{"id":21125,"date":"2016-08-17T13:13:45","date_gmt":"2016-08-17T13:13:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=212854"},"modified":"2016-08-17T13:13:45","modified_gmt":"2016-08-17T13:13:45","slug":"historico-passo-contra-violencia-machista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/08\/ultimas-noticias\/historico-passo-contra-violencia-machista\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rico passo contra viol\u00eancia machista"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_212855\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-212855\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/manifestantes-1.jpg\" alt=\"manifestantes\" width=\"340\" height=\"191\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/manifestantes-1.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/manifestantes-1-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Um grupo de manifestantes com cruzes pretas, simbolizando as v\u00edtimas de feminic\u00eddio no Peru e em outros pa\u00edses latino-americanos, passa por uma rua do centro de Lima, durante a marcha realizada dia 13 deste m\u00eas sob o lema Nem Uma a Menos. Foto: Noemi Melgarejo\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Aram\u00eds Castro, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Lima, Peru, 17\/8\/2016 \u2013 Com uma marcha, sob o lema Nem Uma Menos, a sociedade peruana se pronunciou contra a viol\u00eancia dirigida \u00e0s mulheres, no que representa uma tomada de consci\u00eancia coletiva no terceiro pa\u00eds em agress\u00f5es sexuais do mundo.A manifesta\u00e7\u00e3o em Lima, capital do pa\u00eds,no dia 13 deste m\u00eas, acompanhada de protestos em uma dezena de outras cidades, surgiu como rejei\u00e7\u00e3o a senten\u00e7as judiciais que causaram esc\u00e2ndalo por serem muito brandas com os agressores em casos de feminic\u00eddios, maus tratos de companheiras e ex-companheiras, e agress\u00f5es sexuais.<\/p>\n<p>O caso que detonou o protesto foi o de ArletteContreras, golpeada violentamente por Adriano Pozo,seu ent\u00e3o companheiro, em um hotel da cidade de Ayacucho, em julho de 2015. A agress\u00e3o foi registrada pelas c\u00e2meras de circuito interno de televis\u00e3o.Apesar disso, Pozo, filho de uma autoridade pol\u00edtica da regi\u00e3o, foi condenado a apenas um ano de pris\u00e3o, pelas acusa\u00e7\u00f5es de feminic\u00eddio em grau de tentativa e estupro, mas suspensapelas atenuantes de estar b\u00eabado e agir por ci\u00fame. Um tribunal superior ratificou a senten\u00e7a no m\u00eas passado, o que o promotor do caso qualificou de \u201cindigno\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQueremos justi\u00e7a, queremos que esses homens agressores, esses homens estupradores e assassinos, sejam presos. Queremos que o Estado d\u00ea seguran\u00e7a \u00e0s n\u00f3s as v\u00edtimas\u201d,afirmou Contreras \u00e0 IPS durante a marcha, que foi encabe\u00e7ada por v\u00edtimas e familiares, e terminou diante do Pal\u00e1cio da Justi\u00e7a.Dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade e de outros organismos mostram que o Peru \u00e9 o segundo pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina em assassinatos de mulheres por raz\u00e3o de g\u00eanero e o terceiro do mundo em estupros, com a particularidade de que 42% dessas agress\u00f5es ocorrerem em suas casas e 90% das den\u00fancias ficarem impunes.<\/p>\n<p>\u201cBasta\u201d, \u201cforaestupradores\u201d, \u201cpoder judicial, vergonha nacional\u201d, \u201ctoca em uma, toca em todas\u201d, foram algumas das frases gritadas durante a manifesta\u00e7\u00e3o, da qual participaram aproximadamente cem mil pessoas segundo os organizadores de um protesto surgido a partir das redes sociais e sem bandeira partid\u00e1ria, embora o presidente do pa\u00eds, Pedro Pablo Kuczynski, e membros de seu governo tenham participado.<\/p>\n<p>Entre os presentes havia fam\u00edlias completas, inclu\u00eddos pais e crian\u00e7as, destacando-se os parentes de v\u00edtimas de feminic\u00eddios que carregavam cartazes com as fotos das mulheres mortas ou dos agressores, e seus nomes.\u201cMinha filha foi morta por um homem que foi condenado a apenas seis meses de pris\u00e3o preventiva\u201d, denunciou Isabel Laines, que carregava um cartaz com a foto de sua filha. Ela contou \u00e0 IPS que viajou mais de quatro horas de \u00f4nibus, do departamento de Ica, ao sul, para unir-se \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o em Lima.<\/p>\n<p>Da marcha tamb\u00e9m participaram familiares e v\u00edtimas de esteriliza\u00e7\u00f5es for\u00e7adas,na d\u00e9cada de 1990, durante o governo de Alberto Fujimori (1990-2000).Em 2002,uma comiss\u00e3o investigadora do parlamento calculou que mais de 346 mil mulheres foram esterilizadas durante a administra\u00e7\u00e3o Fujimori contra sua vontade.No come\u00e7o deste m\u00eas, o Minist\u00e9rio P\u00fablico arquivou uma den\u00fancia contra Fujimori e funcion\u00e1rios do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade de seu governo por este caso, em outra criticada a\u00e7\u00e3o contra a justi\u00e7a e a repara\u00e7\u00e3o para essas milhares de afetadas.<\/p>\n<p>As redes sociais foram o espa\u00e7o a partir do qual surgiu a rea\u00e7\u00e3o da sociedade,possibilitandoque asv\u00edtimas contassem suas hist\u00f3rias e se conectassem com outras em igual situa\u00e7\u00e3o, sob <em>hashtags<\/em> como #YoNoMeCallo (eu n\u00e3o me calo), al\u00e9m da comum #NiUnaMenos (nem uma menos).\u201cDepois de ver o v\u00eddeo de ArletteContreras e da indigna\u00e7\u00e3o ao ver seu agressor ser libertado, organizamos um grupo no Facebook e come\u00e7amos um pequeno bate-papo, uma pequena reuni\u00e3o\u201d, contou \u00e0 IPS uma das organizadoras da marcha e do coletivo Nem Uma Menos, Natalia Igu\u00ed\u00f1iz.<\/p>\n<div id=\"attachment_212856\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-212856\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/presidentePedroPlabo.jpg\" alt=\"O presidente Pedro Pablo Kuczynski durante sua participa\u00e7\u00e3o em parte do trajeto da marcha contra a viol\u00eancia dirigida \u00e0s mulheres no Peru, onde somente no primeiro semestre deste ano houve 54 feminic\u00eddios e 118 tentativas frustradas. Foto: Presid\u00eancia do Peru\" width=\"340\" height=\"286\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/presidentePedroPlabo.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/presidentePedroPlabo-300x252.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">O presidente Pedro Pablo Kuczynski durante sua participa\u00e7\u00e3o em parte do trajeto da marcha contra a viol\u00eancia dirigida \u00e0s mulheres no Peru, onde somente no primeiro semestre deste ano houve 54 feminic\u00eddios e 118 tentativas frustradas. Foto: Presid\u00eancia do Peru<\/p><\/div>\n<p>Somente no primeiro semestre deste ano, foram registrados no pa\u00eds 54 casos de feminic\u00eddio e 118 tentativas, segundo o Minist\u00e9rio da Mulher. Os n\u00fameros tamb\u00e9m indicam que todos os dias s\u00e3o cometidas 16 estupros no pa\u00eds. Esses dados mostram que, entre 2009 e 2015, foram assassinadas 795 mulheres por raz\u00f5es de g\u00eanero, 60% delas entre 18 e 34 anos.O fen\u00f4meno ocorre em uma sociedade at\u00e9 agora permissiva com a viol\u00eancia de g\u00eanero, segundo denunciam organiza\u00e7\u00f5es defensoras dos direitos das mulheres e mostram as pesquisas.<\/p>\n<p>Um levantamento realizado pela empresa depesquisasIpsos, em Lima, antes da marcha, apontava que 41% das mulheres entrevistadas acreditam que o Peru \u00e9 \u201cnada seguro\u201d para elas e 74% consideram que vivem em uma sociedade machista.No entanto, 53% de todos os entrevistados acreditam, por exemplo, que, se uma mulher veste uma minissaia, \u00e9 culpada pelo ass\u00e9dio que sofrer nos espa\u00e7os p\u00fablicos, e 76% concordam que a mulher apanhe do homem se este descobrir uma infidelidade.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do governo Kuczynski, em 28 de julho, o tema entrou na agenda p\u00fablica e diferentes atores pol\u00edticos j\u00e1 se pronunciaram em favor de refor\u00e7ar mecanismos como a capacita\u00e7\u00e3o dos operadores policiais e judiciais, para que apliquem melhor as leis em casos de maus tratos contra as mulheres.\u201cO problema da viol\u00eancia de g\u00eanero \u00e9 que o sil\u00eancio absorve os golpes e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil denunciar\u201d, pontuou o presidente antes de participar da marcha, como fizeram v\u00e1rios ministros, legisladores e outras autoridades.<\/p>\n<p>Igu\u00ed\u00f1iz destacou que a marcha representou o come\u00e7o de uma nova maneira de enfrentar o fen\u00f4meno da viol\u00eancia contra as mulheres no pa\u00eds e que ser\u00e1 mantida a mobiliza\u00e7\u00e3o social com mais encontros e atividades.\u201cExistem muitas pessoas, milhares se organizando. Aqui estamos em um pequeno grupo apresentando algumas coordenadas b\u00e1sicas para finalmente haver um grande n\u00famero de grupos trabalhando em cultura, em seus bairros, em milhares de a\u00e7\u00f5es que est\u00e3o sendo tomadas em n\u00edvel nacional, em distritos, sindicatos e associa\u00e7\u00f5es diversas\u201d, apontou. A seu ver, a convoca\u00e7\u00e3o \u201cmarcou tanto por causa de sua amplitude\u201d.<\/p>\n<p>Sob o movimento Nem Uma Menos, j\u00e1 houve outras mobiliza\u00e7\u00f5es contra a viol\u00eancia machista em outros pa\u00edses latino-americanos, como a Argentina, onde tamb\u00e9m aconteceu uma manifesta\u00e7\u00e3o na capital, Buenos Aires, em junho de 2015.\u201cEstamos em coordena\u00e7\u00e3o com os coletivos de outrospa\u00edses. Vamos fazer uma plataforma para peti\u00e7\u00f5es, mas estamos planejando faz\u00ea-la em n\u00edvel regional, para todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina\u201d, afirmou a ativista.<\/p>\n<p>O grupo privado no FacebookNem Uma Menos: Mobiliza\u00e7\u00e3o J\u00e1, que desde julho impulsionou a convoca\u00e7\u00e3o, j\u00e1 tem 60 mil membros e foi o espa\u00e7o onde se coordenou a marcha, \u00e0 qual se somaram depois meios convencionais e organiza\u00e7\u00f5es de defesa dos direitos humanos.E centenas de mulheres v\u00edtimas de maus tratos, agress\u00e3o sexual ou ass\u00e9dio no trabalho come\u00e7aram a deixar seus testemunhos no espa\u00e7o digital, em um processo que continuar\u00e1.<\/p>\n<p>A marcha tamb\u00e9m se estende por uma dezena de cidades, como Cusco, Arequipa, Libertad. Al\u00e9m disso, peruanos residentes no exterior apoiaram a mobiliza\u00e7\u00e3o com atividades em cidades como Barcelonae Madri, na Espanha, Genebra, na Su\u00ed\u00e7a, Londres, na Inglaterra, e Washington, nos Estados Unidos, entre outras. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*Com a colabora\u00e7\u00e3o de Alicia Tovar e Jaime Vargas (Lima).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Aram&iacute;s Castro, da IPS &ndash;&nbsp; Lima, Peru, 17\/8\/2016 &ndash; Com uma marcha, sob o lema Nem Uma Menos, a sociedade peruana se pronunciou contra a viol&ecirc;ncia dirigida &agrave;s mulheres, no que representa uma tomada de consci&ecirc;ncia coletiva no terceiro pa&iacute;s em agress&otilde;es sexuais do mundo.A manifesta&ccedil;&atilde;o em Lima, capital do pa&iacute;s,no dia 13 deste m&ecirc;s, [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/08\/ultimas-noticias\/historico-passo-contra-violencia-machista\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2830,24,3043,2783,1461,1127],"class_list":["post-21125","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-1-1-canais","tag-mulheres","tag-mundo-inter-press-service","tag-news3","tag-violencia","tag-violencia-contra-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21125","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21125"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21125\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21126,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21125\/revisions\/21126"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21125"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21125"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21125"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}