{"id":20990,"date":"2016-07-01T15:46:20","date_gmt":"2016-07-01T15:46:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=211010"},"modified":"2016-07-01T15:46:20","modified_gmt":"2016-07-01T15:46:20","slug":"algas-ganham-espaco-na-alimentacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/07\/ultimas-noticias\/algas-ganham-espaco-na-alimentacao\/","title":{"rendered":"Algas ganham espa\u00e7o na alimenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_211011\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-211011\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Zulema.jpg\" alt=\"Zulema Mu\u00f1oz sai do mar carregando cochayuyo (alga marinha comest\u00edvel) que acaba de arrancar das rochas nas quais adere na costa do Oceano Pac\u00edfico, nos arredores de Matanzas, no Chile. As algas marinhas ganham terreno no setor pesqueiro do pa\u00eds e s\u00e3o o sustento de milhares de pessoas. Foto: Orlando Milesi\/IPS \" width=\"340\" height=\"204\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Zulema.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Zulema-300x180.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Zulema Mu\u00f1oz sai do mar carregando cochayuyo (alga marinha comest\u00edvel) que acaba de arrancar das rochas nas quais adere na costa do Oceano Pac\u00edfico, nos arredores de Matanzas, no Chile. As algas marinhas ganham terreno no setor pesqueiro do pa\u00eds e s\u00e3o o sustento de milhares de pessoas. Foto: Orlando Milesi\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Orlando Milesi, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Matanzas, Chile, 1\/7\/2016 \u2013 As algas marinhas, um alimento rico em nutrientes que esteve presente na dieta regular de v\u00e1rios povos origin\u00e1rios da Am\u00e9rica do Sul, agora aparecem como alternativa na busca de garantir a seguran\u00e7a alimentar da Am\u00e9rica Latina e proporcionar emprego a milhares de habitantes das zonas costeiras da regi\u00e3o.\u201cTrabalho com algas desde os cinco anos. Agora tenho 50. Tenho uma pessoa a quem sempre as vendo e que, segundo dizem, as usa para fazer cremes e pl\u00e1stico\u201d, contou \u00e0 IPS Zulema Mu\u00f1oz, na localidade costeira de Matanzas, 160 quil\u00f4metros a sudeste de Santiago do Chile, no Oceano Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>As algas marinhas s\u00e3o utilizadas como alimento humano desde a antiguidade, especialmente na China, no Jap\u00e3o e na pen\u00ednsula da Coreia. Ao emigrarem para outras regi\u00f5es, os naturais desses pa\u00edses levaram seu uso aos seus novos pa\u00edses, por isso podem ser encontrados produtos \u00e0 base de alga salgada, dessecada e fresca em quase todas as partes do mundo.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), a cada ano no mundo, s\u00e3o recolhidas cerca de 25 milh\u00f5es de toneladas de algas marinhas e outras algas para uso como alimento, em cosm\u00e9ticos e fertilizantes, al\u00e9m de serem processadas para extra\u00e7\u00e3o de espessantes ou serem utilizadas como aditivo para ra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>De acordo com a FAO, a aquicultura marinha, especialmente de algas e moluscos, contribui para a seguran\u00e7a alimentar e o al\u00edvio da pobreza, pois a maioria de seus produtos s\u00e3o obtidos com atividades pesqueiras que v\u00e3o de pequena a m\u00e9dia escala.Na Am\u00e9rica Latina \u2013 regi\u00e3o com 625 milh\u00f5es de pessoas, com mais de 34 milh\u00f5es delas sofrendo fome, segundo a pr\u00f3pria FAO \u2013, pa\u00edses como Argentina, Brasil,Col\u00f4mbia, Cuba, Equador, M\u00e9xico, Peru e Venezuela exploram a produ\u00e7\u00e3o de algas marinhas.<\/p>\n<p>No Chile, \u201cestudos realizados em Monte Verde (regi\u00e3o de Los Lagos, 800 quil\u00f4metros ao sul de Santiago) demonstraram que ali, em um dos primeiros assentamentos humanos da Am\u00e9rica, as pessoas incorporaram algas marinhas em sua dieta\u201d, explicou Erasmo Macaya, pesquisador principal do Laborat\u00f3rio de Estudos sobre Algas da Universidade de Concepci\u00f3n.<\/p>\n<p>As algas marinhas \u201ctamb\u00e9m s\u00e3o fonte de alimenta\u00e7\u00e3o para os ind\u00edgenas lafkenches, que sempre as utilizaram como parte de sua dieta, principalmente o tipo <em>cochayuyi<\/em> (<em>Durvilaea antarctica<\/em>) e o tipo <em>luche<\/em> (<em>Pyropia<\/em>\/<em>Porphyra<\/em>)\u201d, afirmou Macaya \u00e0 IPS, da cidade de Concepci\u00f3n.<\/p>\n<p>Axel Manr\u00edquez, <em>chef<\/em> executivo do hotel Plaza San Francisco, em Santiago, garantiu \u00e0 IPS que atualmente existe \u201cum reencantamento com as algas, sobretudo porque os veganos as consomem muito\u201d. E recordou que, noPeru,\u201ccomo resultado de sua mesti\u00e7agem com a China, de grande influ\u00eancia, foram incorporadas algas em sua culin\u00e1ria, conhecida como cozinha chifa. No Chile, s\u00f3 temos influ\u00eancia chinesano norte e, por isso, nossas algas v\u00e3o todas para a \u00c1sia, porque l\u00e1 s\u00e3oconsumidas em grande quantidade\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_211012\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-211012\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/alga.jpg\" alt=\"A alga luche (alga marinha comest\u00edvel do Chile) exposta para venda em um mercado chileno, onde come\u00e7am a ser parte da oferta regular. As algas marinhas fazem parte da dieta de v\u00e1rios povos origin\u00e1rios do pa\u00eds e seu consumo come\u00e7a a despontar, apoiado em seu alto valor nutritivo. Foto: Cortesia de Erasmo Macaya\" width=\"340\" height=\"226\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/alga.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/alga-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A alga luche (alga marinha comest\u00edvel do Chile) exposta para venda em um mercado chileno, onde come\u00e7am a ser parte da oferta regular. As algas marinhas fazem parte da dieta de v\u00e1rios povos origin\u00e1rios do pa\u00eds e seu consumo come\u00e7a a despontar, apoiado em seu alto valor nutritivo. Foto: Cortesia de Erasmo Macaya<\/p><\/div>\n<p>As algas \u201cs\u00e3o extremamente potentes: t\u00eam muitos nutrientes e, al\u00e9m disso, s\u00e3o um produto muito saud\u00e1vel, porque sua salinidade \u00e9 regulada pelo oceano. N\u00e3o t\u00eam excesso de sal e podem ser consumidas cruas ou cozidas. Nos ajudam em nosso metabolismo e a incorporar iodo. Os asi\u00e1ticos n\u00e3o sofrem de hipertireoidismo porque consomem muita alga\u201d, acrescentou o chef.<\/p>\n<p>O Chile possui mais de 700 esp\u00e9cies de macroalgas marinhas descritas, das quais apenas 20 s\u00e3o utilizadas comercialmente.\u201cInfelizmente, os estudos sobre biodiversidade e taxonomia s\u00e3o muito escassos e tamb\u00e9m recebem pouco financiamento, porque n\u00e3o geram produtos imediatos, ou, segundo muitos afirmam, n\u00e3o t\u00eam aplica\u00e7\u00e3o direta\u201d,pontuou Macaya, para quem, \u201cprovavelmente, exista o dobro ou o triplo das algas cadastradas\u201d.<\/p>\n<p>O especialista disse que, no Chile,atualmente s\u00e3o utilizadas escassamente na alimenta\u00e7\u00e3o humana as algas tipos <em>cochayuyo<\/em> e <em>luche<\/em>, mas s\u00e3o exportadas para outros pa\u00edses para consumo humano algas vermelhas como a carola (<em>Callophyllis<\/em>) e a chic\u00f3ria do mar (<em>Chondracanthus chamissoi<\/em>).<\/p>\n<p>Macaya destacou que outras pesquisas em andamento permitir\u00e3o aumentar o valor agregado das algas, convertendo-as em biocombust\u00edveis, biopl\u00e1sticos, produtos com aplica\u00e7\u00e3o em biomedicina, entre outros, uma tend\u00eancia que ganha relev\u00e2ncia em n\u00edvel mundial. Entretanto, durante as \u00faltimas d\u00e9cadas, a demanda cresceu mais r\u00e1pido do que a capacidade para atender as necessidades com as exist\u00eancias de algas naturais (silvestres).<\/p>\n<p>\u201cNecessariamente, as algas dever\u00e3o ser cultivadas porque n\u00e3o podemos nos abastecer somente de popula\u00e7\u00f5es naturais. A experi\u00eancia j\u00e1 nos mostra \u2013 e n\u00e3o apenas com as algas \u2013 que a superexplora\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema frequente, para o qual devemos encontrar alternativas sustent\u00e1veis\u201d, ressaltou Macaya.No Chile, das 430 mil toneladas de algas extra\u00eddas em 2014, 51% corresponderam \u00e0<em>huiro negro <\/em>ou <em>chasc\u00f3n (Lessonia spicata<\/em> e <em>Lessonia berteroana<\/em>). Se somadas outras duas esp\u00e9cies de algas pardas, a <em>huiro palo <\/em>(<em>Lessonia trabeculata<\/em>) e a <em>huiro<\/em> (<em>Macrocystis pyrifera<\/em>), totalizam 71% de toda a biomassa que \u00e9 extra\u00edda.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Macaya alertou que \u201cisso \u00e9 muito preocupante, considerando que todas essas esp\u00e9cies cumprem pap\u00e9is ecol\u00f3gicos tremendamente relevantes e formam florestas submarinas que abrigam uma rica biodiversidade\u201d.Para enfrentar esse problema, o governo chileno impulsionou uma lei de Bonifica\u00e7\u00e3o de Cultivo e Repovoamento de Algas, que compensar\u00e1 os pequenos pescadores artesanais ou as microempresas, com o objetivo de aumentar o cultivo e a colheita de algas e, de passagem, reconverter muitos trabalhadores.<\/p>\n<p>O uso das algas \u00e9 atualmente cotidiano, embora muitos n\u00e3o notem: produtos de uso di\u00e1rio como pasta para dentes, xampus, cremes, geleias, leite, rem\u00e9dios, incluem em seus compostos alguns elementos derivados de algas, chamados ficocoloides, como carragenina, \u00e1gar e alginatos. Tamb\u00e9m est\u00e3o presentes na alimenta\u00e7\u00e3o, por exemplo, com o nori, alga japonesa usada para a prepara\u00e7\u00e3o do sushi.<\/p>\n<p>Mu\u00f1oz s\u00f3 come a do tipo <em>luche<\/em>.\u201cAs outras n\u00e3o. Segundo dizem, s\u00e3o muito ricas e bem preparadas, a <em>luga<\/em>, sobretudo, mas eu nunca preparei\u201d, contou. Em seu trabalho di\u00e1rio, ela entra e sai do mar munida apenas com um fac\u00e3o, que guarda em uma bainha na cintura, para arrancar peda\u00e7os de <em>luga<\/em>, <em>chasca<\/em>,<em>cochayuyo<\/em> e <em>luche<\/em>. Em uma semana boa, consegue at\u00e9 500 quilos para vender cada quilo de <em>luga<\/em> a 450 pesos (US$ 0,65), o de <em>cochayuyo<\/em> a 720 pesos (US$ 1,02) e o de <em>chasca<\/em> a mil pesos (US$ 1,5).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9ramos quatro mulheres trabalhando aqui, mas uma morreu. Agora h\u00e1 outra menina, que tamb\u00e9m se integrou ao sindicato de pescadores, mas ela trabalha pouco\u201d, explicou Mun\u00f5z, enquanto, ap\u00f3s trabalhar entre as rochas, esperava que o fraco sol de inverno secasse as algas que havia estendido na areia, para depois iniciar sua comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O setor de algas do pa\u00eds gera trabalho direto para 6.456 pescadores artesanais e mariscadores de margem de praia, e tamb\u00e9m para 13.105 mergulhadores artesanais. Incluindo empregos indiretos, o n\u00famero de pescadores artesanais e pequenos empres\u00e1rios que se beneficiam da atividade chega ao total de 30 mil pessoas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Orlando Milesi, da IPS &ndash;&nbsp; Matanzas, Chile, 1\/7\/2016 &ndash; As algas marinhas, um alimento rico em nutrientes que esteve presente na dieta regular de v&aacute;rios povos origin&aacute;rios da Am&eacute;rica do Sul, agora aparecem como alternativa na busca de garantir a seguran&ccedil;a alimentar da Am&eacute;rica Latina e proporcionar emprego a milhares de habitantes das zonas costeiras [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/07\/ultimas-noticias\/algas-ganham-espaco-na-alimentacao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2364,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2830,3050,1185,994,3043],"class_list":["post-20990","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-1-1-canais","tag-algas","tag-alimentacao","tag-fao","tag-mundo-inter-press-service"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20990","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2364"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20990"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20990\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21005,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20990\/revisions\/21005"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20990"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20990"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20990"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}