{"id":21062,"date":"2016-07-26T14:09:33","date_gmt":"2016-07-26T14:09:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=211916"},"modified":"2016-07-26T14:09:33","modified_gmt":"2016-07-26T14:09:33","slug":"comida-e-arvores-crescem-juntas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/07\/ultimas-noticias\/comida-e-arvores-crescem-juntas\/","title":{"rendered":"Comida e \u00e1rvores crescem juntas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_211917\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-211917\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ParqueNacionalTapanti.jpg\" alt=\"O Parque Nacional Tapant\u00ed, a leste de S\u00e3o Jos\u00e9, capitalda Costa Rica, cobre mais de 50 mil hectares de floresta e serve como ponto de recarga aqu\u00edfera. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS\" width=\"340\" height=\"191\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ParqueNacionalTapanti.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ParqueNacionalTapanti-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">O Parque Nacional Tapant\u00ed, a leste de S\u00e3o Jos\u00e9, capitalda Costa Rica, cobre mais de 50 mil hectares de floresta e serve como ponto de recarga aqu\u00edfera. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p><strong><em>Por\u00a0Diego Arguedas Ortiz, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Enquanto a Am\u00e9rica Latina segue cortando suas florestas para expandir sua fronteira agr\u00edcola, um de seus pa\u00edses, a Costa Rica, h\u00e1 d\u00e9cadas rema em sentido contr\u00e1rio, e agora representa um modelo de conviv\u00eancia entre produ\u00e7\u00e3o de alimentos e conserva\u00e7\u00e3o de sua massa florestal. <\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o Jos\u00e9, Costa Rica, 26\/7\/2016 \u2013 Enquanto a Am\u00e9rica Latina segue cortando suas florestas para expandir sua fronteira agr\u00edcola, um de seus pa\u00edses, a Costa Rica, h\u00e1 d\u00e9cadas rema em sentido contr\u00e1rio, e agora representa um modelo de conviv\u00eancia entre produ\u00e7\u00e3o de alimentos e conserva\u00e7\u00e3o de sua massa florestal. O informe sobre <em>O Estado das Florestas do Mundo<\/em>, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), revela que, entre 2000 e 2010, 70% do desmatamento da regi\u00e3o aconteceu para dar lugar \u00e0 agricultura comercial.<\/p>\n<p>\u201cIsso que a FAO menciona que ocorre em pa\u00edses latino-americanos, que desmatam para criar espa\u00e7os destinados a cultivos agr\u00edcolas e \u00e0 pecu\u00e1ria, a Costa Rica viveu nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980\u201d, explicou \u00e0 IPS o diretor do Fundo Nacional de Financiamento Florestal (Fonafifo), Jorge Mario Rodr\u00edguez. Em seu ponto m\u00e1ximo de desmatamento, nos anos 1980, a cobertura florestal desse pa\u00eds centro-americano se limitou a apenas entre 21% e 25% de sua superf\u00edcie. Agora, as florestas cobrem 53% dos 51.100 quil\u00f4metros quadrados da superf\u00edcie.<\/p>\n<p>E mais, o pa\u00eds,onde vivem cinco milh\u00f5es de habitantes,conseguiu conter a fronteira agr\u00edcola enquanto elevava os n\u00edveis de seguran\u00e7a alimentar, segundo a FAO, que assinala que a Costa Rica mant\u00e9m um n\u00edvel de subalimenta\u00e7\u00e3o menor que 5%, considerado \u201czero fome\u201d por essa organiza\u00e7\u00e3o. \u201cAqui falamos que h\u00e1 uma li\u00e7\u00e3o aprendida: n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio desmatar para produzir mais alimentos\u201d, explicou \u00e0 IPS o diretor da FAO na Costa Rica, Octavio Ram\u00edrez.<\/p>\n<p>Apesar do aumento na cobertura florestal, a FAO assinala que o valor m\u00e9dio da produ\u00e7\u00e3o de alimentos por pessoa aumentou 26%, entre os per\u00edodos 1990-1992 e 2011-2013. E atribui a melhoria na cobertura vegetal \u201c\u00e0s mudan\u00e7as estruturais realizadas na economia e \u00e0 prioridade dada \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o sustent\u00e1vel das florestas\u201d, que se traduzem em uma conjuntura socioecon\u00f4mica espec\u00edfica que as autoridades costa-riquenhas souberam aproveitar.<\/p>\n<p>\u201cTem a ver um pouco com a crise da pecu\u00e1ria desses anos, mas tamb\u00e9m ao fato de o Estado dar prioridade ao manejo das florestas\u201d, disse Ram\u00edrez, nascido na Nicar\u00e1gua e com nacionalidade costa-riquenha. No informe, lan\u00e7ado no dia 18, a FAO explica que, durante grande parte do s\u00e9culo 20, as florestas da Costa Rica eram consideradas \u201cbancos de terra\u201d, que podiam ser usados conforme a necessidade para atender as demandas agr\u00edcolas. \u201cEra uma a\u00e7\u00e3o ruim n\u00e3o cortar a floresta. Era sin\u00f4nimo de pregui\u00e7a ou de n\u00e3o trabalhar a terra\u201d, contou.<\/p>\n<p>Mas, na d\u00e9cada de 1980, dois fatores se aliaram a favor da prote\u00e7\u00e3o florestal, disse \u00e0 IPS o economista ambiental Juan Robalino. Os pre\u00e7os da carne ca\u00edram e o turismo ecol\u00f3gico come\u00e7ou a encontrar espa\u00e7o como uma atividade de peso no pa\u00eds, pontuou o especialista da Universidade da Costa Rica e do Centro Agron\u00f4mico Tropical de Pesquisa e Ensino (Catie).<\/p>\n<div id=\"attachment_211918\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-211918\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/JoseAlberto.jpg\" alt=\"Jos\u00e9 Alberto Chac\u00f3n no terreno onde planta feij\u00e3o, em sua pequena propriedade de Pacayas, nas ladeiras do vulc\u00e3o Iraz\u00fa, na Costa Rica. O pa\u00eds aumentou sua produ\u00e7\u00e3o de alimentos, ao mesmo tempo em que elevou sua cobertura florestal. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/JoseAlberto.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/JoseAlberto-300x199.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/JoseAlberto-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Jos\u00e9 Alberto Chac\u00f3n no terreno onde planta feij\u00e3o, em sua pequena propriedade de Pacayas, nas ladeiras do vulc\u00e3o Iraz\u00fa, na Costa Rica. O pa\u00eds aumentou sua produ\u00e7\u00e3o de alimentos, ao mesmo tempo em que elevou sua cobertura florestal. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>\u201cIsso abriu possibilidades para gerar pol\u00edticas interessantes, como o programa de Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais\u201d (PSA), apontou Robalino, um dos acad\u00eamicos que mais estudou a cobertura florestal costa-riquenha. O estudo da FAO atribui grande parte do \u00eaxito precisamente ao PSA, um reconhecimento financeiro pelos servi\u00e7os ambientais gerados nas atividades de conserva\u00e7\u00e3o e manejo de florestas, reflorestamento, regenera\u00e7\u00e3o natural e sistemas agroflorestais.<\/p>\n<p>A ess\u00eancia desse programa e sob administra\u00e7\u00e3o do Fanafifo, \u00e9 simples: se um propriet\u00e1rio conserva a cobertura florestal em sua propriedade, o Estado lhe paga, sob o principio de reconhecer os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos que as florestas proporcionam. Desde sua cria\u00e7\u00e3o, em 1997, at\u00e9 2015, os investimentos em projetos PSA chegaram a US$ 318 milh\u00f5es. Seus fundos procedem em 64% dos impostos sobre os combust\u00edveis f\u00f3sseis e 22% de cr\u00e9ditos do Banco Mundial.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s estudar por anos o impacto do PSA, Robalino afirmou que, em 2016, o desafio \u00e9 buscar propriet\u00e1rios com menores incentivos para proteger suas florestas e convenc\u00ea-los com o reconhecimento financeiro. \u201cA ideia sempre \u00e9 ver quem vai mudar seu comportamento com o programa\u201d, disse Robalino.<\/p>\n<p>Pelas pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias, o programa deve priorizar quais propriedades atende, pois os pedidos de inclus\u00e3o s\u00e3o cinco vezes superiores \u00e0 sua capacidade, segundo Rodr\u00edguez. Assim, foca-se nos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos: captura de carbono, prote\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, beleza natural e prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade.<\/p>\n<p>\u201cNa Costa Rica aprendemos que a floresta vale mais, n\u00e3o pela madeira, mas pelos servi\u00e7os ambientais que geram\u201d, destacou Rodr\u00edguez. Agora, o Fonafifo busca aliar-se com o Minist\u00e9rio de Agricultura e Pecu\u00e1ria para come\u00e7ar um novo programa dirigido a pequenos propriet\u00e1rios que necessitarem de mais apoio t\u00e9cnico, um caminho que tamb\u00e9m \u00e9 apontado pela FAO.<\/p>\n<p>\u201cO desenvolvimento agr\u00edcola para o mercado interno n\u00e3o requer necessariamente a expans\u00e3o de \u00e1reas de cultivo, mas sim acoexist\u00eancia com a floresta e a intensifica\u00e7\u00e3oda produ\u00e7\u00e3o, melhorando a produtividade e a competitividade dos produtores nacionais\u201d, ressaltou Ram\u00edrez.<\/p>\n<p>Tanto a FAO como os especialistas locais ouvidos pela IPS concordam que o PSA aproveitou uma conjuntura nacional e internacional para lan\u00e7ar um projeto de sucesso, mas est\u00e1 longe de ser o \u00fanico motivo. \u201cO \u00eaxito da Costa Rica n\u00e3o se deve exclusivamente ao PSA, mas tamb\u00e9m a outras pol\u00edticas, como o fortalecimento do Sistema Nacional de \u00c1reas de Conserva\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m \u00e0 educa\u00e7\u00e3o\u201d, segundo Rodr\u00edguez.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desse programa, o pa\u00eds conta com uma ampla tradi\u00e7\u00e3o ambientalista: cerca de um quarto do territ\u00f3rio est\u00e1 protegido, a lei florestal pro\u00edbe a mudan\u00e7a do uso da terra com cobertura florestal e s\u00e3o ilegais a ca\u00e7a esportiva, a minera\u00e7\u00e3o de metais a c\u00e9u aberto e a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo.No artigo 50 da Constitui\u00e7\u00e3o da Costa Rica est\u00e1 plasmado o direito a um ambiente sadio. \u201cMe lembro da professora do prim\u00e1rio dizendo na aula que era preciso proteger as florestas\u201d, recordou Robalino.<\/p>\n<p>Entretanto, a recupera\u00e7\u00e3o da cobertura florestal n\u00e3o atingiu todos os ecossistemas do pa\u00eds, e deixou esquecidos particularmente os mangues, que viram diminuir sua extens\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Segundo o informe que o pa\u00eds enviou em 2014 ao Conv\u00eanio sobre Diversidade Biol\u00f3gica, a cobertura de mangue passou de 64.452 hectares, em 1979, para 37.420, em 2013, redu\u00e7\u00e3o de 42%.<\/p>\n<p>Esse ecossistema \u00e9 particularmente vulner\u00e1vel \u00e0s grandes planta\u00e7\u00f5es de monoculturas da costa do Pac\u00edfico, onde o Tribunal Ambiental Administrativo do pa\u00eds denunciou que,entre 2010 e 2014, desapareceram 400 hectares por queimadas, desmatamento e invas\u00f5es. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Diego Arguedas Ortiz, da IPS &ndash;&nbsp; Enquanto a Am&eacute;rica Latina segue cortando suas florestas para expandir sua fronteira agr&iacute;cola, um de seus pa&iacute;ses, a Costa Rica, h&aacute; d&eacute;cadas rema em sentido contr&aacute;rio, e agora representa um modelo de conviv&ecirc;ncia entre produ&ccedil;&atilde;o de alimentos e conserva&ccedil;&atilde;o de sua massa florestal. 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