{"id":20871,"date":"2016-05-20T12:37:34","date_gmt":"2016-05-20T12:37:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=209555"},"modified":"2016-05-20T12:37:34","modified_gmt":"2016-05-20T12:37:34","slug":"crise-de-refugiados-sem-final-a-vista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/05\/ultimas-noticias\/crise-de-refugiados-sem-final-a-vista\/","title":{"rendered":"Crise de refugiados sem final \u00e0 vista"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_209556\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-209556\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/siria-629x419.jpg\" alt=\"Crian\u00e7as s\u00edrias aprendem a sobreviver em um acampamento de refugiados no norte do L\u00edbano. Foto: Zak Brophy\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/siria-629x419.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/siria-629x419-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Crian\u00e7as s\u00edrias aprendem a sobreviver em um acampamento de refugiados no norte do L\u00edbano. Foto: Zak Brophy\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>\u201cN\u00e3o queremos caridade. Queremos uma solu\u00e7\u00e3o de longo prazo\u201d, afirmaram numerosos refugiados palestinos que escaparam da S\u00edria e retornaram ao territ\u00f3rio palestino de Gaza, em novembro de 2015.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por\u00a0Silvia Boarini, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Gaza, Palestina, 20\/5\/2016 \u2013 Os sentimentos que os refugiados palestinos expressaram \u00e0 IPS s\u00e3o os mesmos de muitas pessoas que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o id\u00eantica na S\u00edria e nos diferentes acampamentos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No contexto da pior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a C\u00fapula Humanit\u00e1ria Mundial (CHM), que acontecer\u00e1 nos dias 23 e 24 deste m\u00eas em Istambul, na Turquia, oferecer\u00e1 um espa\u00e7o para debater solu\u00e7\u00f5es de longo prazo para as pessoas que fogem de conflitos prolongados, bem como a forma de proceder das diferentes partes e atores envolvidos.<\/p>\n<p>Desde o come\u00e7o da guerra civil na S\u00edria, em 2011, o Oriente M\u00e9dio superou lentamente a \u00c1frica subsaariana como epicentro da crise dos movimentos migrat\u00f3rios de milh\u00f5es de pessoas que buscam um lugar seguro para viver.A Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur) estima que hoje existam 60 milh\u00f5es de pessoas deslocadas, uma em cada 122. Os especialistas coincidem em afirmar que a resposta tradicional a essas situa\u00e7\u00f5es est\u00e1 longe de atender suas necessidades.<\/p>\n<p>Em uma confer\u00eancia sobre o assunto realizada em junho de 2015, no Instituto do Oriente M\u00e9dio (MEI), com sede em Washington, numerosos atores humanit\u00e1rios e pol\u00edticos concordaram que j\u00e1 n\u00e3o basta a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) armar um acampamento na fronteira mais pr\u00f3xima, enviar um grupo de profissionais para dar assist\u00eancia e esperar que os pa\u00edses ricos paguem a conta.<\/p>\n<p>\u201cO modelo se desfez nos \u00faltimos anos\u201d, escreveu o especialista Greg Myre. E aparecem novos padr\u00f5es que exigem novos enfoques.Existe uma coincid\u00eancia generalizada de que no prolongamento dos conflitos a capacidade e a vontade dos refugiados de chegarem a lugares distantes e a falta de fundos para o setor assistencial s\u00e3o os novos elementos que obrigam a repensar a tradicional estrat\u00e9gia humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Se no passado os fatores econ\u00f4micos foram os maiores respons\u00e1veis pelo movimento de popula\u00e7\u00e3o, atualmente a guerra \u00e9, de longe, um dos principais. S\u00f3 no Oriente M\u00e9dio, aproximadamente 15 milh\u00f5es de pessoas foram deslocadas por guerras em 2015. At\u00e9 o dia 16 deste m\u00eas, esse n\u00famero continuava aumentando.<\/p>\n<p>Cerca de cinco milh\u00f5es de pessoas fugiram da guerra civil da S\u00edria, e outras 6,6 milh\u00f5es s\u00e3o deslocadas internas. Segundo o Escrit\u00f3rio de Coordena\u00e7\u00e3o de Assuntos Humanit\u00e1rios (Ocha), no I\u00eamen s\u00e3o 2,76 milh\u00f5es de deslocados e no Iraque chegam a 3,4 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Essas pessoas se somam aos j\u00e1 existentes cinco milh\u00f5es de palestinos registrados pela Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados Palestinos (Unrwa) desde 1948 e 1967, aos libaneses que fugiram da guerra civil em seu pa\u00eds na d\u00e9cada de 1980 e aos iraquianos que fugiram das guerras de 1991 e 2003. Muitas dessas pessoas viviam na S\u00edria quando come\u00e7ou a guerra, o que as converteu em refugiadas pela segunda ou terceira vez.<\/p>\n<p>Os refugiados nessa regi\u00e3o competem por recursos limitados, levam ao limite a fr\u00e1gil e j\u00e1 escassa infraestrutura que tenta se recuperar dos conflitos prolongados, e s\u00e3o vistos como amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a por pa\u00edses com dificuldades para manter uma paz prec\u00e1ria, como L\u00edbano, Jord\u00e2nia e Turquia.<\/p>\n<p>Como a capacidade da regi\u00e3o para absorver refugiados \u00e9 limitada, o desejo dessas pessoas de buscar um lugar seguro para viver o mais longe poss\u00edvel da guerra \u00e9 outro novo elemento importante que distingue esta crise humanit\u00e1ria das demais.No caso especial da S\u00edria, o prolongamento do conflito e o vazio deixado pela falta de solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em um futuro pr\u00f3ximo for\u00e7am os refugiados a correrem o risco de se instalar em outro lugar com perspectivas de longo prazo.<\/p>\n<p>As m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de vida nos acampamentos e as limitadas ou mesmo nulas oportunidades educativas e econ\u00f4micas nas cidades dessa regi\u00e3o s\u00e3o fatores decisivos da mobilidade.As pessoas com condi\u00e7\u00e3o de custear uma viagem at\u00e9 a Europa, Austr\u00e1lia ou para os Estados Unidos costumam ser profissionais cuja experi\u00eancia ser\u00e1 necess\u00e1ria em seus pa\u00edses de origem, mas que n\u00e3o estar\u00e1 dispon\u00edvel quando come\u00e7ar a reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os estudos mostram que, quanto mais longe uma pessoa se refugia,menos \u00e9 prov\u00e1vel que regresse ao seu pa\u00eds. O Acnur estima que o tempo que uma pessoa permanece deslocada chegou atualmente a 17 anos.<\/p>\n<p>Por fim, mas certamente n\u00e3o menos importante, a crise atual se caracteriza por uma falta end\u00eamica de fundos, que torna imposs\u00edvel para o setor humanit\u00e1rio e as ag\u00eancias da ONU atender as necessidades b\u00e1sicas de milh\u00f5es de pessoas.At\u00e9 este m\u00eas, faltavam US$ 3,5 bilh\u00f5es, dos US$ 4,5 bilh\u00f5es solicitados somente para a Resposta Regional \u00e0 Crise de Refugiados da S\u00edria.<\/p>\n<p>Os especialistas coincidem em que custa dez vezes menos dar aten\u00e7\u00e3o a um refugiado em sua regi\u00e3o de origem do que no Ocidente, e, no entanto, os doadores s\u00e3o lentos para reunir o dinheiro necess\u00e1rio para melhorar a vida de milh\u00f5es de pessoas que fogem das guerras.<\/p>\n<p>Em 2015, a assist\u00eancia oficial ao desenvolvimento (ODA) dos pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4micos (OCDE) alcan\u00e7ou um m\u00e1ximo de US$ 131,6 bilh\u00f5es. Mesmo assim, a quantia representou 0,3% do produto interno bruto, bem abaixo do compromisso de contribuir com 0,7% de seu PIB.<\/p>\n<p>A crise de fundos e a incapacidade de atender as necessidades dos refugiados, quanto menos satisfaz\u00ea-las, levou o setor humanit\u00e1rio a um exame de consci\u00eancia que derivou em pedidos de reforma, especialmente no contexto da ONU, para racionalizar o trabalho, diminuir os gastos gerais, melhorar a coordena\u00e7\u00e3o com organiza\u00e7\u00f5es locais e buscar doadores alternativos aos governos.<\/p>\n<p>Sobre este \u00faltimo ponto, o administrador adjunto da Ag\u00eancia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), Thomas Staal, explicou na confer\u00eancia do MEI em junho: \u201cnos Estados Unidos gastamos mais dinheiro para comprar Coca-Cola do que todo o dinheiro que vai para a S\u00edria\u201d. Al\u00e9m de destacar a necessidade de o setor privado assumir seu papel em tempos de crise, sua fala tamb\u00e9m pode ser entendida como uma necessidade de reavaliarmos nossas prioridades e nossos valores como sociedade.<\/p>\n<p>A morte de pessoas no Mar Mediterr\u00e2neo n\u00e3o surge do nada, \u00e9 o resultado direto da incapacidade da comunidade internacional para atender as necessidades dos refugiados do mundo, para descomprimir conflitos e para criar oportunidades duradouras para melhorar.<\/p>\n<p>A imensa press\u00e3o colocada nas popula\u00e7\u00f5es de acolhida na Turquia, no L\u00edbano e na Jord\u00e2nia, que receberam, respectivamente, 2,7 milh\u00f5es, 1,05 milh\u00e3o e 700 mil refugiados s\u00edrios, real\u00e7a a incapacidade do Ocidente de ser sens\u00edvel ao pequeno n\u00famero de refugiados que chegam ao seu litoral.<\/p>\n<p>Como os sistemas de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses assolados pela guerra est\u00e3o em decad\u00eancia, \u00e9 indispens\u00e1vel a implanta\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es de longo prazo antes que a situa\u00e7\u00e3o se torne ca\u00f3tica, afirmam especialistas.A C\u00fapula Humanit\u00e1ria Mundial poder\u00e1 ser a plataforma onde ser\u00e3o dados os primeiros passos nessa dire\u00e7\u00e3o. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*Este artigo integra uma s\u00e9rie elaborada pela IPS sobre a C\u00fapula Humanit\u00e1ria Mundial, que acontecer\u00e1 em Istambul, na Turquia, nos dias 23 e 24 deste m\u00eas.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;N&atilde;o queremos caridade. Queremos uma solu&ccedil;&atilde;o de longo prazo&rdquo;, afirmaram numerosos refugiados palestinos que escaparam da S&iacute;ria e retornaram ao territ&oacute;rio palestino de Gaza, em novembro de 2015. 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