{"id":21043,"date":"2016-07-20T13:21:01","date_gmt":"2016-07-20T13:21:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=211676"},"modified":"2016-07-20T13:21:01","modified_gmt":"2016-07-20T13:21:01","slug":"africa-reescreve-historia-de-sua-agricultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/07\/ultimas-noticias\/africa-reescreve-historia-de-sua-agricultura\/","title":{"rendered":"\u00c1frica reescreve hist\u00f3ria de sua agricultura"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_211677\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-211677\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/agricultura1-629x472.jpg\" alt=\"A planta\u00e7\u00e3o de bananas de Albert Kanga,em Abidj\u00e3, na Costa do Marfim. Foto: Friday Phiri\/IPS \" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/agricultura1-629x472.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/agricultura1-629x472-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A planta\u00e7\u00e3o de bananas de Albert Kanga,em Abidj\u00e3, na Costa do Marfim. Foto: Friday Phiri\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Friday Phiri, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Abidj\u00e3, Costa do Marfim, 20\/7\/2016 \u2013 O marfinense Albert KangaAzaguie j\u00e1 n\u00e3o se considera um pequeno agricultor. Aprendeu a analisar a oferta e a demanda de um dos produtos b\u00e1sicos da Costa do Marfim, a banana, e come\u00e7ou a produzir fora de temporada para vender a um pre\u00e7o melhor. \u201cAgora sou um grande agricultor. A l\u00f3gica \u00e9 simples. Quando quase n\u00e3o h\u00e1 banana no mercado, estou pronto para vender a um pre\u00e7o maior\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Kangapossui 15 hectares, a 30 quil\u00f4metros de Abidj\u00e3, capital do pa\u00eds,e, com uma produ\u00e7\u00e3o de 12 toneladas por hectare, \u00e9 um dos poucos produtores que reescrevem a hist\u00f3ria da agricultura africana,desafiando a ret\u00f3rica habitual em uma regi\u00e3o pobre, de fome e inseguran\u00e7a alimentar, com mais de 232 milh\u00f5es de pessoas subalimentadas, aproximadamente uma em cada grupo de quatro.<\/p>\n<p>Para os especialistas, \u00e9 ir\u00f4nico que esse continente tenha importado cerca de US$ 35,4 bilh\u00f5es em alimentos em 2015, porque tem 60% das terras cultiv\u00e1veis do mundo e porque 60% da for\u00e7a de trabalho est\u00e1 empregada na agricultura, o que representa aproximadamente um ter\u00e7o do produto interno bruto. As raz\u00f5es s\u00e3o v\u00e1rias, desde desafios estruturais pelas m\u00e1s infraestrutura e governan\u00e7a, e um mercado com cadeia de valorpobre, o que deriva em uma baixa produtividade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as mulheres s\u00e3o a base do trabalho agr\u00edcola, mas s\u00e3o sistematicamente discriminadas no tocante \u00e0 propriedade da terra e a receber outros incentivos, como cr\u00e9ditos e insumos, o que limita suas possibilidades de tirar proveito da cadeia de valor nesse setor. \u201cAs mulheres possuem apenas 1% da terra na \u00c1frica, recebem 1% do cr\u00e9dito para agricultura e, no entanto, s\u00e3o a maioria da for\u00e7a de trabalho do setor\u201d, explicou Buba Jan, oficial de programa da organiza\u00e7\u00e3o ActionAid.<\/p>\n<p>Jan acredita que a \u00c1frica n\u00e3o conseguir\u00e1 alcan\u00e7ar a seguran\u00e7a alimentar, e menos ainda a soberania, se as mulheres seguirem marginalizadas em rela\u00e7\u00e3o ao direito \u00e0 terra, e a Agenda do Banco Mundial para o Sistema Global de Alimentos \u00e9 favor\u00e1vel ao fechamento da brecha de g\u00eanero. Segundo este manual, se as mulheres tiverem acesso aos mesmos bens, insumos e servi\u00e7os que os homens na agricultura, a produ\u00e7\u00e3o poder\u00e1 aumentar entre 20% e 30% e o n\u00famero de pessoas que passam fome diminuir de 12% para 17%.<\/p>\n<div id=\"attachment_211678\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-211678\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Albert.jpg\" alt=\"Albert Kanga em sua planta\u00e7\u00e3o de bananas em Abidj\u00e3, na Costa do Marfim. Foto: Friday Phiri\/IPS\" width=\"340\" height=\"453\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Albert.jpg 400w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Albert-225x300.jpg 225w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Albert-300x400.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Albert Kanga em sua planta\u00e7\u00e3o de bananas em Abidj\u00e3, na Costa do Marfim. Foto: Friday Phiri\/IPS<\/p><\/div>\n<p>O empoderamento das mulheres \u00e9 um dos fatores cruciais do quebra-cabe\u00e7a. O outro \u00e9 enfrentar os desafios estruturais que est\u00e3o profundamente arraigados, que exigem ambi\u00e7\u00e3o e investimento, segundo a agenda Alimentando a \u00c1frica, do Banco de Desenvolvimento Africano (BDA). Transformar a cadeia de valor na agricultura exigir\u00e1 entre US$ 280 bilh\u00f5es e US$ 340 bilh\u00f5es na pr\u00f3xima d\u00e9cada, de acordo com essa institui\u00e7\u00e3o, o que criar\u00e1 um mercado de US$ 55 bilh\u00f5es a US$ 65 bilh\u00f5es ao ano at\u00e9 2025.<\/p>\n<p>O BDA prev\u00ea quadruplicar seus investimentos, dos US$ 612 milh\u00f5es atuais para US$ 2,4 bilh\u00f5es, a fim de alcan\u00e7ar esse objetivo ambicioso.\u201cNosso objetivo \u00e9 claro: conseguir a autossufici\u00eancia alimentar da \u00c1frica em dez anos, eliminar a m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o e a fome, e colocar o continente no alto da cadeia de valor na agricultura, bem como acelerar o acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel e saneamento\u201d, ressaltouAknwumiAdesina, presidente do banco, na reuni\u00e3o anual.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o procurar\u00e1 transformar a agricultura em um neg\u00f3cio para os produtores. Mas, mesmo com esse ambicioso objetivo e os enormes recursos econ\u00f4micos que est\u00e3o sobre a mesa, o \u201ccomo\u201d continua sendo a quest\u00e3o fundamental. O BDA procura usar a agricultura como ponto de partida para a industrializa\u00e7\u00e3o,por meio de interven\u00e7\u00f5es multissetoriais em infraestrutura, do uso intensivo de insumos agr\u00edcolas, da mecaniza\u00e7\u00e3o, de melhoras na oferta credit\u00edcia e de melhores sistemas de posse da terra.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ainda s\u00e3o necess\u00e1rias compensa\u00e7\u00f5es para equilibrar os dois sistemas, tendo em conta o desafio da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, que j\u00e1 causa estragos na agricultura. As duas escolas em mat\u00e9ria de desenvolvimento agr\u00edcola, a intensifica\u00e7\u00e3o \u2013 mais produ\u00e7\u00e3o por unidade mediante pr\u00e1ticasintensivas \u2013 e a extens\u00e3o \u2013 aumento da terra cultivada \u2013, exigem um equil\u00edbrio.<\/p>\n<p>\u201cA agricultura \u00e9 importante para o desenvolvimento da \u00c1frica, \u00e9 a principal fonte de renda, de alimentos e seguran\u00e7a do mercado, e tamb\u00e9m a principal fonte de emprego. Mas o setor deve enfrentar desafios enormes, sendo o mais urgente o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, e precisa agir. Mas h\u00e1 compensa\u00e7\u00f5es para os dois enfoques de amplia\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Sarwat Hussein, respons\u00e1vel de comunica\u00e7\u00f5es de Pr\u00e1tica Global Agr\u00edcola do Banco Mundial. \u201cPor exemplo, a intensifica\u00e7\u00e3o exige cortar mais florestas e, em alguns casos, deslocar popula\u00e7\u00f5es, duas medidas que t\u00eam impacto negativo no papel da agricultura na mitiga\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cA \u00eanfase deve ser para os investimentos agr\u00edcolas serem sens\u00edveis ao clima para oferecer oportunidades, especialmente aos jovens africanos, e evitar que cruzem o Mediterr\u00e2neo em busca de oportunidades econ\u00f4micas\u201d, destacou o ministro de Agricultura e Desenvolvimento Rural da Costa do Marfim, MamadouCoulibalySangafowa.<\/p>\n<p>\u201cOs agricultores precisam de informa\u00e7\u00e3o sobre tecnologias atuais, mas ela n\u00e3o chega quando mais necessitam\u201d, apontouSangafowa, que tamb\u00e9m preside a Confer\u00eancia Africana de Ministros de Agricultura, ao apontar a necessidade de melhorar a comunica\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria agr\u00edcola. O Banco Mundial e a African Media Initiative (AMI) tamb\u00e9m observaram a necessidade de atender a falta de informa\u00e7\u00e3o em quest\u00f5es agr\u00edcolas nesse continente.<\/p>\n<p>A agricultura concentra 60% da atividade econ\u00f4mica nacional e da renda da \u00c1frica, mas recebe uma cobertura desproporcionalmente menor na m\u00eddia, ocupando menos de 10% das declara\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas. A falta de interesse da imprensa deriva na falta de conhecimento p\u00fablico sobre o que ocorre na agricultura, mas tamb\u00e9m mal-entendidos sobre seu lugar na economia nacional e regional, destaca uma an\u00e1lise do Banco Mundial e da AMI.<\/p>\n<p>Seja qual for o caminho que a \u00c1frica seguir para alcan\u00e7ar seu objetivo de ser autossuficiente em mat\u00e9ria alimentar e se converter em exportadora de alimentos at\u00e9 2025, o agricultor marfinense Albert Kanga j\u00e1 come\u00e7ou sua transforma\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as ao Programa de Produtividade Agr\u00edcola na \u00c1frica ocidental (WAPP), apoiado pelo Banco Mundial, que o capacitou em t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o fora de \u00e9poca.<\/p>\n<p>\u201cQuando come\u00e7amos, em 2007, havia um enorme d\u00e9ficit de alimentos na \u00c1frica ocidental, com produtividade de 20%, mas agora est\u00e1 em 30%, e depois foram lan\u00e7ados outros dois programas similares na \u00c1frica oriental e austral\u201d, pontuou Abdoulaye Toure, especialista em economia agr\u00edcola do Banco Mundial, ao destacar os \u00eaxitos do programa.<\/p>\n<p>Alguns dos principais elementosdo programa s\u00e3o pesquisa, capacita\u00e7\u00e3o de cientistas jovens para substituir a gera\u00e7\u00e3o mais velha e dissemina\u00e7\u00e3o de tecnologias melhoradas para os agricultores. Com a cria\u00e7\u00e3o de centros de pesquisa em fun\u00e7\u00e3o do potencial particular de cada pa\u00eds, foi melhorado o interc\u00e2mbio de informa\u00e7\u00e3o sobre as melhores pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Kanga, que batizou seu terreno com o nome de seu irm\u00e3o falecido, Dougba, n\u00e3o s\u00f3 fornece aos grandes supermercados como exporta para mercados internacionais, como a It\u00e1lia. A agenda para alimentar a \u00c1frica pretende fornecer alimentos para 150 milh\u00f5es de pessoas e tirar da pobreza outros cem milh\u00f5es\u00a0 at\u00e9 2025. Kanga \u00e9 um exemplo de que \u00e9 poss\u00edvel. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Friday Phiri, da IPS &ndash;&nbsp; Abidj&atilde;, Costa do Marfim, 20\/7\/2016 &ndash; O marfinense Albert KangaAzaguie j&aacute; n&atilde;o se considera um pequeno agricultor. 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