{"id":21107,"date":"2016-08-11T13:33:23","date_gmt":"2016-08-11T13:33:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=212634"},"modified":"2016-08-11T13:33:23","modified_gmt":"2016-08-11T13:33:23","slug":"africa-poderia-alimentar-o-mundo-inteiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/08\/ultimas-noticias\/africa-poderia-alimentar-o-mundo-inteiro\/","title":{"rendered":"\u00c1frica poderia alimentar o mundo inteiro"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_212637\" style=\"width: 392px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"size-full wp-image-212637\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Africa.jpg\" alt=\" A agricultura climaticamente inteligente \u00e9 uma estrat\u00e9gia que ajuda a guiar as a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para garantir a seguran\u00e7a alimentar em um clima mutante. Foto: FAO\" width=\"382\" height=\"275\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Africa.jpg 382w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Africa-300x216.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 382px) 100vw, 382px\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><br \/>A agricultura climaticamente inteligente \u00e9 uma estrat\u00e9gia que ajuda a guiar as a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para garantir a seguran\u00e7a alimentar em um clima mutante. Foto: FAO<\/p><\/div>\n<p><em>A agricultura africana pode alimentar o mundo? A resposta \u00e9 \u201csim\u201d. Embora ousada, a afirma\u00e7\u00e3o se baseia em fatos concretos.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por\u00a0Baher Kamal, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Roma, It\u00e1lia, 11\/8\/2016 \u2013 \u00a0A \u00c1frica abriga 65% das terras f\u00e9rteis n\u00e3o cultivadas do planeta, 10% dos recursos renov\u00e1veis de \u00e1gua doce, e sua produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola cresceu 160% nos \u00faltimos 30 anos. Esses dados s\u00e3o da Nova Associa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento da \u00c1frica (Nepad), o corpo t\u00e9cnico da Uni\u00e3o Africana, e constam de um informe divulgado em julho, que recorda que a popula\u00e7\u00e3o mundial chegar\u00e1 a dez bilh\u00f5es de pessoas at\u00e9 2050.<\/p>\n<p>Assim, \u201cteremos que aumentar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola em pelo menos 70%\u201d, alertou a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO). Como a previs\u00e3o \u00e9 de que a propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o africana aumentar\u00e1 de 15% a 25% do total mundial, existe um reconhecimento crescente de que seus agricultores ter\u00e3o que desempenhar um papel crucial, afirma a Nepad.<\/p>\n<p>\u201cPodemos e ficaremos contentes em alimentar o mundo. S\u00f3 precisamos do reconhecimento e de financiamento\u201d, afirmou Raajeev Bopiah, gerente-geral da East Usambara Tea Company, uma empresa da Tanz\u00e2nia que produz mais de quatro milh\u00f5es de quilos de ch\u00e1 por ano.<\/p>\n<p>Existem v\u00e1rios obst\u00e1culos impedindo que a produtividade agr\u00edcola da \u00c1frica melhore, segundo a Ag\u00eancia de Planejamento e Coordena\u00e7\u00e3o da Nepad. \u201cUm dos maiores obst\u00e1culos \u00e9 o sistema desordenado de tarifas alfandeg\u00e1rias dos 55 Estados do continente. S\u00f3 13 pa\u00edses oferecem entrada sem visto a todos os africanos\u201d, diz o Informe de Abertura de Vistos da \u00c1frica, publicado este ano pelo Banco Africano de Desenvolvimento.<\/p>\n<p>As empresas nas na\u00e7\u00f5es sem litoral, em particular, se queixam de que a passagem de seus produtos pelas fronteiras \u00e9 t\u00e3o burocr\u00e1tica que costuma gerar enormes perdas, segundo a Nepad. \u201cO transporte na \u00c1frica \u00e9 muito dif\u00edcil. \u00c9 caro, e \u00e0s vezes arriscado\u201d, ressaltou Ahmad Ibrahim, da African Alligator, empresa de Uganda dedicada \u00e0 venda de gergelim e amendoim. As esperas nas fronteiras \u201cpodem ser longas, e acaba-se perdendo os produtos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u00d3rg\u00e3os regionais, como a Comunidade de Desenvolvimento da \u00c1frica Austral e a Comunidade Econ\u00f4mica de Estados da \u00c1frica Ocidental, conseguiram certo avan\u00e7o na harmoniza\u00e7\u00e3o dos tr\u00e2mites aduaneiros e na melhoria de algumas liga\u00e7\u00f5es de transporte transfronteiri\u00e7o, mas muitos apontam que ainda n\u00e3o \u00e9 o suficiente.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m dentro de seus pr\u00f3prios Estados, os governos mostram uma tend\u00eancia a criar obst\u00e1culos ao com\u00e9rcio de forma inadvertida. O regime fiscal incoerente da Tanz\u00e2nia, por exemplo, faz com que os agricultores pulem de uma cobran\u00e7a tribut\u00e1ria a outra. Os encarregados de pagar as contas dizem que \u00e9 dif\u00edcil planejar com muita anteced\u00eancia por medo de se deparar com faturas elevadas\u201d, indica a Nepad.\u201cN\u00e3o se pode planejar a longo prazo quando s\u00e3o cobrados novos impostos sem levar em considera\u00e7\u00e3o o que \u00e9 acess\u00edvel e o que n\u00e3o \u00e9\u201d, queixou-se Bopiah.<\/p>\n<p>A m\u00e1 infraestrutura tamb\u00e9m \u00e9 um problema em grande parte do continente. As condi\u00e7\u00f5es das estradas no norte da Tanz\u00e2nia limitam severamente o volume de mercadorias que a empresa de ch\u00e1 de Bopiah pode transportar no trajeto de 70 quil\u00f4metros at\u00e9 o porto de Tanga, no Oceano \u00cdndico. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para transportar mais de quatro toneladas por caminh\u00e3o nas estradas de terra, contra as 20 toneladas que poderiam ser levadas por vias adequadas. Me custa cinco vezes mais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Em um exemplo recente, pelo menos dez navios que transportavam 450 mil toneladas de trigo de emerg\u00eancia para as \u00e1reas afetadas pela seca na Eti\u00f3pia no come\u00e7o deste ano tiveram que esperar durante semanas no mar porque o porto de Djibuti n\u00e3o dava conta do volume da carga, informou a Nepad.<\/p>\n<p>A FAO acrescenta que a falta de silos e fontes de energia err\u00e1ticas tamb\u00e9m obrigam muitos produtores de alimentos a recorrer a caros geradores para ativar suas bombas de \u00e1gua e estufas. Cerca de 30% de todos os alimentos produzidos no mundo s\u00e3o desperdi\u00e7ados ou perdidos por essa raz\u00e3o.<\/p>\n<p>A falta de armazenamento adequado significa que \u201co continente registra uma perda de alimentos posterior \u00e0 colheita no valor de US$ 4 bilh\u00f5es ao ano\u201d,destacou Richard Munang, alto funcion\u00e1rio do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). \u201cA falta de efici\u00eancia nas cadeias de valor agregado da \u00c1frica s\u00e3o a base dos problemas alimentares\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Melhorando e expandindo suas instala\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de refor\u00e7ar a produ\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, a \u00c1frica poderia alcan\u00e7ar rapidamente a autossufici\u00eancia alimentar. Mas a corrup\u00e7\u00e3o continua prejudicando o trabalho dos pequenos propriet\u00e1rios e as grandes empresas agr\u00edcolas igualmente. E os agricultores tamb\u00e9m t\u00eam limitadas oportunidades de financiamento.<\/p>\n<p>A maioria dos pa\u00edses carece de bancos agr\u00edcolas, enquanto os bancos comerciais tendem a considerar a agricultura como uma aposta muito arriscada.\u201cPensam que o per\u00edodo de gesta\u00e7\u00e3o \u00e9 muito longo\u201d, pontuou Bopiah. \u201cPor exemplo, se deseja plantar determinado cultivo, poderia demorar cinco anos para ser amortizado\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Sem acesso ao cr\u00e9dito, muitos agricultores n\u00e3o podem comprar as ferramentas ou os produtos qu\u00edmicos que lhes permitiriam aumentar seu rendimento. Em um continente onde os rendimentos de trigo podem ser de apenas 1,5 tonelada por hectare (em compara\u00e7\u00e3o com tr\u00eas ou quatro toneladas em outros lugares), essas limita\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito problem\u00e1ticas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o temos o tempo que os pa\u00edses em desenvolvimento tinham nos anos 1960. Hoje na \u00c1frica \u00e9 preciso n\u00e3o s\u00f3 produzir melhor, mas tamb\u00e9m vender melhor no mundo globalizado\u201d,enfatizou Ousmane Badiane, diretor para a \u00c1frica do Instituto Internacional de Pesquisa em Pol\u00edica Alimentar, informou a Nepad. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A agricultura africana pode alimentar o mundo? A resposta &eacute; &ldquo;sim&rdquo;. Embora ousada, a afirma&ccedil;&atilde;o se baseia em fatos concretos. 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