{"id":21293,"date":"2016-10-13T13:27:31","date_gmt":"2016-10-13T13:27:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=214955"},"modified":"2016-10-13T13:27:31","modified_gmt":"2016-10-13T13:27:31","slug":"palestino-refugiado-em-territorio-ocupado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/10\/ultimas-noticias\/palestino-refugiado-em-territorio-ocupado\/","title":{"rendered":"Palestino refugiado em territ\u00f3rio ocupado"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_214956\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-214956\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/palestina-629x472.jpg\" alt=\"No territ\u00f3rio palestino da Cisjord\u00e2nia, um \u201cmuro de seguran\u00e7a\u201d de oito metros de altura cerca parte do acampamento de refugiados palestinos Aida, 1,5 quil\u00f4metro ao norte de Bel\u00e9m. Foto: Fab\u00edola Ortiz.\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/palestina-629x472.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/palestina-629x472-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">No territ\u00f3rio palestino da Cisjord\u00e2nia, um \u201cmuro de seguran\u00e7a\u201d de oito metros de altura cerca parte do acampamento de refugiados palestinos Aida, 1,5 quil\u00f4metro ao norte de Bel\u00e9m. Foto: Fab\u00edola Ortiz.<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Fab\u00edola Ortiz, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Acampamento Aida, Palestina, 13\/10\/2016 \u2013 Depois de quase cinco d\u00e9cadas de ocupa\u00e7\u00e3o israelense, o n\u00famero de refugiados nos territ\u00f3rios palestinos aumenta a cada gera\u00e7\u00e3o, o que satura os servi\u00e7os b\u00e1sicos dos 19 acampamentos administrados pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) na Cisjord\u00e2nia, onde vivem cerca de 200 mil pessoas.<\/p>\n<p>\u201cA cada ano, o acampamento est\u00e1 mais cheio e a vida se torna mais dif\u00edcil. N\u00e3o temos privacidade nem conforto, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil\u201d, contou \u00e0 IPS Mohammad Alazza, de 26 anos. Esse jovem nasceu e viveu nesse acampamento, que fica 1,5 quil\u00f4metro ao norte de Bel\u00e9m e \u00e9 rodeado por um muro de 721 quil\u00f4metros de comprimento, que separa Israel da Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p>As fam\u00edlias sofrem com um fornecimento irregular de \u00e1gua e cortes frequentes de energia. Quase todas as casas est\u00e3o ligadas \u00e0s redes de \u00e1gua, eletricidade e saneamento, mas s\u00e3o velhas e est\u00e3o em mau estado, segundo a pr\u00f3pria ONU. Gra\u00e7as a um acordo, a Autoridade de \u00c1gua da Palestina agora fornece o l\u00edquido durante dois dias a cada duas semanas. Em 2017,completam-se 50 anos da ocupa\u00e7\u00e3o israelense, iniciada em 1967, e cem anos da Declara\u00e7\u00e3o Balfour, que assentou as bases para a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel.<\/p>\n<p>Fundado em 1950, os primeiros habitantes do acampamento Aida vieram de 17 aldeias destru\u00eddas de Jerusal\u00e9m ocidental e do ocidente da localidade de Hebr\u00f3n, na Cisjord\u00e2nia, cujo \u00eaxodo se iniciou durante a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel em 1948, um fato que os palestinos conhecem como \u201cnakba\u201d (cat\u00e1strofe, em \u00e1rabe).<\/p>\n<p>\u201cAs fam\u00edlias que na ocasi\u00e3o foram expulsas de suas aldeias esperavam regressar algum dia \u00e0s suas casas; s\u00f3 as fecharam e levaram as chaves pensando que a guerra terminaria em poucas semanas. Ainda esperamos por esse dia\u201d, contou Alazza, cujos av\u00f3s chegaram procedentes de Beit Jibrin.<\/p>\n<p>Na entrada desse acampamento ainda h\u00e1 um port\u00e3o com uma grande chave em cima, s\u00edmbolo do que as fam\u00edlias de Aida reclamam: o direito de retorno. \u201cAinda guardam as chaves de suas casas. As pessoas acreditam que algum dia voltar\u00e3o. Vivemos com a esperan\u00e7a e acreditamos que a ocupa\u00e7\u00e3o terminar\u00e1\u201d, testemunhou Alazza.<\/p>\n<p>Atualmente, h\u00e1 5.500 pessoas em Aida registradas pela Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados da Palestina (Unrwa), entre as quais tr\u00eas mil crian\u00e7as. Mas o acampamento tem grandes car\u00eancias devido \u00e0 lota\u00e7\u00e3o: falta de espa\u00e7o, m\u00e1 infraestrutura, elevado desemprego, inseguran\u00e7a alimentar e problemas de seguran\u00e7a devido \u00e0s incurs\u00f5es regulares do ex\u00e9rcito israelense.<\/p>\n<p>A economia palestina est\u00e1 paralisada devido \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o por Israel, explicou o diretor das opera\u00e7\u00f5es da Unrwa na Cisjord\u00e2nia, Scott Anderson. N\u00e3o s\u00e3o plenamente respeitados os direitos humanos da popula\u00e7\u00e3o palestina e os assentamentos israelenses continuam exacerbando as tens\u00f5es entre os dois povos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 dif\u00edcil ser um palestino refugiado. Tudo \u00e9 pior nos acampamentos, o desemprego, a moradia, o acesso a \u00e1gua e eletricidade. Apesar de sua resili\u00eancia, vivem uma dif\u00edcil realidade\u201d, apontou Anderson \u00e0 IPS. O acampamento Aida fica entre os munic\u00edpios de Bel\u00e9m, Beit Jala e Jerusal\u00e9m, e pr\u00f3ximo de dois grandes assentamentos israelenses, Hjar Homa e Gilo, considerados ilegais pela comunidade e pelo direito internacionais.<\/p>\n<p>\u201cGilo est\u00e1 a menos de dois quil\u00f4metros e tem \u00e1gua pot\u00e1vel 24 horas por dia, jardins e escolas. Vivemos ao lado e n\u00e3o temos nada disso. Nunca aceitaremos tal situa\u00e7\u00e3o. Meu povoado est\u00e1 a 40 minutos e n\u00e3o posso ir. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser um refugiado em meu pa\u00eds\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>Aida se tornou um ponto de conflito desde a Segunda Intifada (levante palestino de 2000) e os refugiados se viram mais expostos a epis\u00f3dios de viol\u00eancia pelas cont\u00ednuas opera\u00e7\u00f5es do ex\u00e9rcito de Israel. O crescente n\u00famero de feridos nesse acampamento se deve ao excessivo uso da for\u00e7a, com documenta a ONU. Em 2015, foram registradas 84 incurs\u00f5es das for\u00e7as de seguran\u00e7a israelenses, 57 pessoas feridas, entre elas 21 menores de idade, 44 detidas, incluindo 13 menores de idade, e um menor morto.<\/p>\n<p>Caminhando pelos becos de Aida, \u00e9 comum ouvir hist\u00f3rias de homens e adolescentes tirados de suas casas por soldados israelenses. \u201cSempre temos medo que o exercito de Israel leve nossos filhos. Nunca os deixo sozinhos. \u00c9 normal os soldados levarem crian\u00e7as. Vive-se com constante medo\u201d, contou \u00e0 IPS, Sumayah Asad, de 40 anos e seis filhos.<\/p>\n<p>Era sexta-feira pela manh\u00e3, dia sagrado para os mu\u00e7ulmanos, quando a IPS conversou com Asad, que distribu\u00eda chocolates e doces na porta de sua casa, festejando a liberta\u00e7\u00e3o de seu filho de 12 anos ap\u00f3s cinco dias de deten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEstou feliz que meu filho tenha sido libertado pela ocupa\u00e7\u00e3o israelense. Os soldados vieram \u00e0 minha casa \u00e0s tr\u00eas da madrugada e o levaram. O soltaram quando viram que n\u00e3o havia feito nada. As crian\u00e7as deveriam estar brincando ou na escola, n\u00e3o na pris\u00e3o\u201d, protestou Asad.<\/p>\n<p>Nem todos consideram poss\u00edvel conseguir uma conviv\u00eancia em paz entre judeus e palestinos, mas Munther Amira, de 45 anos, nascido em Aida e cuja fam\u00edlia \u00e9 origin\u00e1ria da aldeia Dier Aban, no sul de Jerusal\u00e9m, \u00e9 otimista a respeito de uma mudan\u00e7a pac\u00edfica. \u201cSim, podemos coexistir\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cA ideia de coexist\u00eancia se baseia nos direitos humanos e deve incluir nosso direito de retornar. Aqui na Palestina, crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos j\u00e1 vivemos juntos. \u00c9 dif\u00edcil desenvolver uma democracia sob ocupa\u00e7\u00e3o\u201d, ponderou Amira, um ativista da campanha Boicote, Desinvestimento, San\u00e7\u00f5es (BDS). Segundo ele, boicotar os produtos israelenses \u00e9 um mecanismo pac\u00edfico para pressionar por um acordo.<\/p>\n<p>\u201cVivemos assediados. N\u00e3o podemos importar nada sem permiss\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o israelense. Ao boicotar seus produtos, apoiamos a liberdade da Palestina. \u00c9 um instrumento n\u00e3o violento contra a ocupa\u00e7\u00e3o. Sendo implantado de forma coletiva, tem grande efeito\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/palestino-refugiado-em-territorio-ocupado\/\">Palestino refugiado em territ\u00f3rio ocupado<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Fab&iacute;ola Ortiz, da IPS &ndash;&nbsp; Acampamento Aida, Palestina, 13\/10\/2016 &ndash; Depois de quase cinco d&eacute;cadas de ocupa&ccedil;&atilde;o israelense, o n&uacute;mero de refugiados nos territ&oacute;rios palestinos aumenta a cada gera&ccedil;&atilde;o, o que satura os servi&ccedil;os b&aacute;sicos dos 19 acampamentos administrados pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) na Cisjord&acirc;nia, onde vivem cerca de 200 mil pessoas. &ldquo;A [&hellip;]<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/palestino-refugiado-em-territorio-ocupado\/\">Palestino refugiado em territ&oacute;rio ocupado<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n<p> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/10\/ultimas-noticias\/palestino-refugiado-em-territorio-ocupado\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2830,3043],"class_list":["post-21293","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-1-1-canais","tag-mundo-inter-press-service"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21293","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21293"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21293\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21294,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21293\/revisions\/21294"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21293"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21293"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21293"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}