{"id":21196,"date":"2016-09-12T13:40:06","date_gmt":"2016-09-12T13:40:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=213803"},"modified":"2016-09-12T13:40:06","modified_gmt":"2016-09-12T13:40:06","slug":"comercio-interno-de-marfim-gera-polemica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/09\/ultimas-noticias\/comercio-interno-de-marfim-gera-polemica\/","title":{"rendered":"Com\u00e9rcio interno de marfim gera pol\u00eamica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_213804\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-213804\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/marfim.jpg\" alt=\"Marfim apreendido no Ref\u00fagio Nacional de Fauna Silvestre de Rocky Mountain Arsenal, no dia 14 de novembro de 2013. 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Foto: Robert Segin\/USFWS<\/p><\/div>\n<p><em>Jap\u00e3o e \u00c1frica do Sul enfureceram todo o congresso para a conserva\u00e7\u00e3o da natureza, ao se oporem a uma proposta de proibir o com\u00e9rcio interno do marfim de elefante. <\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por\u00a0Guy Dinmore, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Honolulu, Estados Unidos, 12\/9\/2016 \u2013 Os ca\u00e7adores ilegais matam um elefante a cada 15 minutos na \u00c1frica, para vender apenas suas presas, segundo os resultados divulgados pelo Grande Censo de Elefantes.<\/p>\n<p>A mo\u00e7\u00e3o para frear o com\u00e9rcio interno de marfim, apresentada no Congresso Mundial da Natureza, que aconteceu nos dez primeiros dias deste m\u00eas nesta cidade do Hava\u00ed, \u00e9 considerada uma das mais significativas e controvertidas que os delegados tiveram que votar. A Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (UICN) \u00e9 respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o desse congresso.<\/p>\n<p>Mas japoneses e sul-africanos se opuseram \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o, no dia 7, quando um grupo de contato de representantes governamentais e de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil tentou promover um texto de consenso da resolu\u00e7\u00e3o, patrocinado por Estados Unidos e Gab\u00e3o. Um sinal das sensibilidades geradas pela mo\u00e7\u00e3o \u00e9 que os meios de comunica\u00e7\u00e3o foram expulsos do sal\u00e3o de confer\u00eancias pelo presidente do grupo de contato da UICN.<\/p>\n<p>As negocia\u00e7\u00f5es se prolongaram at\u00e9 a noite do dia 7, mas as delega\u00e7\u00f5es de Jap\u00e3o e \u00c1frica do Sul se retiraram depois que se decidiu manter os duros termos do texto que defende a proibi\u00e7\u00e3o.Os conservacionistas da sociedade civil que defendem a proibi\u00e7\u00e3o ficaram perplexos com as tentativas de japoneses e sul-africanos, em certas ocasi\u00f5es com apoio da Nam\u00edbia, de diluir a contund\u00eancia da mo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma atrocidade\u201d, afirmou Mike Chase, fundador da organiza\u00e7\u00e3o Elefantes Sem Fronteiras e principal pesquisador do Grande Censo de Elefantes, realizado em 18 pa\u00edses. \u201cForam mortos seis elefantes enquanto discutiam por uma frase\u201d, ressaltou Chase ap\u00f3s a primeira sess\u00e3o de 90 minutos, olhando seu rel\u00f3gio.Por sua vez, Susan Lieberman, vice-presidente de pol\u00edtica internacional da Sociedade para a Conserva\u00e7\u00e3o da Fauna Silvestre e uma das promotoras da mo\u00e7\u00e3o, apontou que \u201cexiste uma crise e as pessoas a negam. De que serve a UICN se n\u00e3o podemos fazer algo contundente pelo marfim?\u201d.<\/p>\n<p>Jap\u00e3o e \u00c1frica do Sul afirmam que t\u00eam interesse em salvar os elefantes da \u00c1frica como os de todo o mundo, mas que a melhor maneira de fazer isso \u00e9 com um firme controle e uma regulamenta\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio, e n\u00e3o com a proibi\u00e7\u00e3o. \u201cRegular \u00e9 ficar de bra\u00e7os cruzados enquanto Roma queima\u201d, afirmou Lieberman.<\/p>\n<p>O diretor da divis\u00e3o de pol\u00edtica de biodiversidade do Minist\u00e9rio do Ambiente do Jap\u00e3o, Naohisa Okuda, argumentou que a proibi\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o \u00e9 adequada. Temos que frear todo o com\u00e9rcio ilegal. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio proibir o com\u00e9rcio legal do marfim\u201d, e deu como exemplo as pe\u00e7as que o Jap\u00e3o importava antes de entrar em vigor a proibi\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio internacional, em 1989. \u201cO problema \u00e9 identificar o que \u00e9 legal e o que \u00e9 ilegal\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>A comunidade internacional deve encontrar um sistema de controle efetivo para o com\u00e9rcio do marfim, que seja capaz de beneficiar a conserva\u00e7\u00e3o de elefantes africanos, pontuou Okuda. \u201cO sistema de controle japon\u00eas \u00e9 muito bom e efetivo, tal como reconhece a UICN. Outros pa\u00edses deveriam seguir o exemplo\u201d, acrescentou. Entretanto, numerososambientalistas n\u00e3o compartilham dessa opini\u00e3o e questionam a quantidade de pe\u00e7as em marfim produzidas pelo Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>A \u00c1frica do Sul argumenta que as popula\u00e7\u00f5es de elefantes est\u00e3o est\u00e1veis e, inclusive, crescem e que s\u00e3o necess\u00e1rios alguns sacrif\u00edcios, se parte da renda obtida com a venda de marfim for dedicada aos esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o. O governo sul-africano tamb\u00e9m organizou uma venda pontual de excedentes de marfim, mas os ativistas afirmam que isso s\u00f3 serve para disparar a atividade dos ca\u00e7adores ilegais.<\/p>\n<p>Morgan Griffiths, da organiza\u00e7\u00e3o WildlifeandEnvironmentSocietyof South Africa, recordou que, apesar da sofisticada tecnologia utilizada pelo sul-africano Parque Nacional Kruger, os ca\u00e7adores ilegais tinham cada vez menos dificuldades para entrar no parque a partir de Mo\u00e7ambique, onde os elefantes est\u00e3o \u00e0 beira da extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Griffiths est\u00e1 entre os que querem urg\u00eancia do governo para aceitar uma proibi\u00e7\u00e3o sobre todo o com\u00e9rcio interno. \u201cAs vendas pontuais de pe\u00e7as de marfim levar\u00e3o a uma ca\u00e7ada maci\u00e7a\u201d, alertou.Outros pa\u00edses africanos pedem a proibi\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio interno de marfim, considerando que \u00e9 preciso exercer a maior press\u00e3o poss\u00edvel sobre China e Vietn\u00e3, os principais importadores de marfim ilegal, para conter a demanda.<\/p>\n<p>A UICN, com 1.300 membros com capacidade de voto entre organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e governos, n\u00e3o tem autoridade legal para impor proibi\u00e7\u00f5es. Mas um chamado desse tipo, feito por uma das institui\u00e7\u00f5es com maior autoridade em mat\u00e9ria de conserva\u00e7\u00e3o, implica um consider\u00e1vel peso moral e sup\u00f5e uma forte press\u00e3o para que os governos atuem.<\/p>\n<p>A mo\u00e7\u00e3o sete, sobre o marfim, \u00e9 uma das muitas que geraram controv\u00e9rsia no Congresso Mundial da Natureza, como as zonas proibidas, por exemplo, s\u00edtios ind\u00edgenas sagrados com r\u00edgidas leis de prote\u00e7\u00e3o, uma reserva marinha que inclua 30% dos oceanos, e pautas para a \u201ccompensa\u00e7\u00e3o de biodiversidade\u201d voltadas ao setor industrial.<\/p>\n<p>A China \u00e9 de longe o maior consumidor de marfim de contrabando, cuja maior parte passa por Hong Kong e Vietn\u00e3. H\u00e1 um ano, esse pa\u00eds e os Estados Unidos anunciaram que imporiam proibi\u00e7\u00e3o sobre seus respectivos com\u00e9rcios internos. Pequim n\u00e3o apresentou um cronograma de execu\u00e7\u00e3o e as autoridades chinesas se mantinham caladas em Honolulu. Hong Kong, por sua vez, anunciou que proibiria o com\u00e9rcio interno at\u00e9 2021.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 inadmiss\u00edvel que se mate esses animais por vaidade e mesquinhez. Para deter o com\u00e9rcio de marfim temos que acabar com o fornecimento e a demanda\u201d, destacou Tony Banbury, respons\u00e1vel da Vulcan Inc., criada pelo multimilion\u00e1rio filantropo Paul Allen, que financiou o Grande Censo de Elefantes.O estudo, uma pesquisa a\u00e9rea que demorou quase tr\u00eas anos e rastreou 350 mil milhas quadradas, mostra que a popula\u00e7\u00e3o de elefantes na savana de 15 pa\u00edses diminuiu 30%, cerca de 144 mil exemplares a menos, entre 2007 e 2014.<\/p>\n<p>O ritmo de diminui\u00e7\u00e3o aumenta e hoje em dia \u00e9 de 8% ao ano, principalmente devido \u00e0 ca\u00e7a ilegal. S\u00e3o mortos aproximadamente 27 mil elefantes a cada ano por causa de suas presas. A redu\u00e7\u00e3o mais acentuada foi registrada na Tanz\u00e2nia e no norte de Mo\u00e7ambique. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/comercio-interno-de-marfim-gera-polemica\/\">Com\u00e9rcio interno de marfim gera pol\u00eamica<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jap&atilde;o e &Aacute;frica do Sul enfureceram todo o congresso para a conserva&ccedil;&atilde;o da natureza, ao se oporem a uma proposta de proibir o com&eacute;rcio interno do marfim de elefante. 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