{"id":20943,"date":"2016-06-20T12:59:02","date_gmt":"2016-06-20T12:59:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=210366"},"modified":"2016-06-20T12:59:02","modified_gmt":"2016-06-20T12:59:02","slug":"africa-entre-o-carvao-e-a-energia-verde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/06\/ultimas-noticias\/africa-entre-o-carvao-e-a-energia-verde\/","title":{"rendered":"\u00c1frica entre o carv\u00e3o e a energia verde"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_210367\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-210367\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/zambia1-629x419.jpg\" alt=\"Um congol\u00eas transporta carv\u00e3o vegetal em sua bicicleta em Lumbabashi, na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Foto: Miriam Mannak\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/zambia1-629x419.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/zambia1-629x419-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Um congol\u00eas transporta carv\u00e3o vegetal em sua bicicleta em Lumbabashi, na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Foto: Miriam Mannak\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>\u201cEstamos cansados da pobreza e da falta de energia e precisamos atender os dois problemas de uma vez. Para enfrentar o primeiro precisamos de energia que alimente a ind\u00fastria\u201d, afirmou o presidente de Ruanda, Paul Kagame.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por\u00a0FridayPhiri, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Pemba, Z\u00e2mbia, 20\/6\/2016 \u2013 Moses Kasoka, de 51 anos e com dificuldades de movimento por causa de uma m\u00e1-forma\u00e7\u00e3o de nascen\u00e7a, tem apenas a alternativa de mendigar para sobreviver. Mas acredita que sua vida seria diferente se pudesse ter energia el\u00e9trica em sua cho\u00e7a neste povoado de Z\u00e2mbia. \u201cCom eletricidade poderia criar aves para ganhar dinheiro\u201d, explicou, convidando a IPS a entrar em sua humilde casa.<\/p>\n<p>\u201cComo v\u00ea, durmo com um fogareiro que serve tanto para iluminar como de calefa\u00e7\u00e3o durante a noite\u201d, disse Kasoka, um dos 645 milh\u00f5es de africanos que carecem de servi\u00e7o el\u00e9trico, o que o impede de realizar atividades econ\u00f4micas.Por\u00e9m, a um quil\u00f4metro dali, PhineliaHamangaba, diretora do centro de coleta de leite do distrito de Pemba, j\u00e1 est\u00e1 acostumada a ter um plano alternativo quando tem sua energia cortada, porque a cooperativa n\u00e3o tem um gerador de reserva.<\/p>\n<p>Phinelia tem que garantir que os 1.060 litros de leite entregues por centenas de produtores n\u00e3o fermentem antes de serem recolhidos pela Parmalat Z\u00e2mbia, empresa com a qual a cooperativa tem contrato. \u201cA eletricidade \u00e9 nosso principal desafio, mas, na maioria dos casos, nos avisam antes de um corte de energia e ent\u00e3o nos preparamos\u201d, contou a jovem empres\u00e1ria. \u201cMas, quando acontece o pior, os produtores entendem que nos neg\u00f3cios h\u00e1 perdas e ganhos\u201d, indicou.<\/p>\n<p>A cooperativa \u00e9 um dos muitos empreendimentos pequenos que t\u00eam sua situa\u00e7\u00e3o complicada pelo racionamento de energia. Falta \u00e1gua para que funcionem as usinas hidr\u00e1ulicas, devido \u00e0 escassez de chuvas h\u00e1 duas temporadas. O d\u00e9ficit de energia pode demorar anos para ser corrigido, especialmente na usina de Kariba norte, de 1.080 megawatts (MW), porque as centrais dos dois lados do rio Zambezi, em Z\u00e2mbia e no Zimb\u00e1bue, teriam consumido um volume muito superior ao estabelecido em 2015 e come\u00e7o deste ano, segundo um informe da Unidade de Intelig\u00eancia econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>O documento diz que em fevereiro a represa de Kariba ficou apenas 1,5 metro acima do n\u00edvel necess\u00e1rio para fechar totalmente a usina.As \u00faltimas e reduzidas chuvas elevaram um pouco o n\u00edvel do lago, mas seu volume de \u00e1gua foi de apenas 17% de sua capacidade em mar\u00e7o, bem abaixo dos 49% registrados em 2015. Para ench\u00ea-lo, \u00e9 necess\u00e1ria uma s\u00e9rie de boas esta\u00e7\u00f5es chuvosas, somada a uma produ\u00e7\u00e3o de energia moderada da central, requisitos que n\u00e3o podem ser garantidos.<\/p>\n<div id=\"attachment_210368\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-210368\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/zambia2.jpg\" alt=\"Moses Kasoka diante de sua cho\u00e7a em Pemba, no sul de Z\u00e2mbia. Foto: Friday Phiri\/IPS\" width=\"340\" height=\"453\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/zambia2.jpg 480w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/zambia2-225x300.jpg 225w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/zambia2-300x400.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Moses Kasoka diante de sua cho\u00e7a em Pemba, no sul de Z\u00e2mbia. Foto: Friday Phiri\/IPS<\/p><\/div>\n<p>A ang\u00fastia, pelas varia\u00e7\u00f5es da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e pela necessidade de energia para manter as ambi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas das pessoas mais pobres, poderia levar a \u00c1frica a tomar um caminho f\u00e1cil, recorrendo ao carv\u00e3o.\u201cEstamos cansados da pobreza e da falta de energia e precisamos atender os dois problemas de uma vez. Para enfrentar o primeiro precisamos de energia que alimente a ind\u00fastria\u201d, afirmou o presidente de Ruanda, Paul Kagame, durante as reuni\u00f5es anuais do Banco de Desenvolvimento Africano, realizadas em Lusaka, capital de Z\u00e2mbia.<\/p>\n<p>Segundo Kagame, as fontes renov\u00e1veis s\u00f3 podem cobrir parte da demanda.Mas o ex-secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Kofi Annan, acredita que o continente pode seguir outro caminho. \u201cAs na\u00e7\u00f5es africanas n\u00e3o precisam se ater \u00e0s velhas tecnologias movidas a carv\u00e3o. Podemos ampliar nossa gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica e conseguir acesso universal dando um salto para as novas tecnologias que transformam os sistemas energ\u00e9ticos do mundo\u201d, destacou.<\/p>\n<p>\u201cA \u00c1frica se beneficiar\u00e1 do desenvolvimento de uma energia que consuma pouco carv\u00e3o, assim como o mundo se beneficiar\u00e1 se esse continente evitar um grande consumo de carv\u00e3o, seguido dos pa\u00edses mais ricos e dos mercados emergentes\u201d, enfatizou Annan, que preside o Painel para o Progresso da \u00c1frica (APP). Em seu informe <em>Energia, Pessoas, Planeta: Aproveitando as Oportunidades Clim\u00e1ticas e Energ\u00e9ticas da \u00c1frica<\/em>, o APP destaca a alternativa para esse continente sem que recorra a sistemas que fazem uso intensivo do carv\u00e3o, que atualmente impulsiona o crescimento econ\u00f4mico e que levou o mundo ao atual ponto de inflex\u00e3o.<\/p>\n<p>O documento recomenda aos governantes africanos que usem a mudan\u00e7a clim\u00e1tica como um incentivo para implantar as demoradas pol\u00edticas e demonstrem sua lideran\u00e7a em escala internacional.Como disse o ex-presidente da Tanz\u00e2nia, JakayaKikwete: \u201cPara a \u00c1frica \u00e9 um desafio e uma oportunidade. Se concentrar-se nas op\u00e7\u00f5es inteligentes, poder\u00e1 conseguir investimentos para o desenvolvimento com baixas emiss\u00f5es contaminantes e resiliente ao clima nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas\u201d.<\/p>\n<p>A atual arquitetura de financiamento n\u00e3o cobre a demanda, afirma o APP, ressaltando que o chamado \u00e0 lideran\u00e7a africana n\u00e3o nega o papel da coopera\u00e7\u00e3o internacional, \u00e0 qual h\u00e1 anos os governantes reclamam fundos e tecnologia confi\u00e1vel. A Alian\u00e7a Pan-Africana de Justi\u00e7a Clim\u00e1tica (PACJA) lamenta a difusa reda\u00e7\u00e3o do Acordo de Paris no tocante \u00e0 transfer\u00eancia de tecnologia para o continente africano.<\/p>\n<p>H\u00e1 estimativas que sugerem que 138 milh\u00f5es de fam\u00edlias pobres gastam US$ 10 bilh\u00f5es ao ano em produtos relacionados com a energia, como carv\u00e3o, velas, querosene e lenha. O Banco Africano de Desenvolvimento acredita que, com um aumento marginal dos investimentos, se resolve o problema.\u201cA \u00c1frica registra US$ 545 bilh\u00f5es ao ano com tributos. Se destinar 10% dessa quantia \u00e0 eletricidade resolve o problema\u201d, afirmou o presidente do grupo do Banco Africano de Desenvolvimento, AkinwumiAdesina.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, a propor\u00e7\u00e3o do produto interno bruto destinada ao setor energ\u00e9tico na \u00c1frica \u00e9 de 0,49%. Se for elevada para 3,4%, poder\u00e1 gerar US$ 51 bilh\u00f5es diretamente\u201d, pontuouAdesina.\u201cOs pa\u00edses africanos t\u00eam que dar o exemplo e investir em energia\u201d, concluiu, mencionando a import\u00e2ncia de p\u00f4r fim ao fluxo financeiro ilegal, que custa a este continente cerca de US$ 600 bilh\u00f5es por ano.<\/p>\n<p>O programa Scaling Solar, que procura diversificar as fontes de energia, pode ser exatamente o que Kasoka precisa para ter eletricidade em sua cho\u00e7a em um povoado de Z\u00e2mbia e concretizar seu sonho de criar aves. Segundo o presidente zambiano, Edgar Lungu, seu pa\u00eds pretende cobrir a falta de energia com uma usina solar de 600 megawatts (MW); as instala\u00e7\u00f5es para gerar 100 MW j\u00e1 est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desmond Tutu, sul-africano pr\u00eamio Nobel no informe do APP de 2015, resumiu o que est\u00e1 em jogo: \u201cN\u00e3o podemos mais nos distrair das quest\u00f5es de fundo. N\u00e3o podemos continuar alimentando nosso v\u00edcio pelos combust\u00edveis f\u00f3sseis como se n\u00e3o houvesse um amanh\u00e3, porque poder\u00e1 n\u00e3o haver. Temos que come\u00e7ar urgentemente uma transi\u00e7\u00e3o global para uma nova economia baseada em energias limpas. Isso requer, fundamentalmente, repensar nossos sistemas econ\u00f4micos para coloc\u00e1-los em um caminho sustent\u00e1vel e mais equitativo\u201d.Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Estamos cansados da pobreza e da falta de energia e precisamos atender os dois problemas de uma vez. Para enfrentar o primeiro precisamos de energia que alimente a ind&uacute;stria&rdquo;, afirmou o presidente de Ruanda, Paul Kagame. 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