{"id":2121,"date":"2006-10-08T00:00:00","date_gmt":"2006-10-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2121"},"modified":"2006-10-08T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-08T00:00:00","slug":"migraes-fuga-de-crebros-faz-mal-sade-dos-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/migraes-fuga-de-crebros-faz-mal-sade-dos-pobres\/","title":{"rendered":"Migra&ccedil;&otilde;es: Fuga de c&eacute;rebros faz mal &agrave; sa&uacute;de dos pobres"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 08\/10\/2006 &ndash; O continuo fluxo de trabalhadores e profissionais qualificados dos pa&iacute;ses em desenvolvimento para os pa&iacute;ses ricos &eacute; como a \u201cs&iacute;ndrome de Robin Hood ao contr&aacute;rio\u201d, segundo um funcion&aacute;rio da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas: os ricos roubam dos pobres. <!--more--> \u201cA fuga em massa de enfermeiras, parteiras e m&eacute;dicos dos pa&iacute;ses mais pobres para os mais ricos &eacute; um dos desafios mais dif&iacute;ceis apresentados pela migra&ccedil;&atilde;o internacional\u201d, diz o &uacute;ltimo informe anual do Fundo de Popula&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (Unfpa).<\/p>\n<p>Por um lado, segundo a Unfpa, mulheres e homens qualificados cada vez recorrem mais &aacute; imigra&ccedil;&atilde;o como meio de melhorar suas vidas e as de suas fam&iacute;lias. Por outro, seus pa&iacute;ses enfrentam uma crise sanit&aacute;ria \u201csem precedentes no mundo moderno\u201d. Em seu relat&oacute;rio 2006 sobre o \u201cEstado da Popula&ccedil;&atilde;o Mundial\u201d, apresentado na semana passada, esta ag&ecirc;ncia da ONU diz que o efeito da fuga de c&eacute;rebros &eacute; sentido nos j&aacute; fr&aacute;geis sistemas de sa&uacute;de das na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento de maneira mais grave do que em qualquer outro.<\/p>\n<p>\u201cOs sistemas de sa&uacute;de j&aacute; est&atilde;o entrando em colapso em pa&iacute;ses pobres que enfrentam necessidades maci&ccedil;as em cuidados sanit&aacute;rios. A partida de m&eacute;dicos e enfermeiras agrava esta situa&ccedil;&atilde;o\u201d, disse &agrave; IPS Maria Jos&eacute; Alcal&aacute;, principal autora do estudo. Ela destacou que a enfermagem &eacute; uma das poucas ocupa&ccedil;&otilde;es que oferecem &agrave;s mulheres imigrantes um trabalho digno e um sal&aacute;rio decente. A maioria das mulheres costuma conseguir trabalhos pouco qualificados e mau pagos.<\/p>\n<p>\u201cEm seus pa&iacute;ses de origem, as enfermeiras sofrem m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, enquanto as na&ccedil;&otilde;es ricas se convertem em destinos atraentes para elas gra&ccedil;as a sal&aacute;rios maiores\u201d, explicou Alcal&aacute;, que tamb&eacute;m &eacute; pesquisadora do Unfpa. Uma recente pesquisa na &Aacute;frica revelou que as \u201cinten&ccedil;&atilde;o de emigrar &eacute; especialmente alta entre trabalhadores da sa&uacute;de que vem nas regi&otilde;es mais afetadas pelo HIV\/aids.<\/p>\n<p>Sessenta e oito por cento dos entrevistados no Zimb&aacute;bue expressaram o desejo de emigrar. Em Uganda, 28% fizeram a mesma afirma&ccedil;&atilde;o. Segundo a Comiss&atilde;o Global sobre Migra&ccedil;&atilde;o Internacional, o n&uacute;mero de m&eacute;dicos de Malawi que exerce a profiss&atilde;o na cidade inglesa de Manchester &eacute; maior do que n&uacute;mero desses profissionais em seu pr&oacute;prio pa&iacute;s de origem. E somente 50% dos 600 m&eacute;dicos graduados em Z&acirc;mbia desde aindepend&ecirc;ncia em 1964 ainda trabalham no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de, com sede em Genebra, a propor&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima deve ser de cem enfermeiras por cem mil habitantes. Mas, muitos pa&iacute;ses pobres est&atilde;o muito abaixo desse &iacute;ndice. Na Rep&uacute;blica Centro-africana, Lib&eacute;ria e Uganda h&aacute; menos de 10 enfermeiras para cada cem mil pessoas, n&uacute;mero que aumenta para mais de dois mil em cada cem mil em pa&iacute;ses como Finl&acirc;ndia e Noruega. Alcal&aacute; disse que enfrentar a fuga de c&eacute;rebros requer coopera&ccedil;&atilde;o internacional entre na&ccedil;&otilde;es ricas e pobres. Por um lado, deveriam ser criadas medidas para melhorar os sistemas de sa&uacute;de nos pa&iacute;ses pobres, o que inclui melhorar o grau de satisfa&ccedil;&atilde;o e reten&ccedil;&atilde;o do pessoal da &aacute;rea da sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, as na&ccedil;&otilde;es ricas deveriam investir mais na capacita&ccedil;&atilde;o de enfermeiras para que sejam suficientes para atender suas pr&oacute;prias necessidades. Isto tamb&eacute;m implica que os pa&iacute;ses doadores cumpram seu compromisso de investir nos sistemas de cuidados com a sa&uacute;de de pa&iacute;ses pobres, acrescentou. O estudo do Unfpa, que se concentra na situa&ccedil;&atilde;o das mulheres, foi divulgado quarta-feira, com pr&eacute;via de uma reuni&atilde;o da ONU sobre migra&ccedil;&atilde;o internacional prevista para os pr&oacute;ximos dias 14 e 15.<\/p>\n<p>Em 2005, os imigrantes internacionais constitu&iacute;am cerca de 191 milh&otilde;es de pessoas. Deste total, 95 milh&otilde;es eram mulheres. A id&eacute;ia central do relat&oacute;rio &eacute; que os direitos e as preocupa&ccedil;&otilde;es das imigrantes hoje s&atilde;o ignorados pelas autoridades. Lawrence Smith Jr, presidente do Instituto de Popula&ccedil;&atilde;o, com sede em Washington, disse &agrave; IPS que o maci&ccedil;o movimento de pessoas para al&eacute;m-fronteiras, e inclusive al&eacute;m-oceanos, &eacute; um fen&ocirc;meno demogr&aacute;fico de enorme magnitude que tem variadas conseq&uuml;&ecirc;ncias. Embora n&atilde;o pare&ccedil;a haver uma solu&ccedil;&atilde;o uniforme e completa para os problemas associados com os movimentos internacionais de popula&ccedil;&atilde;o, os migrantes mais vulner&aacute;veis s&atilde;o e continuar&atilde;o sendo as mulheres e as crian&ccedil;as.<\/p>\n<p>Segundo Smith, 800 mil pessoas cruzam por ano a fronteira atrav&eacute;s de traficantes de pessoas, 80% delas mulheres e meninas obrigadas a se prostitu&iacute;rem,ou realizar trabalhos dom&eacute;sticos ou, ainda, serem exploradas em f&aacute;bricas. Segundo o relat&oacute;rio da Unfpa, prosseguiu Smith, o tr&aacute;fico humano &eacute; o terceiro com&eacute;rcio il&iacute;cito mais lucrativo, perdendo para o de drogas e contrabando de armas, e gera entre US$ 7 bilh&otilde;es e US$ 12 bilh&otilde;es ao ano. \u201cA gravidade desta situa&ccedil;&atilde;o pede aos gritos uma a&ccedil;&atilde;o internacional forte e decidida para reduzir este horr&iacute;vel com&eacute;rcio de carne humana\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>As restri&ccedil;&otilde;es &agrave; imigra&ccedil;&atilde;o est&atilde;o destinadas a continuar envolvendo inumer&aacute;veis complexidades, desde as remessas de dinheiro feitas por imigrantes aos seus pa&iacute;ses de origem at&eacute; a discrimina&ccedil;&atilde;o e a viol&ecirc;ncia que sofrem. \u201cEntretanto, pode-se, e deve-se, estabelecer e aplicar padr&otilde;es internacionais para garantir os direitos humanos dos imigrantes, particularmente mulheres e crian&ccedil;as\u201d, acrescentou. O documento alega que a \u201cmigra&ccedil;&atilde;o pode ser uma situa&ccedil;&atilde;o de ganhar-ganhar somente se os direitos, a sa&uacute;de e as necessidades das mulheres forem abordados\u201d.<\/p>\n<p>O lado positivo da migra&ccedil;&atilde;o &eacute; que anualmente oito milh&otilde;es de mulheres que trabalham no exterior enviam centenas de milh&otilde;es de d&oacute;lares para manter suas fam&iacute;lias em seus pa&iacute;ses. Este dinheiro, segundo o Unfpa, &eacute; destinado a alimentar e educar crian&ccedil;as, proporcionar cuidados com a sa&uacute;de, construir casas, impulsionar pequenas empresas e, em geral, melhorar a qualidade de vida dos entes queridos que deixaram para tr&aacute;s. Em 2005, as remessas chegaram a US$ 232 bilh&otilde;es. Com US$ 167 bilh&otilde;es dirigidos principalmente &agrave;s na&ccedil;&otilde;es pobres, agora as remessas s&atilde;o consideravelmente maiores do que a ajuda oficial para o desenvolvimento destinada pelos pa&iacute;ses ricos.<\/p>\n<p>As mulheres representaram 62% dos mais de US$ 1 bilh&atilde;o de fundos ao Sri Lanka em 1999. e dos US$ 6 bilh&otilde;es enviados anualmente para as Filipinas no final dos anos 90, cerca de um ter&ccedil;o foram remetidos por mulheres trabalhadoras no exterior. V&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos, incluindo Anistia Internacional e Human Rights Watch, documentam os crescentes maus-tratos contra mulheres e as duras condi&ccedil;&otilde;es trabalhistas que enfrentam, principalmente nos pa&iacute;ses do Oriente M&eacute;dio.<\/p>\n<p>Alcal&aacute; disse &agrave; IPS que muitas mulheres imigrantes ficam &agrave; margem das leis, pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e prote&ccedil;&otilde;es trabalhistas dos pa&iacute;ses onde est&atilde;o radicadas, especialmente as trabalhadoras dom&eacute;sticas. \u201cEm muitos pa&iacute;ses, seus vistos costumam estar vinculados com um empregador. Quando estas profissionais s&atilde;o exploradas, ficam, literalmente, confinadas e escondidas em suas casas\u201d. Normalmente, s&atilde;o proibidas de mudar de empregador, mesmo em casos de abuso, porque assim perdem seus vistos. Esta \u201carmadilha da depend&ecirc;ncia\u201d obriga muitas a suportarem a viol&ecirc;ncia e a explora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Alcal&aacute; assegurou que h&aacute; muitas maneiras de impedir estas viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos e trabalhistas contra as imigrantes, como revisar as pol&iacute;ticas de imigra&ccedil;&atilde;o e concess&atilde;o de visto, garantir que as leis trabalhistas d&ecirc;em a elas as mesmas prote&ccedil;&otilde;es que a qualquer outro trabalhador. Tamb&eacute;m deveria facilitar o acesso das mulheres imigrantes &agrave; informa&ccedil;&atilde;o sobre seus direitos, inclusive, onde denunciar abusos ou ir em busca de assessoria legal. \u201cSeu trabalho merece reconhecimento. Seus direitos, prote&ccedil;&atilde;o\u201d, concluiu Alcal&aacute;. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 08\/10\/2006 &ndash; O continuo fluxo de trabalhadores e profissionais qualificados dos pa&iacute;ses em desenvolvimento para os pa&iacute;ses ricos &eacute; como a \u201cs&iacute;ndrome de Robin Hood ao contr&aacute;rio\u201d, segundo um funcion&aacute;rio da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas: os ricos roubam dos pobres. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/migraes-fuga-de-crebros-faz-mal-sade-dos-pobres\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,6,4,11],"tags":[],"class_list":["post-2121","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2121","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2121"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2121\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2121"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2121"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2121"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}