{"id":21223,"date":"2016-09-20T13:52:41","date_gmt":"2016-09-20T13:52:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=214161"},"modified":"2016-09-20T13:52:41","modified_gmt":"2016-09-20T13:52:41","slug":"paraolimpiadas-historias-e-reivindicacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/09\/ultimas-noticias\/paraolimpiadas-historias-e-reivindicacoes\/","title":{"rendered":"Paraolimp\u00edadas: hist\u00f3rias e reivindica\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_214162\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-214162\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Jogos-Paralimpicos-Rio-2016-futebol.jpg\" alt=\"Dois jogadores de futebol brasileiros disputam a bola com um iraniano durante partida de futebol de cinco,para deficientes visuais, na Paraolimp\u00edada Rio 2016. O Brasil foi medalha de ouro na categoria nas \u00faltimas quatro edi\u00e7\u00f5es dos Jogos.Foto: Danilo Borges\/Brasil2016\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Jogos-Paralimpicos-Rio-2016-futebol.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Jogos-Paralimpicos-Rio-2016-futebol-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Jogos-Paralimpicos-Rio-2016-futebol-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Dois jogadores de futebol brasileiros disputam a bola com um iraniano durante partida de futebol de cinco,para deficientes visuais, na Paraolimp\u00edada Rio 2016. O Brasil foi medalha de ouro na categoria nas \u00faltimas quatro edi\u00e7\u00f5es dos Jogos.Foto: Danilo Borges\/Brasil2016<\/p><\/div>\n<p><strong><em>Por\u00a0Mario Osava, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>A d\u00e9cima edi\u00e7\u00e3o dos Jogos Paraol\u00edmpicos terminou no dia 18, ap\u00f3s 11 dias de competi\u00e7\u00f5es, com a participa\u00e7\u00e3o de 160 pa\u00edses e 4.359 atletas. <\/em><\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 20\/9\/2016 \u2013Cintia Girelli Ribeiro demorou um ano para admitir que n\u00e3o recuperaria o movimento e as for\u00e7as de suas pernas, depois do acidente automobil\u00edstico que provocou fratura na sua medula, em 1987, quando tinha 22 anos. Ela estava com um grupo de jovens voltando de uma festa e todos haviam consumido bebidas alco\u00f3licas, especialmente o motorista. O carro capotou e dois ocupantes ficaram parapl\u00e9gicos.<\/p>\n<p>Rejeitava a cadeira de rodas, na cren\u00e7a de que o dano seria passageiro. Familiares a carregavam ao banheiro e a outras partes da casa, em Porto Alegre. \u201cMas a fisioterapia n\u00e3o deu o resultado esperado\u201d, reconheceu, e se deu conta de suas novas condi\u00e7\u00f5es de vida. O tratamento para conviver com a defici\u00eancia permitiu a Cintia conhecer uma jogadora de basquete em cadeira de rodas, que a convidou para se juntar \u00e0 equipe no Rio de Janeiro. Foi o que fez, mas com reservas.<\/p>\n<p>Em 1992, come\u00e7ou a treinar, dois anos depois foi chamada para a sele\u00e7\u00e3o nacional e em 1996 participou dos Jogos Paraol\u00edmpicos de Atlanta, nos Estados Unidos. \u201cGanhei uma vida nova, com muitos amigos e viagens, reconhecimentos com medalhas\u201d, contou. Eram tempos pioneiros no Brasil: as jogadoras se acomodavam em alojamentos coletivos, com pobre alimenta\u00e7\u00e3o, \u201ccaf\u00e9 da manh\u00e3 de p\u00e3o e caf\u00e9 com leite\u201d, mas Cintia est\u00e1 orgulhosa de ter sido uma das que impulsionaram o esporte de alto rendimento para deficientes no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cHoje os atletas se hospedam em hot\u00e9is, t\u00eam boa alimenta\u00e7\u00e3o e ganham bolsa-atleta para se dedicar aos treinamentos, disp\u00f5em das melhores cadeiras de rodas e equipamentos de tecnologia avan\u00e7ada\u201d, apontou Cintia \u00e0 IPS. Sua hist\u00f3ria tem muito em comum com as de outros atletas com defici\u00eancia. A pr\u00e1tica esportiva come\u00e7a como terapia, \u201ctanto f\u00edsica quanto mental, que cura depress\u00f5es, melhora o quadro geral, e depois apaixona\u201d, para se transformar em uma profiss\u00e3o ou semi profiss\u00e3o, como \u00e9 o caso de Cintia.<\/p>\n<p>A d\u00e9cima edi\u00e7\u00e3o dos Jogos Paraol\u00edmpicos terminou no dia 18, ap\u00f3s 11 dias de competi\u00e7\u00f5es, com a participa\u00e7\u00e3o de 160 pa\u00edses e 4.359 atletas. Em agosto, o Rio de Janeiro j\u00e1 havia recebido a 31\u00aa edi\u00e7\u00e3o das Olimp\u00edadas. Para Cintia, os Jogos Paraol\u00edmpicos contribuem para reduzir preconceitos, mostrando que pessoas com defici\u00eancias podem ser \u201catletas, n\u00e3o super-her\u00f3is e tampouco coitados\u201d. Al\u00e9m disso, ajudam no desenvolvimento de novas tecnologias e solu\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas de acessibilidade, que melhoram a vida de todos.<\/p>\n<p>Entretanto, Claudia Werneck, jornalista dedicada \u00e0 inclus\u00e3o social de pessoas deficientes, teme que essa separa\u00e7\u00e3o paraol\u00edmpica, com \u201ccelebra\u00e7\u00e3o dos mais fr\u00e1geis em um momento especial prejudica a inclus\u00e3o\u201d. Ela disse \u00e0 IPS que \u201cseria mais pedag\u00f3gico o contato entre ol\u00edmpicos e paraol\u00edmpicos, pois a Paraolimp\u00edada acentua a segrega\u00e7\u00e3o e uma mentalidade antiga de celebrar a defici\u00eancia em dias espec\u00edficos\u201d.<\/p>\n<p>Werneck argumentou que \u201cos seres humanos n\u00e3o nasceram separados, mas mesclados, com todas suas diferen\u00e7as, e a inclus\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica de todos os dias. N\u00e3o se imagina brancos e negros separados em torneios esportivos\u201d. A educa\u00e7\u00e3o inclusiva, que junta nas mesmas aulas os estudantes mais diversos, com defici\u00eancias ou n\u00e3o, \u00e9 uma batalha de Werneck que fundou a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Escola de Gente.<\/p>\n<div id=\"attachment_214163\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-214163\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/DanielDias.jpg\" alt=\"Daniel Dias, ap\u00f3s receber uma das quatro medalhas de ouro que ganhou na nata\u00e7\u00e3o, \u00e0s quais se somaram outras cinco de prata e bronze. No total, conquistou 24 medalhas ol\u00edmpicas, sendo 14 de ouro. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/DanielDias.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/DanielDias-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/DanielDias-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Daniel Dias, ap\u00f3s receber uma das quatro medalhas de ouro que ganhou na nata\u00e7\u00e3o, \u00e0s quais se somaram outras cinco de prata e bronze. No total, conquistou 24 medalhas ol\u00edmpicas, sendo 14 de ouro. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/p><\/div>\n<p>Outra de suas campanhas promove o Teatro Acess\u00edvel, cujos espet\u00e1culos contemplam audiodescri\u00e7\u00e3o para os cegos, l\u00edngua de sinais para surdos e outros recursos que permitam a ativa participa\u00e7\u00e3o de todos. Garantir direitos \u00e0s pessoas com defici\u00eancia sempre \u00e9 seu objetivo.<\/p>\n<p>Os Jogos Paraol\u00edmpicos e Ol\u00edmpicos \u201cseparam os dois extremos, os melhores de um lado e os mais prejudicados de outro, sem considerar a multiplicidade de formas, o que \u00e9 negar a inclus\u00e3o\u201d, ressaltou Werneck. A ativista reconhece que a Paraolimp\u00edada Rio 2016 entusiasmou e emocionou o p\u00fablico. Mas \u201cemo\u00e7\u00e3o n\u00e3o leva \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o social\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Seu medo \u00e9 que os jogos segregados estimulem \u201cum retrocesso que \u00e9 fortalecer a ideia de que pessoas com defici\u00eancia t\u00eam direitos especiais, n\u00e3o comuns, e s\u00e3o felizes separados\u201d. \u00c9 dif\u00edcil imaginar como mesclar os dois eventos, embora em algumas modalidades ol\u00edmpicas, como boxe, outras lutas e levantamento de peso, as disputas j\u00e1 ocorram em categorias distintas, em geral definidas por limites de peso, e poderiam ser incorporadas novas classifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Algum dia ser\u00e1 preciso enfrentar, por exemplo, a quest\u00e3o da altura no voleibol e no basquetebol, monopolizados por atletas cada dia mais altos. S\u00e3o modalidades que excluem os mais baixos. A Paraolimp\u00edada compreende classifica\u00e7\u00f5es muito mais complexas e variadas, baseadas em graus de defici\u00eancia \u00e0s quais se seguem controvertidas qualifica\u00e7\u00f5es, que levam a cont\u00ednuos recursos.<\/p>\n<p>Como o de Cintia, que acredita que foi prejudicada por sua classifica\u00e7\u00e3o em 1996 em um n\u00edvel superior \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o real, o que lhe tirou a possibilidade de participar dos Jogos Paraol\u00edmpicos seguintes. A nadadora brasileira Joana Neves, afetada pelo nanismo, de 1,23 metros de altura, ganhou duas medalhas de prata e uma de bronze no Rio, competindo com mulheres muito mais altas, portanto com os bra\u00e7os mais longos, o que pode ser decisivo na nata\u00e7\u00e3o, mas com outras defici\u00eancias, como amputa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas os Jogos Paraol\u00edmpicos j\u00e1 se converteram em um grande neg\u00f3cio consolidado, um espet\u00e1culo para milh\u00f5es de espectadores presentes e milhares de milh\u00f5es telespectadores, e por isso \u00e9 inimagin\u00e1vel que perca sua identidade. T\u00eam aspectos melodram\u00e1ticos muito fortes e diversificados para se converter em um espet\u00e1culo midi\u00e1tico sedutor, somando-se \u00e0 competi\u00e7\u00e3o esportiva. Praticamente todos seus atletas t\u00eam biografias interessantes, mas algumas s\u00e3o comovedoras.<\/p>\n<p>Sebasti\u00e1n Rodr\u00edguez, nadador espanhol, perdeu suas pernas em uma greve de fome de 432 dias, ap\u00f3s ser condenado a 84 anos de pris\u00e3o por atos terroristas. A nata\u00e7\u00e3o foi sua reden\u00e7\u00e3o e lhe permitiu competir em alto n\u00edvel at\u00e9 agora, aos 59 anos. Um dos fot\u00f3grafos mais respeitados da Paraolimp\u00edada do Rio \u00e9 um deficiente visual. Jo\u00e3o Maia perdeu a capacidade de vis\u00e3o aos 28 anos, mas n\u00e3o a sensibilidade de quem foi lan\u00e7ador de peso, dardo e disco. Agora, aos 41 anos, s\u00f3 v\u00ea vultos, o que \u00e9 suficiente para suas impactantes imagens.<\/p>\n<p>Campe\u00f5es de arco e flecha e de nata\u00e7\u00e3o que n\u00e3o t\u00eam bra\u00e7os, um piloto de F\u00f3rmula Um e da Indy que praticamente morreu em um acidente em 2001, ficando sem circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea por 15 minutos, e ressurgiu como ciclista medalha de ouro, uma an\u00e3 que nada mais r\u00e1pido do que mulheres de altura normal, s\u00e3o algumas hist\u00f3rias especiais.<\/p>\n<p>Paralelamente a tudo isso h\u00e1 uma realidade de milh\u00f5es\u00a0 de pessoas sem acesso a locais p\u00fablicos, sem trabalho e sem escolas, devido \u00e0s suas defici\u00eancias. No Brasil fala-se de 45 milh\u00f5es de pessoas \u201cdeficientes\u201d. No mundo, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) estima que quase 10% da popula\u00e7\u00e3o global tem diferentes defici\u00eancias. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/paraolimpiadas-historias-e-reivindicacoes\/\">Paraolimp\u00edadas: hist\u00f3rias e reivindica\u00e7\u00f5es<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Mario Osava, da IPS &ndash;&nbsp; A d&eacute;cima edi&ccedil;&atilde;o dos Jogos Paraol&iacute;mpicos terminou no dia 18, ap&oacute;s 11 dias de competi&ccedil;&otilde;es, com a participa&ccedil;&atilde;o de 160 pa&iacute;ses e 4.359 atletas. 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