{"id":21072,"date":"2016-08-01T12:53:58","date_gmt":"2016-08-01T12:53:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=212068"},"modified":"2016-08-01T12:53:58","modified_gmt":"2016-08-01T12:53:58","slug":"chile-deve-descarbonizar-modelo-economico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/08\/ultimas-noticias\/chile-deve-descarbonizar-modelo-economico\/","title":{"rendered":"Chile deve descarbonizar modelo econ\u00f4mico"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_212069\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-212069\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mina-1.jpg\" alt=\" \u00c1rea de fundi\u00e7\u00e3o da mina El Teniente, da estatal Corpora\u00e7\u00e3o Nacional do Cobre (Codelco), localizada a 1.880 metros de altitude, nas proximidades de Rancagua, ao sul de Santiago do Chile. O modelo de explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais com intensivo uso de hidrocarbonos est\u00e1 em crise no pa\u00eds. Foto: Marianela Jarroud\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mina-1.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mina-1-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mina-1-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><br \/> \u00c1rea de fundi\u00e7\u00e3o da mina El Teniente, da estatal Corpora\u00e7\u00e3o Nacional do Cobre (Codelco), localizada a 1.880 metros de altitude, nas proximidades de Rancagua, ao sul de Santiago do Chile. O modelo de explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais com intensivo uso de hidrocarbonos est\u00e1 em crise no pa\u00eds. Foto: Marianela Jarroud\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>O Chile est\u00e1 perto de esgotar seu modelo econ\u00f4mico baseado na explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais com uma base energ\u00e9tica centrada em hidrocarbonos, e dever\u00e1 tomar medidas urgentes para alcan\u00e7ar sua meta de reduzir suas emiss\u00f5es contaminantes em 30% at\u00e9 2030, segundo uma nova avalia\u00e7\u00e3o ambiental.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por\u00a0Orlando Milesi, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Santiago, Chile, 1\/8\/2016 \u2013 Mauricio Pereira, pesquisador da Divis\u00e3o de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel e Assentamentos Humanos da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal), acredita que o \u201cChile fez grandes progressos em termos de institucionalidade ambiental\u201d.<\/p>\n<p>\u201cForam criados o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, o servi\u00e7o de avalia\u00e7\u00e3o de impacto ambiental e o Conselho de Ministros para a Sustentabilidade\u201d, integrado por dez minist\u00e9rios, contou Pereira \u00e0 IPS. Mas, acrescentou, \u201cfalta a cria\u00e7\u00e3o dessas institui\u00e7\u00f5es se refletir na implanta\u00e7\u00e3o de medidas mais rigorosas, a fim de mitigar todos os efeitos que atingem o ambiente\u201d.<\/p>\n<p>Pereira \u00e9 um dos participantes da elabora\u00e7\u00e3o da segunda Avalia\u00e7\u00e3o de Desempenho Ambiental (EDA) do Chile, apresentado no m\u00eas passado na sede da Cepal, em Santiago, que recomenda ao pa\u00eds que aproveite seu alto potencial de energias renov\u00e1veis n\u00e3o convencionais para descarbonizar seu modelo econ\u00f4mico.Segundo o especialista, o crescimento chileno \u201cest\u00e1 focado principalmente em fun\u00e7\u00e3o da extra\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de recursos naturais, e isso gera diversas press\u00f5es sobre o ambiente, o ar e a \u00e1gua\u201d.<\/p>\n<p>O informe, realizado pela Cepal e pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4micos (OCDE), cont\u00e9m 54 recomenda\u00e7\u00f5es para fomentar uma economia mais verde e melhorar a governan\u00e7a ambiental, com \u00eanfase nas pol\u00edticas relativas a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, diversidade biol\u00f3gica e recursos h\u00eddricos, entre outros.\u201cO Chile \u00e9 uma pot\u00eancia econ\u00f4mica da Am\u00e9rica Latina, e a pergunta dos pr\u00f3ximos 25 anos \u00e9 se poder\u00e1 manter esse crescimento protegendo, ao mesmo tempo, sua base de ativos ambientais\u201d, afirmou, durante a apresenta\u00e7\u00e3o do documento, o diretor de Meio Ambiente da OCDE, Simon Upton.<\/p>\n<p>Dentro do Acordo de Paris para conter o aumento da temperatura do planeta, alcan\u00e7ado em dezembro de 2015, o Chile se comprometeu a reduzir, at\u00e9 2030, suas emiss\u00f5es de gases-estufa em 30% em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel de 2007, como parte de sua contribui\u00e7\u00e3o nacional determinada para o objetivo mundial. Essa meta poderia aumentar\u00a0 para 35% a 45% no caso de obter aportes monet\u00e1rios internacionais para sua concretiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 quem considere que nosso compromisso \u00e9 insuficiente, mas \u00e9 com o que podemos nos comprometer hoje, entendendo a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica em que se encontra o pa\u00eds e o mundo. Trata-se de um compromisso s\u00e9rio e respons\u00e1vel. E, obviamente, se a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica melhorar estabeleceremos metas mais ambiciosas\u201d, declarou a presidente chilena, Michelle Bachelet, \u00e0 IPS, em uma entrevista concedida em dezembro do ano passado.<\/p>\n<p>A contribui\u00e7\u00e3o chilena possui um plano de adapta\u00e7\u00e3o que inclui, entre outras coisas, o reflorestamento de mais de cem mil hectares de floresta nativa e um programa de efici\u00eancia energ\u00e9tica. Para avan\u00e7ar em seu objetivo, Bachelet estabeleceu, em dezembro de 2015, uma Pol\u00edtica Energ\u00e9tica, onde estima vi\u00e1vel que, em 2050, 70% da gera\u00e7\u00e3o de energia no Chile provenha de fontes renov\u00e1veis.<\/p>\n<div id=\"attachment_212070\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-212070\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/eolica-2.jpg\" alt=\"Moinhos de vento em Calama, no deserto de Atacama, norte do Chile. O pa\u00eds possui alto potencial em energias renov\u00e1veis n\u00e3o convencionais, mas os projetos para seu desenvolvimento podem ser afetados pela queda dos pre\u00e7os do cobre, fonte de seu financiamento. Foto: Marianela Jarroud\/IPS \" width=\"340\" height=\"225\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/eolica-2.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/eolica-2-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Moinhos de vento em Calama, no deserto de Atacama, norte do Chile. O pa\u00eds possui alto potencial em energias renov\u00e1veis n\u00e3o convencionais, mas os projetos para seu desenvolvimento podem ser afetados pela queda dos pre\u00e7os do cobre, fonte de seu financiamento. Foto: Marianela Jarroud\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Atualmente, dos 19.725,72 megawatts (MW) de pot\u00eancia instalada no Chile, 58,4% prov\u00e9m de gera\u00e7\u00e3o a diesel, carv\u00e3o e g\u00e1s natural, enquanto o restante corresponde a energias renov\u00e1veis que incluem, em sua grande maioria, a mega-hidroeletricidade.Apenas 13,5% do total corresponde a energias renov\u00e1veis n\u00e3o convencionais, como e\u00f3lica (4,57%) solar fotovoltaica (3,79%), mini-hidrel\u00e9tricas (2,8%) e biomassa (2,34%).<\/p>\n<p>\u201cNo campo da energia el\u00e9trica, h\u00e1 uma mudan\u00e7a causada pela sociedade civil, que queria provocar um giro \u00e0s energias renov\u00e1veis n\u00e3o convencionais\u201d, explicou \u00e0 IPS o ecologista Juan Pablo Orrego. \u201cEst\u00e3o florescendo no Chile, finalmente, as energias solar e e\u00f3lica. O problema \u00e9 que se continuarmos perseguindo a fase de produtividade prim\u00e1ria, as renov\u00e1veis n\u00e3o convencionais poder\u00e3o passar a ser nosso pr\u00f3ximo pesadelo. Deve-se administrar o lado da demanda da energia el\u00e9trica, como reduzir a demanda e o consumo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Nessa linha, o ministro de Meio Ambiente, Pablo Badenier, recordou \u00e0 IPS h\u00e1 alguns meses que \u201c70% das emiss\u00f5es de gases-estufa no Chile prov\u00eam do setor energ\u00e9tico. Portanto, s\u00e3o os compromissos em energia que nos permitir\u00e3o chegar ao compromisso de redu\u00e7\u00e3o de 30% das emiss\u00f5es at\u00e9 2030\u201d.O Chile \u00e9 um respons\u00e1vel menor pelas emiss\u00f5es globais de gases-estufa, com apenas 0,2%. Mas, entre 2000 e 2010, essas emiss\u00f5es aumentaram 23%, cifra que supera a m\u00e9dia dos membros da OCDE, que agrupa 34 pa\u00edses com grandes economias, entre eles Chile e M\u00e9xico pela Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o Chile continua registrando altos n\u00edveis de contamina\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, especialmente em Santiago, com impactos negativos para a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. Devido a isto, o segundo EDA recomenda ao Chile aumentar as taxas tribut\u00e1rias sobre o diesel e a gasolina, ou aumentar o imposto das emiss\u00f5es de carbono que sejam produzidas por estabelecimentos cujas fontes fixas somem uma pot\u00eancia t\u00e9rmica maior ou igual a 50 MW, explicou Pereira.Adicionalmente, os ve\u00edculos automotores novos, leves e m\u00e9dios, deveriam pagar um imposto relacionado com as emiss\u00f5es de \u00f3xidos de nitrog\u00eanio.<\/p>\n<p>O informe tamb\u00e9m sugere \u201caumentar o grau de fiscaliza\u00e7\u00e3o e a se ter mais informa\u00e7\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da comunidade, isto \u00e9, implantar a democracia ambiental\u201d, apontou o especialista.<\/p>\n<p>Para Orrego, ganhador do Pr\u00eamio Nobel Alternativo (1998), concedido pela Funda\u00e7\u00e3o Right Livelihooden, \u201co Chile parece uma vitrine de quase todos os problemas socioambientais que est\u00e3o afetando toda a humanidade. Pode ser visto como um pa\u00eds de sacrif\u00edcio, com as pessoas respirando ar carregado de metais pesados e com grande contamina\u00e7\u00e3o, por exemplo. H\u00e1 um problema estrutural para um desenvolvimento genuinamente sustent\u00e1vel no social e no ecol\u00f3gico\u201d.<\/p>\n<p>A seu ver, \u201cesse problema \u00e9 um modelo baseado em uma fase destrutiva prim\u00e1ria, com megaminera\u00e7\u00e3o, pesca industrial e de arrasto, e planta\u00e7\u00f5es de pinheiros e eucaliptos, que s\u00e3o esp\u00e9cies de crescimento r\u00e1pido que provocam um desastre social e ambiental\u201d.Contudo, um grande desafio para o Chile agora se centra na queda do pre\u00e7o do cobre, a principal riqueza do pa\u00eds, que impulsionou, por exemplo, a maior parte do investimento em energias limpas na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, como uma forma de acelerar o investimento privado no contexto econ\u00f4mico adverso, a Comiss\u00e3o Assessora Presidencial para a reforma do Sistema de Avalia\u00e7\u00e3o de Impacto Ambiental entregou, no dia 25 de julho, um documento contendo 25 propostas para modificar esse questionado sistema.A ideia do governo \u00e9 revisar e otimizar instrumentos, normas e institui\u00e7\u00f5es para facilitar o investimento e tamb\u00e9m emitir um sinal de maior transpar\u00eancia e participa\u00e7\u00e3o da sociedade. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Chile est&aacute; perto de esgotar seu modelo econ&ocirc;mico baseado na explora&ccedil;&atilde;o de recursos naturais com uma base energ&eacute;tica centrada em hidrocarbonos, e dever&aacute; tomar medidas urgentes para alcan&ccedil;ar sua meta de reduzir suas emiss&otilde;es contaminantes em 30% at&eacute; 2030, segundo uma nova avalia&ccedil;&atilde;o ambiental. 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