{"id":20898,"date":"2016-06-03T15:00:25","date_gmt":"2016-06-03T15:00:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=209895"},"modified":"2016-06-03T15:00:25","modified_gmt":"2016-06-03T15:00:25","slug":"trafico-latino-de-especies-silvestres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/06\/ultimas-noticias\/trafico-latino-de-especies-silvestres\/","title":{"rendered":"Tr\u00e1fico latino de esp\u00e9cies silvestres"},"content":{"rendered":"<div style=\"width: 688px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"\" src=\"http:\/\/cdn.ipsnoticias.net\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Especies-31-629x420.jpg\" width=\"678\" height=\"453\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Por sua riqueza biol\u00f3gica, a Am\u00e9rica Latina e o Caribe s\u00e3o fonte e destino do tr\u00e1fico de esp\u00e9cies silvestres. A foto mostra periquitos, p\u00e1ssaros da fam\u00edlia dos psitac\u00eddeos, em cativeiro ap\u00f3s serem comercializados ilegalmente. Foto: Prote\u00e7\u00e3o Animal Mundial<\/p><\/div>\n<p>por &#8211;\u00a0Emilio Godoy, da IPS<\/p>\n<p>Cidade do M\u00e9xico, M\u00e9xico, 3\/6\/2016 \u2013 Em v\u00e1rios sites pode-se comprar exemplares da salamandra axolote (<em>Ambystoma mexicanum<\/em>) ou da tartaruga de carapa\u00e7a mole, ou de \u00e1gua doce (<em>Trionyx spiniferus<\/em>), apesar de isso violar um com\u00e9rcio regulado por conven\u00e7\u00f5es internacionais. S\u00e3o casos que servem de exemplo das novas modalidades do tr\u00e1fico de esp\u00e9cies vegetais e animais, que agravam ainda mais o contrabando transfronteiri\u00e7o e se alimentam tamb\u00e9m por sites localizados na chamada internet profunda, a web com conte\u00fados invis\u00edveis para os programas de busca.<\/p>\n<p>Apesar da magnitude do dano \u00e0 biodiversidade, a Am\u00e9rica Latina e o Caribe registram poucos avan\u00e7os no combate ao com\u00e9rcio ilegal de esp\u00e9cies silvestres, o tema deste ano do Dia Mundial do Meio Ambiente, que ser\u00e1 celebrado no dia 5, sob o lema O Futuro da Vida Silvestre Est\u00e1 em Nossas M\u00e3os. Por sua riqueza biol\u00f3gica, M\u00e9xico, Am\u00e9rica Central e a Amaz\u00f4nia (com por\u00e7\u00f5es de Bol\u00edvia, Brasil, Col\u00f4mbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela) s\u00e3o as principais fontes de esp\u00e9cies vegetais e animais para o mercado ilegal.<\/p>\n<p>\u201cA Am\u00e9rica Latina representa uma atividade bastante importante, porque existem v\u00e1rios pa\u00edses considerados megadiversos, o que torna a regi\u00e3o muito vulner\u00e1vel ao tr\u00e1fico\u201d, apontou \u00e0 IPS o especialista Roberto Vieto. O gerente de vida silvestre para a Am\u00e9rica Latina da n\u00e3o governamental Prote\u00e7\u00e3o Animal Mundial, organiza\u00e7\u00e3o com base em Londres e dedicada ao bem-estar da fauna, denunciou que h\u00e1 um retomada no tr\u00e1fico da vida silvestre na regi\u00e3o, potencializado pelo com\u00e9rcio eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p>O <em>Relat\u00f3rio Sobre o Crime da Vida Silvestre Mundial<\/em>, publicado no dia 26 de maio pelo Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas Contra a Droga e o Crime (UNODC), indica que, no per\u00edodo 2004-2015, M\u00e9xico, Argentina, Chile e Venezuela encabe\u00e7aram a lista de apreens\u00f5es latino-americanas de variedades de flora e fauna. Na regi\u00e3o aconteceram 15% das apreens\u00f5es mundiais, enquanto na Am\u00e9rica do Norte foram 46%, na \u00c1sia e no Pac\u00edfico, 24%, na Europa, 14%, e na \u00c1frica, 1%.<\/p>\n<p>Das apreens\u00f5es se deduz que r\u00e9pteis, mam\u00edferos e aves s\u00e3o as esp\u00e9cies latino-americanas estrelas do tr\u00e1fico, com Estados Unidos, Europa e, mais recentemente, a China, como destinos favoritos. O UNODC estima que sete mil esp\u00e9cies s\u00e3o traficadas mundialmente, atividade que gera por ano entre US$ 8,9 bilh\u00f5es de US$ 22,25 bilh\u00f5es, informou a Uni\u00e3o Europeia em fevereiro. Isso converte esse tipo de tr\u00e1fico em um dos quatro maiores crimes transnacionais, junto com as drogas, armas e o tr\u00e1fico de pessoas.<\/p>\n<div style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"\" src=\"http:\/\/cdn.ipsnoticias.net\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Especies-2.jpg\" width=\"640\" height=\"480\" \/><p class=\"wp-caption-text\">O contrabando, a falsifica\u00e7\u00e3o de documentos e a mistura de produtos ilegais e legais s\u00e3o os meios favoritos dos saqueadores de esp\u00e9cies silvestres. Na foto, pequenos p\u00e1ssaros presos em latas, que foram descobertos em uma a\u00e7\u00e3o realizada no Brasil. Foto: Prote\u00e7\u00e3o Animal Mundial<\/p><\/div>\n<p>As capturas de variedades s\u00e3o um indicativo da magnitude do fen\u00f4meno. Para citar um exemplo, as autoridades mexicanas apreenderam, entre 2007 e 2011, mais de 200 mil exemplares e detiveram 294 pessoas envolvidas no crime. Em 2013, foram apreendidos 4.033 exemplares e detidas 57 pessoas por tr\u00e1fico de fauna e flora silvestres, e, no ano seguinte, o \u00faltimo sobre o qual existem dados, apenas 1.741 plantas e animais foram apreendidos e 37 pessoas processadas.<\/p>\n<p>\u201cA problem\u00e1tica \u00e9 muito grave. Para certas esp\u00e9cies, o tr\u00e1fico \u00e9 sua \u00fanica amea\u00e7a. O tr\u00e1fico internacional se foca em esp\u00e9cies end\u00eamicas, as mais raras, as amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltou o representante do M\u00e9xico junto \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o norte-americana Defensores da Vida Silvestre, Juan Carlos Cant\u00fa. Praticamente, todos os pa\u00edses latino-americanos penalizam o tr\u00e1fico de variedades silvestres e aplicam estrat\u00e9gias nacionais contra esse crime. Mas esse combate enfrenta atrasos e lacunas legais, embora sua din\u00e2mica seja bem conhecida.<\/p>\n<p>Um exemplo: em seu primeiro <em>Relat\u00f3rio Nacional Sobre o Tr\u00e1fico de Animais Selvagens<\/em>, de 2014, a organiza\u00e7\u00e3o Renctas, do Brasil, concluiu que mais de um milh\u00e3o de caim\u00e3s (um tipo de crocodilo americano) s\u00e3o ca\u00e7ados anualmente de forma ilegal em zonas naturais brasileiras, para envio de suas peles para pa\u00edses vizinhos, onde s\u00e3o processadas e exportadas. Em 2015, a organiza\u00e7\u00e3o Defensores registrou, em seu documento <em>Lutando Contra o Tr\u00e1fico de Vida Silvestre da Am\u00e9rica Latina para os Estados Unidos<\/em>, que os cinco animais mais traficados eram os carac\u00f3is rosados, as tartarugas marinhas, os caim\u00e3s, os crocodilos e as iguanas.<\/p>\n<p>O lucrativo mercado chin\u00eas \u00e9 o cadafalso para variedades como a totoaba, o pepino do mar e os tubar\u00f5es. A captura da totoaba (um peixe de \u00e1guas do noroeste mexicano e cuja barriga \u00e9 muito consumida na \u00c1sia como afrodis\u00edaco) sentencia \u00e0 morte a vaquinha marinha (<em>Phocoena sinus<\/em>), um cet\u00e1ceo que est\u00e1 \u00e0 beira do precip\u00edcio biol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Entre os m\u00e9todos utilizados est\u00e3o contrabando, uso de documentos legais para ocultar atividades ilegais, ou de permiss\u00f5es falsificadas e outros tipos de fraudes. Como indica o UNODC, alguns mercados s\u00e3o vulner\u00e1veis \u00e0 infiltra\u00e7\u00e3o de fontes ilegais ou de vida silvestre traficada, onde n\u00e3o h\u00e1 regulamenta\u00e7\u00e3o internacional. Os contrabandistas e seus clientes aproveitam vazios legais na regi\u00e3o. Por exemplo, o Brasil pro\u00edbe a venda de esp\u00e9cies selvagens, mas mant\u00e9m como legal a posse desses animais criados em regime de sujei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div style=\"width: 696px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"\" src=\"http:\/\/cdn.ipsnoticias.net\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Especies-1.jpg\" width=\"686\" height=\"458\" \/><p class=\"wp-caption-text\">R\u00e9pteis, mam\u00edferos e aves s\u00e3o as principais variedades traficadas da Am\u00e9rica Latina e do Caribe. Na foto, um inspetor da mexicana Procuradoria Federal de Prote\u00e7\u00e3o ao Meio Ambiente durante uma opera\u00e7\u00e3o, em 2011, contra o tr\u00e1fico ilegal de aves protegidas. Foto: Profepa<\/p><\/div>\n<p>Os tubar\u00f5es s\u00e3o uma mostra das incongru\u00eancias legais. A maioria das na\u00e7\u00f5es latino-americanas aprova sua venda comercial, mas limita ou impede a pesca para a extra\u00e7\u00e3o das barbatanas, um manjar em paragens asi\u00e1ticas e um incentivo \u00e0 mescla de mercados legais e ilegais.<\/p>\n<p>A Conven\u00e7\u00e3o sobre Com\u00e9rcio Internacional de Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas de Fauna e Flora Silvestres (Cites), vigente desde 1975, cobre 5.600 esp\u00e9cies de animais e 30 mil de plantas contra a superexplora\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio internacional, segundo seu grau de risco de desaparecimento. Mas as milh\u00f5es de esp\u00e9cies que n\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddas na Cites podem ser criadas ilegalmente e comercializadas internacionalmente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os mercados nacionais tamb\u00e9m est\u00e3o foram de seu alcance, na medida em que n\u00e3o se pode provar que os produtos n\u00e3o cruzaram fronteiras, em contraven\u00e7\u00e3o \u00e0s normas da Cites. No caso latino-americano, a maioria dos pa\u00edses da regi\u00e3o apresentaram, pelo menos desde 2010 junto \u00e0 Cites, seus informes bianuais sobre apropria\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies, apesar da import\u00e2ncia da fiscaliza\u00e7\u00e3o no combate ao tr\u00e1fico.<\/p>\n<p>Essa brecha tem os dias contados, pois em sua reuni\u00e3o anual de fevereiro em Genebra, o Comit\u00ea Permanente da Cites decidiu que seus Estados membros devem entregar a cada ano estat\u00edsticas de apreens\u00f5es que engrossar\u00e3o um relat\u00f3rio anual, e o primeiro deles ser\u00e1 publicado em outubro de 2017.<\/p>\n<p>Vieto e Cant\u00fa concordam quanto \u00e0 import\u00e2ncia da conscientiza\u00e7\u00e3o da sociedade para que n\u00e3o compre esp\u00e9cies silvestres. \u201cS\u00e3o necess\u00e1rias campanhas de sensibiliza\u00e7\u00e3o para reduzir o consumo de produtos, refor\u00e7ar a aplica\u00e7\u00e3o de normas existentes e a coopera\u00e7\u00e3o internacional\u201d para cobrir os vazios locais, prop\u00f4s Vieto. Para Cant\u00fa, \u00e9 fundamental diminuir a demanda. \u201c\u00c9 preciso ensinar \u00e0s pessoas que n\u00e3o se deve comprar animais ou produtos silvestres. Isso bastaria para diminuir o tr\u00e1fico a n\u00edveis sustent\u00e1veis\u201d, destacou.<\/p>\n<p><strong>Parte dos ODS<\/strong><\/p>\n<p>A elimina\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de vida silvestre integra a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel. No 15\u00ba dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), o dedicado \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos ecossistemas terrestres, a meta sete contempla \u201cadotar medidas urgentes para acabar com a ca\u00e7a ilegal e o tr\u00e1fico de esp\u00e9cies protegidas de flora e fauna, e enfrentar tanto a demanda como a oferta de produtos ilegais silvestres\u201d.<\/p>\n<p><strong>Pedidos \u00e0 Cites<\/strong><\/p>\n<p>Para a 17\u00aa Confer\u00eancia das Partes da Cites, que acontecer\u00e1 em Johannesburgo entre 24 de setembro e 5 de outubro, El Salvador, Guatemala e Honduras pediram a inclus\u00e3o no Ap\u00eandice I de quatro tipos de lagartos do g\u00eanero Abronia. Essa \u00e9 a lista de esp\u00e9cies cujo com\u00e9rcio \u00e9 proibido.<\/p>\n<p>Em um caso que chama a aten\u00e7\u00e3o, o M\u00e9xico solicitou a ades\u00e3o de 13 esp\u00e9cies de madeiras de pau-rosa (<em>Dalbergia calderonii<\/em>) no Ap\u00eandice II, que cont\u00e9m as esp\u00e9cies com restri\u00e7\u00f5es comerciais, para proteger essa variedade do tr\u00e1fico madeireiro. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por &ndash;&nbsp;Emilio Godoy, da IPS Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 3\/6\/2016 &ndash; Em v&aacute;rios sites pode-se comprar exemplares da salamandra axolote (Ambystoma mexicanum) ou da tartaruga de carapa&ccedil;a mole, ou de &aacute;gua doce (Trionyx spiniferus), apesar de isso violar um com&eacute;rcio regulado por conven&ccedil;&otilde;es internacionais. 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