{"id":21145,"date":"2016-08-25T13:21:28","date_gmt":"2016-08-25T13:21:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=213205"},"modified":"2016-08-25T13:21:28","modified_gmt":"2016-08-25T13:21:28","slug":"reflorestamentos-que-produzem-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/08\/ultimas-noticias\/reflorestamentos-que-produzem-alimentos\/","title":{"rendered":"Reflorestamentos que produzem alimentos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_213206\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-213206\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Guatemala.jpg\" alt=\"Uma propriedade de San Luis, na Guatemala. Foto: FAO Guatemala\" width=\"340\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Guatemala.jpg 425w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Guatemala-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Uma propriedade de San Luis, na Guatemala. Foto: FAO Guatemala<\/p><\/div>\n<p><strong><em>Por\u00a0Jorge Rodr\u00edguez, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Projeto tem finalidade de apoiar a diversifica\u00e7\u00e3o dos cultivos gra\u00e7as \u00e0 \u00e1rvore de moju (Brosimumalicastrum), esp\u00e9cie nativa de Pet\u00e9n, bem como proporcionar assessoria t\u00e9cnica no cultivo, na colheita e no consumo da mesma.<\/em><\/p>\n<p>Cidade da Guatemala, Guatemala, 25\/8\/2016 \u2013 A incerteza de embarcar em pr\u00e1ticas totalmente desconhecidas \u00e9 um risco que quase ningu\u00e9m na \u00e1rea rural guatemalteca est\u00e1 disposto a assumir. As atividades agr\u00edcolas realizadas nas diferentes comunidades costumam utilizar as mesmas t\u00e9cnicas, e plantar os mesmos cultivos, que os av\u00f3s. Mas essa tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o necessariamente se traduz em benef\u00edcios para as gera\u00e7\u00f5es seguintes.<\/p>\n<p>No sul do departamento de Pet\u00e9n, nas comunidades de San Luis, formadas por 40 a 50 fam\u00edlias, a maioria se dedica ao plantio de feij\u00e3o e milho. As monoculturas, bem como o avan\u00e7o da fronteira pecu\u00e1ria, criaram uma paisagem que contrasta com as frondosas florestas que se v\u00ea mais ao sul do departamento. Com o objetivo de reflorestar a \u00e1rea, o Minist\u00e9rio de Agricultura e Pecu\u00e1ria (Maga) idealizou um programa de incentivos florestais para as fam\u00edlias, sem afetar os cultivos tradicionais.<\/p>\n<p>Pedro May Mez \u00e9 um campon\u00eas e agricultor pertencente \u00e0 etnia maia q\u2019eqchi\u2019. Quando crian\u00e7a migrou com sua fam\u00edlia da comunidade de Alta Verapaz para Aguapaque, em busca de oportunidade de terra. Quando chegou junto com sua m\u00e3e, seu pai e o av\u00f4, sua tarefa era cortar todas as \u00e1rvores para poderem semear milho e feij\u00e3o. \u201cQuando chegamos, fui encarregado de matar a floresta e desde h\u00e1 muito tempo n\u00e3o h\u00e1 nada aqui. S\u00f3 milho e feij\u00e3o\u201d, contou.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos, o Maga, com apoio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), iniciou a tarefa de gerar desenvolvimento para as comunidades e incentivar o reflorestamento da regi\u00e3o. Com essas ideias em mente, foi iniciada a implanta\u00e7\u00e3o, em 2014, do projeto de desenho e estabelecimento de Sistemas Agroflorestais, com fundos da TeleFood, impulsionada pelo Maga e pela FAO.<\/p>\n<p>A finalidade do projeto \u00e9 apoiar a diversifica\u00e7\u00e3o dos cultivos gra\u00e7as \u00e0 \u00e1rvore de moju (<em>Brosimumalicastrum<\/em>), esp\u00e9cie nativa de Pet\u00e9n, bem como proporcionar assessoria t\u00e9cnica no cultivo, na colheita e no consumo da mesma.Al\u00e9m disso, o pessoal do Minist\u00e9rio realiza um acompanhamento dos participantes durante seis anos, para que suas propriedades sejam certificadas pelo Instituto Nacional de Florestas como terrenos de reflorestamento, e assim estarem em condi\u00e7\u00f5es de receber um incentivo que chega a cerca de US$ 2,3 mil, por esse mesmo per\u00edodo de tempo.<\/p>\n<p>\u201cOs incentivos florestais funcionam como geradores de desenvolvimento para as fam\u00edlias, sem tirar produtividade de suas terras\u201d, apontou Aldo Rosales, diretor de Recursos Naturais e Agroturismo do Maga. Esse \u00f3rg\u00e3o governamental conta com um viveiro pr\u00f3prio, em Popt\u00fan, com invent\u00e1rio de 300 mil plantas de esp\u00e9cies de moju, mogno e cedro, e distribui as mudas entre as fam\u00edlias participantes do programa.<\/p>\n<p>O primeiro passo do programa \u00e9 a escolha das fam\u00edlias, que passam por uma s\u00e9rie de capacita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para poderem integrar os novos cultivos \u00e0s suas terras. Em seguida recebem 160 mudas que plantam no terreno. A partir da\u00ed s\u00e3o dadas palestras e capacita\u00e7\u00f5es para mantertodas as \u00e1rvores em bom estado.Depois de seis anos, a \u00e1rvore de moju j\u00e1 produz sementes e \u00e9 nesse momento que pode ser aproveitada pelas fam\u00edlias participantes, j\u00e1 que \u00e9 utilizada tanto para consumo humano como de animais como vacas, cavalos e outros.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio tamb\u00e9m proporciona capacita\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias para aprenderem como incorporar omoju \u00e0 dieta familiar.Al\u00e9m disso, incentiva-se a planta\u00e7\u00e3o de outros cultivos como moringas, com uma carga proteica de 24%, que s\u00e3o aproveitados como suplementos alimentareseficazespara essas fam\u00edlias com recursos limitados. \u201cAs ramas t\u00eam at\u00e9 23% de valor proteico. Isso \u00e9 mais de 20% que o pasto normal. As fam\u00edlias podem fazer acordos com os pecuaristas locais para realizar atividades de colheita das folhas de moju\u201d, explicou Rosales.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s anos cortando \u00e1rvores para dar lugar ao milho e ao feij\u00e3o, dom Pedro v\u00ea esse projeto como uma nova oportunidade para ele e sua fam\u00edlia de recuperar algo que todos necessitamos: \u00e1rvores. \u201c\u00c9 um projeto muito bom. Faz muito calor, n\u00e3o temos sombra e n\u00e3o h\u00e1 \u00e1gua. Agora em minhas terras teremos de tudo, at\u00e9 madeira. Antes existia a tenta\u00e7\u00e3o de ir roubar madeira. Mas agora contaremos com nossas pr\u00f3prias \u00e1rvores e n\u00e3o faremos coisas ruins\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Rosales assegurou que um dos objetivos, que se contrap\u00f5e ao conceito tradicional de reflorestamento, \u00e9 recuperar uma esp\u00e9cie nativa, como o moju, que gere sustento para as 13 fam\u00edlias que atualmente integram o programa. \u201cEstamos implantando um programa de reflorestamento que gera alimentos. A ideia \u00e9 aproveitar o solo ao m\u00e1ximo\u201d, indicou o especialista. No terreno de dom Pedro pode-se ver milho, feij\u00e3o, moringa e cacau ao lado das \u00e1rvores de moju com um ano de crescimento.<\/p>\n<p>Durante os seis anos pelos quais se estende o programa, ser\u00e1 dividido o valor deaproximadamente US$ 2,4 mil,em pagamentos anuais proporcionais. No final de 2015, os participantes receberam seu primeiro incentivo florestal, de US$ 1 mil. A quantia vai diminuindo paulatinamente at\u00e9 completar a totalidade do incentivo.<\/p>\n<p>Ricardo May Ch\u00e9, filho de dom Pedro, tamb\u00e9m faz parte do programa. Tem uma \u00e1rea ao lado da de seu pai e j\u00e1 investiu o dinheiro em objetos de benef\u00edcios para sua fam\u00edlia. \u201cCompramos sapatos para meus filhos, um painel solar, que nos ajuda a carregar os telefones e dar um pouco de eletricidade \u00e0s nossas casas, e uma vaca, que em caso de necessidade podemos vender no mercado\u201d, contou. Seu pai comprou um touro para poder ter sua pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o de gado e assim aumentar a produ\u00e7\u00e3o de seu trabalho cotidiano.<\/p>\n<p>Outro fator a ser considerado \u00e9 que s\u00e3o os pr\u00f3prios camponeses que cuidam da fertiliza\u00e7\u00e3o e do solo com seus pr\u00f3prios meios. Em geral, utilizam mato como fertilizante e um sistema de irriga\u00e7\u00e3o natural. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*Este artigo foi publicado originalmente pelo escrit\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) na Guatemala. A IPS o distribui por acordo especial de difus\u00e3o com a FAO Guatemala.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Jorge Rodr&iacute;guez, da IPS &ndash;&nbsp; Projeto tem finalidade de apoiar a diversifica&ccedil;&atilde;o dos cultivos gra&ccedil;as &agrave; &aacute;rvore de moju (Brosimumalicastrum), esp&eacute;cie nativa de Pet&eacute;n, bem como proporcionar assessoria t&eacute;cnica no cultivo, na colheita e no consumo da mesma. 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