{"id":21147,"date":"2016-08-25T13:34:48","date_gmt":"2016-08-25T13:34:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=213234"},"modified":"2016-08-25T13:34:48","modified_gmt":"2016-08-25T13:34:48","slug":"os-direitos-das-mulheres-e-o-transporte-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/08\/ultimas-noticias\/os-direitos-das-mulheres-e-o-transporte-publico\/","title":{"rendered":"Os direitos das mulheres e o transporte p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_213235\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-213235\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mujeresguatemala1-629x391.jpg\" alt=\"A Guatemala, onde se comete a maior quantidade de feminic\u00eddios da Am\u00e9rica Central, inaugurou em 2011 um servi\u00e7o de \u00f4nibus exclusivo para mulheres, a fim de evitar o ass\u00e9dio sexual.Foto: Danilo Valladares\/IPS\" width=\"340\" height=\"211\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mujeresguatemala1-629x391.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mujeresguatemala1-629x391-300x186.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A Guatemala, onde se comete a maior quantidade de feminic\u00eddios da Am\u00e9rica Central, inaugurou em 2011 um servi\u00e7o de \u00f4nibus exclusivo para mulheres, a fim de evitar o ass\u00e9dio sexual.Foto: Danilo Valladares\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Rose Delaney, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Roma, It\u00e1lia, 25\/8\/2016 \u2013 O ass\u00e9dio que sofrem as mulheres no transporte p\u00fablico est\u00e1 t\u00e3o generalizado em todo o mundo que o mais comum \u00e9 que se calem e n\u00e3o denunciem os ass\u00e9dios verbal, sexual e f\u00edsico que sofrem nesse espa\u00e7o. H\u00e1 estudos estimando que aproximadamente 1,5 milh\u00e3o de meninas, que em 2030 seriam suscet\u00edveis a sofrerem algum tipo de viol\u00eancia e ass\u00e9dio por sua condi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero no transporte p\u00fablico, residir\u00e3o nas cidades.<\/p>\n<p>Se a comunidade internacional de mulheres fizer vista grossa para os olhares que salivam e ao contato humilhante dos homens, n\u00e3o estaremos avivando um \u201cmercado de carne\u201d e sucumbindo \u00e0 objetiva\u00e7\u00e3o sexual das mulheres em n\u00edvel global? Por acaso a ren\u00fancia das mulheres em reconhecer o medo generalizado que lhes provocam n\u00e3o d\u00e1 aos homens que as assediam um poder imbat\u00edvel? Ao deixar de lado o ass\u00e9dio, as mulheres n\u00e3o estar\u00e3o fortalecendo a cadeia repressiva do patriarcado ao n\u00e3o questionar nem repreender esse comportamento?<\/p>\n<p>Uma boa oportunidade para enfrentar o ass\u00e9dio sexual e a amea\u00e7a que sofrem as mulheres no transporte p\u00fablico, e lutar por seu direito b\u00e1sico \u00e0 liberdade de movimento em seu pr\u00f3prio entorno, ser\u00e1 a Terceira Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustent\u00e1vel (Habitat III). Especialmente porque, no encontro, organizado pela ONU Habitat que acontecer\u00e1 em Quito, capital do Equador,entre 17 e 20 de outubro, se discutir\u00e1 uma Nova Agenda Urbana mundial.<\/p>\n<p>Muitos poder\u00e3o dizer que brincar ou que um \u201cpequeno toque\u201d s\u00e3o inofensivos, mas o retrocesso que implica os homens serem uma amea\u00e7a para elas no transporte p\u00fablico \u00e9 vital. As pessoas n\u00e3o costumam considerar um coment\u00e1rio como amea\u00e7ador ou um olhar luxuriante possa representar um obst\u00e1culo para a liberdade e o desenvolvimento educacional e social das mulheres.<\/p>\n<p>Segundo os \u00faltimos debates dirigidos pelo espa\u00e7o digital de debates Wikigender, as quest\u00f5es relacionadas com a acessibilidade e a seguran\u00e7a podem dissuadir as mulheres de utilizar espa\u00e7os p\u00fablicos, de continuar sua educa\u00e7\u00e3o, de aproveitar oportunidades econ\u00f4micas e de receber aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Se a Nova Agenda Urbana se concentrar em como fazer para o transporte p\u00fablico contemplar as mulheres, se estar\u00e1 mais perto de se conseguir o quinto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), que promove a igualdade entre os g\u00eaneros e o empoderamento de todas as mulheres e meninas. E tamb\u00e9m ajudar\u00e1 a cumprir o ODS n\u00famero 11, que se prop\u00f5e conseguir que as cidades e os assentamentos humanos sejam inclusivos, seguros, resilientes e sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>A necessidade de erradicar os sistemas de transporte que s\u00e3o omissos frente \u00e0s quest\u00f5es de g\u00eanero \u00e9 especialmente importante na conjuntura atual porque, pela primeira vez na hist\u00f3ria, h\u00e1 mais pessoas vivendo nas cidades do que nas \u00e1reas rurais. N\u00e3o h\u00e1 melhor momento para implantar iniciativas inclusivas de g\u00eanero no transporte do que o atual. Nos pa\u00edses em desenvolvimento, cinco milh\u00f5es de pessoas come\u00e7am a viver nas cidades a cada m\u00eas.<\/p>\n<p>Um informe da organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1riaPlano Internacional,que trabalha a favor da inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia, indica que o medo da viol\u00eancia que as adolescentes sentem prevalece particularmente em cidades de pa\u00edses em desenvolvimento como Kampala, Nova D\u00e9lhi e Lima, onde foi realizada a pesquisa. As conclus\u00f5es falam de gritos de terror e do inc\u00f4modo que gera um sistema de transporte que n\u00e3o contempla as quest\u00f5es de g\u00eanero em preju\u00edzo de meninas de apenas 12 anos.<\/p>\n<p>Em Nova D\u00e9lhi, apenas 3,3% das consultadas disseram se sentir seguras em um meio de transporte p\u00fablico. J\u00e1 em Lima, apenas 2,2% afirmaram se sentir seguras ao caminhar em espa\u00e7os p\u00fablicos. Em Kampala, mais de 80% das jovens mulheres entrevistadas disseram se sentir inseguras nas idas e vindas urbanas, em geral.O estudo foi feito em diferentes partes do mundo, mas o sil\u00eancio foi o denominador comum em todas as partes. A d\u00favida das mulheres na hora de denunciar situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis permite que se mantenha o c\u00edrculo vicioso de vitimiza\u00e7\u00e3o, ass\u00e9dio e amea\u00e7a no transporte p\u00fablico.<\/p>\n<p>As entrevistadas destacaram o fato de suas opini\u00f5es n\u00e3o terem sido consideradas na hora de realizar o planejamento urbano e compartilharam um sentimento generalizado de exclus\u00e3o no que diz respeito \u00e0 tomada de decis\u00f5es importantes em suas respectivas cidades. E, o que \u00e9 ir\u00f4nico, muitas jovens diminu\u00edram a import\u00e2ncia ou desculparam as a\u00e7\u00f5es dos homens agressores e que assediam.<\/p>\n<p>Durante as entrevistas parao informe da Plano Internacional, palavras como \u201cagress\u00e3o\u201d e \u201cass\u00e9dio\u201d foram substitu\u00eddas por \u201cbobagem inocente\u201d, em Nova D\u00e9lhi, e por \u201ccontato inapropriado\u201d, no Cairo. Isso revela que a retic\u00eancia das mulheres v\u00edtimas de ass\u00e9dio e viol\u00eancia em condenar os agressores deriva de um sentimento intr\u00ednseco de vergonha que lhes foi inculcada.<\/p>\n<p>E, no que pode ser considerado um processo de revitimiza\u00e7\u00e3o, o profundo temor socialde ser respons\u00e1vel pelo ass\u00e9dioe de ser objeto de zombaria, de rid\u00edculo, e at\u00e9 sofrer castigos, funciona com eixo do sil\u00eancio que cerca o ass\u00e9dio contra as mulheres no transporte p\u00fablico. E, indo al\u00e9m, a recorrente nega\u00e7\u00e3o do direito fundamental que t\u00eam as mulheres de se deslocarem nas cidades n\u00e3o gera nada mais do que indigna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O inc\u00f4modo e a inseguran\u00e7a feminina j\u00e1 n\u00e3o podem ser considerados uma \u201cnorma social\u201d ou uma consequ\u00eancia associada ou vinculada ao fato de ser mulher. A apatia das testemunhas do ass\u00e9dio \u00e9 consequ\u00eancia de um medo subjacente de intervir de alguma forma na situa\u00e7\u00e3o. Se ningu\u00e9m escolhe condenar a agress\u00e3o, continuar\u00e3o existindo os obst\u00e1culos \u00e0 livre circula\u00e7\u00e3o das mulheres.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental compreender que esse assunto n\u00e3o \u00e9 menor nem espec\u00edfico das mulheres, mas que \u00e9 uma epidemia mundial avivada por um sentimento de machismo adquirido. De fato, uma pesquisa feita pelo Hollaback!, um movimento internacional contra o ass\u00e9dio nas ruas, e pela norte-americana Universidade Cornell, com base em 16 mil entrevistas em 22 pa\u00edses, concluiu que entre 80% e 90% das mulheres sofrem ass\u00e9dio em espa\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>A evid\u00eancia revela a impactante dimens\u00e3o do ass\u00e9dio p\u00fablico, a ponto de 66% das mulheres alem\u00e3s consultadas dizerem que foram tocadas em p\u00fablico e 47% das indianas terem sido testemunhas de diferentes tipos de exposi\u00e7\u00e3o masculina em espa\u00e7os p\u00fablicos.Em Nova York, estima-se que n\u00e3o s\u00e3o denunciados 96% dos casos de ass\u00e9dio sexual, nem 86% das agress\u00f5es sexuais que ocorrem no metr\u00f4. Em Bogot\u00e1, a cidade colombiana considerada como a que tem o transporte p\u00fablico mais perigoso do mundo para a popula\u00e7\u00e3o feminina, seis em cada dez mulheres denunciaram ter sido v\u00edtimas de ass\u00e9dio f\u00edsico enquanto viajavam.<\/p>\n<p>Esses dados mostram que o cont\u00ednuo ass\u00e9dio dos homens \u00e9 uma amea\u00e7a generalizada e prejudicial ao futuro da igualdade de g\u00eanero. Por isso \u00e9 fundamental que a Nova Agenda Urbana da Habitat III implemente iniciativas com forte \u00eanfase em conseguir que a mobilidade de mulheres e meninas seja segura nos entornos urbanos. Ao garantir um transporte seguro e a prote\u00e7\u00e3o das mulheres, criar uma rede de apoio e reconhecer o significado fundamental da voz feminina nos processos de decis\u00e3o nos \u00e2mbitos urbanos, estar\u00e1 preparando o caminho para que se desloquem livremente nas cidades.<\/p>\n<p>Dessa forma, a pr\u00f3xima mulher ou menina que se sentir amea\u00e7ada por um olhar que a denigra ou um coment\u00e1rio humilhante n\u00e3o sofrer\u00e1 as consequ\u00eancias da reprova\u00e7\u00e3o e, por outro lado, denunciar\u00e1 o respons\u00e1vel e ajudar\u00e1 a p\u00f4r fim \u00e0 inseguran\u00e7a e \u00e0 vitimiza\u00e7\u00e3o no transporte p\u00fablico. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Rose Delaney, da IPS &ndash;&nbsp; Roma, It&aacute;lia, 25\/8\/2016 &ndash; O ass&eacute;dio que sofrem as mulheres no transporte p&uacute;blico est&aacute; t&atilde;o generalizado em todo o mundo que o mais comum &eacute; que se calem e n&atilde;o denunciem os ass&eacute;dios verbal, sexual e f&iacute;sico que sofrem nesse espa&ccedil;o. H&aacute; estudos estimando que aproximadamente 1,5 milh&atilde;o de meninas, [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/08\/ultimas-noticias\/os-direitos-das-mulheres-e-o-transporte-publico\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2628,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2830,3083,24,3043,2783,2194],"class_list":["post-21147","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-1-1-canais","tag-assedio","tag-mulheres","tag-mundo-inter-press-service","tag-news3","tag-transporte-publico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21147","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2628"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21147"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21147\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21148,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21147\/revisions\/21148"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21147"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21147"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21147"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}