{"id":20947,"date":"2016-06-21T13:16:09","date_gmt":"2016-06-21T13:16:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=210421"},"modified":"2016-06-21T13:16:09","modified_gmt":"2016-06-21T13:16:09","slug":"escassez-de-agua-prejudica-asia-ocidental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/06\/ultimas-noticias\/escassez-de-agua-prejudica-asia-ocidental\/","title":{"rendered":"Escassez de \u00e1gua prejudica \u00c1sia ocidental"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_210422\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-210422\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/agua2.jpg\" alt=\"A guerra civil na S\u00edria destruiu grande parte da infraestrutura h\u00eddrica do pa\u00eds. Cinco milh\u00f5es de pessoas sofrem escassez cr\u00edtica de \u00e1gua. Foto: Bigstock\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/agua2.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/agua2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A guerra civil na S\u00edria destruiu grande parte da infraestrutura h\u00eddrica do pa\u00eds. Cinco milh\u00f5es de pessoas sofrem escassez cr\u00edtica de \u00e1gua. Foto: Bigstock<\/p><\/div>\n<p><em>Somente quatro dos 12 pa\u00edses da \u00c1sia ocidental est\u00e3o acima do limite da escassez de \u00e1gua, de mil metros c\u00fabicos por pessoa ao ano, o m\u00ednimo vi\u00e1vel para um ser humano.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por\u00a0Manipadma Jena, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Nair\u00f3bi, Qu\u00eania, 21\/6\/2016 \u2013 \u201cA escassez de \u00e1gua potencialmente poderia ter maior impacto nas qualifica\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito soberano do que as cat\u00e1strofes naturais, j\u00e1 que as condi\u00e7\u00f5es de escassez de \u00e1gua demoram a aparecer\u201d, apontou Moritz Kraemer, diretor-gerente da ag\u00eancia qualificadora Standard &amp; Poors Global Ratings.<\/p>\n<p>\u201cA escassez de \u00e1gua, a migra\u00e7\u00e3o e os conflitos ainda n\u00e3o s\u00e3o levados em conta para a An\u00e1lise da Integra\u00e7\u00e3o do Risco Ambiental ao Cr\u00e9dito Soberano (Erisc), mas certamente temos que faz\u00ea-lo\u201d, opinou Kraemer.A Erisc pretende ajudar as institui\u00e7\u00f5es financeiras a integrarem os riscos ambientais \u00e0s suas avalia\u00e7\u00f5es de risco e \u00e0s decis\u00f5es de investimento, mediante a identifica\u00e7\u00e3o e quantifica\u00e7\u00e3o da forma em que podem afetar o rendimento econ\u00f4mico dos pa\u00edses e, portanto, o custo do cr\u00e9dito no mercado da d\u00edvida soberana.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise parte da base de que o risco soberano pode ser materialmente afetado por riscos ambientais como a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, escassez de \u00e1gua, degrada\u00e7\u00e3o dos ecossistemas e o desmatamento.\u201cAt\u00e9 o momento n\u00e3o temos dados suficientes sobre as poss\u00edveis consequ\u00eancias econ\u00f4micas da escassez de \u00e1gua ou da mudan\u00e7a nos padr\u00f5es de chuva para simularmos numericamente o resultado, mas sabemos que os pa\u00edses com grandes problemas h\u00eddricos ter\u00e3o repercuss\u00f5es muito al\u00e9m de suas fronteiras, o que desatar\u00e1 movimentos migrat\u00f3rios, para come\u00e7ar. A Europa \u00e9 um exemplo\u201d, alertou Kraemer.<\/p>\n<p>A \u00c1sia ocidental \u00e9 importante geopoliticamente porque vincula \u00c1frica, \u00c1sia e Europa.\u201cA Jord\u00e2nia era, em 2013, o quarto pa\u00eds com maior escassez de \u00e1gua do mundo, mas em apenas dois anos, em 2015, sua situa\u00e7\u00e3o se deteriorou e foi para o segundo lugar quando centenas de milhares de refugiados s\u00edrios e iemenitas emigraram\u201d para o reino jordaniano, explicou Carl Bruch, do Instituto de Direito Ambiental, com sede em Washington.<\/p>\n<p>\u201cMuitas das economias com problemas h\u00eddricos, como Jord\u00e2nia e Marrocos, j\u00e1 t\u00eam baixas qualifica\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito. Ainda \u00e9 necess\u00e1rioinvestigarmais\u201d, ressaltouKraemer \u00e0 IPS, por ocasi\u00e3o da segunda Assembleia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente, realizada no final de maio em Nair\u00f3bi, onde ministros de todo o mundo se reuniram para tomar decis\u00f5es sobre a agenda 2030 para o desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cExiste uma estreita liga\u00e7\u00e3o entre os problemas pol\u00edticos e sociais derivados do deslocamento, mas o fato de as pessoas decidirem se trasladar, em \u00faltima inst\u00e2ncia, se deve frequentemente a problemas ambientais, cada vez mais em raz\u00e3o da escassez de \u00e1gua que se repete muito na \u00c1sia ocidental\u201d, destacou Jacqueline McGlade, diretora de Alerta e Avalia\u00e7\u00e3o do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).<\/p>\n<p>A degrada\u00e7\u00e3o do solo, a desertifica\u00e7\u00e3o e a escassez de recursos h\u00eddricos renov\u00e1veis s\u00e3o os problemas mais graves da \u00c1sia ocidental, na medida em que os conflitos afetam diretamente o ambiente e a sa\u00fade, o que prejudica a capacidade de a regi\u00e3o produzir alimento suficiente para sua crescente popula\u00e7\u00e3o, especialmente na sub-regi\u00e3o de Mashreq, que inclui Iraque, Jord\u00e2nia, L\u00edbano, os territ\u00f3rios palestinos ocupados, S\u00edria e I\u00eamen, segundo a sexta Perspectiva de Meio Ambiente Mundial (GEO-6), divulgada em maio pelo Pnuma.<\/p>\n<p>Com o aumento da demanda, a \u00c1sia ocidental agora enfrenta a deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua devido \u00e0 superexplora\u00e7\u00e3o das \u00e1guas subterr\u00e2neas, invas\u00e3o marinha, esgotamento e saliniza\u00e7\u00e3o dos aqu\u00edferos, al\u00e9m do aumento dos custos para bombear. A regi\u00e3o j\u00e1 superou sua capacidade natural para atender sua pr\u00f3pria demanda de alimentos e \u00e1gua.<\/p>\n<p>Embora as prioridades da regi\u00e3o sejam paz, seguran\u00e7a e ambiente, o ciclo vicioso da degrada\u00e7\u00e3o, consequ\u00eancia e motivo dos conflitos, pode impedir que as pessoas regressem para suas casas e normalizem suas vidas e, ao mesmo tempo, a economia, destacou Daria Mokhnacheva, especialista da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es (OIM).<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos refugiados dos conflitos no Iraque n\u00e3o poder\u00e1 voltar para suas casas e normalizar suas vidas, embora seja o que desejem, se antes forem retiradas as minas e muni\u00e7\u00f5es sem explodir colocadas no que costumavam ser seus terrenos. E a elimina\u00e7\u00e3o das minas pode demorar d\u00e9cadas\u201d, acrescentou Mokhnacheva.<\/p>\n<p>Por outro lado, embora o Iraque tenha a maior superf\u00edcie de terras de cultivo dispon\u00edveis na regi\u00e3o, \u00e9 o pa\u00eds que mais sofre com a salinidade do solo e a eros\u00e3o e\u00f3lica. Cerca de 97% do territ\u00f3rio iraquiano \u00e9 \u00e1rido, a desertifica\u00e7\u00e3o afeta 39% do total, e 54% est\u00e1 sob amea\u00e7a, segundo a GEO-6.<\/p>\n<p>\u201cOs agricultores e pastores tradicionais podem permanecer nos acampamentos tempor\u00e1rios durante anos, e estes, se est\u00e3o em \u00e1reas com escassez de \u00e1gua ou propens\u00e3o \u00e0 seca, poder\u00e3o provocar numerosos deslocamentos\u201d, pontuou o especialista da OIM.Segundo ele, \u201ca migra\u00e7\u00e3o para zonas urbanas destr\u00f3i seus estilos de vida, costumes e formas de vida por completo, o que aumenta a vulnerabilidade. Com uma estada de longo prazo nos acampamentos, as meninas e mulheres se convertem em alvo dos traficantes, e meninas at\u00e9 nove anos de idade s\u00e3o obrigadas a casar para reduzir a press\u00e3o por alimentos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cTemos evid\u00eancia da \u00c1sia ocidental de que a transi\u00e7\u00e3o das \u00e1reas rurais para as urbanas come\u00e7a a semear as sementes do deslocamento que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, pode levar aos conflitos\u201d, alertou McGlade. \u201cAssim, o verdadeiro problema para a governabilidade ambiental \u00e9 se podemos detectar com suficiente anteced\u00eancia as condi\u00e7\u00f5es em que \u00e9 prov\u00e1vel falhar a seguran\u00e7a alimentar ou h\u00eddrica, e se podemos identificar esses pontos cr\u00edticos para tomar medidas preventivas e as pessoas n\u00e3o abandonem as terras\u201d.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 vimos tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas procedentes da S\u00edria e do I\u00eamen em movimento rumo \u00e0 fronteira com a Jord\u00e2nia. Esse \u00eaxodo poderia ter sido evitado?\u201d, perguntou McGlade.Para Mokhnacheva, \u201cdevemos integrar a investiga\u00e7\u00e3o sobre as migra\u00e7\u00f5es e o ambiente com aquela sobre a vulnerabilidade social, a fim de identificar os pontos cr\u00edticos de forma precoce. Tamb\u00e9m temos de melhorar a evid\u00eancia local para informar \u00e0s pol\u00edticas de migra\u00e7\u00e3o que podem responder \u00e0s necessidades reais\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Somente quatro dos 12 pa&iacute;ses da &Aacute;sia ocidental est&atilde;o acima do limite da escassez de &aacute;gua, de mil metros c&uacute;bicos por pessoa ao ano, o m&iacute;nimo vi&aacute;vel para um ser humano. 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