{"id":20963,"date":"2016-06-27T12:24:18","date_gmt":"2016-06-27T12:24:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=210627"},"modified":"2016-06-27T12:24:18","modified_gmt":"2016-06-27T12:24:18","slug":"violencia-sexual-nao-acaba-com-fim-da-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/06\/ultimas-noticias\/violencia-sexual-nao-acaba-com-fim-da-guerra\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia sexual n\u00e3o acaba com fim da guerra"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_210628\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-210628\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Nigeria-1.jpg\" alt=\"Reuni\u00e3o de ativistas da campanha #BringBackOurGirls (devolvam nossas meninas), no parque de divers\u00f5es Maitama, em Abuya, na Nig\u00e9ria. Foto: IniEkott\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Nigeria-1.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Nigeria-1-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Reuni\u00e3o de ativistas da campanha #BringBackOurGirls (devolvam nossas meninas), no parque de divers\u00f5es Maitama, em Abuya, na Nig\u00e9ria. Foto: IniEkott\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0ArunaDutt, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 27\/6\/2016 \u2013 \u201cQuando tem guerra, tem estupro, e quando tem estupro, tem trauma, dor e terror\u201d, destacou Zainab Bangura, representante especial do secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para Viol\u00eancia Sexual em Conflitos.A viol\u00eancia sexual \u00e9 uma arma de guerra desde tempos imemoriais. H\u00e1 refer\u00eancias b\u00edblicas, que continuam na Guerra Civil dos Estados Unidos, seguem nas duas guerras mundiais do s\u00e9culo 20, at\u00e9 outras regionais, como a da independ\u00eancia de Bangladesh, em 1971, e os conflitos \u00e9tnicos na B\u00f3snia e em Ruanda.<\/p>\n<p>Nenhum desses conflitos excluiu o estupro e a viol\u00eancia sexual.Quando termina a guerra e come\u00e7am as iniciativas de recupera\u00e7\u00e3o, os esfor\u00e7os, como o Plano Marshall, se concentram em reconstruir a infraestrutura e a economia.Mas \u00e9 bem menos o que se faz para fortalecer os sistemas de apoio \u00e0s mulheres traumatizadas pela guerra, o que significa que sofrem duas vezes: primeiro, a viol\u00eancia direta e, depois, o sistema de justi\u00e7a que trivializa seu trauma e silencia suas hist\u00f3rias, apontou Bangura.<\/p>\n<p>\u201cDepois da luta para sobreviver \u00e0s balas, armas e fac\u00f5es, vem a luta pela aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, o cuidado infantil e a repara\u00e7\u00e3o, bem como o direito de participar dos processos pol\u00edticos do pa\u00eds que procura ressurgir das cinzas da guerra\u201d, acrescentou a representante da ONU.As consequ\u00eancias da viol\u00eancia sexual s\u00e3o sentidas em v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, se amplificam com o tempo e geram uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia.<\/p>\n<p>O dano fica nos filhos nascidos da viola\u00e7\u00e3o, que frequentemente se sentem obrigados a permanecer nas sombras, sem documentos e emudecidos. \u201c\u00c9 como se tivessem nascido culpados, manchados pelo crime do pai\u201d, ressaltou Bangura.As pessoas conhecidas e os lugares familiares se tornam entornos antag\u00f4nicos, pois vizinhos e amigos se colocam contra as mulheres estupradas e seus filhos, culpando as pr\u00f3prias v\u00edtimas pela viol\u00eancia sexual.<\/p>\n<p>Bangura deu uma confer\u00eancia na segunda semana deste m\u00eas, no painel <em>Mulheres e Meninas em Conflitos: Aprendendo Com a Experi\u00eancia Vivida Para Comunicar Respostas Pol\u00edticas<\/em>, organizado pela ONU Mulheres, o Centro Internacional para a Justi\u00e7a Transicional (CIJT), o Instituto Liu de Assuntos Globais, pela Universidade de Col\u00fambia Brit\u00e2nica e a miss\u00e3o permanente do Canad\u00e1 nas Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>\u201cA rejei\u00e7\u00e3o parece se propagar como uma enfermidade, pois qualquer um que se preocupe com as pessoas marginalizadas tamb\u00e9m \u00e9 marginalizado\u201d, afirmou Virginie Ladisch, diretora do programa Inf\u00e2ncia e Juventude, do CIJT.Para Bangura, \u00e9 importante considerar essas crian\u00e7as n\u00e3o como a consequ\u00eancia de uma viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos mas como sujeitos de direitos humanos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o temos apenas que trazer nossas meninas de volta, mas temos que traz\u00ea-las para um ambiente de apoio e de oportunidades\u201d, acrescentouBangura, se referindo #bringbackourgirls, pelo caso das adolescentes sequestradas no dia 14 de abril de 2014, na Nig\u00e9ria pelo grupo Boko Haram.Para isso, \u00e9 preciso enfrentar o flagelo da viol\u00eancia sexual e o casamento for\u00e7ado, bem como combater o estigma e a culpabiliza\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas, processando os respons\u00e1veis, fazendo justi\u00e7a e garantindo que as mulheres possam cuidar de seus filhos. \u201cS\u00f3 ent\u00e3o poderemos dizer que a guerra terminou\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Em 2000, o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU adotou a resolu\u00e7\u00e3o 1325, que chama a aten\u00e7\u00e3o para as diferentes consequ\u00eancias que os conflitos armados provocam nas mulheres, sua exclus\u00e3o da preven\u00e7\u00e3o dos mesmos, da manuten\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o da paz e dos v\u00ednculos entre desigualdade de g\u00eanero e a paz mundial.<\/p>\n<p>Entretanto, Nahla Valji, especialista de Paz e Seguran\u00e7a da ONU Mulheres, disse que ap\u00f3s os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, as novas resolu\u00e7\u00f5es do Conselho de Seguran\u00e7a dedicadas \u00e0 luta contra o terrorismo foram frequentemente criticadas por n\u00e3o darem voz \u00e0s mulheres. \u201cSe deixamos que esse espa\u00e7o seja ocupado por outros, fica vazio e acaba definido de uma forma que n\u00e3o necessariamente contempla as necessidades e as vozes das mulheres\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Para preencher o vazio, o painel da terceira semana deste m\u00eas reuniu mulheres que sobreviveram a um conflito e sofreram viol\u00eancia sexual, para que contassem a dif\u00edcil realidade n\u00e3o atendida em que se converteram suas vidas cotidianas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s sobreviver \u00e0 viol\u00eancia p\u00f3s-eleitoral, que aconteceu no Qu\u00eania em 2007, Jacqueline Mutere testemunhou que a ONU tem muitas respostas para o enorme n\u00famero de mulheres que sofreram viol\u00eancia sexual, mas s\u00f3 contaram hist\u00f3rias cru\u00e9is de viola\u00e7\u00f5es para justificar a necessidade de fundos, sem mencionar as que tiveram filhos ou as consequ\u00eancias de longo prazo deixadas por essa horr\u00edvel experi\u00eancia em suas vidas.<\/p>\n<p>Mutere e muitas outras mulheres se deram conta de que as organiza\u00e7\u00f5es falavam por elas e n\u00e3o as representavam de forma adequada. Por isso,ela fundou a organiza\u00e7\u00e3o Grace Agenda, que ajuda as sobreviventes da viol\u00eancia sexual no Qu\u00eania.\u201cQuando me olham, v\u00eam at\u00e9 mim milhares de mulheres fortes estupradas, que ficaram incapacitadas em raz\u00e3o dessa viola\u00e7\u00e3o, cujos filhos tem incapacidades, ou que contra\u00edram HIV (v\u00edrus causador da aids). \u201cAlgu\u00e9m ter\u00e1 que pagar por essa dor. Por que o conflito de um pa\u00eds tem que se desenvolver em meu corpo?\u201d, perguntou.<\/p>\n<p>Mar\u00eda Alejandra Mart\u00ednez, que trabalha na reintegra\u00e7\u00e3o de mulheres, meninos e meninas na Col\u00f4mbia, pontuou que as mulheres afetadas pela guerra n\u00e3o querem ser conhecidas como \u201cv\u00edtimas de estupro\u201d ou \u201cesposas for\u00e7adas\u201d, ou falar de \u201ccrian\u00e7as-soldado\u201d. Elas querem ser reconhecidas como pessoas que falam e p\u00f4r fim ao sil\u00eancio.\u201cPrecisam contar sua hist\u00f3ria com suas pr\u00f3prias palavras. As crian\u00e7as s\u00e3o mais do que sua experi\u00eancia durante a guerra. Todas as crian\u00e7as desmobilizadas t\u00eam o poder de mudar o mundo\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;ArunaDutt, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 27\/6\/2016 &ndash; &ldquo;Quando tem guerra, tem estupro, e quando tem estupro, tem trauma, dor e terror&rdquo;, destacou Zainab Bangura, representante especial do secret&aacute;rio-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) para Viol&ecirc;ncia Sexual em Conflitos.A viol&ecirc;ncia sexual &eacute; uma arma de guerra desde tempos imemoriais. 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