{"id":2118,"date":"2006-10-08T00:00:00","date_gmt":"2006-10-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2118"},"modified":"2006-10-08T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-08T00:00:00","slug":"portugal-tratamento-de-resduos-sem-muito-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/ambiente\/portugal-tratamento-de-resduos-sem-muito-futuro\/","title":{"rendered":"Portugal: Tratamento de res&iacute;duos sem muito futuro"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 08\/10\/2006 &ndash; Portugal &eacute; onde menos se recicla res&iacute;duos qu&iacute;micos, comparado com os 15 pa&iacute;ses que formavam a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia at&eacute; abril de 2004, segundo relat&oacute;rio divulgado nesta quinta-feira em Lisboa. <!--more--> Este novo destaque negativo de Portugal causou indigna&ccedil;&atilde;o entre os ambientalistas, que divulgaram um estudo realizado pelo Instituto Brit&acirc;nico para a Pesquisa em Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas (British Institute for Public Policy Research), referente ao per&iacute;odo 2003-2004.<\/p>\n<p>A associa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental Quercus, a principal do setor ambiental no pa&iacute;s, j&aacute; havia demonstrado profundo mal-estar com o governo ao abandonar, na semana passada, a Comiss&atilde;o de Acompanhamento Ambiental (CAA) da qual faz parte junto com a companhia cimenteira Secil-Out&atilde;o, instalada no Parque Natural de Arr&aacute;bida, nas proximidades de Lisboa. A entidade explicou que se retirou devido ao \u201crompimento das regras de confian&ccedil;a\u201d por parte da empresa, respons&aacute;vel por queimar res&iacute;duos industriais perigosos, mas n&atilde;o sem antes informar ao CAA sobre toda decis&atilde;o relacionada com a incinera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Os ambientalistas e prefeitos da regi&atilde;o argumentam que, na realidade, a empresa tenta passar por cima da legisla&ccedil;&atilde;o ambiental da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia. A UE define a co-incinera&ccedil;&atilde;o como instala&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m o objetivo fundamental de produzir energia ou produtos materiais e que utilizam res&iacute;duos como combust&iacute;vel habitual ou complementar, os quais recebem tratamento t&eacute;rmico para sua elimina&ccedil;&atilde;o. As normas da UE obrigam os pa&iacute;ses-membros a cumprir regras sobre a incinera&ccedil;&atilde;o e co-incinera&ccedil;&atilde;o de \u201cres&iacute;duos perigosos ou n&atilde;o-perigosos que podem produzir emiss&otilde;es de subst&acirc;ncias que contaminam a atmosfera, a &aacute;gua e o solo e t&ecirc;m efeitos nocivos para a sa&uacute;de das pessoas\u201d.<\/p>\n<p>A norma estabelece que uma autoridade competente \u201cdeve enumerar as categorias e quantidades de res&iacute;duos perigosos e n&atilde;o-perigosos que podem se tratadas, a capacidade de incinera&ccedil;&atilde;o ou de co-incinera&ccedil;&atilde;o da instala&ccedil;&atilde;o e os procedimentos de amostragem e medi&ccedil;&atilde;o a serem utilizados\u201d. Os argumentos tamb&eacute;m pesaram para os vereadores das municipalidades de Set&uacute;bal, Anunciada, S&atilde;o Sim&atilde;o e S&atilde;o Louren&ccedil;o, todas na Serra de Arr&aacute;bida, a abandonarem a Comiss&atilde;o por motivos id&ecirc;nticos aos da Quercus.<\/p>\n<p>Segundo o especialista Rui Berkemeier, da Quercus, esta organiza&ccedil;&atilde;o estava disposta a permanecer na CAA se a Secil-Out&atilde;o cumprisse o requisito de realizar um estudo de impacto ambiental antes de realizar a co-incinera&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos industriais perigosos.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, o compromisso assumido implicava n&atilde;o queimar nos fornos da empresa produtos que fa&ccedil;am parte da lista dos que devem ser enviados para os Cirver (Centro Integrado de Recupera&ccedil;&atilde;o, Valoriza&ccedil;&atilde;o e Elimina&ccedil;&atilde;o de Res&iacute;duos Perigosos), incluindo oleos usados e diluentes. Os Cirver, cujo processo de licen&ccedil;a ainda est&aacute; em curso, somente dever&atilde;o come&ccedil;ar a operar no come&ccedil;o de 2008, enquanto o Minist&eacute;rio do Meio Ambiente garantiu que a co-incinera&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a este m&ecirc;s. O caso da companhia no tocante aos res&iacute;duos t&oacute;xicos se une &agrave; falta de reciclagem de lixo, onde, segundo o instituto de pesquisa brit&acirc;nico, Portugal aparece no &uacute;ltimo lugar nos &uacute;ltimos dois anos em que a UE esteve formada por 15 pa&iacute;ses. Em 1&ordm; de maio de 2004, somaram-se outros 10 Estados ao bloco europeu.<\/p>\n<p>O estudo afirma que os portugueses somente reciclam 3% de seus desperd&iacute;cios, seguidos por Gr&eacute;cia (8%) e Reino Unido e Irlanda do Norte (18%). No outro extremo est&atilde;o Holanda com 65% de seu lixo reciclado, seguida de &Aacute;ustria (59%) e Alemanha (58%). A falta de reciclagem provocou ainda mais cr&iacute;ticas dos ambientalistas pelo fato de, segundo o documento, a tarefa n&atilde;o ser de grandes propor&ccedil;&otilde;es, j&aacute; que entre as na&ccedil;oes da UE Portugal &eacute; o segundo pa&iacute;s que menos lixo produz, com 434 quilos anuais por habitante, uma cifra que s&oacute; perde para a Gr&eacute;cia, com um quilo a menos por pessoa.<\/p>\n<p>Entre os campe&otilde;es da produ&ccedil;&atilde;o de desperd&iacute;cio est&atilde;o Rep&uacute;blica da Irlanda, com 869 quilos\/habitante, Dinamarca (696), Luxemburgo (668) e Espanha (662). A voz da Quercus se levanta contra a decis&atilde;o unilateral da Secil-Out&atilde;o, ao pretender \u201cincinerar v&aacute;rias dezenas de milhares de toneladas de res&iacute;duos industriais perigosos, incluindo &oacute;leos e solventes\u201d. Os ativistas recordam que em mar&ccedil;o o ministro do Meio Ambiente, Francisco Nunes Correia, garantiu que somente uma pequena parte dos res&iacute;duos t&oacute;xicos, n&atilde;o suscept&iacute;veis de tratamento nos Cirver, seria enviada aos fornos da companhia.<\/p>\n<p>Nessa oportunidade, a Quercus alertou o governo sobre os problemas que pode provocar a op&ccedil;&atilde;o de queimar res&iacute;duos contidos na lista dos Cirver, cujas conseq&uuml;&ecirc;ncias negativas come&ccedil;ariam pelo grave risco ambiental se a co-incinera&ccedil;&atilde;o ocorrer antes de passarem por um tratamento para reduzir sua quantidade e periculosidade. Os ambientalistas recomendam \u201cuma pol&iacute;tica correta de gest&atilde;o\u201d para as 250 mil toneladas anuais de res&iacute;duos industriais perigosos\u201d, que, na ordem de prioridades, contempla a regenera&ccedil;&atilde;o de 50 mil toneladas de &oacute;leo lubrificante, 15 mil toneladas de solventes e o armazenamento e posterior envio aos Cirver das 185 mil toneladas restantes.<\/p>\n<p>Isabel de Castro, at&eacute; o m&ecirc;s passado deputada do Partido Ecologista Verde, assegurou &agrave; IPS que o problema &eacute; muito maior e complexo, porque nasce da falta de pol&iacute;tica ambiental das \u201cconsci&ecirc;ncias anestesiadas de um poder pol&iacute;tico pretensioso, arrogante e ignorante\u201d que permitiu \u201cuma impunidade instalada que favorece os atentados e a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental. O constante aumento e falta de tratamento dos res&iacute;duos, o desmantelamento das estruturas fiscalizadoras e sua insipi&ecirc;ncia, a falta de vontade pol&iacute;tica e de vis&atilde;o prospectiva s&atilde;o os sintomas da inexist&ecirc;ncia de uma estrat&eacute;gia para alterar esta realidade t&atilde;o sombria e conformista\u201d, conclui Castro.<\/p>\n<p>A co-incinera&ccedil;&atilde;o em Portugal foi proposta pela primeira vez pelo atual primeiro-ministro, o socialista Jos&eacute; S&oacute;crates, quando era titular do Meio Ambiente no governo de Antonio Guterres (1995-2002), atual Alto Comiss&aacute;rio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados. O governo conservador que o sucedeu (2002-2004), liderado pelo agora presidente da Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia, Jose Manuel Dur&atilde;o Barroso, abandonou a id&eacute;ia, optando pela constru&ccedil;&atilde;o de centros integrados de avalia&ccedil;&atilde;o e elimina&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos. Ao assumir, em abril de 2005, S&oacute;crates recuperou o projeto.<\/p>\n<p>As diferen&ccedil;as entre o governo atual e todos os ambientalistas sobre co-incinera&ccedil;&atilde;o se foca exclusivamente no fato de os ativistas aceitarem a solu&ccedil;&atilde;o, mas somente depois de estarem funcionando os Cirver e da realiza&ccedil;&atilde;o de novos estudos sobre impacto ambiental. A Secil-Out&atilde;o, por sua vez, solicitou ao governo a dispensa de uma avalia&ccedil;&atilde;o de impacto ambiental para o processo de co-incinera&ccedil;&atilde;o de lamas oleosas, &oacute;leos e solventes. Agora, tudo depende da decis&atilde;o do governo de S&oacute;crates, que muitos anos antes de assumir o primeiro escal&atilde;o do poder sempre demonstrou sensibilidade com os temas ambientais. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>Legenda: Co-incinera&ccedil;&atilde;o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 08\/10\/2006 &ndash; Portugal &eacute; onde menos se recicla res&iacute;duos qu&iacute;micos, comparado com os 15 pa&iacute;ses que formavam a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia at&eacute; abril de 2004, segundo relat&oacute;rio divulgado nesta quinta-feira em Lisboa. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/ambiente\/portugal-tratamento-de-resduos-sem-muito-futuro\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":256,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,11],"tags":[18],"class_list":["post-2118","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2118","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/256"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2118"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2118\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2118"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2118"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2118"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}