{"id":21084,"date":"2016-08-04T13:29:17","date_gmt":"2016-08-04T13:29:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=212260"},"modified":"2016-08-04T13:29:17","modified_gmt":"2016-08-04T13:29:17","slug":"educacao-ainda-e-dificil-para-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/08\/ultimas-noticias\/educacao-ainda-e-dificil-para-indigenas\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 dif\u00edcil para ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_212261\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-212261\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/indigenas-1.jpg\" alt=\" Estudantes ind\u00edgenas diante da Unidade Educacional Miskhamayu, em uma isolada regi\u00e3o dos Andes bolivianos. Muitos alunos chegam ap\u00f3s percorrerem diariamente mais de 12 quil\u00f4metros por sua acidentada geografia desde suas comunidades, para repetir o trajeto ao final das aulas. Foto: MarisabelBellido\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/indigenas-1.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/indigenas-1-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><br \/> Estudantes ind\u00edgenas diante da Unidade Educacional Miskhamayu, em uma isolada regi\u00e3o dos Andes bolivianos. Muitos alunos chegam ap\u00f3s percorrerem diariamente mais de 12 quil\u00f4metros por sua acidentada geografia desde suas comunidades, para repetir o trajeto ao final das aulas. Foto: Marisabel Bellido\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Orlando Milesi, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Santiago, Chile, 4\/8\/2016 \u2013 A educa\u00e7\u00e3o, o instrumento mais poderoso na luta contra a exclus\u00e3o e a discrimina\u00e7\u00e3o, ainda \u00e9 de dif\u00edcil acesso para os povos ind\u00edgenas da Am\u00e9rica Latina que ainda s\u00e3o os mais desfavorecidos, apesar de terem ampla presen\u00e7a na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A crescente necessidade de proporcionar maior acesso a uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade para os povos origin\u00e1rios da regi\u00e3o, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas culturas e tradi\u00e7\u00f5es, continua sendo uma declara\u00e7\u00e3o de boas inten\u00e7\u00f5es, ainda distante de se transformar em pol\u00edtica p\u00fablica real e de longo prazo, afirmou \u00e0 IPS o prefeito do munic\u00edpio chileno de Tir\u00faa, Adolfo Millabur.<\/p>\n<p>No Chile, por exemplo, \u201ch\u00e1 uma esp\u00e9cie de vontade declarada, mas que n\u00e3o acontece na pr\u00e1tica\u201d, apontou Millabur, cujo munic\u00edpio, 685 quil\u00f4metros ao sul de Santiago, fica na regi\u00e3o de La Araucan\u00eda, onde se concentra quase 50% da popula\u00e7\u00e3o mapuche, o povo mais numeroso do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Millabur cresceu na localidade de El Malo, a 35 quil\u00f4metros de Tir\u00faa. Ele e seus oito irm\u00e3os acordavam \u00e0s cinco da manh\u00e3 e caminhavam diariamente 30 quil\u00f4metros at\u00e9 a escola Antiquina. Depois da aula, todos faziam o percurso de volta. Millabur n\u00e3o lembra como aprendeu a ler e garante que n\u00e3o tinha ideia de como assinar um cheque quando, em 1996, com 28 anos, se converteu no primeiro prefeito mapuche do Chile.<\/p>\n<p>O direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o tema este ano do Dia Internacional dos Povos Ind\u00edgenas, celebrado no dia 9 deste m\u00eas. Isso porque o acesso a uma escolaridade apropriada aos seus m\u00e9todos culturais de aprendizado e com pleno reconhecimento de sua diversidade, de seus valores e de suas necessidades espec\u00edficas, incluindo aprender em sua l\u00edngua materna, \u00e9 considerado a chave para romper sua vulnerabilidade e exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Dados da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal) indicam que na Am\u00e9rica Latina vivem cerca de 45 milh\u00f5es\u00a0 de ind\u00edgenas, o equivalente a 8,3% da popula\u00e7\u00e3o regional, que supera os 605 milh\u00f5es\u00a0 de habitantes.<\/p>\n<p>A Bol\u00edvia possui pouco mais de dez milh\u00f5es de habitantes, dos quais 62,2% declaram ser parte de um povo origin\u00e1rio, o que transforma este pa\u00eds no de maior porcentagem de ind\u00edgenas sobre a popula\u00e7\u00e3o total. Em seguida vem a Guatemala, onde 41% de seus pouco mais de 16 milh\u00f5es\u00a0 de habitantes declaram ser ind\u00edgenas (5,9 milh\u00f5es), o Peru, com 24% da popula\u00e7\u00e3o total afirmando pertencer a um povo origin\u00e1rio, e o M\u00e9xico, com 15,1%.<\/p>\n<p>Segundo o estudo <em>Os Povos Ind\u00edgenas da Am\u00e9rica Latina<\/em>, publicado em 2014 pela Cepal, existem na regi\u00e3o 826 povos ind\u00edgenas, com um cen\u00e1rio altamente heterog\u00eaneo.Em um extremo fica o Brasil, com 900 milind\u00edgenas(0,5%do total de sua popula\u00e7\u00e3o)distribu\u00eddos em 305 povos origin\u00e1rios distintos, seguido de Col\u00f4mbia (102), Peru (85) e M\u00e9xico (78). No outro extremo est\u00e3o Costa Rica e Panam\u00e1 com apenas nove povos ind\u00edgenas cada um, El Salvador (3) e Uruguai (2).<\/p>\n<div id=\"attachment_212262\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-212262\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/meninos.jpg\" alt=\"Dois meninos do povo juruna na escola da aldeia ind\u00edgena de Paqui\u00e7amba, nas margens do rio Xingu, na Amaz\u00f4nia brasileira. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/meninos.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/meninos-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Dois meninos do povo juruna na escola da aldeia ind\u00edgena de Paqui\u00e7amba, nas margens do rio Xingu, na Amaz\u00f4nia brasileira. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Os povos qu\u00e9chua, nahua, aymara, maia yucateco, ki\u2019che\u2019 e mapuche s\u00e3o os que contam com maior popula\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, segundo esse estudo. Apesar de sua presen\u00e7a e influ\u00eancia hist\u00f3rica, os povos origin\u00e1rios da Am\u00e9rica Latina representam um dos coletivos mais desfavorecidos na regi\u00e3o, segundo a Cepal. Os ind\u00edgenas n\u00e3o sofrem apenas a perda sistem\u00e1tica de seus territ\u00f3rios, com graves consequ\u00eancias para seu bem-estar, mas tamb\u00e9m constituem o grupo mais vulner\u00e1vel em mat\u00e9ria de pobreza e desigualdade em todos os\u00e2mbitos.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para o pleno gozo dos direitos humanos e coletivos, e constitui um instrumento poderoso na luta para a erradica\u00e7\u00e3o da exclus\u00e3o e da discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEntre os grandes ausentes das pol\u00edticas educacionais e tamb\u00e9m em termos curriculares est\u00e3o os povos ind\u00edgenas\u201d, ressaltou \u00e0 IPS Loreto Jara, pesquisadora de Pol\u00edtica Educacional da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Educa\u00e7\u00e3o 2020. \u201cH\u00e1 uma aus\u00eancia como sujeito hist\u00f3rico no pr\u00f3prio curr\u00edculo, mas tamb\u00e9m como ator social em torno dos processos de participa\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o dos curr\u00edculos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo Jara, embora nos \u00faltimos anos tenham sido observados progressos no panorama educacional dos povos ind\u00edgenas latino-americanos, comete-se o erro de homogeneizar os processos, \u201cporque \u00e9 mais f\u00e1cil trabalhar em um cen\u00e1rio mais ou menos semelhante do que atender a diversidade\u201d.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora, a educa\u00e7\u00e3o de qualquer povo origin\u00e1rio \u201ctem l\u00f3gicas diferentes de nosso sistema escolar\u201d, por isso \u00e9 necess\u00e1rio incorporar, por exemplo, educadores interculturais nas escolas. Jara recordou a experi\u00eancia da Col\u00f4mbia, onde h\u00e1 \u201cetnias em quantidade e de natureza diversa, povos menores, dialetos espec\u00edficos, ligados \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio e \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o das culturas ind\u00edgenas\u201d.<\/p>\n<p>Jara acrescentou que nesse pa\u00eds \u201ca cultura ind\u00edgena \u00e9 mais visualizada no espa\u00e7o rural e as escolas rurais est\u00e3o revitalizando muito o tema das l\u00ednguas ind\u00edgenas\u201d, buscando deter a migra\u00e7\u00e3o dos jovens para as cidades. Isso tamb\u00e9m ocorre em algumas regi\u00f5es do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o chilena de La Araucan\u00eda, por\u00e9m, h\u00e1 845 escolas com ensino do mapudungun, a l\u00edngua mapuche, at\u00e9 o quarto ano do ensino b\u00e1sico. Delas, 300 contam com apoio direto do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e as demais com apoio de um mantenedor particular, explicou Mar\u00eda D\u00edaz Coli\u00f1ir, supervisora do programa de Educa\u00e7\u00e3o Intercultural Bil\u00edngue, do governo.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o chilena diz que todas as escolas com mais de 20% de alunos de origem ind\u00edgena devem ter programas de educa\u00e7\u00e3o intercultural bil\u00edngue, que ensinem em mapudungun, qu\u00e9chua, aymara ou rapa nui, conforme cada regi\u00e3o. Embora o programa n\u00e3o garanta que as crian\u00e7as aprendam sua l\u00edngua origin\u00e1ria, potencializa um maior grau de identidade. \u201cAvan\u00e7ou-se em uma maior autoidentifica\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a mapuche e no melhoramento de sua autoestima\u201d, afirmou D\u00edaz \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Jara concorda com os benef\u00edcios desta aproxima\u00e7\u00e3o para todos os povos da regi\u00e3o. \u201cA reivindica\u00e7\u00e3o \u00e9 a partir da linguagem, porque isso representa sua cosmovis\u00e3o. Atr\u00e1s das l\u00ednguas ind\u00edgenas se esconde toda a riqueza cultural de cada povo\u201d, afirmou. E acrescentou que a necessidade de visibilizar os povos origin\u00e1rios como atores sociais, por meiodo ensino e do aprendizado de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e seu v\u00ednculo com a hist\u00f3ria comum do pa\u00eds, \u00e9 parte dos caminhos pendentes a serem transitados em mat\u00e9ria educacional.<\/p>\n<p>\u201cHoje as pessoas querem participar de espa\u00e7os de tomada de decis\u00f5es de todo tipo, e \u00e9 a\u00ed que os povos origin\u00e1rios se configuram como atores sociais aos quais \u00e9 preciso dar mais aten\u00e7\u00e3o\u201d, enfatizou Jara.<\/p>\n<p><em>* Este artigo \u00e9 parte de uma s\u00e9rie por ocasi\u00e3o do Dia Internacional dos Povos Ind\u00edgenas, em 9 de agosto.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Orlando Milesi, da IPS &ndash;&nbsp; Santiago, Chile, 4\/8\/2016 &ndash; A educa&ccedil;&atilde;o, o instrumento mais poderoso na luta contra a exclus&atilde;o e a discrimina&ccedil;&atilde;o, ainda &eacute; de dif&iacute;cil acesso para os povos ind&iacute;genas da Am&eacute;rica Latina que ainda s&atilde;o os mais desfavorecidos, apesar de terem ampla presen&ccedil;a na regi&atilde;o. 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