{"id":20890,"date":"2016-06-01T13:46:38","date_gmt":"2016-06-01T13:46:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=209827"},"modified":"2016-06-01T13:46:38","modified_gmt":"2016-06-01T13:46:38","slug":"novo-enfoque-para-uso-do-capital-natural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/06\/ultimas-noticias\/novo-enfoque-para-uso-do-capital-natural\/","title":{"rendered":"Novo enfoque para uso do capital natural"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_209828\" style=\"width: 555px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/salud-629x421-3.jpg\"><img class=\" wp-image-209828\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/salud-629x421-3-300x225.jpg\" alt=\"Os recursos minerais da \u00c1frica, utilizados com intelig\u00eancia, podem impulsionar seu desenvolvimento sustent\u00e1vel. Foto: Busani Bafana\/IPS\" width=\"545\" height=\"409\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/salud-629x421-3-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/salud-629x421-3.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 545px) 100vw, 545px\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os recursos minerais da \u00c1frica, utilizados com intelig\u00eancia, podem impulsionar seu desenvolvimento sustent\u00e1vel. Foto: Busani Bafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p>por\u00a0Busani Bafana, da IPS &#8211;<\/p>\n<p>Bulawayo, Zimb\u00e1bue, 31\/5\/2016 \u2013 Terminar com a falta de fundos da \u00c1frica para acelerar seu desenvolvimento econ\u00f4mico e social requer um novo enfoque para o uso de seu capital natural, afirmaram na semana passada especialistas reunidos na capital do Qu\u00eania para a segunda Assembleia da ONU sobre Meio Ambiente (Unea 2). \u00c9 hora deste continente investir milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares, parte dos US$ 50 bilh\u00f5es perdidos pelo fluxo ilegal de fundos, para agregar valor aos seus recursos naturais e minerais.<\/p>\n<p>\u201cO capital natural da \u00c1frica pode significar uma contribui\u00e7\u00e3o ambiental, social e econ\u00f4mica ao desenvolvimento sustent\u00e1vel e alcan\u00e7ar os ODS se for aproveitado de forma sustent\u00e1vel\u201d, afirmou Richard Munang, especialista em mudan\u00e7a clim\u00e1tica e pol\u00edticas de desenvolvimento do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).<\/p>\n<p>Munang se referia aos ambiciosos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), aprovados no ano passado na sede da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em Nova York. Aproveitar o capital natural da \u00c1frica de forma sustent\u00e1vel implica, entre outras a\u00e7\u00f5es, uma s\u00f3lida gest\u00e3o ambiental dos recursos, redu\u00e7\u00e3o da perda de alimentos, fim da fuga financeira ilegal e dos crimes contra a vida silvestre, explicou Munang \u00e0 IPS, antes da Unea 2, o f\u00f3rum de decis\u00e3o de maior peso em mat\u00e9ria ambiental.<\/p>\n<p>Realizada a cada dois anos, a Unea reuniu, entre os dias 23 e 27 deste m\u00eas, cerca de 1.700 participantes de 155 pa\u00edses na sede do Pnuma, em Nair\u00f3bi, a fim de adotar medidas concretas em escala internacional para fazer frente aos principais desafios ambientais. Nessa reuni\u00e3o tamb\u00e9m se discutiu sobre \u00e1reas estrat\u00e9gicas para a implanta\u00e7\u00e3o do Acordo de Paris sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica e para a gest\u00e3o do capital natural que, segundo Munang, ser\u00e1 um f\u00f3rum de pol\u00edtica global para a \u00c1frica pelo qual se mobilizar\u00e1 apoio e se fixar\u00e1 uma agenda que a ajude a concretizar suas prioridades.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Ministerial da \u00c1frica sobre Meio Ambiente (Amcen) pede, em rela\u00e7\u00e3o ao capital natural deste continente, a cria\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es e ado\u00e7\u00e3o de medidas em escalas nacional, regional e global para reverter a atual perda de recursos naturais. Os dados revelam que a degrada\u00e7\u00e3o dos ecossistemas custa \u00e0 \u00c1frica cerca de US$ 68 bilh\u00f5es ao ano e que a perda de alimentos colhidos retira US$ 4 bilh\u00f5es anuais do setor agr\u00edcola.<\/p>\n<p>A maior perda econ\u00f4mica foi em Fluxos Financeiros Il\u00edcitos (FFI), que representa perda anual de US$ 50 bilh\u00f5es. Para a \u00c1frica, custa US$ 20 bilh\u00f5es por ano combater os crimes contra a vida silvestre, a explora\u00e7\u00e3o madeireira, a pesca e a minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cRedirecionar os fundos recuperados para a economia significar\u00e1 uma inje\u00e7\u00e3o de at\u00e9 US$ 150 bilh\u00f5es ao ano para reinvestir em \u00e1reas de elevado custo inicial, cruciais para o desenvolvimento sustent\u00e1vel, como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, que necessitam, respectivamente, de investimentos de US$ 32 bilh\u00f5es e US$ 26 bilh\u00f5es anuais para atingir os ODS de n\u00fameros 3 e 4, ou como a infraestrutura, onde s\u00e3o necess\u00e1rios US$ 83 bilh\u00f5es por ano para atingir o ODS 9\u201d, pontuou Munang.<\/p>\n<div id=\"attachment_209829\" style=\"width: 516px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/salud-629x421-4.jpg\"><img class=\" wp-image-209829\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/salud-629x421-4-300x231.jpg\" alt=\"O presidente do Grupo de Pa\u00edses Menos Adiantados, Tosi Mpanu-Mpanu, fala em dois cen\u00e1rios de desenvolvimento poss\u00edveis na \u00c1frica: um \u201cverde\u201d e outro \u201ccinza\u201d. Foto: Busani Bafana\/IPS\" width=\"506\" height=\"389\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/salud-629x421-4-300x231.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/salud-629x421-4.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 506px) 100vw, 506px\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O presidente do Grupo de Pa\u00edses Menos Adiantados, Tosi Mpanu-Mpanu, fala em dois cen\u00e1rios de desenvolvimento poss\u00edveis na \u00c1frica: um \u201cverde\u201d e outro \u201ccinza\u201d. Foto: Busani Bafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Os chefes de Estado e de governo africanos adotaram, em maio de 2012, junto a s\u00f3cios dos setores p\u00fablico e privado, a Declara\u00e7\u00e3o de Gaborone para a Sustentabilidade na \u00c1frica, na qual se comprometem a promover o desenvolvimento sustent\u00e1vel. A declara\u00e7\u00e3o, avalizada pela Amcen como ve\u00edculo para um desenvolvimento verde.<\/p>\n<p>Antes desta \u00faltima Unea, o ministro de Meio Ambiente, Vida Silvestre e Turismo de Botswana, Tshekedi Khama, afirmou que as vastas reservas naturais da \u00c1frica poderiam impulsionar a transforma\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica do continente. \u201cMas s\u00f3 a explora\u00e7\u00e3o dos recursos n\u00e3o bastar\u00e1 para gerar uma mudan\u00e7a duradoura\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>\u201cCom as tend\u00eancias atuais de consumo e crescimento populacional, a humanidade necessitar\u00e1 de dois planetas Terra para se abastecer em 2030\u201d, apontou Khama, cujo governo, junto com os de Zimb\u00e1bue e Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, apresentou um plano claro sobre a melhor forma de administrar o capital natural para impulsionar o desenvolvimento sustent\u00e1vel e erradicar a pobreza.<\/p>\n<p>Segundo Khama, \u201c\u00e9 crucial o mundo se unir para aprovar a resolu\u00e7\u00e3o, a fim de expandir e diversificar nossas economias, criar emprego, conseguir a seguran\u00e7a alimentar, melhorar a produtividade de nossos ecossistemas e criar uma sociedade mais inclusiva\u201d. Os incentivos econ\u00f4micos para que a \u00c1frica administre melhor seus recursos naturais s\u00e3o convincentes: s\u00f3 esse continente poderia economizar at\u00e9 US$ 103 bilh\u00f5es ao ano, com os quais seria poss\u00edvel financiar programas de desenvolvimento, acrescentou.<\/p>\n<p>Munang destacou que uma associa\u00e7\u00e3o de sucesso entre os atores do desenvolvimento, articulados na plataforma Adapta\u00e7\u00e3o baseada no ecossistema para a Assembleia da Seguran\u00e7a Alimentar, criada pela Comiss\u00e3o da Uni\u00e3o Africana, ajudar\u00e1 o continente a superar a falta de tecnologia, fundos, capacidades e pol\u00edticas \u00f3timas, que s\u00e3o barreiras para mobilizar o investimento no desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>A \u00c1frica precisa lidar com a seguran\u00e7a alimentar e nutricional, al\u00e9m da pobreza energ\u00e9tica, tudo o que se pode resolver mediante um investimento adequado e sustentado, que possa destravar as rendas derivadas do capital natural. O Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC) citou a energia renov\u00e1vel como uma das chaves para fazer frente \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>A \u00c1frica tem uma grande oportunidade de impulsionar uma mudan\u00e7a limpa progressiva dos combust\u00edveis f\u00f3sseis para as energias renov\u00e1veis, pois conta com grande radia\u00e7\u00e3o solar e vento, que n\u00e3o emitem gases-estufa, nem contaminam a atmosfera. Mais de 620 milh\u00f5es de pessoas na \u00c1frica n\u00e3o t\u00eam eletricidade, o que o ex-secret\u00e1rio-geral da ONU e presidente do Painel para o Progresso da \u00c1frica, Kofi Annan, qualificou de injusti\u00e7a, porque rouba a dignidade de milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Segundo o informe do Progresso da \u00c1frica \u2013 Energia, Pessoas, Planeta: Aproveitar a Energia da \u00c1frica e As Oportunidades Clim\u00e1ticas \u2013, a \u00c1frica subsaariana sofre uma elevada pobreza energ\u00e9tica, com mais de 60% de sua popula\u00e7\u00e3o sem servi\u00e7o el\u00e9trico e 80% sem fog\u00f5es limpos. Al\u00e9m de sua import\u00e2ncia para enfrentar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, h\u00e1 outra raz\u00e3o fundamental para desenvolver os recursos renov\u00e1veis na \u00c1frica: a demanda por energia que aumenta rapidamente.<\/p>\n<p>Ao mencionar que o apoio econ\u00f4mico aos pa\u00edses africanos elevou o controle sobre a gest\u00e3o de seus recursos naturais, o presidente do Grupo de Pa\u00edses Menos Adiantados, Tosi Mpanu-Mpanu, pontuou \u00e0 IPS que esses fundos n\u00e3o devem ferir a autonomia local. E explicou que \u201ca chave para garantir que os pa\u00edses africanos se beneficiem de seus recurso naturais, e protejam sua prosperidade e o crescimento no longo prazo, \u00e9 encontrar a liga\u00e7\u00e3o correta entre o crescimento dos recursos naturais e o desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>\u201cImagine dois cen\u00e1rios, um \u2018verde\u2019, com elevado grau de energia renov\u00e1vel e muito pouca contamina\u00e7\u00e3o pelos combust\u00edveis f\u00f3sseis, e outro \u2018cinza\u2019, com elevada explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais, que impulsione um forte crescimento econ\u00f4mico de curto prazo\u201d, explicou Mpanu-Mpanu. \u201cO cen\u00e1rio verde pode implicar um elevado custo inicial, com grandes benef\u00edcios no longo prazo, enquanto o cinza ser\u00e1 mais barato no come\u00e7o, mas acabar\u00e1 arruinando o clima, nossos ambientes e nossas economias\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por&nbsp;Busani Bafana, da IPS &ndash; Bulawayo, Zimb&aacute;bue, 31\/5\/2016 &ndash; Terminar com a falta de fundos da &Aacute;frica para acelerar seu desenvolvimento econ&ocirc;mico e social requer um novo enfoque para o uso de seu capital natural, afirmaram na semana passada especialistas reunidos na capital do Qu&ecirc;nia para a segunda Assembleia da ONU sobre Meio Ambiente (Unea [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/06\/ultimas-noticias\/novo-enfoque-para-uso-do-capital-natural\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2044,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2781,2458,3178],"class_list":["post-20890","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-featured","tag-inter-press-service","tag-ips"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20890","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2044"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20890"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20890\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20891,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20890\/revisions\/20891"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20890"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20890"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20890"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}