{"id":20937,"date":"2016-06-17T13:03:58","date_gmt":"2016-06-17T13:03:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=210333"},"modified":"2016-06-17T13:03:58","modified_gmt":"2016-06-17T13:03:58","slug":"seca-leva-o-lucro-obtido-com-o-mel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/06\/ultimas-noticias\/seca-leva-o-lucro-obtido-com-o-mel\/","title":{"rendered":"Seca leva o lucro obtido com o mel"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_210334\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-210334\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/miel-629x420.jpg\" alt=\"O agricultor e apicultor zimbabuense Nyovane Ndlovu mostra vidros de mel produzidos com sua pr\u00f3pria marca. 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Foto: Busani Bafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Busani Bafana, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Bulawayo, Zimb\u00e1bue, 17\/6\/2016 \u2013 O mel \u201c\u00e9 tudo\u201d, afirmou Nyovane Ndlovu, se referindo ao fato de a apicultura ser uma fonte alternativa de \u201cdinheiro doce\u201d nas zonas do Zimb\u00e1bue golpeadas pela seca, esse ano agravada pelo fen\u00f4meno El Ni\u00f1o, que atualmente cede um pouco.A seca, a pior em 30 anos, causou a perda de muitos cultivos e a morte de muitos animais em diferentes partes desse pa\u00eds e da \u00c1frica austral, onde mais de 28 milh\u00f5es de pessoas necessitar\u00e3o de assist\u00eancia alimentar este ano.<\/p>\n<p>Mais de quatro milh\u00f5es de pessoas precisam de assist\u00eancia no Zimb\u00e1bue, que lan\u00e7ou um chamado internacional para reunir US$ 1,6 bilh\u00e3o para cobrir suas necessidades de gr\u00e3os e outros alimentos.Ndlovu, de 57 anos e morador do distrito de Lupane, uma regi\u00e3o \u00e1rida e propensa a secas e fome, \u00e9 um dos cada vez mais numerosos her\u00f3is do mel, que recorre aos recursos florestais para enfrentar as varia\u00e7\u00f5es do clima e completar sua renda agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Mas nem mesmo a apicultura se salvou da \u00faltima seca, e muitos agricultores que dependem do mel para chegar ao final do m\u00eas se queixam das grandes perdas deste ano. \u201cO mel \u00e9 meu alimento e meus filhos gostam muito porque sabem que quando colho n\u00e3o passam fome\u201d, contou Ndlovu, que aprendeu o of\u00edcio h\u00e1 mais de dez anos.A apicultura, \u00e0 qual se dedicam mais de 16 mil agricultores no Zimb\u00e1bue, costuma ser um complemento dos cultivos de milho e outros gr\u00e3os. Na temporada passada, Ndlovu colheu uma tonelada de milho e meia de sorgo, muito pouco, mesmo para um ano seco.<\/p>\n<p>\u201cMesmo com seca consigo algo do campo, especialmente pequenos gr\u00e3os, mas a temporada passada foi terr\u00edvel para muitos agricultores\u201d, contou Ndlovu, que ganhou uma carreta e um arado ao ficar em primeiro lugar na competi\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria em 2012. \u201cMe dediquei \u00e0 apicultura quando me dei conta dos benef\u00edcios que deixa. A renda com a venda de mel me permitiu pagar os estudos dos meus filhos e cobrir necessidades do lar. Ganhou mais com o mel do que com outros cultivos\u201d, afirmou o produtor.<\/p>\n<p>No distrito de Lupane, 172 quil\u00f4metros a noroeste de Bulawayo, a segundo cidade do Zimb\u00e1bue, vivem mais de 90 mil pessoas, muitas dependendo de limitados cultivos e da cria\u00e7\u00e3o extensiva de gado. Al\u00e9m disso, \u00e9 onde fica a estatal floresta de madeira dura, \u00e0 qual as comunidades recorrem em busca de combust\u00edvel e alimento.<\/p>\n<p>Ndlovu tem mais de 20 colmeias \u201ctapa de barra\u201d e duas Langstroth, consideradas a melhor tecnologia para a apicultura, porque oferecem melhor produ\u00e7\u00e3o e qualidade do mel. Em boa temporada, ele ganha mais de US$ 500 com a venda de mel. Inclusive tem sua pr\u00f3pria marca, Maguswini Honey, que pretende comercializar t\u00e3o logo seu produto receba uma marca padr\u00e3o. Um frasco de 375 mililitros de mel custa US$ 4 no povoado e US$ 5 quando entregue em Bulawayo ou mais distante.<\/p>\n<p>Em 2015, Ndlovu e seus vizinhos, integrantes da Bumbanani, uma associa\u00e7\u00e3o de apicultores com 30 membros, venderam US$ 900 de mel durante a Feira de Com\u00e9rcio Internacional do Zimb\u00e1bue, uma mostra de tr\u00eas dias realizada todos os anos em Bulawayo. Este ano n\u00e3o chegaram nem \u00e0 metade, devido \u00e0 m\u00e1 colheita em virtude da seca.<\/p>\n<p>\u201cNo ano passado, colhi tr\u00eas baldes de 25 litros de mel, e este ano nem mesmo um. O clima mudou e as abelhas tiveram menos flores para se alimentar, houve menos \u00e1gua e as colmeias n\u00e3o tiveram muito mel\u201d, explicou Ndlovu \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Por sua vez, Nqobani Sibanda, um agricultor de Gomoza, colheu este ano um balde de 20 litros, bem abaixo dos 60 litros de 2015. \u201cEste ano, as flores murcharam antes; pensamos que as abelhas n\u00e3o tiveram alimento suficiente e por isso a colheita de mel foi pobre. Tenho quatro colmeias e cada uma pode proporcionar at\u00e9 20 litros em uma boa temporada, permitindo que eu ganhe US$ 300 ou mais, mas n\u00e3o este ano\u201d, indicou.<\/p>\n<p>O pesquisador do Instituto de Estudos de Desenvolvimento da Universidade Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia, Everson Ndlovu, disse \u00e0 IPS que os projetos geradores de renda, como a apicultura, s\u00e3o uma forma f\u00e1cil para os agricultores conseguirem renda adicional em \u00e9poca de m\u00e1, ou nenhuma, colheita; s\u00e3o iniciativas que podem ser melhoradas em empresas comerciais vi\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio mais capacita\u00e7\u00e3o em gest\u00e3o de neg\u00f3cios, vincular os pequenos empreendimentos ao mercado e fazer com que as associa\u00e7\u00f5es sejam registradas como correspondente para ter capacidade de incidir\u201d, pontuou o pesquisador.\u201cAs consequ\u00eancias da seca obrigaram os agricultores a diversificarem a estrat\u00e9gia para gerar renda, mas precisam de informa\u00e7\u00e3o sobre o clima de forma oportuna e compreens\u00edvel para tomarem boas decis\u00f5es\u201d, explicou.<\/p>\n<p>O mel \u00e9 comercializado em todo o mundo, e as vendas de mel natural chegaram a US$ 2,3 bilh\u00f5esno ano passado, segundo o site World Top Exports, que tem um registro das exporta\u00e7\u00f5es. A Europa encabe\u00e7ou a lista com 35,2% das vendas, enquanto a \u00c1frica registrou 0,4%.<\/p>\n<p>As abelhas, que oferecem mel, pr\u00f3polis, geleia real e cera, entre outros produtos, contribuem para melhorar a seguran\u00e7a alimentar de aproximadamente dois bilh\u00f5es de agricultores no mundo, sem custo algum, concluiu um estudo de fevereiro deste ano, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO).A ag\u00eancia pediu a prote\u00e7\u00e3o de abelhas e insetos que desempenham um papel vital na poliniza\u00e7\u00e3o para contribuir de forma sustent\u00e1vel no sentido de aumentar o fornecimento de alimentos. Mas a mudan\u00e7a clim\u00e1tica afeta as col\u00f4nias de abelhas em todo o mundo.<\/p>\n<p>Os agricultores sofreram a seca e a apicultura n\u00e3o foi exce\u00e7\u00e3o, como prova o pouco mel que colheram este ano em compara\u00e7\u00e3o com o anterior em Lupane, uma zona \u00e1rida, afirmou Clifford Maunze, instrutor em apicultura e oficial do projeto Ambiente \u00c1frica, dentro do Programa For\u00e7as Florestais, com apoio da FAO.\u201cCapacitamos agricultores e ensinamos a enfrentar os efeitos da seca plantando mais \u00e1rvores como <em>Moringa oleifera <\/em>(ac\u00e1cia branca), que floresce o tempo todo, e promovemos o desenvolvimento de hortas dom\u00e9sticas, que podem ter \u00e1rvores c\u00edtricas para oferecer alimento \u00e0s abelhas\u201d, explicou.<\/p>\n<p>O Ambiente \u00c1frica, que trabalha com o Departamento de Servi\u00e7os de Extens\u00e3o Agr\u00edcola (Agritex), capacitouem apicultura 1.382 agricultores em Lupane, e mais de 800 no distrito de Hwange, dentro do programa que come\u00e7ou em 2011. Lupane foi escolhida para projetos de apicultura por sua floresta ind\u00edgena, algumas delas em perigo devido ao avan\u00e7o da agricultura, aos inc\u00eandios florestais e ao desmatamento.<\/p>\n<p>Nas regi\u00f5es mais secas, como a prov\u00edncia de Matabeleland Norte, os apicultores podem colher at\u00e9 duas vezes por temporada e, com at\u00e9 cinco colmeias, podem obter cem litros de mel. Isso pode aumentar em zonas com mais chuvas e fontes de n\u00e9ctar, e onde os apicultores podem colher at\u00e9 quatro vezes por temporada.<\/p>\n<p>Dados da ag\u00eancia nacional de estat\u00edstica Zimstats e da Agritex mostram que o Zimb\u00e1bue produz mais de 427 toneladas de mel por ano, diante de uma demanda de 447 toneladas. O d\u00e9ficit de 20 toneladas \u00e9 coberto com importa\u00e7\u00e3o, uma realidade que os apicultores como Ndlovu buscam mudar com investimento no setor.O Zimb\u00e1bue busca aumentar sua produ\u00e7\u00e3o de mel para 500 mil litros at\u00e9 2018, segundo a Zim-Asset, a estrat\u00e9gia nacional para recuperar a economia do pa\u00eds, que atravessa uma crise de liquidez. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Busani Bafana, da IPS &ndash;&nbsp; Bulawayo, Zimb&aacute;bue, 17\/6\/2016 &ndash; O mel &ldquo;&eacute; tudo&rdquo;, afirmou Nyovane Ndlovu, se referindo ao fato de a apicultura ser uma fonte alternativa de &ldquo;dinheiro doce&rdquo; nas zonas do Zimb&aacute;bue golpeadas pela seca, esse ano agravada pelo fen&ocirc;meno El Ni&ntilde;o, que atualmente cede um pouco.A seca, a pior em 30 anos, [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/06\/ultimas-noticias\/seca-leva-o-lucro-obtido-com-o-mel\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2830,2458,1059],"class_list":["post-20937","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-1-1-canais","tag-inter-press-service","tag-seca"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20937","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20937"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20937\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20938,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20937\/revisions\/20938"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20937"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20937"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20937"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}