{"id":21282,"date":"2016-10-06T13:27:23","date_gmt":"2016-10-06T13:27:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=214822"},"modified":"2016-10-06T13:27:23","modified_gmt":"2016-10-06T13:27:23","slug":"energia-das-ondas-nas-ilhas-do-pacifico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/10\/ultimas-noticias\/energia-das-ondas-nas-ilhas-do-pacifico\/","title":{"rendered":"Energia das ondas nas ilhas do Pac\u00edfico"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_214823\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-214823\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Pacific-Islands-567x472-567x472.jpg\" alt=\"A equipe de pesquisa da energia marinha, que inclui Rafiuddin Ahmed, da Universidade do Pac\u00edfico Sul em Fiji, utiliza boias para investigar a atividade das ondas e seu potencial energ\u00e9tico na regi\u00e3o. Foto: Rafiuddin Ahmed\" width=\"340\" height=\"283\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Pacific-Islands-567x472-567x472.jpg 567w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Pacific-Islands-567x472-567x472-300x250.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A equipe de pesquisa da energia marinha, que inclui Rafiuddin Ahmed, da Universidade do Pac\u00edfico Sul em Fiji, utiliza boias para investigar a atividade das ondas e seu potencial energ\u00e9tico na regi\u00e3o. Foto: Rafiuddin Ahmed<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Catherine Wilson, da IPS &#8211;<\/em><\/p>\n<p>Canberra, Austr\u00e1lia, 6\/10\/2016 \u2013 As ondas s\u00e3o onipresentes nos mais de 20 Estados insulares espalhados por 165 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados no Oceano Pac\u00edfico. Mas, somente esse ano, ap\u00f3s um estudo pioneiro realizado por ocean\u00f3grafos, se come\u00e7ou a consider\u00e1-las como uma fonte economicamente vi\u00e1vel de energia renov\u00e1vel na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O informe sobre os custos da energia das ondas, publicado pela Comunidade do Pac\u00edfico (SPC) \u2013 principal organiza\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e t\u00e9cnica da regi\u00e3o \u2013 \u00e9 importante porque, pela primeira vez, s\u00e3o analisados os custos da compra, instala\u00e7\u00e3o, opera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de dispositivos desse tipo de energia na \u00e1rea. O estudo conclui que \u201cos custos de gera\u00e7\u00e3o de energia a partir das ondas se equiparam aos de outras energias renov\u00e1veis, como e\u00f3lica e solar\u201d.<\/p>\n<p>Rafiuddin Ahmed, do Grupo de Energia Renov\u00e1vel da Universidade do Pac\u00edfico Sul (USP), com sede em Fiji, concorda que o oceano \u00e9 uma alternativa energ\u00e9tica importante, j\u00e1 que o \u201ccusto da gera\u00e7\u00e3o de eletricidade nos pa\u00edses insulares do Pac\u00edfico atualmente \u00e9 muito alto, considerando que a maioria \u00e9 dependente dos combust\u00edveis f\u00f3sseis importados\u201d.<\/p>\n<p>Nas Ilhas Cook e em Tonga, por exemplo, o petr\u00f3leo importado representa cerca de 90% e 75% do fornecimento nacional de energia, respectivamente, enquanto as importa\u00e7\u00f5es de combust\u00edveis f\u00f3sseis equivalem a 10% do produto interno bruto da regi\u00e3o.Entretanto, hoje apenas 20% dos mais de dez milh\u00f5es de pessoas da regi\u00e3o t\u00eam acesso a eletricidade.<\/p>\n<p>A falta de acesso aos servi\u00e7os b\u00e1sicos \u00e9 uma constante na maioria dos 14 pa\u00edses do F\u00f3rum das Ilhas do Pac\u00edfico, que n\u00e3o alcan\u00e7aram o Objetivo de Desenvolvimento do Mil\u00eanio n\u00famero 1, sobre erradicar a pobreza at\u00e9 2015. Segundo os especialistas, a confiabilidade da energia extra\u00edda do oceano (a maremotriz, gerada pelas mar\u00e9s, e a ondomotriz, gerada exclusivamente pelas ondas) faz com que seja uma boa op\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cA energia das ondas est\u00e1 dispon\u00edvel 90% do tempo em um determinado local, em compara\u00e7\u00e3o com as energias solar e e\u00f3lica, que est\u00e3o dispon\u00edveis entre 20% e 30% do tempo. O fluxo de energia das ondas \u00e9 at\u00e9 cinco vezes superior em compara\u00e7\u00e3o com o vento que gera as ondas, o que faz a energia destas ser mais persistente do que a e\u00f3lica\u201d, afirmou Ahmed \u00e0 IPS.As ondas se formam quando o vento, na medida em que atravessa o oceano, transfere energia para a \u00e1gua.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, as condi\u00e7\u00f5es do mar variam ao longo do Pac\u00edfico e os locais \u00f3timos para obter energia das ondas, segundo o informe, ficam ao sul dos 20 graus de latitude sul. Especificamente, Polin\u00e9sia Francesa, Tonga, Ilhas Cook e Nova Caled\u00f4nia se beneficiam da exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s ondas desse oceano. O estudo da SPC analisou os custos que implica o uso de um conversor Pelami de energia das ondas, que normalmente \u00e9 instalado a entre dois e dez quil\u00f4metros da costa e pode atender a demanda anual de eletricidade de aproximadamente 500 moradias.<\/p>\n<p>O custo da gera\u00e7\u00e3o desse tipo de energia \u00e9 calculado entre US$ 209 e US$ 467 por megawatt\/hora (MWh) na ilha de Eua, Tonga, e entre US$ 282 e US$ 629 por MWh no sul de Rarotonga, Ilhas Cook. Em compara\u00e7\u00e3o, o custo de gera\u00e7\u00e3o da energia solar e diesel pode chegar a US$ 700 por MWh e US$ 500 por MWh nos dois lugares, respectivamente.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 grande quantidade de ilh\u00e9us que vivem ao longo da costa e \u00e0 necessidade de gera\u00e7\u00e3o de energia independente nas comunidades rurais, onde o d\u00e9ficit energ\u00e9tico \u00e9 maior, \u201ca energia das ondas \u00e9, sem d\u00favida, um dos candidatos fortes para o abastecimento das ilhas remotas\u201d, destacou Ahmed. Em Nova Caled\u00f4nia e Fiji somente 45,5% da popula\u00e7\u00e3o rural tem energia el\u00e9trica, propor\u00e7\u00e3o que cai para 17,8% em Vanuatu e 12,6% nas Ilhas Salom\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, o professor adjunto Anirudh Singh, da Faculdade de Engenharia e F\u00edsica da USP, que tamb\u00e9m participa do Projeto Rede de Transfer\u00eancia de Conhecimento e Tecnologia sobre Energia Renov\u00e1vel nas Pequenas Ilhas em Desenvolvimento (Direkt), recomenda cautela sobre as conclus\u00f5es do informe.<\/p>\n<p>\u201cA densidade da energia dispon\u00edvel nas ondas \u00e9, em geral, bastante baixa no Pac\u00edfico, em compara\u00e7\u00e3o, por exemplo, com os pa\u00edses do hemisf\u00e9rio norte. E, em segundo lugar, a tecnologia ainda n\u00e3o est\u00e1 devidamente provada no mercado\u201d, pontuou Singh. Esse tipo de energia ser\u00e1 adequado para as comunidades costeiras rurais, \u201cuma vez a tecnologia do dispositivo \u00fanico de energia das ondas esteja aperfei\u00e7oado, mas isso levar\u00e1 algum tempo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O trabalho sobre a tecnologia da energia marinha come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1970, mas a maioria dos dispositivos ainda n\u00e3o conseguiu sua aplica\u00e7\u00e3o comercial, embora os prot\u00f3tipos estejam sendo testados em todo o mundo. O Pelamis, que pode produzir energia el\u00e9trica conectada \u00e0 rede, \u00e9 um dos dois dispositivos que est\u00e3o prontos para comercializa\u00e7\u00e3o, segundo o informe.<\/p>\n<p>O equipamento de pesquisa da energia do oceano da USP tamb\u00e9m desenvolve conceitos novos, que inclui uma coluna retangular de \u00e1gua oscilante (OWC), que canaliza o fluxo bidirecional das ondas para as p\u00e1s da turbina de vento Savonius. \u201cUm dispositivo OWC pode ser constru\u00eddo localmente com materiais locais, menos a turbina. Seus custos de opera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o baixos e tem uma vida muito longa. Sem d\u00favida poder\u00e1 competir com outras fontes de energia renov\u00e1veis em lugares de bom potencial\u201d, afirmou Ahmed.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 preciso superar numerosos obst\u00e1culos antes que o potencial energ\u00e9tico do oceano se transforme em realidade, inclu\u00edda a falta de experi\u00eancia t\u00e9cnica local nas energias renov\u00e1veis e conseguir o investimento do setor privado para a comercializa\u00e7\u00e3o da tecnologia. Gerar confian\u00e7a nos investidores, segundo o Banco Mundial, tamb\u00e9m exige clareza por parte dos governos da regi\u00e3o sobre as op\u00e7\u00f5es de investimento, os planos de incentivos e os marcos pol\u00edticos, legais e regulamentares associados. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/energia-das-ondas-nas-ilhas-do-pacifico\/\">Energia das ondas nas ilhas do Pac\u00edfico<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Catherine Wilson, da IPS &ndash; Canberra, Austr&aacute;lia, 6\/10\/2016 &ndash; As ondas s&atilde;o onipresentes nos mais de 20 Estados insulares espalhados por 165 milh&otilde;es de quil&ocirc;metros quadrados no Oceano Pac&iacute;fico. Mas, somente esse ano, ap&oacute;s um estudo pioneiro realizado por ocean&oacute;grafos, se come&ccedil;ou a consider&aacute;-las como uma fonte economicamente vi&aacute;vel de energia renov&aacute;vel na regi&atilde;o. 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