{"id":20815,"date":"2016-05-04T13:31:18","date_gmt":"2016-05-04T13:31:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=208885"},"modified":"2016-05-04T13:31:18","modified_gmt":"2016-05-04T13:31:18","slug":"guerra-contra-terrorismo-atinge-imprensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/05\/ultimas-noticias\/guerra-contra-terrorismo-atinge-imprensa\/","title":{"rendered":"Guerra contra terrorismo atinge imprensa"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_208886\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-208886\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/jornalistas.jpg\" alt=\"Jornalistas reunidos no clube da imprensa de Landikotal, na ag\u00eancia de Jyber, no Paquist\u00e3o. Foto: Ashfaq Yusufzai\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/jornalistas.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/jornalistas-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Jornalistas reunidos no clube da imprensa de Landikotal, na ag\u00eancia de Jyber, no Paquist\u00e3o. Foto: Ashfaq Yusufzai\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por Ashfaq Yusufzai, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Peshawar, Paquist\u00e3o, 4\/5\/2016 \u2013 As \u00c1reas Tribais sob Administra\u00e7\u00e3o Federal (Fata) do Paquist\u00e3o, na fronteira com o Afeganist\u00e3o, s\u00e3o consideradas uma das \u00e1reas mais perigosas do mundo para o exerc\u00edcio do jornalismo, com 14 profissionais mortos desde 2005. Al\u00e9m disso, a maioria dos casos permanece impune, segundo den\u00fancias de organiza\u00e7\u00f5es locais e internacionais.<\/p>\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente ruim\u201d, afirmou \u00e0 IPS Ibrahim Shinwari, ex-presidente da Uni\u00e3o Tribal de Jornalistas. \u201cA seguran\u00e7a de aproximadamente 350 jornalistas que trabalham nos sete distritos das Fata est\u00e3o sob amea\u00e7a. Cerca de 40 deixaram a regi\u00e3o e escrevem desde a vizinha prov\u00edncia de Jiber Pajtunjwa\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Quando as for\u00e7as de uma coaliz\u00e3o encabe\u00e7ada pelos Estados Unidos expulsaram o Talib\u00e3 de Cabul, no final de 2001, ap\u00f3s os atentados terroristas em Washington e Nova York, combatentes talib\u00e3s fugiram para as Fata, de onde lan\u00e7avam ataques contra o ex\u00e9rcito paquistan\u00eas, bem como contra a popula\u00e7\u00e3o local e pr\u00e9dios governamentais, escolas e hospitais.<\/p>\n<p>No come\u00e7o de 2014, as for\u00e7as de seguran\u00e7a paquistanesas lan\u00e7aram a opera\u00e7\u00e3o Zarb-e-Azbhas, que consistiu em ataques terrestres e a\u00e9reos generalizados contra v\u00e1rios grupos isl\u00e2micos insurgentes. Mas a campanha derivou em novas restri\u00e7\u00f5es para os meios de comunica\u00e7\u00e3o. Em agosto de 2015, o Minist\u00e9rio da Informa\u00e7\u00e3o emitiu uma norma de conduta draconiana, que impede a transmiss\u00e3o de material com \u201ccal\u00fanias\u201d contra a justi\u00e7a ou as for\u00e7as armadas.<\/p>\n<p>Os profissionais de imprensa continuam sofrendo ass\u00e9dio e at\u00e9 assassinatos com uma virtual impunidade. \u201cNingu\u00e9m foi processado pela morte de jornalistas. Houve apenas uma investiga\u00e7\u00e3o, pelo assassinato de Hayatullah Jan, que nunca veio a p\u00fablico. Os assassinatos dos jornalistas das Fata s\u00e3o um mist\u00e9rio\u201d, indicou Shinwari \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Jan, jornalista independente para o jornal em l\u00edngua urdu <em>Ausaf<\/em>, apareceu morto no Wazirist\u00e3o do Norte, em junho de 2006, seis meses depois de ter sido sequestrado por homens armados n\u00e3o identificados. Segundo o Comit\u00ea de Prote\u00e7\u00e3o de Jornalistas (CPJ), com sede em Nova York, Jan havia recebido in\u00fameras amea\u00e7as das for\u00e7as de seguran\u00e7a paquistanesas, do Talib\u00e3 e de chefes tribais, devido ao seu trabalho. Os assassinos seguem impunes.<\/p>\n<p>No dia anterior ao seu sequestro, Jan havia publicado fotografias que contribu\u00edram para expor o programa secreto com drones (ve\u00edculos a\u00e9reos n\u00e3o tripulados) dos Estados Unidos no Paquist\u00e3o. Em novembro de 2007, sua vi\u00fava morreu em um atentado com bomba que explodiu do lado de fora de sua casa.A situa\u00e7\u00e3o de Jiber Pajtunjwa, uma das quatro prov\u00edncias do Paquist\u00e3o, \u00e9 mais ou menos a mesma, com dois jornalistas assassinados em uma s\u00f3 semana este ano, os primeiros falecidos na regi\u00e3o \u00c1sia Pac\u00edfico, segundo a Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas.<\/p>\n<p>O \u00faltimo informe da organiza\u00e7\u00e3o norte-americana Freedom House situa o Paquist\u00e3o em 142\u00ba lugar, entre 199 pa\u00edses e territ\u00f3rios, em rela\u00e7\u00e3o ao estado da liberdade de imprensa, e a organiza\u00e7\u00e3o Rep\u00f3rteres Sem Fronteiras o coloca em 147\u00ba lugar, entre 180.<\/p>\n<p>Shinwari recordou que, mesmo antes da chegada dos talib\u00e3s afeg\u00e3os e da consequente ofensiva militar, os jornalistas das Fata nunca tiveram a mesma liberdade de express\u00e3o que seus colegas de outras partes do pa\u00eds. \u201cN\u00e3o h\u00e1 uma lei segundo a qual possamos conseguir informa\u00e7\u00e3o e dependemos dos funcion\u00e1rios que costumam desprezar os rep\u00f3rteres\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>O jornalista Muhammad Anwar, da ag\u00eancia do Wazirist\u00e3o do Sul, vive no distrito de Bannu, emJiber Pajtunjwa, h\u00e1 cinco anos, devido \u00e0 campanha militar contra o Talib\u00e3. \u201cTemos v\u00e1rios problemas, tanto pelo Talib\u00e3 como pelo ex\u00e9rcito. Muitos colegas foram assassinados em diferentes distritos das Fata, mas ainda n\u00e3o foram identificados os assassinos\u201d, explicou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Alguns rep\u00f3rteres mudaram para Peshawar, capital de Jiber Pajtunjwa, mas suas fam\u00edlias s\u00e3o alvo de ataques em sua localidade natal. \u201cA administra\u00e7\u00e3o local e o Talib\u00e3 assediam nossos familiares se n\u00e3o gostam de nossos artigos. Nessas circunst\u00e2ncias, a liberdade de imprensa ainda est\u00e1 longe\u201d, lamentou Anwar.O conhecido jornalista local Hamid Mir, que se recupera das les\u00f5es sofridas em um ataque armado em Karachi, no dia 19 de abril de 2014, escreveu em uma coluna publicada na \u00faltima semana de abril deste ano que n\u00e3o podia divulgar toda a verdade.<\/p>\n<p>Mir escreveu que \u201cas declara\u00e7\u00f5es do primeiro-ministro paquistan\u00eas, Nawaz Sharif, em seu discurso \u00e0 na\u00e7\u00e3o no dia 22 de abril, quando disse que os jornalistas do Paquist\u00e3o gozam de mais liberdade do que em qualquer outro pa\u00eds, simplesmente n\u00e3o s\u00e3o corretas.\u201dE acrescentou que \u201co primeiro-ministro se gabou da liberdade de imprensa como se n\u00e3o soubesse dos atores estatais e n\u00e3o estatais que intimidam os meios de comunica\u00e7\u00e3o para que sigam sua agenda\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o CPJ, 57 jornalistas morreram no Paquist\u00e3o desde 1992, 33 dos quais foram assassinados e, destes casos, 30 continuam sem solu\u00e7\u00e3o. O comit\u00ea disse que as amea\u00e7as contra os profissionais de imprensa no Paquist\u00e3o n\u00e3o procedem apenas de combatentes rebeldes, criminosos ou senhores da guerra, mas tamb\u00e9m dos partidos pol\u00edticos, militares e das ag\u00eancias de intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>Em novembro de 2014, o jornalista Zaman Mahsud, do Wazirist\u00e3o do Sul, foi morto por homens armados no distrito de Tank, em Jiber Pajtunjwa, em um caso atribu\u00eddo a uma fac\u00e7\u00e3o do Talib\u00e3.<\/p>\n<p>O jornalista Irfanullah Shah, origin\u00e1rio do Wazirist\u00e3o do Norte mas que escreve desde Bannu, pontuou \u00e0 IPS que, al\u00e9m da falta de seguran\u00e7a, os jornalistas t\u00eam que enfrentar outras dificuldades para desempenhar seu trabalho.\u201cCerca de 90% dos rep\u00f3rteres n\u00e3o recebem remunera\u00e7\u00e3o dos meios para os quais trabalham, por isso n\u00e3o podem continuar sua carreira de jornalistas\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Esses profissionais n\u00e3o remunerados ou mal pagos n\u00e3o t\u00eam recursos para viajar e investigar e dependem dos comunicados de imprensa divulgados pelo ex\u00e9rcito ou de entrevistas por telefone com dirigentes do Talib\u00e3, apontou Shah. \u201cOs jornalistas ficam presos entre o ex\u00e9rcito e o Talib\u00e3. T\u00eam de contentar os dois, o que \u00e9 imposs\u00edvel\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Os clubes de imprensa em outras partes do pa\u00eds contam com um subs\u00eddio do governo, mas os das Fata s\u00f3 recebem uma quantia nominal, que n\u00e3o basta para cobrir os gastos.\u201cA liberdade de express\u00e3o e de imprensa, de manifesta\u00e7\u00e3o ou de assembleia, \u00e9 violada ou reprimida com o pretexto da seguran\u00e7a nacional ou do interesse nacional\u201d, reconheceu a Comiss\u00e3o de Direitos Humanos do Paquist\u00e3o no dia 3 de abril.<\/p>\n<p>Inclusive cr\u00edticas genu\u00ednas sobre os planos de desenvolvimento ou outros compromissos assumidos pelo governo s\u00e3o endemoniados e rotulados de atentado contra o \u201cinteresse nacional\u201d, enfatizou a Comiss\u00e3o. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*Este artigo \u00e9 parte de uma s\u00e9rie elaborada pela IPS por ocasi\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o, em 3 de maio, do Dia Mundial da Liberdade de Express\u00e3o.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ashfaq Yusufzai, da IPS &ndash;&nbsp; Peshawar, Paquist&atilde;o, 4\/5\/2016 &ndash; As &Aacute;reas Tribais sob Administra&ccedil;&atilde;o Federal (Fata) do Paquist&atilde;o, na fronteira com o Afeganist&atilde;o, s&atilde;o consideradas uma das &aacute;reas mais perigosas do mundo para o exerc&iacute;cio do jornalismo, com 14 profissionais mortos desde 2005. 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