{"id":20959,"date":"2016-06-24T11:28:38","date_gmt":"2016-06-24T11:28:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=210590"},"modified":"2016-06-24T11:28:38","modified_gmt":"2016-06-24T11:28:38","slug":"refugiados-lgbti-temem-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/06\/ultimas-noticias\/refugiados-lgbti-temem-violencia\/","title":{"rendered":"Refugiados LGBTI temem viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_210591\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-210591\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/LGBTI-611x472.jpg\" alt=\"Pessoas LGBTI participam de uma marcha do orgulho gay em Uganda, um dos pa\u00edses onde os refugiados desse coletivo sofrem mais viol\u00eancia. Foto: Amy Fallon\/IPS\" width=\"340\" height=\"263\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/LGBTI-611x472.jpg 611w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/LGBTI-611x472-300x232.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Pessoas LGBTI participam de uma marcha do orgulho gay em Uganda, um dos pa\u00edses onde os refugiados desse coletivo sofrem mais viol\u00eancia. Foto: Amy Fallon\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>As pessoas l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, transg\u00eanero e intersexuais (LGBTI) refugiadas n\u00e3o solicitam a ajuda que precisam, apesar de sua extrema vulnerabilidade, pelos riscos de manifestar sua identidade sexual ou de g\u00eanero.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por Lyndal Rowlands, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 24\/6\/2016 \u2013 \u201cAs pessoas est\u00e3o totalmente aterrorizadas em revelar sua situa\u00e7\u00e3o, e com raz\u00e3o, estariam mortas, estariam mortas se o fizessem\u201d, ressaltou \u00e0 IPS o diretor executivo da Organiza\u00e7\u00e3o para Refugiados, Asilo e Migra\u00e7\u00f5es (Oram), Neil Grungras.<\/p>\n<p>Com sede em S\u00e3o Francisco, a Oram trabalha com alguns dos refugiados mais vulner\u00e1veis do mundo, inclusive LGBTI, que fogem da S\u00edria e buscam ref\u00fagio na Turquia, onde Grungras disse que atualmente h\u00e1 apenas cinco pessoas que se definiram como tal entre os 2,7 milh\u00f5es de refugiados. \u201cO n\u00famero de pessoas LGBTI que percorrem todo o sistema, saem vivos e solicitam reassentamento \u00e9 pequeno. Nem mesmo chega \u00e0 propor\u00e7\u00e3o m\u00ednima de LGBTI que existe na popula\u00e7\u00e3o mundial\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Na segunda semana deste m\u00eas,\u201cteve o caso de um iraquiano que regressou ao seu pa\u00eds porque n\u00e3o conseguiu articular as palavras para explicar sua situa\u00e7\u00e3o ao Acnur, n\u00e3o conseguiu\u201d, contouGrungras se referindo ao Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur), que faz o tr\u00e2mite das solicita\u00e7\u00f5es de asilo. O diretor explicou que os medos atuais t\u00eam mais a ver com suas experi\u00eancias passadas, em particular com a burocracia em seus pr\u00f3prios pa\u00edses, do que com um ind\u00edcio do procedimento do Acnur.<\/p>\n<p>O Acnur est\u00e1 \u201cmuito preocupado\u201dpela seguran\u00e7a dos refugiados LGBTI, ressaltou Grungras, lembrando que h\u00e1 pouco distribuiu um guia para garantir a seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o pessoal. Tamb\u00e9m disse que essa \u00e9 uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es expressas pela ag\u00eancia nas reuni\u00f5es realizadas em Genebra na segunda semana deste m\u00eas. Uma das raz\u00f5es pelas quais as pessoas LGBTI refugiadas s\u00e3o particularmente vulner\u00e1veis \u00e9 por n\u00e3o contarem com o apoio de outros refugiados.<\/p>\n<p>\u201cAs atitudes homof\u00f3bicas e transf\u00f3bicas em seus pa\u00edses n\u00e3o se evaporam simplesmente porque s\u00e3o refugiados, o que costumeiramente deixa as pessoas LGBTI isoladas e propensas ao abuso\u201d, explicou \u00e0 IPS a diretora executiva da OutRightInternational, Jessica Stern. \u201cMuitas pessoas nos pa\u00edses anfitri\u00f5es as discriminam por serem refugiadas, e em seus pa\u00edses por serem LGBTI. A consequ\u00eancia disso \u00e9 que essas pessoas, que j\u00e1 escaparam de um trauma terr\u00edvel, continuam padecendo um profundo sofrimento\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o LGBTI sofre uma grande viol\u00eancia no mundo. O \u00faltimo exemplo de repercuss\u00e3o \u00e9 o massacre do dia 12 deste m\u00eas, em uma discoteca na cidade norte-americana de Orlando, no Estado da Fl\u00f3rida, no qual morreram 49 pessoas e 53 ficaram feridas. Sobre isso, Stern aplaudiu uma declara\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), divulgada na segunda semana deste m\u00eas, em resposta \u00e0 matan\u00e7a de Orlando, porque \u00e9 a primeira vez que esse \u00f3rg\u00e3o \u201cse refere oficialmente \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o sexual\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEsperamos que esse comunicado seja um sinal de que os membros do Conselho de Seguran\u00e7a finalmente reconhecem que a homofobia sup\u00f5e uma amea\u00e7a para a paz\u201d, destacou Stern, mas ressaltando que a aus\u00eancia da identidade de g\u00eanero na declara\u00e7\u00e3o constitui uma \u201comiss\u00e3o importante\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 uma forma veross\u00edmil de separar o impacto que a homofobia e a transfobia t\u00eam no massacre de Orlando. As pessoas transg\u00eanero costumam ser as primeiras v\u00edtimas da viol\u00eancia. S\u00f3 nos primeiros seis meses deste ano, cem pessoas transg\u00eanero foram assassinadas no mundo. Esses dados s\u00f3 refletem os casos veiculados nos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Imaginem quantos mais podem ter sofrido\u201d, acrescentou Stern.<\/p>\n<p>Para Grungras, \u00e9 importante que mais refugiados LGBTI se sintam seguros para revelar sua identidade de g\u00eanero ou sexual, mas tamb\u00e9m \u00e9 importante que sejam criados mais espa\u00e7os de reassentamento paraos refugiados vulner\u00e1veis. \u201cS\u00f3 agora compreendemos que mal conseguimos fazer uma contribui\u00e7\u00e3o e que h\u00e1 muitas pessoas com necessidade de serem reassentadas. Comumente, as pessoas encarregadas do reassentamento est\u00e3o diante de um terr\u00edvel dilema\u201d, reconheceu.<\/p>\n<p>\u201cConversando a respeito da situa\u00e7\u00e3o dos refugiados com uma funcion\u00e1ria em Ancara, na qual confio e que sei tratar-se de algu\u00e9m incrivelmente sens\u00edvel, ela medisse:\u2018bem, Neil, o que quer que fa\u00e7amos?Tenho uma mulher gr\u00e1vida com dois filhos e que tem que se prostituir para sobreviver, uma pessoa com c\u00e2ncer e outra LGBTI que ser\u00e1 assassinada por sua fam\u00edlia. Quer que sejamos Deus?\u2019\u201d, contou Grungras.<\/p>\n<p>O Acnur revelou este m\u00eas que s\u00f3 haver\u00e1 170 mil lugares para o reassentamento de refugiados mais vulner\u00e1veis no mundo em 2017, uma pequena propor\u00e7\u00e3o diante dos 1,19 milh\u00e3o de pessoas consideradas nessa situa\u00e7\u00e3o, e menos ainda em rela\u00e7\u00e3o aos mais de 60 milh\u00f5es de pessoas obrigadas a abandonar suas casas e\/ou seus pa\u00edses em todo o mundo.<\/p>\n<p>Ainda restam esperan\u00e7as de que as duas c\u00fapulas que acontecer\u00e3o na ONU em setembro, convocadas pelo seu secret\u00e1rio-geral, Ban Ki-moon, e pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fa\u00e7am com que a comunidade internacional encontre uma forma de aumentar os lugares dispon\u00edveis. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As pessoas l&eacute;sbicas, gays, bissexuais, transg&ecirc;nero e intersexuais (LGBTI) refugiadas n&atilde;o solicitam a ajuda que precisam, apesar de sua extrema vulnerabilidade, pelos riscos de manifestar sua identidade sexual ou de g&ecirc;nero. 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