{"id":21284,"date":"2016-10-10T13:15:53","date_gmt":"2016-10-10T13:15:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=214886"},"modified":"2016-10-10T13:15:53","modified_gmt":"2016-10-10T13:15:53","slug":"vozes-eritreias-pedem-mais-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/10\/ultimas-noticias\/vozes-eritreias-pedem-mais-liberdade\/","title":{"rendered":"Vozes eritreias pedem mais liberdade"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_214887\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-214887\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/jornalista-4.jpg\" alt=\"O jornalista eritreu folheia a revista que edita, Tsilal, que trata sobre os riscos da emigra\u00e7\u00e3o e a dif\u00edcil realidade de viver na Europa. Foto: James Jefrrey\/IPS \" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/jornalista-4.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/jornalista-4-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/jornalista-4-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">O jornalista eritreu folheia a revista que edita, Tsilal, que trata sobre os riscos da emigra\u00e7\u00e3o e a dif\u00edcil realidade de viver na Europa. Foto: James Jefrrey\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0James Jeffrey, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Adis Abeba, Eti\u00f3pia, 10\/10\/2016 \u2013 O jornalista eritreu Estifo por sete anos economizou para pagar uma pessoa que o levasse, junto com sua fam\u00edlia, da capital da Eritreia at\u00e9 a fronteira da Eti\u00f3pia. Uma vez do outro lado, solicitou asilo \u00e0s autoridades do pa\u00eds. Agora \u00e9 um dos milhares de cidad\u00e3os eritreus que vivem em Adis Abeba, capital et\u00edope, onde edita uma revista que busca dissuadir seus compatriotas na cidade e em acampamentos de refugiados dispersos por esse pa\u00eds de se arriscarem na perigosa travessia para chegar ao norte da L\u00edbia e cruzar o Mar Mediterr\u00e2neo para a Europa.<\/p>\n<p>\u201cA revista trata dos riscos da emigra\u00e7\u00e3o e da dif\u00edcil realidade de estar na Europa\u201d, explicouEstifo. \u201cAl\u00e9m disso, uma vez ali, n\u00e3o se pode regressar, as coisas mudam muito. Por outro lado, h\u00e1 muito mais coisas em comum com Adis Abeba e \u00e9 mais f\u00e1cil regressar \u00e0 Eritreia\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Desde que o agora falecido primeiro-ministro da Eti\u00f3pia, Meles Zenawi (1955-2012), implantou uma pol\u00edtica de portas abertas para os refugiados, o n\u00famero de pessoas nessa situa\u00e7\u00e3o chegou a 700 mil, a maior quantidade na \u00c1frica.A pol\u00edtica tamb\u00e9m se estendeu aos refugiados procedentes da Eritreia, pa\u00eds que a Eti\u00f3pia considera seu arqui-inimigo desde a catastr\u00f3fica guerra entre ambos, que durou dois anos e terminou em 2000, sem resolver nada e deixando apenas maior ressentimento m\u00fatuo.<\/p>\n<p>N\u00e3o surpreende que entre os que emigram para a fronteira sul haja um grande n\u00famero de jornalistas, pois a Eritreia figura na lista dos dez pa\u00edses com maiores restri\u00e7\u00f5es \u00e0 imprensa, compilada pelo Comit\u00ea de Prote\u00e7\u00e3o dos Jornalistas (CPJ) em 2015, sendo o que mais aplica a censura no mundo e o que mais prende profissionais da imprensa na \u00c1frica. As limita\u00e7\u00f5es da imprensa na Eritreia come\u00e7aram em 2001, quando, ao que parece, o mundo estava distra\u00eddo com os atentados contra Nova York e Washington em 11 de setembro daquele ano.<\/p>\n<p>Naquele m\u00eas \u201cforam fechados canais de not\u00edcias privados e a maioria dos meus colegas foi presa\u201d, recordou Estifo, que se salvou por ser jornalista esportivo, trabalho recomendado por um amigo para evitar chamar muito a aten\u00e7\u00e3o. Mesmo temendo por sua seguran\u00e7a, Estifo decidiu unir-se aos meios militares que operavam em Sawa, uma base no deserto, onde as For\u00e7as de Defesa da Eritreia recrutam seus soldados e onde os novatos recebem treinamento b\u00e1sico.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es de vida eram m\u00e1s e s\u00f3 pagavam 600 nafkas (US$ 38) por m\u00eas, e n\u00e3o dava para muito depois de pagar 500 nafkas pelo aluguel. Quando considerou que era seguro, come\u00e7ou a se aventurar no exterior e vender sapatos com ajuda de sua mulher, para economizar e fugir. \u201cN\u00e3o vendemos nenhum de nossos pertences antes de partir para n\u00e3o levantar suspeitas. Chegamos \u00e0 fronteira \u00e0s duas horas madrugada, mas esperamos at\u00e9 amanhecer para cruz\u00e1-la, porque uma patrulha poderia atirar em n\u00f3s\u201d, contou Estifo.<\/p>\n<p>Beyene, outro jornalista refugiado, trabalha com Estifo na revista e recordou a deten\u00e7\u00e3o de 40 rep\u00f3rteres em 2009, acusados de vazarem informa\u00e7\u00e3o sobre a Eritreia para a imprensa estrangeira.\u201cN\u00e3o tinha direitos como jornalista e era perigoso at\u00e9 trabalhar para a televis\u00e3o estatal. Se fizesse algo que n\u00e3o gostassem, chamavam a pol\u00edcia\u201d, afirmou Beyene. As deten\u00e7\u00f5es ocorriam at\u00e9 mesmo quando os profissionais descansavam na sala de ch\u00e1.<\/p>\n<p>Por medo de propaga\u00e7\u00e3o do movimento de protesto conhecido como Primavera \u00c1rabe, as autoridades da Eritreia planejaram, em 2011, oferecer servi\u00e7os de internet aos seus cidad\u00e3os, mas \u00e9 uma lenta conex\u00e3o telef\u00f4nica, e menos de 1% da popula\u00e7\u00e3o se conecta, segundo a Uni\u00e3o Internacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Al\u00e9m disso, a Eritreia tem o menor n\u00famero de usu\u00e1rios de telefone celular, apenas 5,6% dos pouco mais de 4,6 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>\u201cOs jovens n\u00e3o t\u00eam oportunidades para fazer suas coisas, n\u00e3o podem fazer nada por sua fam\u00edlia, tudo empurra para deixar o pa\u00eds\u201d, disse Yonathon, de 31 anos, que emigrou em 2011 e passou um ano em um acampamento de refugiados antes de se mudar para Adis Abeba. \u201cNingu\u00e9m pode defender a justi\u00e7a ali, antes de come\u00e7ar voc\u00ea \u00e9 detido\u201d, lamentou. O governo autorit\u00e1rio da Eritreia emprega uma vasta rede de espi\u00f5es, \u201cmas \u00e9 uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia, para alimentar suas fam\u00edlias, a situa\u00e7\u00e3o os obriga a espiar\u201d, justificou, sem aprovar a atitude.<\/p>\n<div id=\"attachment_214888\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-214888\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/jornalistas-4.jpg\" alt=\"Os jornalistas eritreus Estifo e Beyene discutem o conte\u00fado de sua revista Tsila, palavra em idioma tigr\u00ednio que significa guarda-chuva. Foto James Jeffrey\/IPS \" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/jornalistas-4.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/jornalistas-4-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/jornalistas-4-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Os jornalistas eritreus Estifo e Beyene discutem o conte\u00fado de sua revista Tsila, palavra em idioma tigr\u00ednio que significa guarda-chuva. Foto James Jeffrey\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Yonathon e seu amigo Teklu, de 29 anos, t\u00eam amigos eritreus que tentaram cruzar o Mediterr\u00e2neo a partir da L\u00edbia. Felizmente, nenhum de seus conhecidos morreu em travessias, ao contr\u00e1rio dos milhares de pessoas que deixaram suas vidas no mar. No entanto, uma sobrinha de Yonathon, de 20 anos, morreu na L\u00edbia enquanto esperava para cruzar o mar, mas n\u00e3o se sabe a causa, e Teklu tem familiares sequestrados durante sua travessia por terra para o norte, mas libertados ap\u00f3s pagamento de um resgate.<\/p>\n<p>\u201cNaturalmente que pensei sobre isso\u201d, reconheceu Yonathon sobre a possibilidade de emigrar para a Europa. \u201cH\u00e1 quatro anos estou aqui, e qual ser\u00e1 meu futuro se permanecer?\u201d, perguntou.As frustra\u00e7\u00f5es dos refugiados concentram a aten\u00e7\u00e3o da revista de Estifo, chamada <em>Tsila<\/em>, termo em idioma tigr\u00ednio para guarda-chuva, em alus\u00e3o ao fato de os refugiados estarem sob o guarda-chuva protetor de outro pa\u00eds, pontuou o jornalista.<\/p>\n<p>A revista \u00e9 editada gra\u00e7as a fundos fornecidos pelo Conselho Noruegu\u00eas para Refugiados e publicada de forma bimestral com tiragem de tr\u00eas mil exemplares, dos quais 600 s\u00e3o distribu\u00eddos em acampamentos de refugiados. Cada um dos sete jornalistas recebe um sal\u00e1rio de US$ 31 por m\u00eas.\u201cN\u00e3o \u00e9 muito dinheiro, mas temos que fazer isso, do contr\u00e1rio n\u00e3o nos ouvir\u00e3o\u201d, opinou Estifo ao explicar que o importante \u00e9 mostrar que viver na Europa est\u00e1 longe da vers\u00e3o glamorosa que os jovens eritreus veem nas redes sociais.<\/p>\n<p>A revista tamb\u00e9m publica mat\u00e9rias sobre artistas eritreus e atividades empresariais, e evita assuntos delicados de \u00edndole pol\u00edtica ou religiosa para n\u00e3o ficar em uma posi\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda, nem deixar a organiza\u00e7\u00e3o norueguesa nessa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Eti\u00f3pia tem seus pr\u00f3prios problemas em mat\u00e9ria de liberdade de imprensa. O mesmo estudo do CPJ coloca este pa\u00eds em quarto lugar. \u201cS\u00f3 escrevemos sobre temas que n\u00e3o s\u00e3o controversos, mas queremos nos dedicar a assuntos que consideramos mais importantes\u201d, reconheceu Estifo. \u201cPor\u00e9m, somos limitados pela disponibilidade de fundos. Se conseguirmos outros, poderemos escrever de forma independente sobre outros assuntos\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Outro problema \u00e9 que n\u00e3o t\u00eam recursos suficientes para ir at\u00e9 os acampamentos entrevistar os residentes eritreus. Os tr\u00eas maiores campos, May Aini, Adi Harush e Hitsats, ficam na regi\u00e3o Tigray, no noroeste da Eti\u00f3pia, perto da fronteira com a Eritreia e o Sud\u00e3o e a centenas de quil\u00f4metros de Adis Abeba.Al\u00e9m disso, a revista n\u00e3o tem sede f\u00edsica, seus editores trabalham em seus notebooks em caf\u00e9s com nomes italianos, pois a Eritreia foi col\u00f4nia da It\u00e1lia, mas com propriet\u00e1rios eritreus.<\/p>\n<p>Estifo sonha com algum dia colocar no ar uma r\u00e1dio que seja ouvida em seu pa\u00eds. \u201cSair da Eritreia \u00e9 uma forma de protestar contra o governo, mas em lugares como a Eti\u00f3pia, onde os eritreus devem se perguntar o que podem fazer para contribuir para a liberdade com seus pr\u00f3prios recursos\u201d, destacou Estifo. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*Na mat\u00e9ria foram usados apenas os primeiros nomes dos entrevistados por motivo de seguran\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/vozes-eritreias-pedem-mais-liberdade\/\">Vozes eritreias pedem mais liberdade<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;James Jeffrey, da IPS &ndash;&nbsp; Adis Abeba, Eti&oacute;pia, 10\/10\/2016 &ndash; O jornalista eritreu Estifo por sete anos economizou para pagar uma pessoa que o levasse, junto com sua fam&iacute;lia, da capital da Eritreia at&eacute; a fronteira da Eti&oacute;pia. Uma vez do outro lado, solicitou asilo &agrave;s autoridades do pa&iacute;s. 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