{"id":21101,"date":"2016-08-09T13:12:16","date_gmt":"2016-08-09T13:12:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=212417"},"modified":"2016-08-09T13:12:16","modified_gmt":"2016-08-09T13:12:16","slug":"indigenas-lutam-por-autodeterminacao-na-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/08\/ultimas-noticias\/indigenas-lutam-por-autodeterminacao-na-educacao\/","title":{"rendered":"Ind\u00edgenas lutam por autodetermina\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_212418\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-212418\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/indigenas-2.jpg\" alt=\"O desenvolvimento e os direitos tardam em chegar para as mulheres ind\u00edgenas no Estado mexicano de Chiapas. Foto: Mauricio Ramos\/IPS\" width=\"340\" height=\"220\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/indigenas-2.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/indigenas-2-300x194.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">O desenvolvimento e os direitos tardam em chegar para as mulheres ind\u00edgenas no Estado mexicano de Chiapas. Foto: Mauricio Ramos\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Phoebe Braithwaite, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Oaxaca, M\u00e9xico\/Na\u00e7\u00f5es Unidas, 9\/8\/2016 \u2013 Os povos ind\u00edgenas de todo o mundo seguem lutando para conseguir a autodetermina\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria de educa\u00e7\u00e3o, como demonstram os \u00faltimos protestos no Estado mexicano de Oaxaca, que deixaram v\u00e1rios mortos.<\/p>\n<p>\u201cPara os ind\u00edgenas, as atuais reformas educacionais no M\u00e9xico imp\u00f5em pr\u00e1ticas culturais hostis, que colocam o indiv\u00edduo no centro, n\u00e3o na coopera\u00e7\u00e3o, nem no trabalho em equipe, nem ao bem comum acima dos \u00eaxitos pessoais\u201d, explicou Ren\u00e9 Gonz\u00e1lez Pizarro, professor e integrante do Sindicato Nacional de Trabalhadores da Educa\u00e7\u00e3o (SNTE), com origens mixe, no Estado mexicano de Oaxaca. \u201cAs reformas n\u00e3o consideram o p\u00fablico em geral, seguem a l\u00f3gica dos mercados\u201d, destacou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Os professores do M\u00e9xico, especialmente dos Estados do sul, onde s\u00e3o registrados alguns dos maiores \u00edndices de pobreza e onde fica a maioria dos povos ind\u00edgenas, realizam mobiliza\u00e7\u00f5es contra as reformas educacionais do presidente Enrique Pe\u00f1a Nieto. Estas seguem o modelo de leis e pol\u00edticas que visam \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o dos sindicatos, entre eles o dos professores. Tamb\u00e9m prop\u00f5em provas padronizadas, que segundo os professores prejudicar\u00e3o os estudantes ind\u00edgenas e de comunidades marginalizadas.<\/p>\n<p>\u201cOs sistemas educacionais t\u00eam que mudar, primeiro, e sobretudo, para empoderar as identidades e as culturas ind\u00edgenas, e depois para gerar processos interculturais pac\u00edficos\u201d, opinou \u00e0 IPS o presidente do F\u00f3rum Permanente para as Quest\u00f5es Ind\u00edgenas, \u00c1lvaro Esteban Pop Ac. \u201cO grande desafio \u00e9 come\u00e7ar a ver a integra\u00e7\u00e3o de um ponto de vista contr\u00e1rio, fala-se do interc\u00e2mbio intercultural dos mesti\u00e7os e brancos com os ind\u00edgenas, mas n\u00e3o vice-versa\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Oaxaca \u00e9 o segundo Estado mais pobre do M\u00e9xico, depois de Chiapas, e tem a maior propor\u00e7\u00e3o (63,73%) de pessoas pobres e a maior diversidade de popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. Na primeira semana de junho os professores e suas fam\u00edlias acamparam na cidade de Oaxaca, enchendo muitas ruas com lonas, bem como toda sua pra\u00e7a principal. O clima era tenso e firme, mas pac\u00edfico, na medida em que milhares de professores se reuniam para protestar contra as reformas e se organizar contra as propostas que, segundo eles, aprofundar\u00e3o a exclus\u00e3o dos mais pobres, muitos deles ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Mas, menos de tr\u00eas semanas depois, em 19 de junho, estourou a viol\u00eancia entre as for\u00e7as de seguran\u00e7a e os professores, ap\u00f3s o aumento de tens\u00e3o pelas barricadas nas ruas em protesto pela deten\u00e7\u00e3o do l\u00edder sindicalista Rub\u00e9n Nu\u00f1ez, na municipalidade de Nochixtl\u00e1n. Nos enfrentamentos a pol\u00edcia matou seis pessoas e deixou centenas de feridos.<\/p>\n<p>\u201cO grau de viol\u00eancia por parte das pol\u00edcias estadual e federal deixou v\u00e1rios mortos, na maioria mixtecos dos arredores de Nochixtl\u00e1n e integrantes do contingente da resist\u00eancia de apoio aos professores, ou pessoas que se aproximaram ap\u00f3s saber do ataque policial\u201d, contou Pizarro \u00e0 IPS. \u201cA viol\u00eancia estatal contra os movimentos sociais no M\u00e9xico \u00e9 comum, e a viol\u00eancia armada contra a resist\u00eancia ind\u00edgena \u00e9 uma constante na hist\u00f3ria do pa\u00eds\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Quando do ataque, \u00c1lvaro Pop divulgou uma declara\u00e7\u00e3o de condena\u00e7\u00e3o em que ressaltou que \u201ctoda reforma educacional deve considerar a diversidade \u00e9tnica e cultural, bem como a realidade social e econ\u00f4mica do pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Esses assassinados s\u00e3o os \u00faltimos de uma longa hist\u00f3ria de viol\u00eancia estatal, que atraiu a aten\u00e7\u00e3o p\u00fablica novamente a partir de 2014, quando desapareceram 43 alunos ind\u00edgenas da Escola Normal de Ayotzinapa, na municipalidade de Iguala, no Estado de Guerrero, quando se dirigiam para uma celebra\u00e7\u00e3o em mem\u00f3ria do massacre de 1968 em Tlatelolco, quando morreram cerca de 300 estudantes.<\/p>\n<p>A escola tem hist\u00f3rico de mobiliza\u00e7\u00f5es de esquerda e seus alunos, na maioria ind\u00edgenas, aprendem a ensinar com uma perspectiva intercultural e bil\u00edngue.\u201cO pior n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a viol\u00eancia armada, mas a pol\u00edtica do sil\u00eancio. Tanto no caso dos 43 desaparecidos de Ayotzinapa, como no de Nochixtl\u00e1n, bem como em outras situa\u00e7\u00f5es, suas origens ind\u00edgenas ou o componente ind\u00edgena do grupo foram apagadas\u201d, apontou Pizzaro<\/p>\n<p>\u201cNingu\u00e9m fala dos 43 como ind\u00edgenas, mas como normalistas ou simplesmente estudantes. Fala-se de Nochixtl\u00e1n como uma luta pela educa\u00e7\u00e3o, o que torna invis\u00edvel o apoio dos mixtecos e dos triquis, que estavam ali e se organizaram para denunciar a agress\u00e3o da pol\u00edcia contra a comunidade\u201d, acrescentou Piarro.<\/p>\n<p>O antrop\u00f3logo Alfredo Saynes-V\u00e1squez, da Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico, \u00e9 de origem zapoteca, um povo ind\u00edgena do istmo de Tehuantepec, que fala sua l\u00edngua nativa e estuda as consequ\u00eancias da globaliza\u00e7\u00e3o e dos centros urbanos dominantes sobre o conhecimento ecol\u00f3gico tradicional. Tamb\u00e9m trabalha com\u00a0 estudantes dos cursos prim\u00e1rio e secund\u00e1rio, motivando as novas gera\u00e7\u00f5es a aprenderem sua hist\u00f3ria e conhecer seu ambiente particular, bem como a import\u00e2ncia de compreender que a l\u00edngua tem \u201cuma carga pol\u00edtica. Ningu\u00e9m pode evit\u00e1-la, inclusive no uso da sintaxe\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Entretanto, \u201cconhecer sua hist\u00f3ria e seu entorno n\u00e3o \u00e9 suficiente para se defender do Estado. H\u00e1 um processo de homogeneiza\u00e7\u00e3o, para que as pessoas sejam todas iguais, que falem uma s\u00f3 l\u00edngua\u201d, indicou Saynes-V\u00e1squez \u00e0 IPS. \u201cConhecer seu entorno \u00e9 uma forma de resist\u00eancia que prop\u00f5e valores diferentes dos da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O Artigo 14 da Declara\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre os Direitos dos Povos Ind\u00edgenas diz: \u201cOs povos ind\u00edgenas t\u00eam direito de estabelecer e controlar seus sistemas e suas institui\u00e7\u00f5es docentes\u201d, direito que, por outro lado, est\u00e1 consagrado em numerosos instrumentos internacionais de direitos humanos, bem como em \u00f3rg\u00e3os mexicanos e no Artigo 2 da Constitui\u00e7\u00e3o do M\u00e9xico. Quase dez anos depois de aprovada, a declara\u00e7\u00e3o da ONU parece uma ferramenta fr\u00e1gil \u00e0 luz dos obst\u00e1culos que parecem insuper\u00e1veis e das injusti\u00e7as profundamente arraigadas.<\/p>\n<p>\u201cEstamos no come\u00e7o. Todos precisamos fazer mais, tanto os Estados como o sistema das Na\u00e7\u00f5es Unidas. O tempo \u00e9 curto. De 2007 at\u00e9 hoje,mal chegaremos a dez anos. Os problemas s\u00e3o enormes. As trag\u00e9dias s\u00e3o imensas\u201d, lamentou \u00c1lvaro Pop.Mas acrescentou que \u201ctem a capacidade de ser uma ferramenta de empoderamento. Ocupa um lugar que lhe permite chamar a aten\u00e7\u00e3o das autoridades e de gerar uma an\u00e1lise cr\u00edtica da legisla\u00e7\u00e3o nacional e de como poderia se harmonizar com as estruturas internacionais\u201d.<\/p>\n<p>Para \u00c1lvaro Pop, \u201cnecessitamos de mais investimentos nos territ\u00f3rios ind\u00edgenas, dar-lhes maiores liberdades e capacidades para definirem seu destino. Precisamos de uma nova \u00e9tica no ac\u00famulo da riqueza\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* Este artigo integra uma s\u00e9rie por ocasi\u00e3o do Dia Internacional dos Povos Ind\u00edgenas, comemorado em 9 de agosto.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Phoebe Braithwaite, da IPS &ndash;&nbsp; Oaxaca, M&eacute;xico\/Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 9\/8\/2016 &ndash; Os povos ind&iacute;genas de todo o mundo seguem lutando para conseguir a autodetermina&ccedil;&atilde;o em mat&eacute;ria de educa&ccedil;&atilde;o, como demonstram os &uacute;ltimos protestos no Estado mexicano de Oaxaca, que deixaram v&aacute;rios mortos. &ldquo;Para os ind&iacute;genas, as atuais reformas educacionais no M&eacute;xico imp&otilde;em pr&aacute;ticas culturais hostis, que [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/08\/ultimas-noticias\/indigenas-lutam-por-autodeterminacao-na-educacao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2630,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2830,1044,1501,3043,2783],"class_list":["post-21101","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-1-1-canais","tag-educacao","tag-indigenas","tag-mundo-inter-press-service","tag-news3"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21101","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2630"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21101"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21101\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21102,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21101\/revisions\/21102"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21101"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21101"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21101"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}