{"id":2102,"date":"2006-10-08T00:00:00","date_gmt":"2006-10-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2102"},"modified":"2006-10-08T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-08T00:00:00","slug":"chile-celco-inaugura-fbrica-de-celulose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/america-latina\/chile-celco-inaugura-fbrica-de-celulose\/","title":{"rendered":"Chile: Celco inaugura f&aacute;brica de celulose"},"content":{"rendered":"<p>Santiago, 08\/10\/2006 &ndash; De nada serviu a oposi&ccedil;&atilde;o de anos por parte de organiza&ccedil;&otilde;es civis e ecologistas. <!--more--> Nesta quinta-feira come&ccedil;ou a funcionar no Chile uma nova f&aacute;brica da empresa Celulose Arauco e Constituci&oacute;n (Celco), famosa pelo desastre ecol&oacute;gico causado em um mangue por outra f&aacute;brica sua de polpa de papel. \u201cNo Chile continuam primando as decis&otilde;es pol&iacute;ticas sobre as indica&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas, ambientais e sociais. Estamos diante de uma ditadura dos investimentos e do poder dos grandes conglomerados econ&ocirc;micos, com cumplicidade do governo\u201d, disse &agrave; IPS Lucio Cuenca, diretor do Observat&oacute;rio Latino-Americano de Conflitos Ambientais (Olca).<\/p>\n<p>De acordo com o ecologista, isto explica a entrada em funcionamento da nova unidade da empresa chilena, que j&aacute; possui outras tr&ecirc;s deste tipo no sul do pa&iacute;s, criticadas por causa de problemas ambientais e de sa&uacute;de que provocam. A f&aacute;brica faz parte do Complexo Florestal e Industrial Nova Aldeia, localizado no vale de Itata, na oitava regi&atilde;o do B&iacute;o-B&iacute;o, cerca de 400 quil&ocirc;metros ao sul de Santiago, e &eacute; a maior j&aacute; constru&iacute;da no Chile, com capacidade de produzir 858 mil toneladas de celulose branqueada por ano.<\/p>\n<p>A f&aacute;brica que a Celco possui mais ao sul, em Valdivia, d&eacute;cima regi&atilde;o de Los Lagos, ainda est&aacute; no centro da pol&ecirc;mica em raz&atilde;o do desastre que provocou no mangue do Rio Cruces, onde morreram centenas de cisnes de pesco&ccedil;o preto devido aos res&iacute;duos l&iacute;quidos industriais (riles) despejados pela empresa. O Complexo Florestal e Industrial Nova Aldeia consta de quatro f&aacute;bricas com investimento de US$ 1,4 bilh&atilde;o. As tr&ecirc;s primeiras entraram em funcionamento no final de 2004. a f&aacute;brica de celulose inaugurada na quinta-feira utilizar&aacute; como mat&eacute;ria-prima madeira de pinheiros e eucaliptos, e a totalidade de sua produ&ccedil;&atilde;o ser&aacute; exportada. A empresa informou que atingir&aacute; sua capacidade m&aacute;xima dentro de nove meses.<\/p>\n<p>Segundo Cuenca, a hist&oacute;ria desta unidade &eacute; longa e cheia de irregularidades. A companhia apresentou seu primeiro estudo de impacto ambiental em 1996, que foi rejeitado em 2000 pela Comiss&atilde;o Regional do Meio Ambiente (Corema) da oitava regi&atilde;o. Mas, a companhia recorreu e o projeto acabou aprovado durante o governo do ex-presidente Ricardo Lagos (2000-2006). H&aacute; dois anos, quando a f&aacute;brica estava em constru&ccedil;&atilde;o, cidad&atilde;os denunciaram que sua capacidade ia al&eacute;m da avaliada pela autoridade ambiental. \u201cA empresa havia apresentado uma produ&ccedil;&atilde;o de 550 mil toneladas anuais e estava construindo uma unidade para produzir 900 mil toneladas, o que motivou a paralisa&ccedil;&atilde;o das obras\u201d, explicou o diretor de Olca. Mas a Celco elaborou novo estudo de impacto ambiental, que foi aceito, o que implicou a retomada das obras.<\/p>\n<p>Com rela&ccedil;&atilde;o ao ponto mais conflitante, a Corema autorizou a empresa a despejar seus dejetos no Rio Itata, que abastece mais de 40 mil camponeses, com o compromisso de construir uma tubula&ccedil;&atilde;o mar adentro para esses res&iacute;duos no futuro. Segundo a companhia, esta estaria pronta apenas no final de 2007. Cidad&atilde;os e ambientalistas se manifestaram contra a f&aacute;brica e por despejar dejetos tanto no rio quanto no mar, pedindo in&uacute;meras vezes ao governo que n&atilde;o desse sua autoriza&ccedil;&atilde;o. Inclusive, um colegiado de m&eacute;dicos da regi&atilde;o divulgou uma nota chamando a aten&ccedil;&atilde;o para os perigos que a unidade representava para a sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\u201cQuero ver se a presidente (Michelle Bachelet), ou qualquer outro representante da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, falar&aacute; novamente em governo cidad&atilde;o, depois de tomar uma decis&atilde;o pelas costas da popula&ccedil;&atilde;o e que certamente vai contra os desejos daqueles que ter&atilde;o de conviver com esta f&aacute;brica daqui em diante\u201d, afirmou na quinta-feira Marcel Claude, diretor-executivo da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental Oceana. Al&eacute;m disso, o presidente do n&atilde;o-governamental Instituto de Ecologia Pol&iacute;tica (Iepe), Manuel Baquedano, disse &agrave; IPS que \u201ca inaugura&ccedil;&atilde;o desta nova f&aacute;brica de celulose certamente &eacute; uma boa not&iacute;cia do ponto de vista macroecon&ocirc;mico\u201d, mas n&atilde;o se pode dizer o mesmo do ponto de vista ambiental.<\/p>\n<p>Em julho, essa organiza&ccedil;&atilde;o divulgou o estudo \u201cInforme sobre f&aacute;bricas de celulose livres de cloro: uma meta razo&aacute;vel para o Chile\u201d, o qual sugere que \u201cesta ind&uacute;stria tem de avan&ccedil;ar para uma reforma ou transi&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica que evite que seus processos industriais gerem graves impactos na sa&uacute;de das pessoas e nos ecossistemas\u201d. Baquedano assegura que essa mudan&ccedil;a n&atilde;o implica abandonar as f&aacute;bricas atuais. \u201c&Eacute; necess&aacute;rio apenas investir em nova tecnologia para modificar o processo de produ&ccedil;&atilde;o\u201d. A melhor tecnologia dispon&iacute;vel se encontra atualmente na Europa e nos Estados Unidos, onde se utiliza a t&eacute;cnica de branqueamento de celulose totalmente livre de cloro (TCF, sigla em ingl&ecirc;s) de ciclo fechado, ou seja, com reutiliza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua, segundo Baquedano.<\/p>\n<p>O uso de cloro no branqueamento da celulose &eacute; um dos aspectos mais contaminantes desta ind&uacute;stria, pois gera res&iacute;duos organoclorados, de grande toxidade para a sa&uacute;de humana, muito persistente na natureza e com capacidade de acumular-se em determinados tecidos gordurosos de animais e de pessoas. A maior parte da ind&uacute;stria no mundo abandonou o cloro puro, adotado na t&eacute;cnica de livre de cloro elemental (ECF), que, entretanto, utiliza di&oacute;xido de cloro. Tanto a f&aacute;brica de Valdivia quanto a de Nova Aldeia operam com ECF.<\/p>\n<p>Em Valdivia, a situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o melhorou. Como conseq&uuml;&ecirc;ncia dos danos no mangue do Rio Cruces, em meados do ano passado a Corema de Los Lagos exigiu da empresa um projeto alternativo de retirada de riles. A Celco assumiu imediatamente que isto significava jogar seus dejetos no mar, e por essa raz&atilde;o iniciou estudos sobre a caleta de pescadores artesanais de Mehu&iacute;n, onde vivem 1,7 mil pessoas, que protestaram contra o projeto. H&aacute; um m&ecirc;s, moradores de Mehu&iacute;n denunciaram que um navio da Marinha encarregado da cust&oacute;dia da embarca&ccedil;&atilde;o que faria os estudos da empresa os repeliu a tiros por atrapalhar os trabalhos, o que causou grande como&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Agora, os pescadores vigiam dia e noite a zona onde a Celco pretende construir a tubula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A empresa tem prazo at&eacute; abril de 2007 para apresentar o respectivo estudo de impacto ambiental, mas j&aacute; anunciou que haver&aacute; atraso devido &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o dos pescadores. Enquanto isso, os dejetos continuam sendo jogados no Rio Cruces. \u201cOs pescadores de Mehu&iacute;n t&ecirc;m toda a raz&atilde;o de se oporem &agrave;s explora&ccedil;&otilde;es da Celco se considerarmos a d&eacute;bil legisla&ccedil;&atilde;o ambiental chilena\u201d, afirmou Baquedano. \u201cOs pescadores se perguntam: se a f&aacute;brica contaminou um mangue e matou centenas de cisnes de pesco&ccedil;o negro, por que n&atilde;o contaminar&aacute; o mar onde trabalhamos?\u201d, acrescentou. O diretor do Iepe tamb&eacute;m criticou a norma ambiental de alguns pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina que permite a instala&ccedil;&atilde;o de f&aacute;bricas de celulose nacionais e estrangeiras com sistemas de produ&ccedil;&atilde;o contaminantes.<\/p>\n<p>De acordo com um estudo publicado quarta-feira pela organiza&ccedil;&atilde;o Greenpeace em Buenos Aires, atualmente no mundo s&atilde;o destinados 13 milh&otilde;es de hectares de planta&ccedil;&otilde;es para a produ&ccedil;&atilde;o de celulose, e 80% desta superf&iacute;cie fica na Am&eacute;rica do Sul e na &Aacute;sia. Segundo dados da Celco, em sua fase de constru&ccedil;&atilde;o o Complexo Florestal e Industrial de Nova Aldeia deu trabalho, em m&eacute;dia, a 3,3 mil pessoas, atingindo um pico de 6,2 mil, enquanto o funcionamento das f&aacute;bricas representar&aacute; mais 2,4 mil empregos diretos e indiretos. Nos &uacute;ltimos meses, a empresa realizou uma s&eacute;rie de a&ccedil;&otilde;es de apoio &agrave; comunidade, como entrega de terra a pequenos agricultores, doa&ccedil;&atilde;o de mudas de eucalipto e quilaia para reflorestar terrenos cultivados e contribui&ccedil;&otilde;es ao corpo de bombeiros e a fam&iacute;lias afetadas pelos &uacute;ltimos temporais. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, 08\/10\/2006 &ndash; De nada serviu a oposi&ccedil;&atilde;o de anos por parte de organiza&ccedil;&otilde;es civis e ecologistas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/america-latina\/chile-celco-inaugura-fbrica-de-celulose\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,11,7],"tags":[],"class_list":["post-2102","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-politica","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2102","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2102"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2102\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2102"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2102"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2102"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}