{"id":21295,"date":"2016-10-13T18:37:16","date_gmt":"2016-10-13T18:37:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=214958"},"modified":"2016-10-13T18:37:16","modified_gmt":"2016-10-13T18:37:16","slug":"o-futuro-das-mulheres-rurais-argentinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/10\/ultimas-noticias\/o-futuro-das-mulheres-rurais-argentinas\/","title":{"rendered":"O futuro das mulheres rurais argentinas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_214959\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-214959\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mulheres-3.jpg\" alt=\"Olga Campos (esquerda), seu neto Jhonny e Limbania Limache, no terreno de tr\u00eas hectares que arrendam e onde cultivam hortali\u00e7as org\u00e2nicas em El Pato, no sul da Grande Buenos Aires, a 44 quil\u00f4metros da capital Argentina. Chova, fa\u00e7a frio ou calor, elas trabalham em sua horta diariamente. Foto: Guido Ignacio Font\u00e1n\/IPS \" width=\"340\" height=\"191\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mulheres-3.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mulheres-3-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Olga Campos (esquerda), seu neto Jhonny e Limbania Limache, no terreno de tr\u00eas hectares que arrendam e onde cultivam hortali\u00e7as org\u00e2nicas em El Pato, no sul da Grande Buenos Aires, a 44 quil\u00f4metros da capital Argentina. Chova, fa\u00e7a frio ou calor, elas trabalham em sua horta diariamente. Foto: Guido Ignacio Font\u00e1n\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Fabiana Frayssinet, da IPS<\/em> &#8211;<\/p>\n<p>El Pato, Argentina, 13\/10\/2016 \u2013 Seus sete filhos cresceram, mas agora cuida de um neto pequeno que a segue enquanto trabalha em sua horta org\u00e2nica em El Pato, ao sul da Grande Buenos Aires. Olga Campos quer para eles o que ela n\u00e3o conseguiu: educar-se para ter outro destino. \u201cTenho 40 anos e s\u00f3 recentemente comecei a ir ao col\u00e9gio, coisa que nunca imaginei que faria. Como n\u00e3o pude ir \u00e0 escola, para mim o mais importante como m\u00e3e era que meus filhos fossem\u201d, explicou \u00e0 IPS, nessa localidade de aproximadamente sete mil habitantes do munic\u00edpio de Berazategui, a 44 quil\u00f4metros da capital argentina.<\/p>\n<p>Seu neto Jhonny, de tr\u00eas anos, um dos cinco que tem, brinca de colher cebolinha (<em>Allium schoenoprasum<\/em>), mas para sua av\u00f3 essa tarefa nunca foi uma divers\u00e3o. \u201cAcordava, levava os filhos para a escola, ia trabalhar um tempo no campo. \u00c0s 11 horas ia busc\u00e1-los. Fazia a comida e almo\u00e7ava, e \u00e0s 13 horas voltava a trabalhar. Agora meus filhos me ajudam, mas antes estava sozinha, porque meu companheiro foi embora. Foi muito dif\u00edcil seguir adiante com as crian\u00e7as, mas, gra\u00e7as \u00e0 horta e ao trabalho de limpeza em domic\u00edlio, consegui\u201d, contou Campos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 cansativo porque, no ver\u00e3o, apesar do calor, temos que trabalhar do mesmo jeito. Chove e temos que trabalhar do mesmo jeito, faz frio e temos que trabalhar do mesmo jeito\u201d, afirmou Campos, que cultiva tr\u00eas hectares arrendados, junto com sua cunhada Limbania Limache.\u201cNa cidade h\u00e1 mais facilidade de transporte. Mas aqui, quando chove, \u00e9 preciso caminhar ou ir de bicicleta, recordou, de 30 anos, que tem dois filhos, um deles com necessidades especiais. \u201c\u00c9 complicado, porque as ruas ficam intransit\u00e1veis quando chove. As crian\u00e7as \u00e0s vezes n\u00e3o querem ir \u00e0 escola porque chegam sujas de barro e ficam envergonhadas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), as mulheres rurais \u2013 cujo dia internacional ser\u00e1 celebrado no dia 15 \u2013 representam um quarto da popula\u00e7\u00e3o mundial, produzem mais da metade dos alimentos e vivem maior desigualdade econ\u00f4mica, social e de g\u00eanero. Assim ocorre na Argentina e no resto da Am\u00e9rica Latina e do Caribe.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres rurais n\u00e3o t\u00eam o mesmo acesso que os homens a posse de terras, cr\u00e9ditos, capacita\u00e7\u00f5es. Muitas vezes as pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o pensadas por e para homens rurais, e a mulher fica em segundo plano\u201d, afirmou \u00e0 IPS a respons\u00e1vel de g\u00eanero da FAO na Argentina, Cecilia Jobe.<\/p>\n<p>\u201cAqui o que nos mata s\u00e3o os alugu\u00e9is de terras. Al\u00e9m de termos de pagar para arar, nos cobram muito caro pelo uso do trator. Gostaria muito de conseguir minha pr\u00f3pria terra. Pedimos que nos deem a possibilidade de pagar por nossa pr\u00f3pria terra, n\u00e3o a queremos de presente\u201d, afirmou Campos. Os cr\u00e9ditos tamb\u00e9m s\u00e3o dif\u00edceis. \u201cFicam dando voltas e acabamos nos cansando\u201d, acrescentou Limache, cujo marido tamb\u00e9m se dedica \u00e0 agricultura em outro terreno.<\/p>\n<p>Segundo o censo de 2010 realizado na Argentina, dos 40.117.096 habitantes na ocasi\u00e3o, 20.593.330 eram mulheres, das quais 651.597 estavam em \u00e1reas rurais agrupadas e 1.070.510 em \u00e1reas rurais dispersas, somando 1.722.107.\u201cMuitas delas elaboram a maior parte dos alimentos dom\u00e9sticos, fato que garante uma dieta variada, minimiza as perdas e oferece produtos comercializ\u00e1veis. Tamb\u00e9m dedicam sua renda \u00e0 compra de alimentos e \u00e0s necessidades de seus filhos\u201d, destacou Patricio Quinos, subsecret\u00e1rio de Execu\u00e7\u00e3o de Programas para a Agricultura Familiar.<\/p>\n<p>Quinos, cujo departamento abrir\u00e1 um escrit\u00f3rio de g\u00eanero para atender as especificidades desse setor feminino, informou \u00e0 IPS que \u201calguns estudos realizados pela FAO demonstram que as possibilidades de sobreviv\u00eancia de uma crian\u00e7a aumentam em 20% quando a m\u00e3e controla o or\u00e7amento dom\u00e9stico.Por isso, a mulher tem um papel determinante na seguran\u00e7a e diversidade alimentar, bem como na preserva\u00e7\u00e3o da sa\u00fade infantil\u201d.<\/p>\n<p>Justamente, a campanha da FAO Mulheres Rurais, Motores do Desenvolvimento, promovidana Argentina, busca comprometer os diferentes poderes do Estado a elaborarem pol\u00edticas p\u00fablicas e legisla\u00e7\u00e3o para esse setor, nas quais a quest\u00e3o de g\u00eanero esteja presente.\u201cA mulher rural est\u00e1 absolutamente invis\u00edvel. As dificuldades que t\u00eam as mulheres urbanas se exacerbam no mundo rural. Falamos de um trabalho produtivo em que a atividade n\u00e3o \u00e9 remunerada\u201d, resumiu Jobe.<\/p>\n<p>O conceito de \u201cmulheres rurais\u201d compreende as que vivem no campo e as que moram em centros urbanos mas se dedicam \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria. \u201cN\u00e3o \u00e9 um coletivo homog\u00eaneo\u201d, apontou Quinos. \u201cEntretanto, entendemos que as mulheres rurais menos favorecidas em termos econ\u00f4micos s\u00e3o as que mais dificuldades t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s brechas produzidas pela desigualdade de g\u00eanero. Em muitos sentidos, ficam invis\u00edveis como sujeitos produtivos, econ\u00f4micos e sociais\u201d,prosseguiu.<\/p>\n<p>Graciela Rinc\u00f3n emigrou de Berazategui com seu marido para instalar em El Pato uma pequena granja produtora de ovos. Ela destacou \u00e0 IPS que trabalha de \u201csegunda a segunda, porque, a cada duas horas,\u00e9 preciso acender uma l\u00e2mpada para que as galinhas tomem \u00e1gua, ver se n\u00e3o tem algum cabo desconectado ou que n\u00e3o entrem c\u00e3es e fa\u00e7am um desastre, como j\u00e1 aconteceu com a gente\u201d.<\/p>\n<p>O acesso a sa\u00fade tamb\u00e9m \u00e9 dif\u00edcil. \u201cH\u00e1 um hospital em Berazategui, que fica bem longe, ou uma salinha mais perto, de primeiros socorros, mas \u00e0s vezes uma senhora pode ser atendida por um pediatra\u201d, lamentou Rinc\u00f3n. \u201cGostaria que meus filhos estudassem e trabalhassem em outro ramo porque o campo \u00e9 duro\u201d, desabafou Limache.<\/p>\n<p>Segundo a FAO, se forem garantidos esses direitos, haveria entre 20% e 30% mais alimentos, o que significaria 150 milh\u00f5es de pessoas com fome a menos no planeta. Consciente desse papel, a engenheira agr\u00f4noma Mar\u00eda Lara Tapia, ajuda suas vizinhas de El Pato no cultivo de hortali\u00e7as org\u00e2nicas, com demanda urbana crescente, e a distribu\u00ed-las comercialmente.<\/p>\n<p>\u201cMostro a elas que h\u00e1 sa\u00eddas diferentes. O que \u00e0s vezes acontece na agricultura familiar \u00e9 que os produtores n\u00e3o saem do campo para ver outras alternativas, ent\u00e3o ficam sujeitos \u00e0 chegada de um caminh\u00e3o do mercado, que lhes imp\u00f5e um pre\u00e7o por sua mercadoria\u201d, pontuou Tapia \u00e0 IPS. Para aumentar sua renda, a engenheira ensina, por exemplo, como fazer mudas, agregando um \u201celo a mais na cadeia de valor\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSer mulher no meio rural \u00e9 dif\u00edcil. Creio que \u00e9 um setor muito conservador\u201d, disse Tapia, para quem tampouco foi f\u00e1cil, como engenheira, assessorar produtores homens. Para as camponesas a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 pior, reconhece. \u201cN\u00e3o se considera que est\u00e3o trabalhando, mas ajudando. O marido, o pai ou o irm\u00e3o lhes dizem: venha ajudar no campo, quando, na realidade, est\u00e3o trabalhado ao lado deles\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Ajudar o homem no campo? \u201cN\u00f3s somos parte do trabalho como eles. Fazemos o mesmo, e al\u00e9m disso temos as tarefas de casa. Somos parte\u201d, ressaltou Limache. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*Este artigo foi produzido por ocasi\u00e3o do Dia Internacional das Mulheres Rurais, celebrado em 15 de outubro.<\/em><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/o-futuro-das-mulheres-rurais-argentinas\/\">O futuro das mulheres rurais argentinas<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Fabiana Frayssinet, da IPS &ndash; El Pato, Argentina, 13\/10\/2016 &ndash; Seus sete filhos cresceram, mas agora cuida de um neto pequeno que a segue enquanto trabalha em sua horta org&acirc;nica em El Pato, ao sul da Grande Buenos Aires. 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