{"id":21070,"date":"2016-07-28T12:51:15","date_gmt":"2016-07-28T12:51:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=212000"},"modified":"2016-07-28T12:51:15","modified_gmt":"2016-07-28T12:51:15","slug":"milhares-de-pessoas-com-cancer-sem-tratamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/07\/ultimas-noticias\/milhares-de-pessoas-com-cancer-sem-tratamento\/","title":{"rendered":"Milhares de pessoas com c\u00e2ncer sem tratamento"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_212001\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-212001\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/jovia-640-629x420-629x420.jpg\" alt=\"Jovia, que morreu em abril deste ano, tinha aids e c\u00e2ncer de colo do \u00fatero, uma combina\u00e7\u00e3o mortal que afeta milhares de mulheres em Uganda. Foto: Amy Fallon\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/jovia-640-629x420-629x420.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/jovia-640-629x420-629x420-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/jovia-640-629x420-629x420-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Jovia, que morreu em abril deste ano, tinha aids e c\u00e2ncer de colo do \u00fatero, uma combina\u00e7\u00e3o mortal que afeta milhares de mulheres em Uganda. Foto: Amy Fallon\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Amy Fallon, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Kampala, Uganda, 28\/7\/2016 \u2013 Uganda, que no passado teve um enorme \u00eaxito na luta contra o HIV, est\u00e1 perdendo a batalha contra o c\u00e2ncer, o grande problema de sa\u00fade deste pa\u00eds da \u00c1frica oriental. Um em cada 500 ugandeses tem essa doen\u00e7a, mas somente 5% receber\u00e3o algum tipo de tratamento.<\/p>\n<p>Deitada em uma cama suja em um prec\u00e1rio hospital de Kampala, Jovia, de 29 anos, esbo\u00e7ou um fraco sorriso enquanto um m\u00e9dico lhe entregava uma pequena garrafa verde com um l\u00edquido. \u201cEstou muito contente por terem trazido morfina. Controla minha dor e deixa minha vida mais suport\u00e1vel\u201d, disse \u00e0 IPS poucas semanas antes de morrer.<\/p>\n<p>Jovia sofria de aids e c\u00e2ncer de colo do \u00fatero, uma combina\u00e7\u00e3o mortal que afeta milhares de mulheres em Uganda. Gra\u00e7as \u00e0 Hospice Africa Uganda (HAU) \u2013 uma organiza\u00e7\u00e3o que proporciona cuidados paliativos, fundada h\u00e1 23 anos pela brit\u00e2nica Anne Merriman \u2013, os pacientes como Jovia recebem n\u00e3o apenas morfina, mas tamb\u00e9m esperan\u00e7a e dignidade em seus \u00faltimos dias.<\/p>\n<p>\u00c0 doutora Merriman, de 81 anos, \u00e9 atribu\u00edda a introdu\u00e7\u00e3o dos cuidados paliativos na \u00c1frica. A HAU atendeu 27 mil pessoas moribundas desde 1993, a grande maioria com morfina, que produz em sua sede de Kampala por apenas US$ 2 a garrafa, com financiamento estatal.<\/p>\n<p>Segundo o Instituto do C\u00e2ncer de Uganda (UCI), 80% dos pacientes morrem em decorr\u00eanciade diagn\u00f3sticos tardios devido \u00e0 m\u00e1 detec\u00e7\u00e3o e \u00e0 falta de servi\u00e7os de sa\u00fade. Para os pacientes como Jovia, que morreu em 29 de abril e deixou uma filha de 14 anos, a radioterapia pode curar ou prolongar a vida quando se trata a doen\u00e7a nas primeiras etapas.<\/p>\n<p>Entretanto, no in\u00edcio de abril, a \u00fanica m\u00e1quina de radioterapia de Uganda, utilizada por cerca de 30 mil pacientes\/ano, quebrou de forma irrepar\u00e1vel. Desde ent\u00e3o, milhares de pessoas com c\u00e2ncer ficaram sem o tratamento. Em 2013, o governo havia comprado outra, por US$ 500 mil, mas n\u00e3o construiu as instala\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias (chamadas de <em>bunker<\/em>) para sua instala\u00e7\u00e3o, mas prometeu que o faria nos pr\u00f3ximos seis meses.<\/p>\n<p>O hospital da Universidade Aga Khan, de Nair\u00f3bi, no Qu\u00eania, ofereceu tratamento gratuito a 400 pacientes ugandenses com c\u00e2ncer, que seriam enviados pelo governo de Uganda atrav\u00e9s do UCI. Por\u00e9m, mais de tr\u00eas meses depois persiste a confus\u00e3o e as contradi\u00e7\u00f5es sobre o cumprimento dessa promessa. Nem o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade nem o UCI confirmaram ter enviado pacientes para tratamento no Qu\u00eania.<\/p>\n<div id=\"attachment_212002\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-212002\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/morfina.jpg\" alt=\"Uma bandeja com morfina na Hospice Africa Uganda. Foto: Amy Fallon\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/morfina.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/morfina-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/morfina-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Uma bandeja com morfina na Hospice Africa Uganda. Foto: Amy Fallon\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Christine Namulindwa, rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do UCI, explicou que os pacientes que v\u00e3o a Nair\u00f3bi t\u00eam que passar por uma \u201cavalia\u00e7\u00e3o\u201d e receber aprova\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o. \u201cAt\u00e9 agora apresentamos 15 nomes ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e outros mais foram apresentados\u201d, informou em junho. A promessa do tratamento gratuito no hospital Aga Khan n\u00e3o inclu\u00eda o custo do transporte dos pacientes e sua estadia, acrescentou.<\/p>\n<p>No primeiro dia deste m\u00eas, Anthony Mbonye, diretor-geral interino de Servi\u00e7os de Sa\u00fade, garantiu \u00e0 IPS por e-mail que o Minist\u00e9rio havia \u201crecebido um or\u00e7amento para apoiar os pacientes enviados a Aga Khan e fornecer\u00e1 transporte e fundos para sua manuten\u00e7\u00e3o\u201d. Um advogado havia \u201cpreparado um memorando de entendimento entre o hospital e o UCI\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Mbonye tamb\u00e9m explicou que a \u201cm\u00e1quina de radioterapia foi comprada, mas o <em>bunker<\/em> ainda n\u00e3o est\u00e1 pronto. Dentro de dois meses o equipamento ser\u00e1 instalado e o servi\u00e7o ser\u00e1 retomado\u201d.Segundo a imprensa informou no come\u00e7o deste m\u00eas, a \u201clonga espera\u201d havia \u201cterminado\u201d para os pacientes, ap\u00f3s a assinatura do memorando de entendimento que permitia que 400 dos 17 mil pacientes com c\u00e2ncer recebessem \u201ctratamento\u201d. Mas os meios de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o mencionaram as datas de partida para o Qu\u00eania.<\/p>\n<p>Outra vers\u00e3o dizia que viajariam apenas os pacientes que tivessem meios para se manter, que o alojamento e outros servi\u00e7os de apoio seriam organizados pela Alta Comiss\u00e3o de Uganda em Nair\u00f3bi e, ainda, que a ida de 20 pacientes estava aprovada.<\/p>\n<p>Sete pacientes ser\u00e3o tratados no Aga Khan n\u00e3o por meio do UCI ou do governo de Uganda, mas de uma associa\u00e7\u00e3o entre a HAU e o Road toCare, um programa desenvolvido pelo m\u00e9dico canadense JodaKuk em 2011, quando viu mulheres com c\u00e2ncer de colo uterino nas zonas rurais de Uganda que necessitavam de ajuda urgente para receber radioterapia em Kampala.<\/p>\n<p>Mary Birungi e Mary Gahoire, ambas do oeste ugandense, voltaram para casa no dia 21 deste m\u00eas, ap\u00f3s viajarem por rodovia ao Qu\u00eania, onde receberam radioterapia e foram alojadas pelo Road to Care. Agora est\u00e3o de volta \u00e0s suas fam\u00edlias. Dois outros pacientes est\u00e3o recebendo tratamento e logo outros dois viajar\u00e3o ao Qu\u00eania. Est\u00e1 previsto que o s\u00e9timo viaje a esse pa\u00eds no come\u00e7o de agosto.<\/p>\n<p>A doutora Merriman pediu ao governo de Uganda que fa\u00e7a todo o poss\u00edvel para completar a constru\u00e7\u00e3o do novo <em>bunker<\/em> para que a nova m\u00e1quina de radioterapia possa ser utilizada. \u201cEstamos muito contentes pelo fato de o Road toCare possibilitar o tratamento desses sete pacientes no Qu\u00eania, mas isso \u00e9 apenas uma gota no oceano. A necessidade \u00e9 enorme. Houve muita confus\u00e3o j\u00e1 que o equipamento quebrou, causando enorme estresse aos pacientes e \u00e0s suas fam\u00edlias. Enquanto a radioterapia n\u00e3o estiver dispon\u00edvel em Uganda, morrer\u00e3o muitos pacientes\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Para muitos j\u00e1 \u00e9 muito tarde. Vesta Kefeza, de 49 anos e m\u00e3e de sete filhos, tem c\u00e2ncer de colo uterino avan\u00e7ado. Deitada em um colch\u00e3o no ch\u00e3o de sua casa de um \u00fanico quarto, no assentamento de Namugongo, em Kampala, est\u00e1 im\u00f3vel, pois sua perna inchou devido \u00e0 uma complica\u00e7\u00e3o pelo c\u00e2ncer. Ela est\u00e1 no programa da HAU desde 2011 e a morfina \u00e9 aplicada por suas enfermeiras.<\/p>\n<p>Em 2004, Uganda se converteu no primeiro pa\u00eds a permitir que as enfermeiras receitassem esse medicamento. A equipe de cuidados paliativos tamb\u00e9m proporciona alimentos e apoio espiritual.Em junho, gra\u00e7as a uma doa\u00e7\u00e3o da Irlanda, Kefeza recebeu uma cadeira de rodas, o que lhe permite sair e tomar ar fresco e ir \u00e0 igreja. \u201cAt\u00e9 ent\u00e3o, ficava na cama o dia todo. Agrade\u00e7o a Deus por minhas b\u00ean\u00e7\u00e3os. Tenho a sorte de a HAU cuidar de mim\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Amy Fallon, da IPS &ndash;&nbsp; Kampala, Uganda, 28\/7\/2016 &ndash; Uganda, que no passado teve um enorme &ecirc;xito na luta contra o HIV, est&aacute; perdendo a batalha contra o c&acirc;ncer, o grande problema de sa&uacute;de deste pa&iacute;s da &Aacute;frica oriental. Um em cada 500 ugandeses tem essa doen&ccedil;a, mas somente 5% receber&atilde;o algum tipo de tratamento. 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