{"id":21076,"date":"2016-08-02T12:52:42","date_gmt":"2016-08-02T12:52:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=212116"},"modified":"2016-08-02T12:52:42","modified_gmt":"2016-08-02T12:52:42","slug":"olimpiada-fecha-ciclo-de-megalomania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/08\/ultimas-noticias\/olimpiada-fecha-ciclo-de-megalomania\/","title":{"rendered":"Olimp\u00edada fecha ciclo de megalomania"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_212117\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-212117\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/edificio.jpg\" alt=\"Moderno conjunto de pr\u00e9dios, com todos seus escrit\u00f3rios, lojas e locais vazios. \u00c9 um dos muitos \u201celefantes brancos\u201d deixados na cidade de Itabora\u00ed, perto do Rio de Janeiro um abortado megaprojeto petroqu\u00edmico e petroleiro no sudeste do Brasil. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/edificio.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/edificio-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Moderno conjunto de pr\u00e9dios, com todos seus escrit\u00f3rios, lojas e locais vazios. \u00c9 um dos muitos \u201celefantes brancos\u201d deixados na cidade de Itabora\u00ed, perto do Rio de Janeiro um abortado megaprojeto petroqu\u00edmico e petroleiro no sudeste do Brasil. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p><strong><em>Por\u00a0Mario Osava, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Um ciclo de megaeventos e megaprojetos est\u00e1 terminando no Brasil com os Jogos Ol\u00edmpicos, que acontecem este m\u00eas no Rio de Janeiro, com saldo negativo deixado pela megalomania, que tamb\u00e9m alimenta a crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica em que o pa\u00eds est\u00e1 mergulhado.<\/em><\/p>\n<p><strong>Rio de Janeiro, Brasil, 2\/8\/2016 \u2013<\/strong> N\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia que a presidente afastada, Dilma Rousseff, enfrente neste m\u00eas de agosto a fase final do julgamento de seu impeachment no Senado.<\/p>\n<p>Durante uma d\u00e9cada, atividades e obras gigantescas \u2013 algumas ainda n\u00e3o conclu\u00eddas ou condenadas ao abandono \u2013, estimularam a economia, os sonhos, as pol\u00eamicas e frustra\u00e7\u00f5es dos brasileiros, refletindo e acelerando a subida e a queda no poder do Partido dos Trabalhadores (PT). O crescimento econ\u00f4mico do pa\u00eds e o prest\u00edgio internacional do ent\u00e3o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (2003-2011) foram decisivos para que, em 2007, o Brasil fosse escolhido sede da Copa do Mundo da Fifa (Federa\u00e7\u00e3o internacional de Futebol Associado), de 2014.<\/p>\n<p>Dois anos depois, o Rio de Janeiro conquistou o direito de receber os XXXI Jogos Ol\u00edmpicos. Em 2007, esta cidade j\u00e1 havia sido sede dos Jogos Pan-Americanos, inaugurando a s\u00e9rie de megaeventos esportivos no Brasil, que incluiu tamb\u00e9m a Copa das Confedera\u00e7\u00f5es da Fifa, antecedendo o Mundial de futebol.Tamb\u00e9m nessa \u00e9poca come\u00e7ou a onda de megaprojetos de infraestrutura que respondiam a necessidades energ\u00e9ticas e de transporte, principalmente para a exporta\u00e7\u00e3o de produtos b\u00e1sicos, minerais e agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Grandes centrais hidrel\u00e9tricas, ferrovias, portos, pavimenta\u00e7\u00e3o de estradas e a transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco para aliviar a seca no Nordeste, al\u00e9m de numerosas obras urbanas, compuseram o Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), com est\u00edmulos tribut\u00e1rios e credit\u00edcios.Dilma sucedeu Lula na Presid\u00eancia, ap\u00f3s uma campanha eleitoral em que foi apresentada como \u201cm\u00e3e do PAC\u201d, para enaltecer sua alegada capacidade de gest\u00e3o de milhares de obras por todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>No setor petroleiro, a descoberta da volumosa jazida do pr\u00e9-sal no fundo do Oceano Atl\u00e2ntico, em 2006, desatou outro programa gigantesco, de quatro grandes refinarias, dois polos petroqu\u00edmicos e dezenas de estaleiros para produ\u00e7\u00e3o de plataformas de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de navios de transporte.<\/p>\n<p>As duas maiores refinarias, que deveriam ser constru\u00eddas no Nordeste, foram canceladasem 2015, com perdas pr\u00f3ximas dos US$ 800 milh\u00f5es. Uma terceira funciona parcialmente e a \u00faltima teve suas obras interrompidas, bem como o Complexo Petroqu\u00edmico ao qual est\u00e1 integrada, perto do Rio de Janeiro, deixando vazios muitos edif\u00edcios comerciais e hot\u00e9is, constru\u00eddos em cidades vizinhas para atender uma prosperidade industrial que nunca chegou.<\/p>\n<div id=\"attachment_212118\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-212118\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/BeloMonte.jpg\" alt=\"A sala de turbinas da hidrel\u00e9trica de Belo Monte, no Par\u00e1, durante sua instala\u00e7\u00e3o em 2015. A megaobra dever\u00e1 estar pronta em 2019. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/BeloMonte.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/BeloMonte-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A sala de turbinas da hidrel\u00e9trica de Belo Monte, no Par\u00e1, durante sua instala\u00e7\u00e3o em 2015. A megaobra dever\u00e1 estar pronta em 2019. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Os estaleiros, em sua maioria, quebraram ou reduziram ao m\u00ednimo suas atividades. No munic\u00edpio de Niter\u00f3i, vizinho ao Rio de Janeiro, metade de seus dez estaleiros fechou e mais de 80% de seus 15 mil empregados foram demitidos. Possivelmente o castelo deste acelerado desenvolvimento teria ca\u00eddo de todo modo, mas somaram-se v\u00e1rios fatores destrutivos para acelerar o desastre.<\/p>\n<p>Os pre\u00e7os do petr\u00f3leo ca\u00edram em 2014, quando tamb\u00e9m come\u00e7ou o esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras, envolvendo centenas de pol\u00edticos e empres\u00e1rios. Al\u00e9m disso, os governos de Lula e Dilma tentaram conter a infla\u00e7\u00e3o congelando os pre\u00e7os internos de derivados de petr\u00f3leo, em detrimento das finan\u00e7as da empresa que quase entrou em colapso diante de tantos golpes adversos.<\/p>\n<p>As ferrovias n\u00e3o tiveram melhor sorte. Duas projetadas para cruzar o Nordeste em diferentes latitudes, uma privada e outra p\u00fablica, tiveram sua constru\u00e7\u00e3o paralisada e s\u00e3o fortes candidatas a serem novos \u201celefantes brancos\u201d, diante da suspens\u00e3o dos projetos de minera\u00e7\u00e3o cuja produ\u00e7\u00e3o transportariam. Como consequ\u00eancia, tamb\u00e9m \u00e9 suspensa a instala\u00e7\u00e3o de um novo porto mar\u00edtimo e a expans\u00e3o de outros dois.<\/p>\n<p>J\u00e1 as hidrel\u00e9tricas, pelo menos, est\u00e3o sendo conclu\u00eddas. Mas sofrem as idas e vindas do setor el\u00e9trico. As linhas de transmiss\u00e3o s\u00e3o estendidas com atraso e a recess\u00e3o econ\u00f4mica iniciada em 2014 reduziu o consumo energ\u00e9tico, ampliando a capacidade ociosa e as perdas nas empresas geradoras e distribuidoras.As quatro maiores centrais, constru\u00eddas nos sens\u00edveis rios amaz\u00f4nicos, enfrentam den\u00fancias ambientais e acusa\u00e7\u00f5es de violar os direitos de popula\u00e7\u00f5es afetadas: ind\u00edgenas, ribeirinhas e de pescadores.<\/p>\n<p>Belo Monte, a terceira maior hidrel\u00e9trica do mundo, com capacidade de 11.233 megawatts (MW), foi acusada de \u201cetnoc\u00eddio\u201d contra ind\u00edgenas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico e enfrenta 23 a\u00e7\u00f5es judiciais por suposto descumprimento de exig\u00eancias legais.Tamb\u00e9m \u00e9 criticada pelos pr\u00f3prios defensores da hidroeletricidade, porque, em m\u00e9dia, vai gerar apenas 40% de sua pot\u00eancia. Com pequena represa, uma op\u00e7\u00e3o que reduziu seus impactos ambientais, sofrer\u00e1 os efeitos dos excessivos altos e baixos do rio Xingu, cujo caudal na \u00e9poca da estiagem vai para um vig\u00e9simo do que \u00e9 na \u00e9poca de cheias.<\/p>\n<p>As estradas n\u00e3o fazem parte da epidemia recente de megaprojetos. Est\u00e3o em processo de pavimenta\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o, mas foram abertas em ciclos anteriores, nos anos 1950 e 1970.<\/p>\n<p>O v\u00edcio brasileiro pelo gigantismo nasceu, provavelmente, com Bras\u00edlia, constru\u00edda em uma \u00e1rea in\u00f3spita e a mais de 1.500 quil\u00f4metros dos grandes centros, como S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, em apenas cinco anos, durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961).A fa\u00e7anha se completou com a abertura de estradas radiais para comunicar a nova capital com os pontos cardeais extremos do pa\u00eds. Os longos caminhos que cruzaram o pa\u00eds somente se converteram em aut\u00eanticas rodovias, pavimentadas e com pontes, d\u00e9cadas depois.<\/p>\n<p>Reconhecida com um sucesso, com Bras\u00edlia os pol\u00edticos deixaram uma obra consagradora, embora fosse apenas parte do plano de Juscelino, grande impulsionador da ind\u00fastria metalomec\u00e2nica no Brasil, ao inaugurar a grande produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos automotores. A cren\u00e7a \u00e9 que Bras\u00edlia foi o grande fator de povoamento e desenvolvimento do Oeste e Norte do pa\u00eds, ignorando o papel da expans\u00e3o agr\u00edcola.<\/p>\n<p>A ditadura militar, instalada em 1964, alimentou a ambi\u00e7\u00e3o de converter o Brasil em grande pot\u00eancia, com um programa nuclear que demorou tr\u00eas d\u00e9cadas para erguer duas centrais, a constru\u00e7\u00e3o de duas das cinco maiores hidrel\u00e9tricas do mundo e estradas para colonizar a Amaz\u00f4nia. A rodovia Transamaz\u00f4nica, projetada para atravessar o Norte do pa\u00eds at\u00e9 a fronteira com a Col\u00f4mbia, mas incompleta e com longos trechos intransit\u00e1veis, ficou como s\u00edmbolo dos projetos fara\u00f4nicos fracassados, que ajudaram a derrubar a ditadura.<\/p>\n<p>A origem da megalomania tamb\u00e9m pode ser situada na Copa do Mundo de 1950, que motivou a constru\u00e7\u00e3o do est\u00e1dio do Maracan\u00e3, no Rio de Janeiro, por d\u00e9cadas o maior est\u00e1dio de futebol do mundo, onde at\u00e9 180 mil espectadores viram algumas partidas, mais do que o dobro da capacidade atual.<\/p>\n<p>A derrota para o Uruguai na final desse Mundial, decep\u00e7\u00e3o jamais esquecida pelos brasileiros, n\u00e3o impediu que o Brasil organizasse a Copa de 2014, construindo novos est\u00e1dios e sofrendo outra derrota demolidora: sete a um diante da Alemanha na semifinal.<\/p>\n<p>Agora, submerso em uma crise fiscal que durar\u00e1 anos, o Brasil dificilmente poder\u00e1 se aventurar em novos megaprojetos. Al\u00e9m disso, a ilus\u00e3o de que se pode queimar etapas do desenvolvimento n\u00e3o ser\u00e1 a mesma depois de tantos fracassos e questionamentos ambientais, sociais e econ\u00f4micos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Mario Osava, da IPS &ndash;&nbsp; Um ciclo de megaeventos e megaprojetos est&aacute; terminando no Brasil com os Jogos Ol&iacute;mpicos, que acontecem este m&ecirc;s no Rio de Janeiro, com saldo negativo deixado pela megalomania, que tamb&eacute;m alimenta a crise econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica em que o pa&iacute;s est&aacute; mergulhado. 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