{"id":2110,"date":"2006-10-08T00:00:00","date_gmt":"2006-10-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2110"},"modified":"2006-10-08T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-08T00:00:00","slug":"frana-invaso-de-gafanhotos-italianos-e-outras-pragas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/ambiente\/frana-invaso-de-gafanhotos-italianos-e-outras-pragas\/","title":{"rendered":"Fran&ccedil;a: Invas&atilde;o de gafanhotos italianos e outras pragas"},"content":{"rendered":"<p>Paris, 08\/10\/2006 &ndash; A Borgonha j&aacute; n&atilde;o &eacute; sin&ocirc;nimo de vinhos e paisagem colorida para os agricultores desta regi&atilde;o da Fran&ccedil;a, agora devastada pelo gafanhoto Calliptamus italicus. <!--more--> Mas esta praga n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica conseq&uuml;&ecirc;ncia da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica que afeta o pa&iacute;s. A origem deste gafanhoto &eacute; italiana, mas agora a Fran&ccedil;a seria sua resid&ecirc;ncia de ver&atilde;o, este ano mais do que outros. \u201cNeste ver&atilde;o o gafanhoto italiano atacou todo o verde que existe na Borgonha, e, tamb&eacute;m, flores, milharal e at&eacute; urtigas\u201d, disse &agrave; IPS o diretor Bernard Lacour da federa&ccedil;&atilde;o regional de agricultores. O diretor da ag&ecirc;ncia para a prote&ccedil;&atilde;o de vegetais, Jean-Claude Richard, disse que os produtores observam uma \u201cprolifera&ccedil;&atilde;o espetacular de Calliptamus italicus em v&aacute;rias &aacute;reas da Borgonha e a conseq&uuml;ente destrui&ccedil;&atilde;o em massa de jardins, pradarias e campos\u201d.<\/p>\n<p>Os ambientalistas asseguram que o aquecimento global &eacute; respons&aacute;vel pelo movimento do gafanhoto para o norte, da It&aacute;lia para a Fran&ccedil;a, e mais ao sul. A praga italiana se deslocou para a Borgonha \u201cdevido ao calor extremo, os ver&otilde;es secos e os invernos longos e frios que tivemos nos &uacute;ltimos anos\u201d, disse &agrave; IPS a entomologista Monique Prost, do Museu Cientifico de Dijon, no centro da Borgonha. \u201cEste ano, j&aacute; na primavera, as temperaturas foram mais quentes que o normal e a larva do gafanhoto p&ocirc;de se desenvolver bem\u201d, explicou. O clima \u201creduziu a mortalidade normal da larva, produzindo uma explos&atilde;o demogr&aacute;fica de insetos\u201d, acrescentou. O especialista em ort&oacute;pteros Jean-Fran&ccedil;ois Duranton, do Centro de Coopera&ccedil;&atilde;o Internacional de Pesquisa Agron&ocirc;mica para o Desenvolvimento, com sede em Montpellier, confirmou a an&aacute;lise de Prost.<\/p>\n<p>\u201cEsta praga &eacute; um bom indicador do desequil&iacute;brio ecol&oacute;gico causado pelo aquecimento global. Temo que veremos com maior freq&uuml;&ecirc;ncia no futuro este tipo de prolifera&ccedil;&atilde;o devido ao clima mais quente e seco\u201d, afirmou Duranton, para quem o risco de prolifera&ccedil;&atilde;o do gafanhoto e sua migra&ccedil;&atilde;o em busca de um novo habitat apresenta tr&ecirc;s aspectos. \u201cEnquanto essa praga se expande por todo o mundo, os especialistas afirmam que os gafanhotos e grilos s&atilde;o esp&eacute;cies em perigo de extin&ccedil;&atilde;o. Em terceiro lugar, a pesquisa ecol&oacute;gica em assuntos relacionados a estes fen&ocirc;menos n&atilde;o &aacute; uma prioridade na agenda internacional\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O especialista explicou que a praga do gafanhoto do deserto atingiu muitos pa&iacute;ses no per&iacute;odo 1998-1999 e novamente em 2004, a partir do Marrocos, da Maurit&acirc;nia e do Senegal, na &Aacute;frica ocidental, para Egito e Ar&aacute;bia Saudita, mais a leste. A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura (FAO) informou que o valor dos cultivos destru&iacute;dos por estes insetos chega a cerca de US$ 3 bilh&otilde;es. Atualmente, os agricultores franceses enfrentam muitas outras pragas incomuns, al&eacute;m do gafanhoto italiano. Na regi&atilde;o da Bretanha, na costa atl&acirc;ntica, as algas marinhas locais \u201cgo&eacute;mon\u201d (em franc&ecirc;s, pertencentes aos g&ecirc;neros Fucus e Ascophyllum) est&atilde;o desaparecendo. Estas plantas s&atilde;o consideradas vitais para o ecossistema marinho da regi&atilde;o.<\/p>\n<p>\u201cAs rochas da costa, onde as algas costumam ser abundantes, est&atilde;o lisas\u201d, disse &agrave; IPS Auguste Le Roux, pesquisador aposentado que trabalhou na esta&ccedil;&atilde;o de pesquisa marinha e biol&oacute;gica situada na ilha Bailleron, no golfo de Morbihan. Por sua vez, o bi&oacute;logo Sylvain Chauvaud utilizou imagens obtidas via sat&eacute;lite para mostrar como as algas desaparecem. Ele descobriu que \u201cem muitos pontos desapareceram mais de 65% das go&eacute;mon\u201d, disse &agrave; IPS. Por outro lado, o bi&oacute;logo marinho Patrick Le Mao, do Instituto de Pesquisa Marinha Franc&ecirc;s, afirmou que o aquecimento global est&aacute; por tr&aacute;s desta mudan&ccedil;a. \u201cA &aacute;gua do mar agora est&aacute; mais quente do que h&aacute; dois anos, e isso mata as algas Fucus e Ascophyllum\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A temperatura maior da &aacute;gua tamb&eacute;m estimula o surgimento de outra flora marinha que reduz a luz, essencial para o desenvolvimento da go&eacute;mon. \u201cTamb&eacute;m crescem mais do que antes alguns moluscos que se alimentam de flora marinha, e o esse consumo maior provoca seu desaparecimento\u201d, disse Mao. O desaparecimento da go&eacute;mon representa um perigo para a biodiversidade marinha local porque s&atilde;o algas fundamentais para a complexa cadeia aliment&iacute;cia, que envolve um grande n&uacute;mero de esp&eacute;cies sobre as quais existe um grande interesse econ&ocirc;mico, explicou o bi&oacute;logo. \u201cMesmo assim, &eacute; dif&iacute;cil estabelecer um v&iacute;nculo claro entre os dois fen&ocirc;menos, existe uma longa cadeia de mudan&ccedil;as que afetam o meio ambiente da Bretanha\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m causam preocupa&ccedil;&atilde;o as mudan&ccedil;as observadas nas florestas francesas. O clima quente dos &uacute;ltimos anos provocou a decomposi&ccedil;&atilde;o de &aacute;rvores como &aacute;lamo, carvalho e haya, segundo o departamento florestal do Minist&eacute;rio da Agricultura da Fran&ccedil;a. Jean-Luc Dupouey, diretor do Laborat&oacute;rio de Ecologia e Fisiologia Florestal, do Instituto Nacional de Pesquisas Agron&ocirc;micas (Inra), da Fran&ccedil;a, disse que as &aacute;rvores podem se adaptar &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, mas somente at&eacute; certo ponto. \u201cEm &eacute;poca de seca, as &aacute;rvores podem regular seu consumo de &aacute;gua fechando seus estomas para reduzir o interc&acirc;mbio com o ambiente, ou perder prematuramente suas folhas\u201d, explicou Dupouey &agrave; IPS.<\/p>\n<p>\u201cEste tipo de adapta&ccedil;&atilde;o permite que as &aacute;rvores tolerem as dificuldades impostas pelo clima e, assim, prolonguem sua vida\u201d. Mas n&atilde;o podem resistir se as crises s&atilde;o muito freq&uuml;entes, acrescentou. \u201cSe as secas se repetem todos os anos, as &aacute;rvores gastam suas reservas de carbono e, a longo prazo, morrem porque esgotam seu pr&oacute;prio capital biol&oacute;gico que n&atilde;o se renova todos os anos\u201d, ressaltou Dupouey. Al&eacute;m disso, esse tipo de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s mudan&ccedil;as ambientais tem conseq&uuml;&ecirc;ncias globais a longo prazo. \u201cAo fechar seus estomas, as &aacute;rvores reduzem seu consumo de carv&atilde;o e, assim, diminuem sua capta&ccedil;&atilde;o de gases causadores do efeito estufa, como o di&oacute;xido de carbono\u201d, ressaltou o especialista. O Minist&eacute;rio da Agricultura informou que as florestas francesas reduziram sua capta&ccedil;&atilde;o de gases que causam o efeito estufa em mais de 30% nos &uacute;ltimos anos. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>Legenda: gafanhoto italiano, Calliptamus italicus<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paris, 08\/10\/2006 &ndash; A Borgonha j&aacute; n&atilde;o &eacute; sin&ocirc;nimo de vinhos e paisagem colorida para os agricultores desta regi&atilde;o da Fran&ccedil;a, agora devastada pelo gafanhoto Calliptamus italicus. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/ambiente\/frana-invaso-de-gafanhotos-italianos-e-outras-pragas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[18],"class_list":["post-2110","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2110"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2110\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}