{"id":21109,"date":"2016-08-11T13:17:38","date_gmt":"2016-08-11T13:17:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=212631"},"modified":"2016-08-11T13:17:38","modified_gmt":"2016-08-11T13:17:38","slug":"nao-a-mutilacao-genital-ganha-forca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/08\/ultimas-noticias\/nao-a-mutilacao-genital-ganha-forca\/","title":{"rendered":"N\u00e3o \u00e0 mutila\u00e7\u00e3o genital ganha for\u00e7a"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_212632\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-212632\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mutilacion-629x472.jpg\" alt=\" Uma especialista em realizar a mutila\u00e7\u00e3o genital feminina em Kapchorwa, Uganda, fala com uma jornalista. As mulheres desta localidade foram capacitadas pela organiza\u00e7\u00e3o Reach para conscientizar sobre a necessidade de p\u00f4r fim a essa pr\u00e1tica. Foto: Joshua Kyalimpa\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mutilacion-629x472.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mutilacion-629x472-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><br \/> Uma especialista em realizar a mutila\u00e7\u00e3o genital feminina em Kapchorwa, Uganda, fala com uma jornalista. As mulheres desta localidade foram capacitadas pela organiza\u00e7\u00e3o Reach para conscientizar sobre a necessidade de p\u00f4r fim a essa pr\u00e1tica. Foto: Joshua Kyalimpa\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Desmond Latham, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Johannesburgo, \u00c1frica do Sul, 11\/8\/2016 \u2013 Ap\u00f3s anos de discuss\u00f5es e debates na \u00c1frica, o movimento para p\u00f4r fim \u00e0 mutila\u00e7\u00e3o genital feminina ganhou for\u00e7a com um novo plano de a\u00e7\u00e3o, aprovado pelo Parlamento Pan-Africano (PAP) e pelo Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA), que tamb\u00e9m procurar\u00e1 acabar com o casamento precoce.<\/p>\n<p>O UNFPA j\u00e1 capacitou cerca de cem mil trabalhadores e trabalhadoras da sa\u00fade para atender especificamente as mulheres que tenham sofrido esse tipo de interven\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, dezenas de milhares de l\u00edderes tradicionais tamb\u00e9m assinaram chamados contra essa pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>O acordo, concretizado na primeira semana deste m\u00eas, foi a culmina\u00e7\u00e3o de uma reuni\u00e3o entre as representantes do PAP com funcion\u00e1rios do UNFPA em Johannesburgo, na \u00c1frica do Sul, nos dias 29 e 30 de julho. No in\u00edcio do encontro, o presidente do PAP, Roger Dang, de Camar\u00f5es, recordou que \u201co PAP est\u00e1 decidido a ajudar e a fazer parte dos atores que encontram solu\u00e7\u00f5es para essa pr\u00e1tica. Isso est\u00e1 de acordo com o mandato de defender e promover a igualdade de g\u00eanero e das pessoas com defici\u00eancias\u201d.<\/p>\n<p>O PAP \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o legislativo da Uni\u00e3o Africana (UA), que conta com 250 representantes dos 50 pa\u00edses que a integram. Em alguns estados africanos, meninas de apenas 11 ou 12 anos s\u00e3o for\u00e7adas a casar com homens mais velhos, o que aumentou os problemas de sa\u00fade, como c\u00e2ncer de \u00fatero, al\u00e9m de numerosas complica\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>A subdiretora regional do UNFPA para a \u00c1frica oriental e austral, Justine Coulson, disse que, se essa tend\u00eancia atual continuar, o n\u00famero de meninas menores de 15 anos com filhos aumentar\u00e1 em um milh\u00e3o, passando de dois para tr\u00eas milh\u00f5es de m\u00e3es adolescentes. \u201cSe n\u00e3o fizermos nada, na pr\u00f3xima d\u00e9cada haver\u00e1 14 milh\u00f5es de menores de 18 anos casadas a cada ano\u201d, alertou. A estimativa \u00e9 de que existam, somente na \u00c1frica austral,pelo menos sete milh\u00f5es de meninas casadas.<\/p>\n<p>O casamento infantil e o parto em meninas gera grandes problemas de sa\u00fade, e o painel do PAP tamb\u00e9m se concentrou na mutila\u00e7\u00e3o genital feminina e em como esta exp\u00f5e cada vez mais mulheres e meninas a doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis, como o v\u00edrus HIV, causador da aids. Esse risco se deve \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de instrumentos contaminados, das hemorragias, que s\u00e3o comuns e exigem transfus\u00f5es de sangue, e \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sexuais dolorosas que causam rasgaduras e les\u00f5es vaginais.<\/p>\n<p>Em n\u00edvel global, estima-se que existam cerca de 200 milh\u00f5es de meninas e mulheres que sofreram algum tipo de mutila\u00e7\u00e3o genital. Na \u00c1frica, \u00e9 uma pr\u00e1tica comum em pelo menos 26 dos 43pa\u00edses do continente, com preval\u00eancia que vai de 98%, na Som\u00e1lia, a 5%, na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o dos governantes africanos \u00e9 fundamental para que este \u00faltimo impulso tenha efeito, pois 140 milh\u00f5es de mulheres e meninas na \u00c1frica subsaariana foram submetidas \u00e0 mutila\u00e7\u00e3o genital. O objetivo da iniciativa \u00e9 chegar a todas as pessoas, bem como conseguir uma incid\u00eancia em mat\u00e9ria de legisla\u00e7\u00e3o e que seja proibida a abla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O procedimento altera ou prejudica os \u00f3rg\u00e3os genitais das mulheres ou meninas sem motivos m\u00e9dicos. \u00c9 uma interven\u00e7\u00e3o que n\u00e3o traz benef\u00edcios para a sa\u00fade e que pode causar v\u00e1rios problemas, como hemorragias, e, com o tempo, quistos, infec\u00e7\u00f5es, complica\u00e7\u00f5es no parto e dificuldade para urinar.<\/p>\n<p>H\u00e1 quatro m\u00e9todos de mutila\u00e7\u00e3o genital feminina. O tipo 1, a clitoridectomia, que implica a extirpa\u00e7\u00e3o total ou parcial do clit\u00f3ris. O tipo 2, ou recess\u00e3o, quando se remove totalmente o clit\u00f3ris e os l\u00e1bios menores da vulva. O tipo 3, conhecido como infibula\u00e7\u00e3o, consiste no fechamento vaginal mediante sutura. E o tipo 4 inclui todas as outras interven\u00e7\u00f5es danosas como perfura\u00e7\u00e3o, cauteriza\u00e7\u00e3o, raspagem e sutura na vagina.<\/p>\n<p>O PAP tamb\u00e9m acordou trabalhar com o UNFPA para erradicar o casamento precoce de menores de 16 anos. Em junho, essa ag\u00eancia da ONU trabalhou com representantes do F\u00f3rum Parlamentar da Comunidade de Desenvolvimento da \u00c1frica Austral (SADC), em uma reuni\u00e3o realizada na Suazil\u00e2ndia, onde foi aprovada uma lei-modelo para erradicar o casamento infantil.<\/p>\n<p>Coulson observou que iniciativas como a do SADC come\u00e7am a apresentar resultados tang\u00edveis. \u201cAs meninas e mulheres da \u00c1frica precisam de apoio para acabar com a mutila\u00e7\u00e3o genital feminina. Devemos agir agora. Tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 nossa participa\u00e7\u00e3o, paix\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o para salvaguardar seus direitos humanos\u201d, destacou no painel realizado na semana passada.<\/p>\n<p>O PAP criou um grupo de trabalho que supervisionar\u00e1 todas as iniciativas legislativas similares. As prioridades se concentram em leis e normas, em envolver a comunidade, mobilizar recursos, gerar consci\u00eancia e implantar o plano em escalas nacional regional. O presidente do PAP tamb\u00e9m convidou os homens a se envolverem na luta contra a mutila\u00e7\u00e3o genital feminina. \u201cTemos a dupla responsabilidade de defender as meninas contra essa viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos\u201d, ressaltou Dang. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Desmond Latham, da IPS &ndash;&nbsp; Johannesburgo, &Aacute;frica do Sul, 11\/8\/2016 &ndash; Ap&oacute;s anos de discuss&otilde;es e debates na &Aacute;frica, o movimento para p&ocirc;r fim &agrave; mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina ganhou for&ccedil;a com um novo plano de a&ccedil;&atilde;o, aprovado pelo Parlamento Pan-Africano (PAP) e pelo Fundo de Popula&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (UNFPA), que tamb&eacute;m procurar&aacute; acabar com [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/08\/ultimas-noticias\/nao-a-mutilacao-genital-ganha-forca\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,1],"tags":[2830,1109,24,3043,3074,2783],"class_list":["post-21109","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ultimas-noticias","tag-1-1-canais","tag-meninas","tag-mulheres","tag-mundo-inter-press-service","tag-mutiliacao-genital","tag-news3"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21109","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21109"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21109\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21110,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21109\/revisions\/21110"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}