{"id":21008,"date":"2016-07-08T13:19:46","date_gmt":"2016-07-08T13:19:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=211129"},"modified":"2016-07-08T13:19:46","modified_gmt":"2016-07-08T13:19:46","slug":"linguagem-direta-contra-gravidez-adolescente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/07\/ultimas-noticias\/linguagem-direta-contra-gravidez-adolescente\/","title":{"rendered":"Linguagem direta contra gravidez adolescente"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_211130\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-211130\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/gravidez.jpg\" alt=\"Uma m\u00e3e adolescente no munic\u00edpio rural de Bonpland, na prov\u00edncia argentina de Misiones. A Am\u00e9rica Latina \u00e9 a segunda regi\u00e3o do mundo em fecundidade precoce, atr\u00e1s da \u00c1frica subsaariana. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS\" width=\"340\" height=\"191\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/gravidez.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/gravidez-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Uma m\u00e3e adolescente no munic\u00edpio rural de Bonpland, na prov\u00edncia argentina de Misiones. A Am\u00e9rica Latina \u00e9 a segunda regi\u00e3o do mundo em fecundidade precoce, atr\u00e1s da \u00c1frica subsaariana. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Fabiana Frayssinet, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 8\/7\/2016 \u2013 Em linguagem direta, um v\u00eddeo argentino explica aos adolescentes como viver o sexo com prazer e ao mesmo tempo com cuidado. Uma campanha sem tabus, muito necess\u00e1ria nos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina onde uma em cada cinco mulheres s\u00e3o m\u00e3es antes dos 19 anos.\u201cPara que o sexo funcione bem, as duas pessoas precisam ter vontade e isso significa tanto estarem certas de querer pratic\u00e1-lo como de estarem preparados, isto \u00e9, estarem quentes\u201d, disse a psic\u00f3loga Cecilia Saia, autora do v\u00eddeo <em>Falemos de Sexo<\/em>, divulgado em redes sociais e destinado a adolescentes e pr\u00e9-adolescentes.<\/p>\n<p>Produzido pela Funda\u00e7\u00e3o para Estudo e Pesquisa da Mulher (Feim), o filme integrou a campanha Fa\u00e7a o Teste de N\u00e3o Gravidez, e foi distribu\u00eddo a adolescentes para que \u201csaibam como tomar decis\u00f5es livres e informadas sobre ser m\u00e3e e ser pai\u201d. Durante a campanha foi entregue \u00e0s e aos adolescentes uma caixa, semelhante \u00e0s dos testes de gravidez, com informa\u00e7\u00e3o sobre gravidez na adolesc\u00eancia e os mitos sobre como ocorre, bem como um preservativo e uma explica\u00e7\u00e3o de como us\u00e1-lo, disse \u00e0 IPS a presidente da Feim, Mabel Blanco.<\/p>\n<p>A campanha foi divulgada no Youtube e em outras redes sociais, com mensagens diretas e em linguagem pr\u00f3pria dos adolescentes. \u201cIsso permitiu chegar a um grande grupo de adolescentes de 14 a 18 anos, grupo ao qual habitualmente \u00e9 dif\u00edcil chegar com campanhas desse tipo\u201d, destacou Blanco. Segundo a Feim, diariamente nascem na Argentina 300 crian\u00e7as de m\u00e3es menores de 19 anos, equivalente a 15% de todos os nascimentos.<\/p>\n<p>\u201cEssa porcentagem mostra uma tend\u00eancia ascendente sustentada ao longo dos \u00faltimos dez a 15 anos, e tamb\u00e9m aumentaram os de menores de 15 anos, ou seja, meninas\u201d, lamentou a organiza\u00e7\u00e3o. O caso argentino \u00e9 um exemplo dos que ocorrem no resto da Am\u00e9rica Latina, a segunda regi\u00e3o do mundo em taxa de fecundidade em adolescentes depois da \u00c1frica subsaariana, com 76 filhos vivos para cada mil mulheres entre 15 e 19 anos, segundo dados de ag\u00eancias da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>Justamente, para chamar a aten\u00e7\u00e3o sobre este problema e, em geral, sobre a necessidade de promover medidas para um desenvolvimento em condi\u00e7\u00f5es de igualdade para elas, este ano o Dia Mundial da Popula\u00e7\u00e3o, que ser\u00e1 celebrado no dia 11, tem como tema o do investimento nas meninas adolescentes.<\/p>\n<p>O Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA) afirma que uma em cada cinco mulheres do Cone Sul americano (Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai) ser\u00e1 m\u00e3e antes de terminar a adolesc\u00eancia, em uma regi\u00e3o onde mais de 1,2 milh\u00e3o dos nascimentos anuais s\u00e3o de m\u00e3es adolescentes.<\/p>\n<p>\u201cA gravidez e a maternidade precoces podem trazer complica\u00e7\u00f5es para a sa\u00fade da m\u00e3e e do beb\u00ea, como tamb\u00e9m impactos negativos nos cursos de vida das e dos adolescentes\u201d, destaca um informe do UNFPA sobre fecundidade e maternidade no Cone Sul. O documento acrescenta que,\u201cquando a gravidez n\u00e3o foi planejada, \u00e9 uma clara manifesta\u00e7\u00e3o de vulnera\u00e7\u00e3o dos direitos sexuais e reprodutivos das adolescentes e, por extens\u00e3o, de seus direitos humanos\u201d.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 IPS, Alma Virginia Camacho-H\u00fcbner, assessora em sa\u00fade sexual e reprodutiva para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe do UNFPA, apontou que a gravidez adolescente tem implica\u00e7\u00f5es em n\u00edvel individual, como a morbimortalidade materna, associada entre outros fatores aos riscos derivados dos abortos inseguros. Tamb\u00e9m multiplica a prematuridade e o baixo peso dos filhos ao nascerem, em particular de m\u00e3es com menos de 15 anos.<\/p>\n<p>No caso dos sistemas de sa\u00fade, o custo da aten\u00e7\u00e3o com gravidez, parto, p\u00f3s-parto e cuidados do rec\u00e9m-nascido \u00e9 muito superior ao custo das interven\u00e7\u00f5es com promo\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o da gravidez.\u201cPara a sociedade em seu conjunto e de uma perspectiva estritamente econ\u00f4mica, a maternidade precoce naqueles pa\u00edses onde existe o dividendo demogr\u00e1fico representa uma perda acelerada do dividendo demogr\u00e1fico\u201d, afirmou Camacho-H\u00fcbner, da sede regional do UNFPA na Cidade do Panam\u00e1.<\/p>\n<p>Isso porque,\u201cem lugar de aumentar a produtividade da economia por contar com uma propor\u00e7\u00e3o maior de popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, na medida em que aumenta a maternidade precoce aumenta rapidamente a taxa de depend\u00eancia, isto \u00e9 a propor\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 economicamente ativa e requer gastos assistenciais, familiares e sociais\u201d, destacou a especialista.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, o estudo sobre o Cone Sul mostra que o abandono escolar precede \u00e0 gravidez. \u201cAssim, manter as meninas e os meninos no sistema educacional ou reinseri-los seria uma interven\u00e7\u00e3o efetiva para a preven\u00e7\u00e3o da gravidez adolescente. Al\u00e9m disso, gerar condi\u00e7\u00f5es no sistema educacional para garantir a continuidade educativa das adolescentes m\u00e3es ou gr\u00e1vidas seria outra interven\u00e7\u00e3o de impacto\u201d, segundo Camacho-H\u00fcbner.<\/p>\n<p>A seu ver, a gravidez e a maternidade adolescentes \u00e9 um tema de iniquidade, que afeta principalmente as mulheres das camadas socialmente mais vulner\u00e1veis. \u201cS\u00e3o, dessa maneira, as adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, com menor n\u00edvel educacional, que vivem em regi\u00f5es geogr\u00e1ficas com menos vantagens, as mais propensas a serem m\u00e3es adolescentes\u201d, ressaltou Camacho-H\u00fcbner.Al\u00e9m disso,\u201co fato de serem m\u00e3es com baixa idade refor\u00e7a esses condicionamentos, refor\u00e7ando as desigualdades nas quais as adolescentes m\u00e3es e n\u00e3o m\u00e3es transitam em sua passagem para a fase adulta\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Por sua vez, Blanco destacou que \u201ca principal consequ\u00eancia da gravidez \u00e9 a interrup\u00e7\u00e3o da escolaridade, embora em muitos casos j\u00e1 tenham deixado os estudos ao engravidarem, mas n\u00e3o os retomam depois por terem de cuidar do filho\u201d. Assim, acrescentou que \u201cisso gera um futuro mais pobre, j\u00e1 que s\u00e3o meninas que ter\u00e3o acesso a trabalhos de menor remunera\u00e7\u00e3o e poder\u00e3o contribuir menos para o desenvolvimento do pa\u00eds. No lado pessoal, devem adiar sua vida adolescente, de sair com amigas e amigos, ir dan\u00e7ar e outras atividades pr\u00f3prias dessa fase da vida\u201d.<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o que, para Federico Tobar, tamb\u00e9m assessor regional do UNFPA, \u201cal\u00e9m de fortalecer a oferta de servi\u00e7os de sa\u00fade, educacionais e de assist\u00eancia social, \u00e9 preciso investir em promover a demanda com interven\u00e7\u00f5es que incentivem jovens a constru\u00edrem um projeto de vida sustentado\u201d.\u201cIsso envolve incorporar tanto incentivos econ\u00f4micos, como reconhecimentos simb\u00f3licos, e at\u00e9 apoios concretos \u00e0s adolescentes que j\u00e1 s\u00e3o m\u00e3es com o cuidado dos filhos, que lhes permita terminar os estudos e evitar a maternidade repetida, que \u00e9 alta nos pa\u00edses\u201d, acrescentou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Entre outras experi\u00eancias positivas, Tobar mencionou a iniciativa uruguaia Jovens na Rede, que inclui interven\u00e7\u00f5es de reinser\u00e7\u00e3o escolar, trabalhista e a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade sexual e reprodutiva.\u201cPara mim, parece importante investir na educa\u00e7\u00e3o das mulheres adolescentes, incluindo educa\u00e7\u00e3o sexual integrada e que possam decidir se querem ou n\u00e3o ter filhos. O tema n\u00e3o \u00e9 acabar com a gravidez na adolesc\u00eancia mas que seja desejada, que n\u00e3o ocorra por acidente\u201d, destacou Bianco.<strong>Mensagens de igual para igual<\/strong><\/p>\n<p>A psic\u00f3loga Cecilia Saia se surpreendeu com os mitos que persistem ainda entre adolescentes, como, por exemplo, que \u201cna primeira vez n\u00e3o se engravida\u201d ou que \u201cse eu engravidar ele ficar\u00e1 comigo para sempre\u201d.Por isso, para essa \u201cyoutuber\u201d em educa\u00e7\u00e3o sexual, \u00e9 fundamental falar sem rodeios e como uma\u201crefer\u00eancia de igual para igual. Que te vejam como um amigo ou algu\u00e9m pr\u00f3ximo, que n\u00e3o seu pai ou seu professor querendo te controlar\u201d.<\/p>\n<p>Saia acrescentou \u00e0 IPS que \u201cn\u00e3o se trata de explicar-lhes que t\u00eam de fazer ou n\u00e3o, mas simplesmente que devem se basear no respeito, na decis\u00e3o pr\u00f3pria e em se cuidar tirando todo dramatismo. Ningu\u00e9m tem que te dizer que se fizer sexo voc\u00ea \u00e9 uma puta ou se n\u00e3o faz \u00e9 uma boba\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*Este artigo integra uma s\u00e9rie da IPS por ocasi\u00e3o do Dia Mundial da Popula\u00e7\u00e3o, celebrado em 11 de julho.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Fabiana Frayssinet, da IPS &ndash;&nbsp; Buenos Aires, Argentina, 8\/7\/2016 &ndash; Em linguagem direta, um v&iacute;deo argentino explica aos adolescentes como viver o sexo com prazer e ao mesmo tempo com cuidado. 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