{"id":21113,"date":"2016-08-12T13:31:37","date_gmt":"2016-08-12T13:31:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=212685"},"modified":"2016-08-12T13:31:37","modified_gmt":"2016-08-12T13:31:37","slug":"o-esporte-para-o-empoderamento-feminino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/08\/ultimas-noticias\/o-esporte-para-o-empoderamento-feminino\/","title":{"rendered":"O esporte para o empoderamento feminino"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_212686\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-212686\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/esporte.jpg\" alt=\"A brasileira Kaillana de Oliveira Donato, de 14 anos, jogadora de basquete da Vila Ol\u00edmpica da Mangueira, no Rio de Janeiro, e participante ativa do programa, da ONU Mulheres. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/esporte.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/esporte-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A brasileira Kaillana de Oliveira Donato, de 14 anos, jogadora de basquete da Vila Ol\u00edmpica da Mangueira, no Rio de Janeiro, e participante ativa do programa, da ONU Mulheres. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Mario Osava, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 12\/8\/2016 \u2013 Aos 14 anos, Kaillana de Oliveira Donato sabe que n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o alta como a maioria das jogadoras profissionais de basquete, devido \u00e0 gen\u00e9tica familiar, mas n\u00e3o tem d\u00favidas sobre o sonho de se destacar nesse esporte.\u201cSou armadora, e isso n\u00e3o exige tanta altura\u201d, contou \u00e0 IPS esta aluna da Vila Ol\u00edmpica da Mangueira, onde foram formadas tr\u00eas jogadoras da atual sele\u00e7\u00e3o ol\u00edmpica brasileira de basquete, que disputa os Jogos Ol\u00edmpicos Rio 2016, que acontecem na cidade do Rio de janeiro at\u00e9 o dia 22.<\/p>\n<p>Kaillana treina pelo menos quatro dias por semana, \u201cdurante tr\u00eas horas, \u00e0s vezes mais\u201d. Acorda \u00e0s cinco da manh\u00e3 para ir a uma escola pr\u00f3xima que lhe ofereceu uma bolsa por ser esportista de futuro. Disciplinada, deita \u00e0s nove da noite. Ela j\u00e1 participou de muitos torneios para meninas de at\u00e9 13, 14 ou 15 anos. \u201cO basquete \u00e9 um jogo movimentado, din\u00e2mico, de contato f\u00edsico\u201d, disse, acrescentando que por isso o escolheu h\u00e1 cinco anos, entre outros v\u00e1rios esportes que experimentou em um centro esportivo vizinho da favela da Mangueira, onde vive.<\/p>\n<p>Sua op\u00e7\u00e3o tem o apoio de sua fam\u00edlia, mas ela enfrenta preconceitos sociais, como de seus colegas, por exemplo. \u201cDizem que o que fa\u00e7o \u00e9 para sapat\u00e3o\u201d, lamentou. \u201cQuero ser uma boa jogadora, se n\u00e3o conseguir, serei advogada\u201d, acrescentou com seguran\u00e7a a jovem, durante uma conversa na quadra onde treina.<\/p>\n<p>Kaillana participa do programa Uma Vit\u00f3ria Leva a Outra, promovido pela ONU Mulheres, a ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas que promove a igualdade de g\u00eanero, e pelo Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional (COI), destinado a empoderar meninas e adolescentes por meio do esporte, como legado dos primeiros Jogos Ol\u00edmpicos que acontecem na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Pain\u00e9is tem\u00e1ticos semanais sobre autoestima, lideran\u00e7a, direitos sexuais, viol\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o financeira e planejamento do futuro, al\u00e9m da pr\u00e1tica esportiva, comp\u00f5em o programa baseado na experi\u00eancia da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental holandesa Women Win.Come\u00e7ou no Rio de Janeiro e funcionar\u00e1 como um projeto-piloto at\u00e9 2017, com a meta de capacitar para uma vida com autonomia e autoconfian\u00e7a 2.500 meninas e adolescentes de 10 a 18 anos, mais 300 m\u00e3es adolescentes que abandonaram a escola.<\/p>\n<p>As atividades acontecem em 16 centros poliesportivos denominados Vilas Ol\u00edmpicas, que a prefeitura instalou em bairros pobres da cidade. Depois, adaptando-a \u00e0s condi\u00e7\u00f5es locais, a atividade se estender\u00e1 a outras cidades do Brasil e da Am\u00e9rica Latina. A Women Win, s\u00f3cia da ONU Mulheres, desenvolveu o programa original e o levou a 25 pa\u00edses.<\/p>\n<div id=\"attachment_212687\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-212687\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/esportemeninas.jpg\" alt=\"As meninas Kaillana de Oliveira Donato, Marcelly de Mendon\u00e7a e Adrielle da Silva, esportistas do programa Uma Vit\u00f3ria Leva a Outra, da ONU Mulheres e do Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional, junto com Juliana Azevedo, vice-presidente da transnacional Procter &amp; Gamble, s\u00f3cia da iniciativa, durante sua apresenta\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/esportemeninas.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/esportemeninas-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">As meninas Kaillana de Oliveira Donato, Marcelly de Mendon\u00e7a e Adrielle da Silva, esportistas do programa Uma Vit\u00f3ria Leva a Outra, da ONU Mulheres e do Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional, junto com Juliana Azevedo, vice-presidente da transnacional Procter &amp; Gamble, s\u00f3cia da iniciativa, durante sua apresenta\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Uma pesquisa mostra que, das 217 mil participantes, as que se reconhecem como l\u00edderes aumentaram de 46% para 89%, e as que sabem como evitar a gravidez precoce ou doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis triplicaram, ficando entre 79% e77%, respectivamente.A iniciativa tamb\u00e9m busca ampliar o acesso das jovens aos benef\u00edcios do esporte. No mundo, 49% das meninas abandonam a pr\u00e1tica esportiva ao chegarem \u00e0 puberdade, seis vezes a propor\u00e7\u00e3o dos meninos, agravando a desigualdade de g\u00eanero, segundo a ONU Mulheres.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o \u201c\u00e9 injusta\u201d, pois \u201co esporte tem o poder de mudar vidas\u201d, com autoconfian\u00e7a e capacidade de iniciativa, destacou Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU Mulheres, na apresenta\u00e7\u00e3o do projetoUma Vit\u00f3ria Leva a Outra, que aconteceu nodia 6 deste m\u00eas, no Rio de Janeiro.Um dos grandes desafios do programa \u00e9 \u201cigualar o campo de jogo para homens e mulheres. Nos Jogos Ol\u00edmpicos do Rio de Janeiro, as mulheres s\u00e3o 46% dos competidores e n\u00e3o h\u00e1 modalidade sem mulheres, mas a diferen\u00e7a de recursos \u00e9 escandalosa\u201d, destacou \u00e0 IPS a representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman.<\/p>\n<p>\u201cEm dez comit\u00eas ol\u00edmpicos nacionais n\u00e3o h\u00e1 mulheres e s\u00e3o poucas as que comp\u00f5em o COI\u201d, diminuindo seu peso na gest\u00e3o dos esportes, afirmou Gasman. \u201cAl\u00e9m disso, as mulheres s\u00e3o menos vis\u00edveis nos canais esportivos da televis\u00e3o, onde a exposi\u00e7\u00e3o masculina ganha de dez a um, com exce\u00e7\u00e3o da Olimp\u00edada\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria dos Jogos Ol\u00edmpicos reflete bem a luta feminina pela inclus\u00e3o. As mulheres estiveram ausentes em sua primeira edi\u00e7\u00e3o da era moderna, em 1896 em Atenas, na Gr\u00e9cia. Na seguinte, em Paris, na Fran\u00e7a, elas foram admitidas, mas limitadas a 2,2% do total, 22 entre 997 homens, jogando apenas t\u00eanis e golfe. Sua participa\u00e7\u00e3o s\u00f3 passou de 10% a partir de 1952 e cresceu at\u00e9 chegar a 44,2% em 2012, quando, finalmente, puderam competir no boxe.<\/p>\n<p>Mas a desigualdade persiste. A soma destinada pela Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Futebol Associado(Fifa) \u00e0s sele\u00e7\u00f5es nacionais masculinas que participaram da Copa do Mundo no Brasil foi 40 vezes maior do que a da Copa Mundial Feminina de 2015, pontuou Gasman. A sele\u00e7\u00e3o campe\u00e3 recebeu como pr\u00eamio menos do que a que ficou em \u00faltimo na Copa do Mundo do Brasil, refletindo a discrimina\u00e7\u00e3o que sofrem as esportistas, ressaltou.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito ol\u00edmpico, o desequil\u00edbrio tende a diminuir mais rapidamente. No COI foi criada, em 1995, a Comiss\u00e3o Mulher e Esporte, que assessora o presidente e o Comit\u00ea Executivo para ampliar a participa\u00e7\u00e3o feminina nas decis\u00f5es. Desde 2004, h\u00e1 mulheres ocupando a vice-presid\u00eancia do COI, cujas comiss\u00f5es de trabalho t\u00eam desde mar\u00e7o deste ano pelo menos um ter\u00e7o de representa\u00e7\u00e3o feminina.<\/p>\n<div id=\"attachment_212688\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-212688\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/adolescentes.jpg\" alt=\"Adolescentes jogadoras de basquete treinam na Vila Ol\u00edmpica da Mangueira, um centro esportivo da prefeitura do Rio de Janeiro para a popula\u00e7\u00e3o pobre e vulner\u00e1vel dessa favela, muito pr\u00f3xima das instala\u00e7\u00f5es onde acontecem os Jogos Ol\u00edmpicos. Foto: Mario Osava\/IPS \" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/adolescentes.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/adolescentes-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Adolescentes jogadoras de basquete treinam na Vila Ol\u00edmpica da Mangueira, um centro esportivo da prefeitura do Rio de Janeiro para a popula\u00e7\u00e3o pobre e vulner\u00e1vel dessa favela, muito pr\u00f3xima das instala\u00e7\u00f5es onde acontecem os Jogos Ol\u00edmpicos. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>No entanto, na sociedade e na cultura sobrevivem preconceitos que s\u00e3o obst\u00e1culos ao avan\u00e7o para a igualdade de g\u00eanero na pr\u00e1tica e na administra\u00e7\u00e3o esportiva. A adolesc\u00eancia \u00e9 um per\u00edodo cr\u00edtico, em que as transforma\u00e7\u00f5es f\u00edsicas agravam as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 sua autonomia sobre o corpo e as press\u00f5es sociais. Por isso \u00e9 fundamental intervir nesse momento, como faz o Uma Vit\u00f3ria Leva a Outra, para que as meninas \u201cpermane\u00e7am no esporte, que as formam para a vida\u201d, enfatizou Gasman.<\/p>\n<p>No Brasil, o abandono feminino da pr\u00e1tica esportiva na puberdade \u00e9 inferior \u00e0 m\u00e9dia mundial apontada pela ONU Mulheres e pelo COI, mas ainda assim \u00e9 preocupante. Uma pesquisa do Minist\u00e9rio dos Esportes, de 2013, registrou que 34,8% das meninas abandonam a pr\u00e1tica esportiva antes dos 15 anos, contra 19,3% dos meninos.<\/p>\n<p>Nas Vilas Ol\u00edmpicas do Rio de Janeiro n\u00e3o h\u00e1 essas deser\u00e7\u00f5es. \u201cTemos mais meninas do que meninos e elas permanecem durante a adolesc\u00eancia, mas preferem bal\u00e9, jazz ou gin\u00e1stica r\u00edtmica\u201d, explicou Norma Marinho, assistente social do Centro Esportivo Mi\u00e9cimo da Silva, de Campo Grande, populoso bairro do oeste da cidade.<\/p>\n<p>O estigma de \u201cesporte masculino\u201d afasta as meninas do atletismo e muitas outras disciplinas. \u201cElas lotam as aulas de bal\u00e9, embora o professor seja um homem\u201d, ironizou Marilda Veloso, professora de handebol desse centro, que conta com cerca de 13 mil usu\u00e1rios e alunos em 28 modalidades esportivas. \u201cVergonha do corpo, tarefas dom\u00e9sticas, preconceitos\u201d s\u00e3o fatores do abandono pelas meninas, que agora j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande, segundo disse \u00e0 IPS essa treinadora, que trabalha no centro h\u00e1 30 anos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Mario Osava, da IPS &ndash;&nbsp; Rio de Janeiro, Brasil, 12\/8\/2016 &ndash; Aos 14 anos, Kaillana de Oliveira Donato sabe que n&atilde;o ser&aacute; t&atilde;o alta como a maioria das jogadoras profissionais de basquete, devido &agrave; gen&eacute;tica familiar, mas n&atilde;o tem d&uacute;vidas sobre o sonho de se destacar nesse esporte.&ldquo;Sou armadora, e isso n&atilde;o exige tanta altura&rdquo;, [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/08\/ultimas-noticias\/o-esporte-para-o-empoderamento-feminino\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,1],"tags":[2843,2830,3075,3076,3179,1109,24,3043,2783],"class_list":["post-21113","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunistas","category-ultimas-noticias","tag-1-opiniao","tag-1-1-canais","tag-empoderamento-feminimo","tag-esportee","tag-mario-osava","tag-meninas","tag-mulheres","tag-mundo-inter-press-service","tag-news3"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21113","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21113"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21113\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21114,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21113\/revisions\/21114"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21113"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21113"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21113"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}