{"id":20830,"date":"2016-05-09T12:50:24","date_gmt":"2016-05-09T12:50:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=209067"},"modified":"2016-05-09T12:50:24","modified_gmt":"2016-05-09T12:50:24","slug":"figo-da-india-na-economia-de-subsistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/05\/ultimas-noticias\/figo-da-india-na-economia-de-subsistencia\/","title":{"rendered":"Figo da \u00cdndia na economia de subsist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_209068\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-209068\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Marta.jpg\" alt=\"Marta Maldonado, secret\u00e1ria da associa\u00e7\u00e3o Sempre Unidos Minif\u00fandios de Corzuela, junto a uma planta de figo da \u00cdndia, uma esp\u00e9cie de cacto abundante nesse munic\u00edpio da prov\u00edncia do Chaco, na Argentina, cujo aproveitamento mudou a vida de um grupo de fam\u00edlias. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS \" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Marta.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Marta-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Marta Maldonado, secret\u00e1ria da associa\u00e7\u00e3o Sempre Unidos Minif\u00fandios de Corzuela, junto a uma planta de figo da \u00cdndia, uma esp\u00e9cie de cacto abundante nesse munic\u00edpio da prov\u00edncia do Chaco, na Argentina, cujo aproveitamento mudou a vida de um grupo de fam\u00edlias. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Agricultores familiares da prov\u00edncia do Chaco revalorizam o figo da \u00cdndia, uma esp\u00e9cie de cacto abundante nessa regi\u00e3o do norte da Argentina, extraindo entre seus espinhos os frutos de um novo tipo de desenvolvimento local.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por\u00a0Fabiana Frayssinet, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Corzuela, Argentina, 9\/5\/2016 \u2013 Nas instala\u00e7\u00f5es da associa\u00e7\u00e3o Sempre Unidos Minif\u00fandios de Corzuela est\u00e3o empilhados centenas de potes de marmelada caseira, prontos para venda.<\/p>\n<p>At\u00e9 h\u00e1 pouco tempo, os agricultores familiares que participavam dessa iniciativa desconheciam a origem do figo da \u00cdndia, conhecido tamb\u00e9m como tuna,nopal ou chumbera, ou mesmo que respondia pelo nome cient\u00edfico de <em>Opuntia ficus-indica<\/em>. Mas agora essa planta, que \u00e9 parte da semi\u00e1rida paisagem cotidiana, tamb\u00e9m \u00e9 protagonista de sua economia de subsist\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres que fizeram o curso hoje vivem disso. Al\u00e9m disso, t\u00eam suas hortas, galinhas, porcos e bodes\u201d, contou \u00e0 IPS Marta Maldonado, secret\u00e1ria da associa\u00e7\u00e3o, reconhecida como pessoa jur\u00eddica em 2011. \u201cO figo da \u00cdndia \u00e9 o que mais tem por aqui. Por isso, fizemos 20 planta\u00e7\u00f5escom o projeto\u201d, acrescentou. As propriedades desses agricultores t\u00eam entre um e quatro hectares, em um dos assentamentos do munic\u00edpio rural de Corzuela, no centro-leste de Chaco, cujos dez mil habitantes se espalham por pequenos assentamentos e vilas.<\/p>\n<p>A iniciativa beneficiou 20 fam\u00edlias, integradas por 39 mulheres, 35 homens e quatro crian\u00e7as, e foi implantada pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), no contexto do Programa de Pequenas Doa\u00e7\u00f5es (PPD) do Fundo para o Meio Ambiente Mundial. Com presen\u00e7a em 125 pa\u00edses, o PPD busca demonstrar que as pequenas iniciativas comunit\u00e1rias podem ter um impacto positivo nos problemas ambientais globais.<\/p>\n<p>O objetivo desses financiamentos, que no caso da associa\u00e7\u00e3o foi de US$ 20 mil, \u00e9 contribuir para a soberania alimentar e ao mesmo tempo com a biodiversidade regional. No Chaco, a prov\u00edncia com maior \u00edndice de pobreza desse pa\u00eds de 43 milh\u00f5es de pessoas, o PPD desenvolveu 13 projetos at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea onde fica Corzuela,\u201ch\u00e1 \u00e9pocas de muita seca e as planta\u00e7\u00f5es de frutas exigem muita \u00e1gua. O figo da \u00cdndia \u00e9 uma planta que n\u00e3o necessita de \u00e1gua\u201d, explicou Gabriela Faggi, do Instituto Nacional de Tecnologia Agr\u00e1ria (Inta). Com o avan\u00e7o da soja na regi\u00e3o, em 1990 come\u00e7aram os cortes e muitos cultivos locaisforam perdidos. \u201cO figo da \u00cdndia, natural do M\u00e9xico mas naturalizado h\u00e1 s\u00e9culos em todo o norte argentino, estava se perdendo. Por isso, o projeto tamb\u00e9m tem o valor de resgatar esse cacto local\u201d, acrescentou Faggi.<\/p>\n<div id=\"attachment_209069\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-209069\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/saboresdeCorzuela.jpg\" alt=\"Sabores de Corzuela consta do r\u00f3tulo dos frascos de marmelada de figo da \u00cdndia produzidos pela associa\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias desse munic\u00edpio rural da prov\u00edncia do Chaco, no norte da Argentina. Foto: Pnud Argentina \" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/saboresdeCorzuela.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/saboresdeCorzuela-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Sabores de Corzuela consta do r\u00f3tulo dos frascos de marmelada de figo da \u00cdndia produzidos pela associa\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias desse munic\u00edpio rural da prov\u00edncia do Chaco, no norte da Argentina. Foto: Pnud Argentina<\/p><\/div>\n<p>Essa regi\u00e3o vive da atividade agropecu\u00e1ria e do aproveitamento da madeira. Produz tanto algod\u00e3o quanto soja e girassol, junto com sorgo e milho. Tamb\u00e9m \u00e9 incentivada a cria\u00e7\u00e3o de bovinos e su\u00ednos, al\u00e9m da avicultura. Mas cultivos como o algod\u00e3o s\u00e3o inacess\u00edveis para esses pequenos produtores.<\/p>\n<p>\u201cNo passado, se trabalhava muito com o algod\u00e3o, mas agora j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais. N\u00e3o se planta, porque tem a praga do bicudo-do-algodoeiro (<em>Anthonomus grandis<\/em>), o inseto que n\u00e3o deixa o algod\u00e3o crescer, e gente pobre e humilde como n\u00f3s, que temos um pedacinho de terra,n\u00e3o tem dinheiro para cuidar da planta\u201d, disse \u00e0 IPS a tesoureira da associa\u00e7\u00e3o, Mirtha Mores.<\/p>\n<p>Antes de iniciar o projeto, a divis\u00e3o local do Inta capacitou os pequenos produtores no manejo agroecol\u00f3gico desse cultivo, e na coloca\u00e7\u00e3o de cercas perimetrais para a prote\u00e7\u00e3o das plantas contra os animais. Tamb\u00e9m foi ensinada a constru\u00e7\u00e3o e o uso de uma m\u00e1quina que retira os espinhosda fruta, para assim facilitar sua manipula\u00e7\u00e3o.\u201cVamos bem. No ano passado vendemos 1.500 marmeladas de figo da \u00cdndia parao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o\u201d, para as merendas escolares, afirmou, orgulhosa, Maldonado.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o, em cujas tarefas participam majoritariamente as mulheres, tamb\u00e9m vende seus produtos em mercados locais e da prov\u00ednciae, embora o figo da \u00cdndia seja seu produto estrela, quando esse fruto escasseia em determinada \u00e9poca, tamb\u00e9m preparam doces de mam\u00e3o ou de ab\u00f3bora.\u201cMelhorou nossa renda, e agora temos a possibilidade de vender mercadoria e poder comprar coisas que realmente s\u00e3o necess\u00e1rias para ajudar as crian\u00e7as a estudarem\u201d, ressaltou Mores.<\/p>\n<p>O projeto, que come\u00e7ou em 2013, tamb\u00e9m os capacitou na utiliza\u00e7\u00e3o das folhas como complemento para a alimenta\u00e7\u00e3o de pequeno gado dom\u00e9stico, especialmente no inverno, quando diminui a produ\u00e7\u00e3o de forragem e acontecem muitas mortes de animais.\u201cAproveitamos tudo. As folhas s\u00e3o usadas para alimentar os animais. Pode ser vaca, cavalo, bode, porco. A fruta vai para a marmelada, retirando as sementes\u201d, detalhou Mores.<\/p>\n<p>Segundo Maldonado e Mores, as fam\u00edlias contam que melhoraram a nutri\u00e7\u00e3o e sua sa\u00fade pelas propriedades da planta e da sua fruta, enquanto \u00e9 necess\u00e1rio menos forragem para os animais e cessou sua morte sazonal por falta de alimento.Ao mesmo tempo, as fam\u00edlias da associa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foram capacitadas para aproveitar de forma sustent\u00e1vel a lenha das \u00e1rvores aut\u00f3ctones da regi\u00e3o, e para isso aprenderam a construir fog\u00f5es especiais para cozinhar e esquentar suas humildes casas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, por assumirem um papel destacado nas atividades da associa\u00e7\u00e3o, o projetotirou asmulheres de suas casas, onde antes concentravam suas tarefas, e lhes deu um novo protagonismo na comunidade.\u201cVivendo no campo, antes as mulheres estavam mais isoladas, n\u00e3o sa\u00edam, mas agora t\u00eam um espa\u00e7o aqui. Se juntam de segunda a sexta-feira, conversam e tomam mais decis\u00f5es. Na associa\u00e7\u00e3o podem opinar\u201d,destacou Maldonado. \u201cQuando nos juntamos, s\u00f3 n\u00e3o falamos das mulheres\u201d, brincou Mores. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agricultores familiares da prov&iacute;ncia do Chaco revalorizam o figo da &Iacute;ndia, uma esp&eacute;cie de cacto abundante nessa regi&atilde;o do norte da Argentina, extraindo entre seus espinhos os frutos de um novo tipo de desenvolvimento local. 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