{"id":20884,"date":"2016-05-30T14:00:52","date_gmt":"2016-05-30T14:00:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=209729"},"modified":"2016-05-30T14:00:52","modified_gmt":"2016-05-30T14:00:52","slug":"poderosos-ignoram-a-crise-humanitaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/05\/ultimas-noticias\/poderosos-ignoram-a-crise-humanitaria\/","title":{"rendered":"Poderosos ignoram a crise humanit\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_209727\" style=\"width: 586px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/humanitaria12-629x420-1.jpg\"><img class=\" wp-image-209727\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/humanitaria12-629x420-1-300x200.jpg\" alt=\"Acampamento para deslocados no norte do Iraque. Entre os temas debatidos na C\u00fapula Humanit\u00e1ria Mundial (CHM) estava o de como o setor humanit\u00e1rio pode proteger melhor os civis da viol\u00eancia. Foto: Brandon Bateman\/Ocha\" width=\"576\" height=\"384\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/humanitaria12-629x420-1-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/humanitaria12-629x420-1.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Acampamento para deslocados no norte do Iraque. Entre os temas debatidos na C\u00fapula Humanit\u00e1ria Mundial (CHM) estava o de como o setor humanit\u00e1rio pode proteger melhor os civis da viol\u00eancia. Foto: Brandon Bateman\/Ocha<\/p><\/div>\n<p>por\u00a0Baher Kamal, da IPS &#8211;<\/p>\n<p>Roma, It\u00e1lia, 30\/5\/2016 \u2013 A crise humanit\u00e1ria \u00e9 uma bomba prestes a explodir com 130 milh\u00f5es de pessoas vulner\u00e1veis, que precisam urgentemente receber assist\u00eancia. No entanto, os pa\u00edses poderosos, principais respons\u00e1veis pela conjuntura atual, e que por isso mesmo t\u00eam possibilidades de mud\u00e1-la, continuam fingindo que n\u00e3o ouvem nem veem os sinais de alarme.<\/p>\n<p>A C\u00fapula Humanit\u00e1ria Mundial, realizada na cidade turca de Istambul nos dias 23 e 24 deste m\u00eas, significou um esfor\u00e7o sem precedentes para as ag\u00eancias da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), os pa\u00edses membros e centenas de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais que lan\u00e7aram um processo de consulta com mais de 23 mil atores, a fim de retratar o drama humanit\u00e1rio atual.<\/p>\n<p>Acordaram um \u201cgrande pacto\u201d, a fim de colocar mais recursos nas m\u00e3os dos que mais necessitam deles e s\u00e3o v\u00edtimas de crises que n\u00e3o causaram. A c\u00fapula tamb\u00e9m conseguiu apoio unanime para as cinco responsabilidades fundamentais, que contribuir\u00e3o para aliviar o sofrimento humano, preveni-lo e inclusive termin\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Cerca de nove mil participantes de 173 pa\u00edses, entre eles 55 chefes de Estado e de governo e centenas de outros atores importantes alertaram sobre o agravamento das crises atuais e fizeram fortes chamados para uma a\u00e7\u00e3o, a fim de evitar que a qualquer momento ocorra a explos\u00e3o da \u201cbomba humanit\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os governantes do Grupo dos Sete (G7) pa\u00edses mais industrializados e dos cinco membros permanentes do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU permaneceram \u00e0 margem da primeira c\u00fapula humanit\u00e1ria, limitando sua presen\u00e7a a delega\u00e7\u00f5es com funcion\u00e1rios de menor hierarquia.<\/p>\n<p>A significativa aus\u00eancia dos dirigentes pol\u00edticos dos pa\u00edses mais ricos e poderosos enviou um sinal negativo, gerando uma grande frustra\u00e7\u00e3o devido aos gigantescos esfor\u00e7os realizados pela ONU para preparar a reuni\u00e3o e mobilizar as consci\u00eancias, para n\u00e3o mencionar os milh\u00f5es de pessoas mais vulner\u00e1veis, presas de dramas humanos que n\u00e3o criaram.<\/p>\n<p>De fato, o maior fluxo de refugiados \u00e9 resultado de guerras, n\u00e3o s\u00f3 no Afeganist\u00e3o e no Iraque, pa\u00edses submetidos a vastas opera\u00e7\u00f5es militares encabe\u00e7adas por coaliz\u00f5es do G7, mas tamb\u00e9m do conflito armado no I\u00eamen, com apoio dos Estados Unidos e da Europa, e na S\u00edria, onde os membros do Conselho de Seguran\u00e7a, salvo a China, fornecem armas \u00e0s partes em confronto h\u00e1 seis anos.<\/p>\n<p>Outras v\u00edtimas do atual drama humanit\u00e1rio s\u00e3o os \u201crefugiados clim\u00e1ticos\u201d, que fogem da amea\u00e7a da morte que significam as secas, inunda\u00e7\u00f5es e outros desastres sem precedentes, derivados da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, cujos principais respons\u00e1veis s\u00e3o os pa\u00edses mais industrializados.<\/p>\n<div id=\"attachment_209728\" style=\"width: 611px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/humanitaria12-629x420-2.jpg\"><img class=\" wp-image-209728\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/humanitaria12-629x420-2-300x200.jpg\" alt=\"No Sud\u00e3o, mulheres fazem fila para receber alimentos em Tawilla, um local para pessoas deslocadas que chegam fugindo de Jebel Marra, em Darful. Esse tipo de assist\u00eancia de emerg\u00eancia tira fundos de projetos de nutri\u00e7\u00e3o em Cartum. Foto: Ocha\" width=\"601\" height=\"400\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/humanitaria12-629x420-2-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/humanitaria12-629x420-2.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 601px) 100vw, 601px\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">No Sud\u00e3o, mulheres fazem fila para receber alimentos em Tawilla, um local para pessoas deslocadas que chegam fugindo de Jebel Marra, em Darful. Esse tipo de assist\u00eancia de emerg\u00eancia tira fundos de projetos de nutri\u00e7\u00e3o em Cartum. Foto: Ocha<\/p><\/div>\n<p>A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o foi a chanceler alem\u00e3, Angela Merkel, que participou da c\u00fapula, embora se diga que tenha viajado a Istambul para se encontrar com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, para tentar aliviar a crescente tens\u00e3o entre Ancara e a Uni\u00e3o Europeia (UE), causada por acusa\u00e7\u00f5es m\u00fatuas de n\u00e3o cumprimento do acordo de deporta\u00e7\u00e3o de refugiados concretizado em mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Em resumo, o acordo UE-Ancara converte a Turquia em um grande \u201cdep\u00f3sito\u201d de milh\u00f5es de pessoas que fogem de guerras e outros desastres causados pelas atividades humanas, e que pretendem chegar \u00e0 Europa. Em troca, Ancara recebe do bloco europeu tr\u00eas milh\u00f5es de euros (US$ 3,34 bilh\u00f5es) por ano para financiar a manuten\u00e7\u00e3o, o alojamento e alimento para tr\u00eas milh\u00f5es de refugiados que j\u00e1 est\u00e3o em seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia tamb\u00e9m prometeu autorizar a entrada de cidad\u00e3os turcos nos pa\u00edses membros sem necessidade de visto. Por\u00e9m, ao final da c\u00fapula, Erdogan fez uma amea\u00e7a \u00e0 UE, ao declarar que, se esta n\u00e3o implantar sua parte do acordo, o parlamento turco n\u00e3o ratificar\u00e1 a lei que habilita receber essas pessoas.<\/p>\n<p>Isto \u00e9, a Turquia n\u00e3o s\u00f3 deixar\u00e1 de receber \u201cretornados\u201d, como abrir\u00e1 suas fronteiras aos refugiados e a outros milh\u00f5es de pessoas que passam por seu territ\u00f3rio rumo aos pa\u00edses da UE. A \u201cbomba humana\u201d est\u00e1 ativada nas partes da Europa.<\/p>\n<p>Entretanto, apesar dos reveses, a c\u00fapula de Istambul fixou um novo rumo. \u201cN\u00e3o \u00e9 um ponto final, \u00e9 um ponto de inflex\u00e3o\u201d, afirmou o secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, ao final do encontro. E destacou que os governos, as pessoas prejudicadas pelas crises, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, o setor privado e ag\u00eancias da ONU, entre outros s\u00f3cios, se juntaram e expressaram seu apoio \u00e0 Agenda para a Humanidade e suas cinco responsabilidades fundamentais.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio implantar esta agenda, se queremos que as pessoas vivam com dignidade e prosperidade, e cumprir os hist\u00f3ricos acordos da Agenda de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel e o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, ressaltou Ban, se referindo ao Acordo de Paris. \u201cOs governos se comprometeram a fazer mais para prevenir conflitos e construir a paz, respeitar o direito humanit\u00e1rio internacional e cumprir seu compromisso com a Carta da ONU\u201d, recordou.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-geral anunciou que em setembro deste ano informar\u00e1 \u00e0 Assembleia Geral da ONU os \u00eaxitos da c\u00fapula e apresentar\u00e1 propostas para \u201cpromover nossos compromissos mediante processos intergovernamentais, f\u00f3runs interag\u00eancias e outros mecanismos\u201d.<\/p>\n<p>O resumo do presidente da c\u00fapula De P\u00e9 Pela Humanidade: Compromisso Para a A\u00e7\u00e3o, divulgado ao final do encontro, diz que \u201cos conflitos e as guerras civis elevam a um grau sem precedentes o sofrimento e as necessidades humanit\u00e1rias, e as graves viola\u00e7\u00f5es do direito humanit\u00e1rio internacional e os abusos dos direitos humanos s\u00e3o alarmantes; popula\u00e7\u00f5es inteiras ficam sem os fornecimentos b\u00e1sicos que necessitam desesperadamente\u201d.<\/p>\n<p>O documento tamb\u00e9m afirma que os desastres naturais, exacerbados pelos efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, prejudicam um n\u00famero muito maior de mulheres, homens, meninos e meninas, minando os \u00eaxitos em mat\u00e9ria de desenvolvimento e colocando em risco a estabilidade de pa\u00edses inteiros. \u201cAo mesmo tempo, n\u00e3o podemos gerar os recursos para enfrentar essas tend\u00eancias alarmantes e s\u00e3o necess\u00e1rios mais fundos humanit\u00e1rios diretos e previs\u00edveis\u201d, alerta a declara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA c\u00fapula permitiu concentrar a aten\u00e7\u00e3o mundial na dimens\u00e3o das mudan\u00e7as necess\u00e1rias, se pretendemos atender os desafios que temos pela frente. Os participantes destacaram que a assist\u00eancia humanit\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 suficiente para atender de forma adequada nem reduzir de maneira sustent\u00e1vel as necessidades dos 130 milh\u00f5es de pessoas vulner\u00e1veis\u201d, destacou a declara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Necessitamos de um novo enfoque coerente se pretendemos fazer frente \u00e0s causas de raiz, aumentar a diplomacia pol\u00edtica para a preven\u00e7\u00e3o e a resolu\u00e7\u00e3o de conflitos e unir esfor\u00e7os humanit\u00e1rios para o desenvolvimento e para construir a paz, acrescenta o documento.<\/p>\n<p>Segundo a nota, \u201cos governantes do mundo reconheceram a centralidade da vontade pol\u00edtica para prevenir e p\u00f4r fim aos conflitos de forma efetiva, para enfrentar as causas de raiz, reduzir a fragilidade e fortalecer a boa governan\u00e7a\u201d. \u201cPrevenir e resolver conflitos seria a maior contribui\u00e7\u00e3o que poderiam fazer os governantes para reduzir as esmagadoras necessidades humanit\u00e1rias. A a\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria n\u00e3o pode substituir a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d, ressalta. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por&nbsp;Baher Kamal, da IPS &ndash; Roma, It&aacute;lia, 30\/5\/2016 &ndash; A crise humanit&aacute;ria &eacute; uma bomba prestes a explodir com 130 milh&otilde;es de pessoas vulner&aacute;veis, que precisam urgentemente receber assist&ecirc;ncia. 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