{"id":20869,"date":"2016-05-20T13:17:20","date_gmt":"2016-05-20T13:17:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=209551"},"modified":"2016-05-20T13:17:20","modified_gmt":"2016-05-20T13:17:20","slug":"clima-complica-fragilidade-do-sul-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/05\/ultimas-noticias\/clima-complica-fragilidade-do-sul-global\/","title":{"rendered":"Clima complica fragilidade do sul global"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_209552\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-209552\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Filipinas.jpg\" alt=\"Tacloban, nas Filipinas, uma das zonas mais devastadas pelo supertuf\u00e3o Haiy\u00e1n, em novembro de 2013. A passagem do ciclone coincidiu com a negocia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica da COP 19 e serviu de cen\u00e1rio para uma negocia\u00e7\u00e3o sobre mecanismos de danos e perdas. Foto: Russell Watkins\/Departamento para o Desenvolvimento Internacional das Filipinas\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Filipinas.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Filipinas-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Tacloban, nas Filipinas, uma das zonas mais devastadas pelo supertuf\u00e3o Haiy\u00e1n, em novembro de 2013. A passagem do ciclone coincidiu com a negocia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica da COP 19 e serviu de cen\u00e1rio para uma negocia\u00e7\u00e3o sobre mecanismos de danos e perdas. Foto: Russell Watkins\/Departamento para o Desenvolvimento Internacional das Filipinas<\/p><\/div>\n<p><em>Enquanto o Sul Global se esfor\u00e7a para superar uma hist\u00f3ria de fraca institucionalidade, conflitos armados e \u00eaxodos for\u00e7ados pela pobreza, origem de suas crises humanit\u00e1rias, seus pa\u00edses agora devem lutar para que o aquecimento global n\u00e3o complique essas vulnerabilidades.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por\u00a0Diego Arguedas Ortiz, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o Jos\u00e9, Costa Rica, 20\/5\/2016 \u2013 \u201cA redu\u00e7\u00e3o dos riscos de desastres e a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica em Estados fr\u00e1geis e afetados por conflitos do Sul Global historicamente s\u00e3o deixados de lado e frequentemente vistos como muito complexos ou de menor prioridade\u201d, disse \u00e0 IPS a especialista em seguran\u00e7a e mudan\u00e7a clim\u00e1tica, Janani Vivekananda.<\/p>\n<p>Vivekananda, diretora de Ambiente, Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica e Seguran\u00e7a, da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental International Alert, citou como exemplo seu pa\u00eds, o Sri Lanka, cuja realidade, com suas peculiaridades,\u00e9 comum em pa\u00edses em desenvolvimento que formam esse Sul Global.\u201cDevido \u00e0 fr\u00e1gil situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nesse pa\u00eds, ap\u00f3s 25 anos de conflitos que terminaram em maio de 2009, \u00e9 cr\u00edtico assegurar que os impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica n\u00e3o exacerbam din\u00e2micas conflituosas\u201d, afirmou, de Londres.<\/p>\n<p>Uma na\u00e7\u00e3o insular, em desenvolvimento e inst\u00e1vel politicamente como a sua e muitas outras no Sul, ver\u00e1 seus problemas se multiplicar em um planeta mais quente e com o n\u00edvel do mar mais elevado, destacou a especialista.\u201cA mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 multiplicadora de risco por excel\u00eancia: agravar\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 s\u00e3o fr\u00e1geis e pode contribuir para a convuls\u00e3o social ou mesmo conflitos violentos\u201d, afirma o documento <em>A New Climate for Peace<\/em>, preparado em 2015 para o Grupo dos Sete (G-7) pa\u00edses mais ricos.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o desafio dos governos e organiza\u00e7\u00f5esque estar\u00e3o em Istambul na primeira C\u00fapula Humanit\u00e1ria Mundial (CHM), que acontecer\u00e1 nos dias 23 e 24 deste m\u00eas, convocada pelo secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Ban Ki-moon, para discutir o enfoque do sistema humanit\u00e1rio global.Nessa cidade turca, os delegados buscar\u00e3o o caminho para integrar a concep\u00e7\u00e3o tradicional de emerg\u00eancias humanit\u00e1rias com a irrup\u00e7\u00e3o de outras, come\u00e7ando pelas r\u00e1pidas transforma\u00e7\u00f5es do clima mundial, que este ano alcan\u00e7ou recordes de temperatura.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 por isso que a iniciativade refazer o sistema humanit\u00e1rio, que nasce com a C\u00fapula, \u00e9 importante\u201d, explicou Vivekananda. Justamente nesta semana que antecede a CHM, chuvas torrenciais expulsaram quase 200 mil habitantes do Sri Lanka de suas casas e 35 morreram em deslizamentos, contou Vivekananda a t\u00edtulo de exemplo das crises cont\u00ednuas geradas pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>O Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC) estima que o planeta esquentar\u00e1 at\u00e9 mais quatro graus Celsius at\u00e9 2100, se a humanidade mantiver o ritmo atual de emiss\u00f5es de gases-estufa.Mesmo chegando ao \u201climite seguro\u201d de 1,5 ou dois graus acordados em dezembro no Acordo de Paris, os efeitos seriam sentidos por todos, segundo o IPCC, que em abril concordou em preparar um informe detalhado sobre os impactos de um aquecimento global de 1,5 grau.<\/p>\n<p>O hist\u00f3rico Acordo de Paris \u00e9 uma das pedras angulares com que contar\u00e3o as delega\u00e7\u00f5es nacionais que forem a Istambul, junto com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, , e o Marco de A\u00e7\u00e3o Sendai para a Redu\u00e7\u00e3o de Desastres, estabelecidos, respectivamente, em setembro e mar\u00e7o do ano passado. \u201cAinda falta reconhecer os v\u00ednculos entre diferentes tipos de riscos e vulnerabilidades\u201d, indicou Vivekananda a respeito da ainda n\u00e3o formalizada conex\u00e3o entre esses dois acordos e a CHM.<\/p>\n<div id=\"attachment_209553\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-209553\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/grafico-1.jpg\" alt=\"Em 2015, os deslocamentos internos, for\u00e7ados por eventos relacionados com fen\u00f4menos clim\u00e1ticos ultrapassaram em n\u00edvel mundial os provocados por eventos geof\u00edsicos. Foto: Relat\u00f3rio 2016 do IDMC\" width=\"540\" height=\"339\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/grafico-1.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/grafico-1-300x188.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Em 2015, os deslocamentos internos, for\u00e7ados por eventos relacionados com fen\u00f4menos clim\u00e1ticos ultrapassaram em n\u00edvel mundial os provocados por eventos geof\u00edsicos. Foto: Relat\u00f3rio 2016 do IDMC<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), acordados dentro da Agenda 2030, s\u00e3o fundamentais para compreender a rela\u00e7\u00e3o entre mudan\u00e7a clim\u00e1tica e aten\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria.O informe para o G-7 mostra que os pa\u00edses mais pobres e com sistemas pol\u00edticos fr\u00e1geis \u2013 como Iraque, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo ou Haiti \u2013 s\u00e3o os que correm mais riscos e ter\u00e3o mais dificuldades para se adaptarem \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>A press\u00e3o clim\u00e1tica pode transtornar a produ\u00e7\u00e3o aliment\u00edcia ou exigir aten\u00e7\u00e3o extra por parte de governos locais dizimados. Em situa\u00e7\u00f5es extremas, esses fen\u00f4menos podem levar \u00e0 migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada.Segundo o <em>Informe Global 2016 sobre Deslocamentos Internos<\/em>, publicado este m\u00eas pelo Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno (IDMC), em 2015 houve mais pessoas deslocadas por desastres naturais relacionados com fen\u00f4menos hidrometeorol\u00f3gicos (14,7 milh\u00f5es) do que por conflitos ou viol\u00eancia (8,5 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>O documento tamb\u00e9m destaca o impacto do fen\u00f4meno meteorol\u00f3gico El Ni\u00f1o Oscila\u00e7\u00e3o Sul (Enos) e diz que, para as pessoas mais expostas e vulner\u00e1veis a chuvas e temperaturas extremas,\u201cseus efeitos foram devastadores e provocaram deslizamentos\u201d.Por exemplo, o El Ni\u00f1o causou intensa seca na costa sul-americana do Pac\u00edficoe em particular no Corredor Seco Centro-Americano, uma faixa \u00e1rida de floresta onde predomina a agricultura familiar de subsist\u00eancia e na esta\u00e7\u00e3o \u00famida as precipita\u00e7\u00f5es chegam a diminuir entre 40% e 60%.<\/p>\n<p>\u201cCentenas de pessoas da Nicar\u00e1gua foram obrigadas a se deslocar fora das fronteiras do pa\u00eds por causa da seca\u201d, informou \u00e0 IPS o costarriquenho Juan Carlos M\u00e9ndez, da Comiss\u00e3o Nacional de Preven\u00e7\u00e3o de Riscos e Aten\u00e7\u00e3o a Emerg\u00eancias (CNE) de seu pa\u00eds. Como funcion\u00e1rio da CNE, tamb\u00e9m atua como assessor para a Iniciativa Nansen, um esfor\u00e7o internacional para criar mecanismos de aten\u00e7\u00e3o a deslocamentos transfronteiri\u00e7os por desastres naturais e pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cAqui \u00e9 onde encontramos os maiores desafios pol\u00edticos e t\u00e9cnicos. Pode-se ligar claramente o deslocamento com um desastre natural,como um terremoto ou furac\u00e3o, mas agora temos que lig\u00e1-lo a temas de mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, ponderouM\u00e9ndez.Na vers\u00e3o final do Acordo de Paris, o conceito foi inclu\u00eddo como um dos princ\u00edpios que guiar\u00e3o sua implanta\u00e7\u00e3o. Os cruzamentos entre mudan\u00e7a clim\u00e1tica, impactos humanit\u00e1rios e c\u00fapulas internacionais s\u00e3o novos, mas crescentes.<\/p>\n<p>Em novembro de 2013, as negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas da 19\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 19) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (CMNUCC), realizada em Vars\u00f3via, tiveram como pano de fundo a devasta\u00e7\u00e3o deixada, quase simultaneamente, pelo supertuf\u00e3o Haiy\u00e1n no sudeste asi\u00e1tico, em particular nas Filipinas.Com 6.300 mortes, o impacto humano do ciclone tropical intensificou as negocia\u00e7\u00f5es na capital polonesa e levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um mecanismo para lidar com danos e perdas associados \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Um estudo cient\u00edfico, publicado em janeiro deste ano, mostra que as Filipinas ter\u00e3o o maior aumento anual do n\u00edvel do mar do mundo, 14,7 mil\u00edmetros anuais, cerca de cinco vezes a m\u00e9dia mundial.\u201cPor isso, \u00e9 urgente que as Filipinas potencializem seus esfor\u00e7os em prepara\u00e7\u00e3o para atender desastres, particularmente em comunidades com alto risco de desastres e alta incid\u00eancia de pobreza\u201d, ressaltou \u00e0 IPS a ativista Ivy Marian Panganiban, do Caucus de Redes de Organiza\u00e7\u00f5es para o Desenvolvimento (Code-NGO).<\/p>\n<p>Junto a outras seis institui\u00e7\u00f5es filipinas, essa organiza\u00e7\u00e3o defende uma resposta humanit\u00e1ria centrada no n\u00edvel local e espera diretrizes de Istambul nessa dire\u00e7\u00e3o. Essas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais \u201cdeveriam ser capacitadas e envolvidas no processo de governan\u00e7a, j\u00e1 que est\u00e3o na primeira linha, junto com as pessoas afetadas pelos desastres\u201d, pontuou Panganiban, de Manila. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*Este artigo integra uma s\u00e9rie elaborada pela IPS sobrea C\u00fapula Humanit\u00e1ria Mundial, que acontecer\u00e1 em Istambul, na Turquia, nos dias 23 e 24 deste m\u00eas.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto o Sul Global se esfor&ccedil;a para superar uma hist&oacute;ria de fraca institucionalidade, conflitos armados e &ecirc;xodos for&ccedil;ados pela pobreza, origem de suas crises humanit&aacute;rias, seus pa&iacute;ses agora devem lutar para que o aquecimento global n&atilde;o complique essas vulnerabilidades. 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