{"id":2096,"date":"2006-10-08T00:00:00","date_gmt":"2006-10-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2096"},"modified":"2006-10-08T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-08T00:00:00","slug":"direitos-humanos-desaparecidos-mas-no-esquecidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/direitos-humanos-desaparecidos-mas-no-esquecidos\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Desaparecidos, mas n&atilde;o esquecidos"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 08\/10\/2006 &ndash; Centenas de pessoas desapareceram no contexto da chamada \u201cguerra contra o terror\u201d sem que seus familiares saibam seu paradeiro e sem que seus advogados possam assumir sua defesa, alertam especialistas internacionais. <!--more--> \u201cO desaparecimento for&ccedil;ado equivale a apagar a exist&ecirc;ncia de uma pessoa e negar-lhe a prote&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica &agrave; qual todos t&ecirc;m direito, sem importar se s&atilde;o culpados ou inocentes\u201d, disse nesta quarta-feira Philip Spoerri, diretor jur&iacute;dico do Comit&ecirc; Internacional da Cruz Vermelha. \u201cO dano &agrave;s v&iacute;timas &eacute; persistente e de grande alcance e afeta n&atilde;o somente os indiv&iacute;duos, mas tamb&eacute;m as sociedades nas quais vivem\u201d, destacou Spoerri, por ocasi&atilde;o do Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas.<\/p>\n<p>Desde sua cria&ccedil;&atilde;o em 1980, o Grupo de Trabalho da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desaparecimentos For&ccedil;ados ou Involunt&aacute;rios denunciou mais de 50 mil casos individuais aos governos de mais de 90 pa&iacute;ses. \u201cO Grupo de Trabalho est&aacute; profundamente preocupado com a grande quantidade de informes sobre desaparecimento for&ccedil;ado registrados no ano passado\u201d, disse este organismo em uma declara&ccedil;&atilde;o publicada nesta quarta-feira. \u201cForam recebidos muitos informes sobre desaparecimentos de crian&ccedil;as e alguns de pessoas com defici&ecirc;ncias f&iacute;sica e mental\u201d, disse o grupo formado por cinco especialistas representantes dos governos do Canad&aacute;, M&eacute;xico, Ir&atilde;, Cro&aacute;cia e Nig&eacute;ria, que tamb&eacute;m mencionou amea&ccedil;as contra ativistas de direitos humanos, familiares de desaparecidos, testemunhas e advogados.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, as atividades \u201cantiterroristas\u201d s&atilde;o \u201cusadas cada vez mais por Estados como desculpa para n&atilde;o respeitar as obriga&ccedil;&otilde;es da Declara&ccedil;&atilde;o sobre a Prote&ccedil;&atilde;o de Todas as Pessoas do Desaparecimento For&ccedil;ado\u201d, aprovada pela Assembl&eacute;ia Geral da ONU em 1992, acrescentou o grupo. Estes especialistas pediram urg&ecirc;ncia aos governos no sentido de tratarem todos os casos de desaparecimento for&ccedil;ado como crime, um passo legislativo que at&eacute; agora poucos pa&iacute;ses deram. Al&eacute;m disso, recomendou &agrave; Assembl&eacute;ia Geral a aprova&ccedil;&atilde;o do tratado a esse respeito elaborado pelo Conselho de Direitos Humanos, durante seu per&iacute;odo de sess&otilde;es que come&ccedil;a em setembro, com as presen&ccedil;as de chefes de Estado e de governo.<\/p>\n<p>Nos B&aacute;lc&atilde;s desapareceram milhares de pessoas devido aos conflitos da S&eacute;rvia com B&oacute;snia-Herzegovina, Cro&aacute;cia e Kosovo, informou a Cruz Vermelha. De mais de 33 mil pedidos de busca de desaparecidos recebidos pela organiza&ccedil;&atilde;o desde o in&iacute;cio das hostilidades, ainda falta encontrar 18.555. Desse total, 13.862 correspondem &agrave; B&oacute;snia-Herzegovina, 2.409 &agrave; Cro&aacute;cia e 2.285 a Kosovo. O representante especial da ONU em Kosovo aproveitou a ocasi&atilde;o para exortar todas as partes envolvidas a determinar o destino dos ainda desaparecidos na prov&iacute;ncia, onde tropas ocidentais desalojaram as da S&eacute;rvia em 1999.<\/p>\n<p>A ret&oacute;rica antiterrorista dos Estados Unidos &eacute; utilizada hoje em dia para justificar os padr&otilde;es j&aacute; existentes de viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos, segundo a Anistia Internacional. Os informes feitos por generais norte-americanos depois do esc&acirc;ndalo das torturas na pris&atilde;o iraquiana de Abu Ghraib documentaram, entre outros abusos, a exist&ecirc;ncia do que se denominou \u201cpresos-fantasmas\u201d. Trata-se de prisioneiros mantidos em segredo e levados de uma pris&atilde;o para outra, de modo a ficar &agrave; margem das visitas da Cruz Vermelha. O relat&oacute;rio do general Antonio Taguba descreveu este tipo de manobra com \u201cenganosa, contr&aacute;ria &agrave; doutrina do ex&eacute;rcito e que viola o direito internacional\u201d.<\/p>\n<p>A Anistia tamb&eacute;m revelou nesta quarta-feira que a guerra contra o terrorismo originou na &Aacute;sia meridional novos padr&otilde;es de desaparecimento for&ccedil;ado em pa&iacute;ses como Nepal e Sri Lanka. Um comit&ecirc; do governo nepal&ecirc;s anunciou no m&ecirc;s passado que investigava 600 casos pendentes, mas ativistas de direitos humanos elevam esse n&uacute;mero para mais de mil. O Sri Lanka sofre uma das maiores propor&ccedil;&otilde;es de casos de desaparecimento for&ccedil;ado sem solu&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, o estado indiano de Jammu e na Caxemira, territ&oacute;rio em disputa com o Paquist&atilde;o, foram registrados entre oito mil e 10 mil casos de desaparecimentos desde 1989, segundo a Anistia.<\/p>\n<p>A organiza&ccedil;&atilde;o considera que v&aacute;rias centenas de pessoas desapareceram no Paquist&atilde;o no contexto da guerra contra o terrorismo. Muitas delas apareceram na pris&atilde;o da base naval de Guant&acirc;namo, em Cuba, enquanto outros, ao que parece, est&atilde;o detidos em pris&otilde;es paquistanesas sem que seu paradeiro seja revelado. Desde o inicio do estado de emerg&ecirc;ncia em agosto de 2005 no Sri Lanka foram registrados 62 casos de desaparecimento. A Comiss&atilde;o de Direitos Humanos desse pa&iacute;s tamb&eacute;m investiga a situa&ccedil;&atilde;o de 183 pessoas cujo paradeiro se desconhece.<\/p>\n<p>No ano passado, o Grupo de Trabalho da ONU pediu aos governos que investigassem 550 casos de desaparecimento. \u201cUns poucos respons&aacute;veis por esses atos foram responsabilizados. A impunidade cria um clima social em que n&atilde;o h&aacute; confian&ccedil;a nas institui&ccedil;&otilde;es e, portanto, tampouco estabilidade\u201d, advertiu Spoerri. As fam&iacute;lias dos desaparecidos de todo o mundo lutam contra a impunidade h&aacute; muitas d&eacute;cadas, entre outras maneiras pedindo urg&ecirc;ncia na aprova&ccedil;&atilde;o de um tratado internacional a respeito. Depois de 25 anos de campanha, o Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou no dia 29 de junho a Conven&ccedil;&atilde;o Internacional para a Prote&ccedil;&atilde;o de Todas as Pessoas contra o Desaparecimento For&ccedil;ado. Para entrar em vigor, o tratado deve ser adotado pela Assembl&eacute;ia Geral, depois assinado e ratificado pelos pa&iacute;ses. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 08\/10\/2006 &ndash; Centenas de pessoas desapareceram no contexto da chamada \u201cguerra contra o terror\u201d sem que seus familiares saibam seu paradeiro e sem que seus advogados possam assumir sua defesa, alertam especialistas internacionais. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/direitos-humanos-desaparecidos-mas-no-esquecidos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":986,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,4,11],"tags":[],"class_list":["post-2096","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2096","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/986"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2096"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2096\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2096"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2096"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2096"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}