{"id":210,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=210"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"direitos-humanos-paz-no-sul-genocdio-sem-fim-no-oeste-do-sudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/direitos-humanos-paz-no-sul-genocdio-sem-fim-no-oeste-do-sudo\/","title":{"rendered":"Direitos humanos: Paz no Sul, genoc&iacute;dio sem fim no Oeste do Sud&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 23\/01\/2005 &ndash; A viol&ecirc;ncia desenfreada na regi&atilde;o sudanesa de Darfur preocupa observadores no Ocidente, apesar do acordo de paz alcan&ccedil;ado pelo governo isl&acirc;mico e &aacute;rabe em Cartum com os crist&atilde;os do Sul, outro conflito em que estava envolvido. Tampouco acreditam que o regime da Frente Isl&acirc;mica Nacional e o Movimento para a Libera&ccedil;&atilde;o do Sul do Sud&atilde;o cumpram plenamente o pacto estabelecido esta semana, sob intensa press&atilde;o internacional, apesar de o cessar-fogo obtido em 2002 ser cumprido ap&oacute;s 22 anos de guerra.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;Uma das grandes causas dos conflitos que tiraram as vidas de tantos sudaneses foi a injusti&ccedil;a e a marginaliza&ccedil;&atilde;o&quot;, disse Kolawole Olaniyan, diretor do programa africano da organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Anistia Internacional. &quot;A menos que as preocupa&ccedil;&otilde;es com os direitos humanos sejam atendidas com seriedade, ser&aacute; dif&iacute;cil ter uma paz duradoura&quot;, acrescentou. A assinatura do acordo de paz &quot;poderia marcar um momento hist&oacute;rico para o Sud&atilde;o, pondo fim a d&eacute;cadas de viol&ecirc;ncia e devasta&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s mais extenso da &Aacute;frica&quot;, considerou a organiza&ccedil;&atilde;o &Aacute;frica Action, com sede em Washington. &quot;Por&eacute;m este acordo n&atilde;o cobre o conflito existente na regi&atilde;o ocidental de Darfur, onde o governo sudan&ecirc;s mant&eacute;m uma campanha de genoc&iacute;dio contra civis de tr&ecirc;s grupos &eacute;tnicos&quot;, advertiu a &Aacute;frica Action.<\/p>\n<p> De fato, a situa&ccedil;&atilde;o em Darfur se deteriorava enquanto era assinado em um gin&aacute;sio de esportes de Nair&oacute;bi o conv&ecirc;nio entre o governo isl&acirc;mico e o SPLA, na presen&ccedil;a de 15 chefes de Estado africanos, 20 mil sudaneses, do secret&aacute;rio de Estado norte-americano, Colin Powell, e do secret&aacute;rio-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Kofi Annan. &quot;Este &eacute; um dia promissor para o Sud&atilde;o, mas somente se as promessas forem cumpridas&quot;, alertou Powell na oportunidade. Estima-se que entre 70 mil e 200 mil mu&ccedil;ulmanos negros morreram nos &uacute;ltimos dois anos por causa da viol&ecirc;ncia e que a situa&ccedil;&atilde;o piora apesar da presen&ccedil;a de uma for&ccedil;a de manuten&ccedil;&atilde;o da paz da Uni&atilde;o Africana (UA) composta por mil soldados.<\/p>\n<p> As negocia&ccedil;&otilde;es para por fim &agrave; guerra civil no Sul se desenvolveram desde 2002 no Qu&ecirc;nia, entre o governo de Cartum e o SPLA. A guerra estourou quando foi estabelecido o regime em 1983, mas os conflitos foram persistentes desde a independ&ecirc;ncia, em 1956, da Gr&atilde;-Bretanha. O governo sudan&ecirc;s &eacute; de perfil isl&acirc;mico e est&aacute; dominado pela maioria &aacute;rabe do Norte do pa&iacute;s. No Sul, por outro lado, a maioria da popula&ccedil;&atilde;o &eacute; negra e pratica o cristianismo ou religi&otilde;es tradicionais africanas. Esse conflito, concentrado em &aacute;reas onde o regime isl&acirc;mico havia concedido a multinacionais do petr&oacute;leo a explora&ccedil;&atilde;o do subsolo, causou a morte de mais de dois milh&otilde;es de pessoas, quatro milh&otilde;es de refugiados internos e a fuga de meio milh&atilde;o para outros pa&iacute;ses.<\/p>\n<p> O di&aacute;logo come&ccedil;ou a dar frutos em setembro de 2002, quando ficou acertado integrar os combatentes dos dois grupos em um ex&eacute;rcito nacional. No ano passado chegou-se a um consenso para compartilhar a riqueza petrol&iacute;fera do Sud&atilde;o e outras fontes de renda governamentais. Quanto &agrave; crise em Darfur, aproximadamente 30 mil mu&ccedil;ulmanos negros foram assassinados e mais de dois milh&otilde;es tiveram de abandonar suas casas por causa das hostilidades das mil&iacute;cias &aacute;rabes Janjaweed, que contam, segundo a maioria dos observadores, com apoio de Cartum. A maioria dos refugiados teve de se deslocar para o vizinho Chade ou at&eacute; regi&otilde;es in&oacute;spitas, onde &eacute; muito dif&iacute;cil o acesso das organiza&ccedil;&otilde;es de ajuda humanit&aacute;ria.<\/p>\n<p> N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que o governo isl&acirc;mico e &aacute;rabe de Cartum patrocinou, armou ou recrutou as mil&iacute;cias, segundo a relatora especial da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre execu&ccedil;&otilde;es extrajudiciais, sum&aacute;rias e arbitr&aacute;rias, Asma Jahangir. Os janjaweed &#8211; mu&ccedil;ulmanos como suas v&iacute;timas &#8211; freq&uuml;entemente usam uniformes do ex&eacute;rcito regular e ve&iacute;culos oficiais, acrescentou. O conflito em Darfur, reino independente anexado pelo Sud&atilde;o em 1917, come&ccedil;ou nos anos 70 com uma disputa &eacute;tnica de baixa intensidade entre n&ocirc;mades &aacute;rabes e agricultores ind&iacute;genas negros a respeito das terras de pastoreio nessa regi&atilde;o inclinada &agrave; seca. Mas a tens&atilde;o evoluiu para uma guerra civil que estourou em fevereiro de 2003.<\/p>\n<p> Nessa ocasi&atilde;o, duas organiza&ccedil;&otilde;es rebeldes, o Movimento e Ex&eacute;rcito para a Liberta&ccedil;&atilde;o do Sud&atilde;o e o Movimento Justi&ccedil;a e Eq&uuml;idade, reagiram com viol&ecirc;ncia &agrave; cont&iacute;nua hostilidade das mil&iacute;cias pr&oacute;-governamentais e &agrave; falta de investimentos no desenvolvimento da regi&atilde;o. Os dois grupos lan&ccedil;aram ataques, &agrave;s vezes conjuntos, contra instala&ccedil;&otilde;es militares em resposta &agrave;s blitze da Janjaweed contra suas comunidades e ao fato de Cartum ignorar a regi&atilde;o. Os rebeldes s&atilde;o apoiados pela popula&ccedil;&atilde;o &aacute;rabe que constitui a maioria nessa zona. A resposta do governo foi um aumento do apoio aos 29 mil janjaweed (homens a cavalo, em &aacute;rabe) e uma escalada de ofensivas contra a popula&ccedil;&atilde;o civil.<\/p>\n<p> Com apoio do Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU, a UA planejava aumentar para 3.500 o n&uacute;mero de soldados da for&ccedil;a de manuten&ccedil;&atilde;o da paz em Darfur. Mas a resposta concreta em apoio log&iacute;stico e equipamentos por parte da comunidade internacional foi pobre. Em julho o Congresso norte-americano qualificou a atitude do regime sudan&ecirc;s de &quot;genocida&quot;, uma caracteriza&ccedil;&atilde;o que foi aprovada dois meses depois pelo governo do presidente George W. Bush. A pr&oacute;xima sess&atilde;o que o Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas dedicar ao conflito poder&aacute; levar a san&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas contra Cartum. Kofi Annan informou no &uacute;ltimo dia 7 que as for&ccedil;as do regime haviam reiniciado em dezembro suas opera&ccedil;&otilde;es conjuntas contra os janjaweed, suspensas em meados do ano passado. Estados Unidos, Gr&atilde;-Bretanha, Noruega e as na&ccedil;&otilde;es vizinhas do Sud&atilde;o exerceram intensa press&atilde;o para que se chegasse ao acordo de paz no Sul pa&iacute;s.<\/p>\n<p> O regime isl&acirc;mico, que ofereceu ref&uacute;gio ao l&iacute;der isl&acirc;mico saudita Osama bin Laden no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 80, &eacute; considerado um aliado potencial de Washington em sua &quot;guerra contra o terrorismo&quot;. De todo modo, o governo Bush advertiu que n&atilde;o normalizar&aacute; suas rela&ccedil;&otilde;es a menos que seja detida a viol&ecirc;ncia em Darfur. No ano passado chegou-se a um consenso para dividir em partes iguais a riqueza petrol&iacute;fera do Sul do Sud&atilde;o entre o regime e as autoridades locais a serem estabelecidas, bem como outras fontes de renda governamentais. Segundo o acordo, as partes formar&atilde;o um governo de unidade nacional pelo per&iacute;odo de seis anos, durante os quais se fortalecer&aacute; o federalismo. O l&iacute;der do SPLA, John Garang, ser&aacute; vice-presidente do governo central. O sul do Sud&atilde;o ser&aacute; aut&ocirc;nomo durante esse per&iacute;odo, sob a presid&ecirc;ncia do pr&oacute;prio Garang, e ali n&atilde;o vigorar&aacute; a lei isl&acirc;mica. Ao t&eacute;rmino desse per&iacute;odo haver&aacute; um referendo sobre a eventual independ&ecirc;ncia da regi&atilde;o. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p> (*) Com a colabora&ccedil;&atilde;o de Joyce Mulama, desde Nair&oacute;bi.<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 23\/01\/2005 &ndash; A viol&ecirc;ncia desenfreada na regi&atilde;o sudanesa de Darfur preocupa observadores no Ocidente, apesar do acordo de paz alcan&ccedil;ado pelo governo isl&acirc;mico e &aacute;rabe em Cartum com os crist&atilde;os do Sul, outro conflito em que estava envolvido. Tampouco acreditam que o regime da Frente Isl&acirc;mica Nacional e o Movimento para a Libera&ccedil;&atilde;o do Sul do Sud&atilde;o cumpram plenamente o pacto estabelecido esta semana, sob intensa press&atilde;o internacional, apesar de o cessar-fogo obtido em 2002 ser cumprido ap&oacute;s 22 anos de guerra.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/direitos-humanos-paz-no-sul-genocdio-sem-fim-no-oeste-do-sudo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-210","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=210"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/210\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}