{"id":2104,"date":"2006-10-08T00:00:00","date_gmt":"2006-10-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2104"},"modified":"2006-10-08T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-08T00:00:00","slug":"ruanda-pena-de-morte-poder-ser-abolida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/africa\/ruanda-pena-de-morte-poder-ser-abolida\/","title":{"rendered":"Ruanda: Pena de morte poder&aacute; ser abolida"},"content":{"rendered":"<p>Kigali, 08\/10\/2006 &ndash; O governo de Ruanda planeja abolir a pena de morte em dezembro, a fim de facilitar a extradi&ccedil;&atilde;o desde a Europa dos supostos respons&aacute;veis pelo genoc&iacute;dio de 1994. <!--more--> A iniciativa foi aplaudida por governos estrangeiros, pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e por institui&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, mas causou mal-estar em amplos setores da popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, que querem ver os acusados na forca. O massacre registrado entre abril e junho de 1994 deixou 800 mil mortos, milhares de feridos e muitas mulheres portadoras do v&iacute;rus da aids, por causa das viola&ccedil;&otilde;es em massa.<\/p>\n<p>O ministro da Justi&ccedil;a, Tharcisse Karugarama, recordou que a maioria dos cidad&atilde;os referendou uma Constitui&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o descarta a pena capital, devido &agrave; magnitude do sofrimento causado pelo genoc&iacute;dio. Os respons&aacute;veis foram combatentes extremistas da etnia hutu, maioria no pa&iacute;s, que atacaram integrantes da minorit&aacute;ria comunidade tutsi, tradicionalmente no poder, e hutus moderados. Entrevistado pela IPS, Karugarama disse que a aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte &eacute; necess&aacute;ria para encerrar uma etapa obscura da hist&oacute;ria de Ruanda, pois, do contr&aacute;rio, ser&aacute; imposs&iacute;vel julgar os autores do genoc&iacute;dio nos tribunais do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>H&aacute; mais de uma d&eacute;cada o governo pediu a extradi&ccedil;&atilde;o dos suspeitos residentes no estrangeiro. Alguns pa&iacute;ses, em especial B&eacute;lgica, Dinamarca, Holanda e Su&iacute;&ccedil;a, negaram-se a entregar os acusados por temerem que sejam executados. Esses pa&iacute;ses preferem julg&aacute;-los em seu pr&oacute;prio territ&oacute;rio. Somente os Estados Unidos, um dos pa&iacute;ses onde h&aacute; mais execu&ccedil;&otilde;es, extraditou para Ruanda um suposto genocida, Enos Kagaba, preso no Estado de Minnesota em 2005, onde foi processado por entrar ilegalmente no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>O Tribunal Penal Internacional para Ruanda revisa o caso de 57 acusados, detidos em uma pris&atilde;o constru&iacute;da especialmente na Tanz&acirc;nia. O governo ruand&ecirc;s quer repatri&aacute;-los ou, se forem considerados culpados, mant&ecirc;-los presos em seu territ&oacute;rio. A ONU tamb&eacute;m recha&ccedil;ou o pedido de Ruanda por temer que os suspeitos sejam executados, violando seus princ&iacute;pios. Se Ruanda suprimir a pena de morte, poder&aacute; conseguir com rapidez a extradi&ccedil;&atilde;o dos acusados, afirmou o ministro Karugarama. \u201cEstamos satisfeitos com a rapidez das negocia&ccedil;&otilde;es com os funcion&aacute;rios do Tribunal Penal Internacional. Todos os requisitos necess&aacute;rios para a transfer&ecirc;ncia dos processos foram cumpridos, menos a aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O mandato deste Tribunal termina em dezembro de 2008, mas os funcion&aacute;rios da Tanz&acirc;nia acreditam que n&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel cumprir esse prazo. Desde que iniciou seu trabalho em 1996, tribunal julgou 28 suspeitos, dos quais 25 foram condenados &agrave; pris&atilde;o perp&eacute;tua por crimes contra a humanidade. O tribunal come&ccedil;ou a negociar a reclus&atilde;o dos condenados com pa&iacute;ses onde foi abolida a pena de morte e contam com pris&otilde;es modernas. \u201cRuanda &eacute; um dos pa&iacute;ses que expressou seu desejo de receber os casos em m&atilde;os do Tribunal Penal Internacional. Aceitamos a proposta, mas devemos estabelecer um sistema de controle rigoroso para garantir que a lei seja cumprida\u201d, disse a IPS o promotor do tribunal na Tanz&acirc;nia, Hassan Bubacar Jallow. Ruanda deve garantir que nenhum respons&aacute;vel pelo genoc&iacute;dio ser&aacute; condenado &agrave; morte, disse Jallow.<\/p>\n<p>Cerca de 650 condenados permanecem nos corredores da morte nas pris&otilde;es de Ruanda, segundo o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a. Quarenta pessoas foram condenadas em 2002 &agrave; pena capital por participa&ccedil;&atilde;o no genoc&iacute;dio. Em 2003, foram 18. Todas esperam no corredor da morte. Os 22 condenados em 1998 foram executados. Desde ent&atilde;o, funcion&aacute;rios do governo parecem ter evolu&iacute;do para a defesa da aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte.<\/p>\n<p>\u201cApesar das seq&uuml;elas deixadas pelo genoc&iacute;dio, Ruanda continua sendo um pa&iacute;s que precisa se reconstruir e integrar-se aos princ&iacute;pios de justi&ccedil;a predominantes no mundo\u201d, disse Karugarama. Mas a iminente aboli&ccedil;&atilde;o da pena capital &eacute; uma noticia dolorosa para os sobreviventes da matan&ccedil;a. \u201cOs respons&aacute;veis pelo genoc&iacute;dio devem ser executados para erradicar para sempre a cultura de impunidade que prejudica Ruanda. A &uacute;nica solu&ccedil;&atilde;o &eacute; impor-lhes um castigo grave\u201d, afirmou Fran&ccedil;ois Ngarambe, presidente da organiza&ccedil;&atilde;o de sobreviventes Ibuka (que em idioma kinyarwanda significa \u201crecorde\u201d). Al&eacute;m disso, essa entidade afirma que pessoas muito pr&oacute;ximas dos respons&aacute;veis, quando n&atilde;o eles mesmos, continuam fazendo amea&ccedil;as aos sobreviventes.<\/p>\n<p>\u201cAbolir a pena de morte seria uma nova humilha&ccedil;&atilde;o para quem sobreviveu. Motivaria os assassinos a terminarem seu plano de exterm&iacute;nio\u201d, disse o editor Jean Glauber Burasa, da independente revista quinzenal Rushyashya, de Kigali. \u201c&Eacute; lament&aacute;vel que a grande maioria dos que cometeram o genoc&iacute;dio mantenham sua ideologia extremista depois de dez anos de pris&atilde;o\u201d, acrescentou. Um advogado de Kigali, que pediu para n&atilde;o ser identificado, n&atilde;o compartilha dessa opini&atilde;o. \u201cO genoc&iacute;dio teve conseq&uuml;&ecirc;ncias desastrosas para a estrutura social do pa&iacute;s. Embora seja preciso fazer justi&ccedil;a, temos de admitir as vantagens que a reforma sup&otilde;e para a Justi&ccedil;a de Ruanda, ao coloc&aacute;-la em sintonia com os princ&iacute;pios internacionais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Um relat&oacute;rio de maio de 2005 da organiza&ccedil;&atilde;o Advogados Sem Fronteiras, com sede nos Estados Unidos, considera imprescind&iacute;vel abolir a pena de morte e, tamb&eacute;m, indenizar as v&iacute;timas para que seja feita justi&ccedil;a. \u201cDificilmente haver&aacute; v&iacute;timas indenizadas pelo genoc&iacute;dio de 1994. As autoridades ruandesas devem assumir sua responsabilidade e resolver este problema imediatamente\u201d, disse &agrave; IPS Hugo Jombwe Moudiki, diretor do escrit&oacute;rio dessa organiza&ccedil;&atilde;o em Ruanda. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kigali, 08\/10\/2006 &ndash; O governo de Ruanda planeja abolir a pena de morte em dezembro, a fim de facilitar a extradi&ccedil;&atilde;o desde a Europa dos supostos respons&aacute;veis pelo genoc&iacute;dio de 1994. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/africa\/ruanda-pena-de-morte-poder-ser-abolida\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,4,11],"tags":[],"class_list":["post-2104","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2104","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2104"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2104\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2104"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2104"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2104"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}