{"id":2120,"date":"2006-10-08T00:00:00","date_gmt":"2006-10-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2120"},"modified":"2006-10-08T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-08T00:00:00","slug":"brasil-entre-o-comrcio-e-a-geopoltica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/america-latina\/brasil-entre-o-comrcio-e-a-geopoltica\/","title":{"rendered":"Brasil: Entre o com&eacute;rcio e a geopol&iacute;tica"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 08\/10\/2006 &ndash; O Brasil vai sediar nos pr&oacute;ximos dias duas reuni&otilde;es internacionais que refletem suas prioridades diplom&aacute;ticas: articular interesses concretos, especialmente comerciais, em grupos limitados de na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento, em lugar da amplitude do Movimento de pa&iacute;ses N&atilde;o-Alinhados (Noal). <!--more--> O Grupo dos 20 pa&iacute;ses em desenvolvimento que defendem um com&eacute;rcio agr&iacute;cola menos distorcido pelos subs&iacute;dios dos ricos, se reuniu s&aacute;bado e domingo no Rio de Janeiro. Nesta quarta-feira, Bras&iacute;lia ser&aacute; sede da primeira C&uacute;pula do F&oacute;rum de Di&aacute;logo &Iacute;ndia-Brasil e &Aacute;frica do Sul (IBSA).<\/p>\n<p>A atual pol&iacute;tica externa brasileira &eacute; acusada de \u201cterceiromundista\u201d, mas mant&eacute;m o pa&iacute;s somente como membro observador no Noal, um movimento de cunho mais pol&iacute;tico que re&uacute;ne 116 pa&iacute;ses em desenvolvimento e que realiza sua XIV reuni&atilde;o esta semana em Havana. Por outro lado, o Brasil encabe&ccedil;a sua mobiliza&ccedil;&atilde;o em realiza&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao G-20 com o objetivo de acelerar o rein&iacute;cio das negocia&ccedil;&otilde;es da Rodada de Doha da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio, suspensas em julho diante da negativa dos Estados Unidos de reduzir seus subs&iacute;dios agr&iacute;colas dom&eacute;sticos ao n&iacute;vel requerido pelos pa&iacute;ses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>A iniciativa de uma \u201creuni&atilde;o de alto n&iacute;vel\u201d do grupo ganhou dimens&otilde;es imprevistas e de representatividade mundial, porque decidiram participar representantes de pa&iacute;ses ricos que s&atilde;o chave para as negocia&ccedil;&otilde;es, coordenadores de outros grupos do mundo em desenvolvimento e o diretor-geral da OMC, o franc&ecirc;s Pascal Lamy. Confirmaram presen&ccedil;as tanto a representante comercial dos Estados Unidos, Susan Schwab, quanto o comiss&aacute;rio de Com&eacute;rcio da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, Peter Mandelson, e o ministro da Agricultura, Floresta e Pesca do Jap&atilde;o, Shoichi Nakagawa.<\/p>\n<p>O di&aacute;logo envolver&aacute; coordenadores de diferentes grupos de pa&iacute;ses pobres com interesses espec&iacute;ficos, como os de menor desenvolvimento relativo, as ex-col&ocirc;nias europ&eacute;ias da &Aacute;frica, do Caribe e Pac&iacute;fico, os africanos exportadores de algod&atilde;o, muito prejudicados pelos subs&iacute;dios norte-americanos, e o Grupo dos 33. Os membros do G-33, que j&aacute; s&atilde;o 42, coincidem com o G-20 na luta contra os subs&iacute;dios e o protecionismo do Norte industrial no setor agr&iacute;cola, mas tamb&eacute;m defendem mecanismos de prote&ccedil;&atilde;o a produtos especiais de suas pequenas agriculturas familiares voltadas ao consumo interno.<\/p>\n<p>Esse protecionismo de pa&iacute;ses de grande popula&ccedil;&atilde;o, especialmente da &Iacute;ndia, serve de argumento &agrave; posi&ccedil;&atilde;o de Washington e contraria interesses de grandes exportadores com Brasil e Argentina, que ganhariam com uma ampla liberaliza&ccedil;&atilde;o comercial do setor, avaliou Andr&eacute; Nassar, gerente do Instituto de Estudos do Com&eacute;rcio e Negocia&ccedil;&otilde;es Internacionais. Essas diferen&ccedil;as amea&ccedil;am a unidade do G-20, considerando que muitos de seus membros, como China, &Iacute;ndia, Indon&eacute;sia e Nig&eacute;ria, tamb&eacute;m integram o G-33.<\/p>\n<p>Apesar da presen&ccedil;a de negociadores decisivos, com Schwab e Mandelson, e de aproximadamente 20 ministros, a reuni&atilde;o do final de semana n&atilde;o deveria decidir nada, sendo somente um dialogo no qual todos manifestariam seu descontentamento pela suspens&atilde;o da Rodada de Doha, previa o diretor do Departamento Econ&ocirc;mico da chancelaria brasileira, Roberto Azevedo. Sem que Washington ofere&ccedil;a uma redu&ccedil;&atilde;o maior de seus subs&iacute;dios, a Rodada de Doha continuar&aacute; paralisada, ela que foi lan&ccedil;ada no final de 2001 na capital do Qatar, disse Mandelson. <\/p>\n<p>O com&eacute;rcio tamb&eacute;m ser&aacute; central da c&uacute;pula IBSA, mas este grupo de grandes pa&iacute;ses de tr&ecirc;s continentes inclui outros prop&oacute;sitos e raz&otilde;es para sua alian&ccedil;a. Copmo l&iacute;deres naturais de suas regi&otilde;es, Brasil, &Iacute;ndia e &Aacute;frica do Sul s&atilde;o candidatos a uma vaga permanente em caso de amplia&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, chega nesta ter&ccedil;a-feira em visita oficial ao Brasil, antes da c&uacute;pula. Empres&aacute;rios da &Iacute;ndia e da &Aacute;frica do Sul se encontrar&atilde;o com empres&aacute;rios brasileiros nesta ter&ccedil;a-feira e quarta-feira em Bras&iacute;lia. As empresas indianas est&atilde;o ampliando agressivamente seus investimentos na Am&eacute;rica Latina. A c&uacute;pula IBSA anunciar&aacute; estudos destinados a um acordo de livre com&eacute;rcio entre o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela) com &Iacute;ndia e a Uni&atilde;o Aduaneira da &Aacute;frica Austral, liderada pela &Aacute;frica do Sul.<\/p>\n<p>No momento h&aacute; um acordo limitado de prefer&ecirc;ncias alfandeg&aacute;rias assinado entre o Mercosul e a &Iacute;ndia em 2005, mas, ainda pendente de ratifica&ccedil;&atilde;o parlamentar no Brasil e na Argentina. A intensifica&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio Brasil-&Iacute;ndia, que se multiplicou por cinco desde 1997, que chegou a US$ 2,339 bilh&otilde;es no ano passado, reproduz o desequil&iacute;brio do interc&acirc;mbio com a China, na qual \u201cexportamos produtos agr&iacute;colas e minerais, enquanto importamos bens industriais e de alta tecnologia\u201d, lembrou &agrave; IPS o professor da Universidade Estadual de S&atilde;o Paulo Tullo Vig&eacute;vani. Sem um com&eacute;rcio mais equilibrado e rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas mais amplas, que compreendam tamb&eacute;m investimentos e coopera&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, a integra&ccedil;&atilde;o ser&aacute; d&eacute;bil, advertiu.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o especialista em rela&ccedil;&otilde;es internacionais considerou estrat&eacute;gica uma aproxima&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses \u201cn&atilde;o centrais\u201d mas cujo peso econ&ocirc;mico lhes permite reivindicar um papel mais decisivo no mundo. A maior presen&ccedil;a de alian&ccedil;as e coaliz&otilde;es entre na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento n&atilde;o configura um ressurgimento do \u201cterceiromundismo\u201d, representado nos anos 60 e 70 pelo Noal, mas que alguns pa&iacute;ses, como Brasil, China e &Iacute;ndia, est&atilde;o decididos a fortalecer seus interesses e posi&ccedil;&otilde;es no mundo, \u201csem confronto ideol&oacute;gico\u201d e mantendo boas rela&ccedil;&otilde;es com os Estados Unidos e outras pot&ecirc;ncias, avaliou Vig&eacute;vani. O Noal foi criado em 1961 para reunir pa&iacute;ses em desenvolvimento que n&atilde;o estavam alinhados com os Estados Unidos nem com a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. Terminada a Guerra Fria, o movimento busca redefinir seu papel em um contexto mundial inst&aacute;vel e marcado pela hegemonia norte-americana. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 08\/10\/2006 &ndash; O Brasil vai sediar nos pr&oacute;ximos dias duas reuni&otilde;es internacionais que refletem suas prioridades diplom&aacute;ticas: articular interesses concretos, especialmente comerciais, em grupos limitados de na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento, em lugar da amplitude do Movimento de pa&iacute;ses N&atilde;o-Alinhados (Noal). <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/america-latina\/brasil-entre-o-comrcio-e-a-geopoltica\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,4,11],"tags":[],"class_list":["post-2120","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2120","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2120"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2120\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2120"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2120"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2120"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}