute;vel haver atentados. Mas Mohammed Atta, um dos seq&uuml;estradores dos avi&otilde;es jogados contra as Torres G&ecirc;meas e o Pent&aacute;gono, no dia 11 de setembro de 2001, viveu e estudou na cidade de Hamburgo. Para as minorias que vivem na Alemanha, o compl&ocirc; reavivou os temores de tens&atilde;o racial. Depois desses atentados nos Estados Unidos, os cidad&atilde;os de origem alem&atilde; come&ccedil;aram a desconfiar dos mu&ccedil;ulmanos neste pa&iacute;s, o que complicou as tentativas de melhorar a integra&ccedil;&atilde;o dos imigrantes, que constituem 9% do total da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>As tens&otilde;es raciais aumentaram nos &uacute;ltimos anos na Alemanha, segundo Kenan Kolat, diretor de uma organiza&ccedil;&atilde;o que representa os dois milh&otilde;es de turcos residentes no pa&iacute;s. \u201cO estigma dos mu&ccedil;ulmanos aumentou devido aos ataques terroristas cometidos por extremistas\u201d, disse &agrave; IPS. \u201cDepois dos &uacute;ltimos acontecimentos, n&atilde;o h&aacute; den&uacute;ncias de discrimina&ccedil;&atilde;o: atualmente, todos est&atilde;o preocupados com a amea&ccedil;a que inclui as minorias\u201d, acrescentou. O conflito no Oriente M&eacute;dio, advertiu o ministro Schaeuble, pode radicalizar as comunidades &aacute;rabe e mu&ccedil;ulmana da Alemanha, especialmente os jovens.<\/p>\n<p>O ministro do Interior informou que, segundo c&aacute;lculos oficiais, vivem na Alemanha cerca de 900 seguidores do partido liban&ecirc;s xiita e pr&oacute;-s&iacute;rio Hezbollah e cerca de 300 do palestino Movimento de Resist&ecirc;ncia Isl&acirc;mica (Hamas). Tal como ocorreu com os ataques de Londres, o frustrado atentado despertou o fantasma do extremismo interno, com atos violenos contra residentes alem&atilde;es e cidad&atilde;os europeus de apar&ecirc;ncia isl&acirc;mica. Nenhum pa&iacute;s deve deixar de levar a s&eacute;rio este problema, afirmou Michael Zuern, do Instituto Ott-Suhr. \u201cDevemos estar preparados para v&aacute;rios tipos de amea&ccedil;as, tanto de grupos isl&acirc;micos quanto de seus imitadores europeus. Este &eacute; um perigo que enfrentaremos no futuro imediato\u201d, afirmou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Berlim, 08\/10\/2006 &ndash; A Alemanha assumiu que tamb&eacute;m pode ser v&iacute;tima de ataque terrorista, depois da pris&atilde;o de Mohamad el-Hadjib, um dos homens que tentou explodir dois trens no Estado da Ren&acirc;nia do Norte-Westfalia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/politica\/alemanha-repentino-despertar-diante-do-alarme-terrorista\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1480,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[18],"class_list":["post-2081","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2081","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1480"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2081"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2081\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2081"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2081"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2081"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}