{"id":21297,"date":"2016-10-14T12:28:20","date_gmt":"2016-10-14T12:28:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=215023"},"modified":"2016-10-14T12:28:20","modified_gmt":"2016-10-14T12:28:20","slug":"leguminosas-contra-inseguranca-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/10\/ultimas-noticias\/leguminosas-contra-inseguranca-alimentar\/","title":{"rendered":"Leguminosas contra inseguran\u00e7a alimentar"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_215024\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-215024\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/leguminosas-1.jpg\" alt=\"Agricultoras mostram orgulhosas parte de sua colheita em uma aldeia vizinha \u00e0 capital de Z\u00e2mbia. As leguminosas s\u00e3o boas para a nutri\u00e7\u00e3o e como fonte de renda, em particular para as mulheres respons\u00e1veis pela seguran\u00e7a alimentar das fam\u00edlias. Foto: Busani Bafana\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/leguminosas-1.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/leguminosas-1-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/leguminosas-1-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Agricultoras mostram orgulhosas parte de sua colheita em uma aldeia vizinha \u00e0 capital de Z\u00e2mbia. Foto: Busani Bafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>As leguminosas s\u00e3o essenciais para a seguran\u00e7a alimentar e nutricional na \u00c1frica. Al\u00e9m de serem fonte de renda, em particular para as mulheres respons\u00e1veis pela alimenta\u00e7\u00e3o de suas fam\u00edlias.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por\u00a0Busani Bafana, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Masvingo, Zimb\u00e1bue, 14\/10\/2016 \u2013 A zimbabuense Elizabeth Mpofu \u00e9 uma aguerrida agricultora que se destaca entre os que consideram que a seguran\u00e7a alimentar implica lutar contra a fome e evitar pr\u00e1ticas agr\u00edcolas que prejudicam o ambiente e empobrecem as pessoas, especialmente as mulheres. Ela cultiva milho, leguminosas e diferentes tipos de feij\u00e3o em seu terreno de dez hectares em Masvingo, prov\u00edncia que fica 280 quil\u00f4metros a sudeste de Harare, capital do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Apesar da seca que golpeia essa regi\u00e3o, Mpofu colheu cerca de 150 quilos de feij\u00f5es secos este ano. \u00c9 muito menos do que obt\u00e9m em uma boa temporada, mas as ervilhas e os feij\u00f5es secos permitem que os agricultores como ela enfrentem a inseguran\u00e7a alimentar e nutricional.A ervilha e o feij\u00e3o s\u00e3o leguminosas fundamentais, que propiciam v\u00e1rios benef\u00edcios, pois s\u00e3o ricos em prote\u00ednas, resistentes \u00e0 seca e constituem uma fonte de renda e de combust\u00edvel.<\/p>\n<p>As leguminosas s\u00e3o um alimento perfeito para a \u00c1frica, onde h\u00e1 muita gente malnutrida e com defici\u00eancia de nutrientes, especialmente menores de cinco anos. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) diz que a \u00c1frica \u00e9 o continente com maior propor\u00e7\u00e3o de pessoas famintas no mundo, com uma em cada quatro com malnutri\u00e7\u00e3o e mais de uma em cada tr\u00eas crian\u00e7as com atraso no crescimento.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) define leguminosas como sementes secas comest\u00edveis, com baixo teor de gorduras, como gr\u00e3o-de-bico, feij\u00f5es,lentilha, fava e muitas outras. As que s\u00e3o usadas como verdura, como a vagem, ou das que se extrai \u00f3leo, como soja e amendoim, n\u00e3o s\u00e3o classificadas como leguminosas.<\/p>\n<p>\u201cAs leguminosas s\u00e3o essenciais para a seguran\u00e7a alimentar e nutricional na \u00c1frica, considerando a crise clim\u00e1tica que vive o continente\u201d, destacou Mpofu \u00e0 IPS. \u201cPosso preparar v\u00e1rios alimentos para minha fam\u00edlia e tamb\u00e9m s\u00e3o importantes para melhorar o estado do solo, especialmente para promover um sistema de cultivo agroecol\u00f3gico\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Mpofu integra o Comit\u00ea de Coordena\u00e7\u00e3o Internacional da Via Camponesa, organiza\u00e7\u00e3o internacional com milh\u00f5es de agricultores membros. Al\u00e9m disso, est\u00e1 entre os seis embaixadores especiais designados pela FAO na \u00c1frica, para conscientizar sobre os benef\u00edcios das leguminosas para a seguran\u00e7a alimentar, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, a sa\u00fade humana e o bom estado do solo.<\/p>\n<p>\u201cSem leguminosas, uma mulher n\u00e3o pode se considerar m\u00e3e, porque n\u00e3o pode completar um prato para sua fam\u00edlia. \u00c9 importante criar consci\u00eancia sobre sua import\u00e2ncia para que as mulheres pressionem pela cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que promovam a agroecologia e a soberania alimentar\u201d, opinou Mpofu. \u201cOs princ\u00edpios de manter e produzir sementes aut\u00f3ctones s\u00e3o nossa forma de defender a soberania alimentar, promovendo nossas sementes e nossos m\u00e9todos de cultivo agroecol\u00f3gico\u201d, apontou.<\/p>\n<div id=\"attachment_215025\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-215025\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/leguminosas2.jpg\" alt=\"Posto de venda de leguminosas em um mercado de Bulawayo, no Zimb\u00e1bue. Esse cultivo de bom rendimento favorece a seguran\u00e7a nutricional e econ\u00f4mica dos agricultores africanos. Foto: Busani Bafana\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/leguminosas2.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/leguminosas2-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/leguminosas2-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Posto de venda de leguminosas em um mercado de Bulawayo, no Zimb\u00e1bue. Esse cultivo de bom rendimento favorece a seguran\u00e7a nutricional e econ\u00f4mica dos agricultores africanos. Foto: Busani Bafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Al\u00e9m disso, \u201cas leguminosas servem para promover o cultivo e o consumo de leguminosas na \u00c1frica, onde temos inseguran\u00e7a alimentar\u201d, ressaltou Mpofu. Como forma de destacar a import\u00e2ncia das leguminosas para a seguran\u00e7a alimentar e nutricional, bem como para a sustentabilidade ambiental, a 68\u00aa sess\u00e3o da Assembleia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), em 2013, declarou que 2016 seria o Ano Internacional das Leguminosas (IYOP).<\/p>\n<p>O diretor-geral da FAO, Jos\u00e9 Graziano da Silva, pontuou, no lan\u00e7amento do IYOP em 2015, que as leguminosas s\u00e3o importantes para a seguran\u00e7a alimentar de milh\u00f5es de pessoas na Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica e \u00c1sia, onde fazem parte da dieta tradicional e costumam ser cultivadas por pequenos agricultores.<\/p>\n<p>No Malaui, Janet Mingo n\u00e3o passa fome, mesmo quando tem uma colheita ruim de milho, o que ocorre com frequ\u00eancia devido \u00e0 seca, porque intercala esse cultivo com o de feij\u00e3o-guandu (<em>Cajanuscajan<\/em>), rico em prote\u00ednas, em seu terreno de quatro hectares na aldeia de Chikalogwe, no distrito de Balaka, uma das regi\u00f5es mais \u00e1ridas do pa\u00eds.O guandu ajuda a fixar o nitrog\u00eaniono solo e tamb\u00e9m \u00e9 uma fonte de renda:ela colhe a cada temporada cerca de 1.500 quilos e, gra\u00e7as ao que consegue com sua venda, pode comprar milho e cobrir outras necessidades do lar.<\/p>\n<p>O encarregado da Divis\u00e3o de Desenvolvimento Agr\u00edcola de Machinga, no sul do Malaui, Mphatso Gama, afirmou \u00e0 IPS que os agricultores que dependiam do milho se diversificaram e incorporaram o feij\u00e3o guandu, o que lhes permitiu melhorar sua alimenta\u00e7\u00e3o e renda.<\/p>\n<p>Gavin Gibson, ex-diretor executivo da Confedera\u00e7\u00e3o Mundial de Leguminosas, explicou \u00e0 IPS que estas s\u00e3o parte da dieta tradicional da maior parte dos povos mais pobres do mundo. Das 60 milh\u00f5es a 65 milh\u00f5es de toneladas de leguminosas produzidas por ano, at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo apenas entre sete milh\u00f5es e dez milh\u00f5es eram comercializados entre os pa\u00edses. O restante ficava para consumo interno dos pa\u00edses onde seu cultivo \u00e9 tradicional, acrescentou.<\/p>\n<p>A \u00cdndia, onde as leguminosas s\u00e3o parte da alimenta\u00e7\u00e3o b\u00e1sica h\u00e1 milhares de anos, \u00e9 o maior produtor e consumidor do mundo. A \u00c1frica ainda tem problemas para aumentar sua produ\u00e7\u00e3o, mas consegue avan\u00e7os. O Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA), que desenvolveu mais de 80% das variedades de feij\u00e3o-caupi distribu\u00eddas entre agricultores da Nig\u00e9ria, destaca que as leguminosas s\u00e3o uma fonte alternativa de prote\u00ednas e mais barata do que a animal.<\/p>\n<p>O feij\u00e3o-caupi, cultivado tanto para consumo humano como animal nas zonas semi\u00e1ridas tropicais da \u00c1frica e da \u00c1sia, \u00e9 um dos cultivos mais tolerantes \u00e0 seca e se adapta a solos de m\u00e1 qualidade.As leguminosas s\u00e3o estrat\u00e9gicas para se alcan\u00e7ar a seguran\u00e7a alimentar na \u00c1frica, mas n\u00e3o tem seu cultivo priorizado, enfatizou Charles Govati, especialista em desenvolvimento e presidente do Cons\u00f3rcio de Servi\u00e7os de Suprimento Agr\u00edcola no Malaui.<\/p>\n<p>\u201cAs leguminosas s\u00e3o o alimento perfeito para a \u00c1frica, mas sua produ\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil porque n\u00e3o s\u00e3o implantadas boas pol\u00edticas\u201d, ressaltou Govati \u00e0 IPS. \u201cFala-se muito das leguminosas, mas h\u00e1 v\u00e1rias dificuldades a superar, como baixa produ\u00e7\u00e3o, mau estado dos solos, as pestes e doen\u00e7as que as prejudicam\u201d, detalhou. \u201cOs produtores se concentram mais em plantar para gerar renda e menos para sua alimenta\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, precisamos de mercados estruturados na \u00c1frica para impulsionar a produ\u00e7\u00e3o,se queremos seriamente garantir a seguran\u00e7a alimentar\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*Este artigo faz parte da cobertura especial da IPS por ocasi\u00e3o do Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o, celebrado em 16 de outubro.<\/em><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/leguminosas-contra-inseguranca-alimentar\/\">Leguminosas contra inseguran\u00e7a alimentar<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As leguminosas s&atilde;o essenciais para a seguran&ccedil;a alimentar e nutricional na &Aacute;frica. Al&eacute;m de serem fonte de renda, em particular para as mulheres respons&aacute;veis pela alimenta&ccedil;&atilde;o de suas fam&iacute;lias.&nbsp; Por&nbsp;Busani Bafana, da IPS &ndash;&nbsp; Masvingo, Zimb&aacute;bue, 14\/10\/2016 &ndash; A zimbabuense Elizabeth Mpofu &eacute; uma aguerrida agricultora que se destaca entre os que consideram que a [&hellip;]<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/leguminosas-contra-inseguranca-alimentar\/\">Leguminosas contra inseguran&ccedil;a alimentar<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n<p> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/10\/ultimas-noticias\/leguminosas-contra-inseguranca-alimentar\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2830,1145,2542,994,2781,1003,3012,3043,1170],"class_list":["post-21297","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-1-1-canais","tag-agricultura","tag-dia-mundial-da-alimentacao","tag-fao","tag-featured","tag-fome","tag-leguminosas","tag-mundo-inter-press-service","tag-seguranca-alimentar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21297","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21297"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21297\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21298,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21297\/revisions\/21298"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21297"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21297"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21297"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}