{"id":20974,"date":"2016-07-04T13:14:42","date_gmt":"2016-07-04T13:14:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=210834"},"modified":"2016-07-04T13:14:42","modified_gmt":"2016-07-04T13:14:42","slug":"anistia-e-hrw-contra-sauditas-na-onu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/07\/ultimas-noticias\/anistia-e-hrw-contra-sauditas-na-onu\/","title":{"rendered":"Anistia e HRW contra sauditas na ONU"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_210835\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-210835\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/dhumanos-629x419.jpg\" alt=\"Entrevista coletiva de representantes da Anistia Internacional e da HumanRightsWatch. Foto: Loey Felipe\/ONU\" width=\"340\" height=\"226\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/dhumanos-629x419.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/dhumanos-629x419-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Entrevista coletiva de representantes da Anistia Internacional e da HumanRightsWatch. Foto: Loey Felipe\/ONU<\/p><\/div>\n<p><em>Organiza\u00e7\u00f5es defensoras dos direitos humanos pediram \u00e0 Assembleia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) que suspenda a Ar\u00e1bia Saudita do Conselho de Direitos Humanos. <\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por\u00a0Tharanga Yakupitiyage, da IPS<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 4\/7\/2016 \u2013 A Human Rights Watch (HRW), com sede em Nova York, e a Anistia Internacional, com sede em Londres, se uniram para fazer um chamado excepcional \u00e0 a\u00e7\u00e3o, baseando-se nas \u201cflagrantes e sistem\u00e1ticas viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos\u201d por parte da Ar\u00e1bia Saudita no I\u00eamen e em seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que a Ar\u00e1bia Saudita j\u00e1 n\u00e3o merece ocupar um lugar no Conselho de Direitos Humanos\u201d, afirmou,no dia 29 de junho, o subdiretor da HRW para assuntos globais, Philippe Bolopion.A HRW e a Anistia documentaram 69 bombardeios a\u00e9reos realizados pela coaliz\u00e3o encabe\u00e7ada pela Ar\u00e1bia Saudita no I\u00eamen e que deixaram pelo menos 913 civis mortos, entre eles 200 crian\u00e7as.<\/p>\n<p>O Escrit\u00f3rio de Direitos Humanos da ONU estima que morreram nove mil pessoas dede o in\u00edcio das opera\u00e7\u00f5es militares em territ\u00f3rio iemenita, em mar\u00e7o de 2015. Por sua vez, o alto comiss\u00e1rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra\u2019ad Al Hussein, afirmou que a coaliz\u00e3o \u00e1rabe \u00e9 mais respons\u00e1vel pelas v\u00edtimas civis do que as outras for\u00e7as reunidas.<\/p>\n<p>Um relat\u00f3rio do secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, indica que essa coaliz\u00e3o foi respons\u00e1vel por 60% do n\u00famero de crian\u00e7as mortas e feridas, e por quase metade dos 101 ataques contra escolas e hospitais. Entretanto, o secret\u00e1rio-geral acabou tirando a Ar\u00e1bia Saudita de uma lista de pa\u00edses que haviam cometido graves viola\u00e7\u00f5es contra menores, nesse mesmo informe, no come\u00e7o de junho, porque, segundo seu argumento, os pa\u00edses do Golfo amea\u00e7aram reduzir suas contribui\u00e7\u00f5es para importantes programas da ONU.<\/p>\n<p>A Anistia Internacional e a HRW chamam esse ap\u00eandice de \u201clista da vergonha\u201d. Ap\u00f3s as cr\u00edticas que recebeu por sua atua\u00e7\u00e3oBanexplicou que tomou\u201cuma decis\u00e3o para que todas as opera\u00e7\u00f5es da ONU, especialmente as humanit\u00e1rias, continuem funcionando. Tamb\u00e9m tive que considerar a possibilidade muito real de outros milh\u00f5es de crian\u00e7as sofrerem gravemente se, como foi dado a entender, os pa\u00edses retirassem seu financiamento para muitos programas das Na\u00e7\u00f5es Unidas\u201d.<\/p>\n<p>O embaixador saudita na ONU, Abdal\u00e1 Al-Muallimi, negou que seu pa\u00eds tenha feito amea\u00e7as ou lan\u00e7ado outras formas de intimida\u00e7\u00e3o para ser retirado da lista em quest\u00e3o.Richard Bennett, diretor para \u00c1sia Pac\u00edfico da Anistia Internacional, destacou que \u201c\u00e9 importante defender o mandato de proteger as crian\u00e7as afetadas pelos conflitos armados. Os estados membros da Assembleia Geral devem se levantar e defend\u00ea-lo\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do informe da ONU, HRW e Anistia tamb\u00e9m documentaram 19 ataques da coaliz\u00e3o liderada pelos sauditas no I\u00eamen, os quais inclu\u00edram bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o, que est\u00e3o proibidas em todo o mundo, e muitos deles realizados em \u00e1reas civis, como a Universidade de San\u00e1.A diretora executiva da HRW para Oriente M\u00e9dio e norte da\u00c1frica, Sarah LeahWhitson, apontou que, al\u00e9m da coaliz\u00e3o integrada por nove pa\u00edses \u00e1rabes, Estados Unidos e Gr\u00e3-Bretanha tamb\u00e9m \u201ccruzaram o umbral\u201d e participavam da guerra como fornecedores de armas, incluindo as bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2015, a Ar\u00e1bia Saudita comprou armas dos Estados Unidos no valor de US$ 20 bilh\u00f5es, e da Gr\u00e3-Bretanha no valor de US$ 4 bilh\u00f5es. Esses dois pa\u00edses ocidentais tamb\u00e9m participaram com apoio de intelig\u00eancia durante o conflito. Sua atua\u00e7\u00e3o os torna legalmente respons\u00e1veis pelos crimes cometidos no terreno, pontuouWhitson.<\/p>\n<p>Por outro lado, o bloqueio naval dos portos do I\u00eamen reduziu drasticamente o fornecimento de alimentos e medicamentos, o que deixou 80% da popula\u00e7\u00e3o com necessidade de algum tipo de assist\u00eancia humanit\u00e1ria. O ass\u00e9dio e a inani\u00e7\u00e3o que sofrem os civis s\u00e3o \u201cuma forma de fazer a guerra e tamb\u00e9m \u00e9 um crime de guerra\u201d, ressaltouWhitson.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi poss\u00edvel consultar funcion\u00e1rios sauditas e norte-americanos, mas integrantes da coaliz\u00e3o negaram em reiteradas oportunidades toda viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos. Enquanto isso, no \u00e2mbito dom\u00e9stico a dissid\u00eancia n\u00e3o cessa. Em 2015, pelo menos seis pessoas, entre elas destacados escritores e ativistas, sofreram repres\u00e1lias por expressarem suas opini\u00f5es. E uma delas foi condenada \u00e0 morte. Inclusive falar com integrantes de organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos, como HRW e Anistia, \u00e9 um crime, explicou Bennett.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m aumentaram as execu\u00e7\u00f5es,acrescentouBennett. S\u00f3 neste ano, ocorreram 95 execu\u00e7\u00f5es, mais do que em igual per\u00edodo do ano passado. Aproximadamente, 47 delas morreram em uma execu\u00e7\u00e3o em massa no m\u00eas de janeiro. A maioria acusada de crimes que, segundo o direito internacional, n\u00e3o s\u00e3o punidos com a pena capital.<\/p>\n<p>Apesar das v\u00e1rias viola\u00e7\u00f5es \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o internacional em mat\u00e9ria de direitos humanos, a Ar\u00e1bia Saudita aproveitou sua posi\u00e7\u00e3o no Conselho de Direitos Humanos para se proteger do controle e da presta\u00e7\u00e3o de contas, segundo HRW e Anistia Internacional. De fato, em 2015, a Ar\u00e1bia Saudita frustrou uma resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Direitos Humanos, que solicitava investigar os supostos crimes de guerra e outras viola\u00e7\u00f5es cometidas pelas partes em luta no I\u00eamen. Por outro lado, funcion\u00e1rios sauditas redigiram seu pr\u00f3prio documento sem mencionar uma investiga\u00e7\u00e3o independente da ONU.<\/p>\n<p>A HRW e a Anistia tamb\u00e9m pediram aos Estados membros da Assembleia Geral para atuarem de acordo com a resolu\u00e7\u00e3o 60\/251, pela qual esse m\u00e1ximo \u00f3rg\u00e3o de decis\u00e3o pode suspender os direitos de um pa\u00eds no Conselho de Direitos Humanos, com aprova\u00e7\u00e3o de dois ter\u00e7os de seus integrantes, se um membro violar esses princ\u00edpios. A resolu\u00e7\u00e3o foi invocada pela primeira vez em 2011, quando a L\u00edbia foi suspensa por viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos.<\/p>\n<p>\u201cSabemos que temos poucas probabilidades de consegui-lo\u201d, respondeu Bolopion ao ser consultado sobre a possibilidade de suspens\u00e3o efetiva da Ar\u00e1bia Saudita. Por\u00e9m, espera que a campanha sirva de \u201calerta\u201d para que outros membros vejam que n\u00e3o podem fazer o que bem entendem, violar os direitos humanos e varrer suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>A HRW e a Anistia tamb\u00e9m destacaram que \u00e9 fundamental tomar medidas para manter a integridade da ONU. \u201cA falta de medidas contra as flagrantes viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos pela Ar\u00e1bia Saudita no I\u00eamen e o abuso de sua posi\u00e7\u00e3o para obstruir investiga\u00e7\u00f5es independentes para n\u00e3o assumir sua responsabilidade colocam em risco a credibilidade do Conselho de Direitos Humanos e da Assembleia Geral\u201d, enfatizou Bennett.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2015, a Ar\u00e1bia Saudita e nove pa\u00edses \u00e1rabes, entre eles Egito e Kuwait, intervieram no conflito do I\u00eamen e, desde ent\u00e3o, lutam com as for\u00e7as hutis. Apesar da media\u00e7\u00e3o da ONU, que conseguiu um cessar-fogo, as duas partes cometeram \u201cgraves viola\u00e7\u00f5es\u201d, disse o secret\u00e1rio-geral da ONU aos negociadores iemenitas. As conversa\u00e7\u00f5es ser\u00e3o reiniciadas em meados deste m\u00eas, ao fim da festividade de Eid, que p\u00f5e fim ao m\u00eas sagrado mu\u00e7ulmano do Ramad\u00e3. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Organiza&ccedil;&otilde;es defensoras dos direitos humanos pediram &agrave; Assembleia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) que suspenda a Ar&aacute;bia Saudita do Conselho de Direitos Humanos. 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