{"id":21078,"date":"2016-08-02T12:48:51","date_gmt":"2016-08-02T12:48:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=212112"},"modified":"2016-08-02T12:48:51","modified_gmt":"2016-08-02T12:48:51","slug":"sementes-ancestrais-reforcam-dieta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/08\/ultimas-noticias\/sementes-ancestrais-reforcam-dieta\/","title":{"rendered":"Sementes ancestrais refor\u00e7am dieta"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_212113\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-212113\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Juana.jpg\" alt=\"Juana Morales prepara popusas, um tipode tortilha que os salvadorenhos comem com variados recheios. Mas as suas n\u00e3o s\u00e3o feitas com farinha de milho, e sim com ojushte, uma semente muito nutritiva cujo consumo \u00e9 promovido na localidade de San Isidro, no oeste de El Salvador. Foto: Edgardo Ayala\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Juana.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Juana-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Juana-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Juana Morales prepara popusas, um tipode tortilha que os salvadorenhos comem com variados recheios. Mas as suas n\u00e3o s\u00e3o feitas com farinha de milho, e sim com ojushte, uma semente muito nutritiva cujo consumo \u00e9 promovido na localidade de San Isidro, no oeste de El Salvador. Foto: Edgardo Ayala\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Edgardo Ayala, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>San Isidro, El Salvador, 2\/8\/2016 \u2013 Juana Morales prepara um dos pratos favoritos em El Salvador, as <em>popusas<\/em>, um tipo de tortilha de farinha recheadas. Mas as suas s\u00e3o \u00fanicas: n\u00e3o s\u00e3o as tradicionais de milho, mas feitas de <em>ojushte<\/em>, uma semente altamente nutritiva, que caiu no esquecimento e cujo consumo agora \u00e9 promovido entre comunidades rurais.<\/p>\n<p>\u201cQuase diariamente cozinho algo com <em>ojushte<\/em>, sejam <em>popusas<\/em>, <em>tamales<\/em> (massa de milho) ou tortilhas.\u00c9 um excelente alimento\u201d, garantiu \u00e0 IPS Morales, de 65 anos, em sua cozinha em San Isidro, um povoado de tr\u00eas mil habitantes, no munic\u00edpio de Izalco, no departamento de Sonsonate. A <em>popusa<\/em>\u00e9 uma massa circular mais grossa do que a tortilha, que os salvadorenhos recheiam com feij\u00e3o, queixo, vegetais e produtos su\u00ednos.<\/p>\n<p>O f\u00e1cil acesso que Morales tem ao <em>ojushte<\/em> (<em>Brosimum alicastrum<\/em>) se deve ao fato de sua filha, Ana, ser a principal promotora dos benef\u00edcios nutricionais da semente na comunidade, gra\u00e7as ao trabalho impulsionado por uma organiza\u00e7\u00e3o nascida no local. Man\u00e1 Ojushte \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o de mulheres que desde 2010 come\u00e7ou a ver os benef\u00edcios da \u00e1rvore e de suas sementes, em uma iniciativa que se fortaleceu em 2014, com apoio do Fundo de Iniciativas para as Am\u00e9ricas (Fiaes), dos Estados Unidos, que promove a conserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>O <em>ojushte<\/em> \u00e9 uma \u00e1rvore cujas sementes, por suas propriedades nutritivas, est\u00e3o come\u00e7ando a ser aproveitadas nesta e em outras comunidades do pa\u00eds, como uma forma de oferecer alternativas nutricionais \u00e0s fam\u00edlias rurais, ao mesmo tempo em que se luta contra o impacto da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Embora escassa, a esp\u00e9cie \u00e9 encontrada nos prados salvadorenhos, e na \u00e9poca pr\u00e9-hisp\u00e2nica foi parte importante da dieta das culturas ind\u00edgenas de toda Mesoam\u00e9rica, explicou \u00e0 IPS Ana Morales, coordenadora da Man\u00e1 Ojushte. As sementes cont\u00eam altos valores de prote\u00edna, ferro zinco, vitaminas, \u00e1cido f\u00f3lico, c\u00e1lcio, fibras e triptofano (um amino\u00e1cido), o que as convertem em uma excelente fonte de alimentos para as fam\u00edlias, explicou, destacando que \u201cs\u00e3o comparadas \u00e0 soja, mas com a vantagem de n\u00e3o ter gl\u00faten e possuir baixo teor de gordura\u201d.<\/p>\n<p>O apoio do Fiaes se integra nos planos pela conserva\u00e7\u00e3o da Reserva da Biosfera Apaneca Lamatepec, com mais de 132 mil hectares em 23 munic\u00edpios dos departamentos de Ahuachap\u00e1n, Santa Ana e Sonsonate todos no ocidente do pa\u00eds. Com o trabalho na reserva, \u201cprocuramos vincular o aspecto cultural a sa\u00fade e nutri\u00e7\u00e3o das comunidades e resgatar esta semente que \u00e9 parte desses valores ancestrais\u201d, pontuou \u00e0 IPS a coordenadora territorial do Fiaes, Silvia Flores.<\/p>\n<p>A Man\u00e1 Ojushte, cujo n\u00facleo \u00e9 um grupo de dez mulheres, produz e comercializa a semente torrada, mo\u00edda e empacotada em sacos de 250 e 500 gramas. Com ela \u00e9 poss\u00edvel preparar refrescos e ser usada em qualquer prato, como arroz e sopas, e servir de complemento nutricional. Como massa, pode se fazer p\u00e3o, tortilhas, e como semente acrescenta-se a pratos crus.<\/p>\n<div id=\"attachment_212114\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-212114\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Ana-1.jpg\" alt=\" Ana Morales, coordenadora da Man\u00e1 Ojushte, na regi\u00e3o onde as sementes de ojushte s\u00e3o secas e descascadas, antes de serem mo\u00eddas e comercializadas, em San Isidro, no munic\u00edpio de Izalco, no departamento salvadorenho de Sonsonete. Foto: Edgardo Ayala\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Ana-1.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Ana-1-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Ana-1-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><br \/> Ana Morales, coordenadora da Man\u00e1 Ojushte, na regi\u00e3o onde as sementes de ojushte s\u00e3o secas e descascadas, antes de serem mo\u00eddas e comercializadas, em San Isidro, no munic\u00edpio de Izalco, no departamento salvadorenho de Sonsonete. Foto: Edgardo Ayala\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Cerca de 20 fam\u00edlias s\u00e3o encarregadas de coletar as sementes e as vendem ao grupo pelo pre\u00e7o entre US$ 0,20 e US$ 0,50 por meio quilo, dependendo se a semente \u00e9 entregue com ou sem casca. Ana Morales explicou que cada fam\u00edlia coleta cerca de 150 quilos por temporada, entre janeiro e junho, e isso representa uma ajuda para a renda familiar em momentos em que escasseia o emprego no campo e os fen\u00f4menos clim\u00e1ticos colocam em risco as colheitas de gr\u00e3os b\u00e1sicos na dieta, como milho e feij\u00e3o. \u201cO trato \u00e9 que compro suas sementes, mas elas t\u00eam que incorpor\u00e1-la \u00e0 sua alimenta\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A Man\u00e1 Ojushte comercializa 70% da produ\u00e7\u00e3o e o restante \u00e9 distribu\u00eddo gratuitamente na comunidade, por meio de refrigerantes para a escola da comunidade, bem comoparaidosos e gr\u00e1vidas. De fato, a finalidade \u00faltima \u00e9 que as fam\u00edlias conhe\u00e7am os benef\u00edcios da semente e saibam que h\u00e1 alimento dispon\u00edvel em sua comunidade, altamente nutritivo e de f\u00e1cil acesso. \u201cNas comunidades h\u00e1 fam\u00edlias que n\u00e3o t\u00eam o que comer, crian\u00e7as desnutridas e adultos mal alimentados, e n\u00e3o podemos ficar de bra\u00e7os cruzados\u201d, ressaltou Ana Morales.<\/p>\n<p>A desnutri\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica em El Salvador rondou os 14% em menores de cinco anos, em 2014, segundo a Pesquisa Nacional de Sa\u00fade daquele ano, a refer\u00eancia mais atualizada. Isso supera a m\u00e9dia latino-americana, de 11,6%, de acordo com dados de 2015 da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>A ideia de incorporar as sementes \u00e0 dieta local vai ganhando corpo em San Isidro e arredores. \u201cEu e minha fam\u00edlia gostamos muito, aprendi a fazer tortilhas, sopas, ou apenas cozidas com sal e lim\u00e3o, como salada\u201d, contou \u00e0 IPS uma de suas moradoras, Iris Guti\u00e9rrez, de 49 anos. Ela se dedica a comprar p\u00e3ezinhos para revender em seu povoado, mas seu objetivo \u00e9 aprender a fazer p\u00e3o de <em>ojushte<\/em> e comercializ\u00e1-lo. \u201cAlgum dia concretizarei esse sonho\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Guti\u00e9rrez disse que s\u00f3 precisa ir \u00e0s propriedades vizinhas coletar as sementes, para adicionar \u00e0 sua dieta, e de passagem recolhe lenha para cozinh\u00e1-las. \u201cSe coletamos duas libras (quase um quilo), isso \u00e9 adicionado ao milho, e as tortilhas ficam mais nutritivas e rendem mais\u201d, acrescentou esta m\u00e3e de dois filhos e chefe de uma fam\u00edlia de seis pessoas, que inclui v\u00e1rios tios.<\/p>\n<p>Por outro lado, nos munic\u00edpios de Candelaria de La Frontera e Texistepeque, no departamento de Santa Ana, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) apoia um esfor\u00e7o semelhante ao do <em>ojushte<\/em>, mas com uma esp\u00e9cie chamada <em>chaya<\/em> (<em>Cnidoscolus chayamansa<\/em>). A <em>chaya<\/em> \u00e9 um arbusto nativo da pen\u00ednsula de Yucat\u00e1n, no M\u00e9xico, tamb\u00e9m considerado ancestral pelos maias que habitaram essa regi\u00e3o na \u00e9poca pr\u00e9-colombiana.<\/p>\n<p>Como o <em>ojushte<\/em>, a promo\u00e7\u00e3o da <em>chaya<\/em> surgiu dentro dos planos de conserva\u00e7\u00e3o realizados nesses dois povoados para paliar os impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. As comunidades \u201ctinham que buscar alternativa nutricional que contribu\u00edsse para melhorar a dieta e tamb\u00e9m fosse resistente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, e encontramos entre as plantas mais ben\u00e9ficas a <em>chaya<\/em>\u201d, destacou \u00e0 IPS a especialista em nutri\u00e7\u00e3o do escrit\u00f3rio da FAO em El Salvador, Rosemarie Rivas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da <em>chaya<\/em>, a FAO distribuiu 26 mil \u00e1rvores frut\u00edferas e oito mil de moringa, outra planta com propriedades nutricionais. Tamb\u00e9m foram criadas 250 hortas familiares para fortalecer as capacidades de gerar alimentos. A promo\u00e7\u00e3o desses alimentos, tanto <em>ojushte<\/em> quanto chaya, moringa e outros, pode fazer a diferen\u00e7a em um esfor\u00e7o para baixar os \u00edndices de m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o no campo, explicou Rivas.<\/p>\n<p>Acrescentou que para conseguir bons resultados em mat\u00e9ria de nutri\u00e7\u00e3o n\u00e3o basta consumidor alimentos nutritivos, entrando em jogo outras vari\u00e1veis, como a sa\u00fade das pessoas, e isso est\u00e1 condicionado por fatores como saneamento do entorno e a qualidade da \u00e1gua, entre outros. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Edgardo Ayala, da IPS &ndash;&nbsp; San Isidro, El Salvador, 2\/8\/2016 &ndash; Juana Morales prepara um dos pratos favoritos em El Salvador, as popusas, um tipo de tortilha de farinha recheadas. 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