{"id":2131,"date":"2006-10-09T00:00:00","date_gmt":"2006-10-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2131"},"modified":"2006-10-09T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-09T00:00:00","slug":"mulher-nepal-legaliza-o-aborto-a-sociedade-ainda-ignora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/direitos-humanos\/mulher-nepal-legaliza-o-aborto-a-sociedade-ainda-ignora\/","title":{"rendered":"Mulher: Nepal legaliza o aborto, a sociedade ainda ignora"},"content":{"rendered":"<p>Katmandu, 09\/10\/2006 &ndash; Quando come&ccedil;ou o s&eacute;culo XXI, mais mulheres morriam durante o parto no Nepal do que em praticamente qualquer outro pa&iacute;s, e estimava-se que a metade das mortes maternas em hospitais era causada por abortos mal praticados. <!--more--> Agora, 59 mil nepalesas fizeram abortos seguros, realizados por 260 m&eacute;dicos em 133 centros autorizados, e prev&ecirc;-se que enfermeiras capacitadas em breve tamb&eacute;m estar&atilde;o oferecendo esse servi&ccedil;o, caso o plano seja mantido. Mas, para cada n&uacute;mero positivo h&aacute; muitos mais que revelam os desafios enfrentados pelo Programa para um Aborto Seguro.<\/p>\n<p>\u201cMais de 50 mil mulheres receberam servi&ccedil;os de abortos seguros atrav&eacute;s deste m&eacute;todo de suc&ccedil;&atilde;o (aspira&ccedil;&atilde;o manual por v&aacute;cuo). N&atilde;o &eacute; raspando, nem cortando. As mulheres podem deixar a cama meia hora depois. &Eacute; algo assombroso\u201d, disse o diretor da campanha Apoio ao Programa para um Aborto Seguro, Cherry Bird. Mas \u201cvai demorar 20 anos para acabar com os abortos inseguros\u201d, acrescentou em uma entrevista dada na semana passada, ap&oacute;s participar de uma reuni&atilde;o para revisar o trabalho dos cada vez mais numerosos centros para interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez. O governo despenalizou o aborto em 2002, ap&oacute;s v&aacute;rios anos de uma sustentada campanha por parte de ativistas e cientistas.<\/p>\n<p>Hoje, pode-se realizar um aborto com at&eacute; 12 semanas de gravidez, e com at&eacute; 18 semanas, se a gravidez for resultado de incesto ou viola&ccedil;&atilde;o e se a vida de m&atilde;e estiver em perigo ou, ainda, se o feto apresentar deforma&ccedil;&otilde;es graves. Agora, o governo, o setor privado e organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais oferecem servi&ccedil;os de aborto neste pa&iacute;s da &Aacute;sia meridional com 25 milh&otilde;es de habitantes. Os servi&ccedil;os do governo predominam em &aacute;reas rurais, enquanto os privados e da sociedade civil nas zonas urbanas. A falta de informa&ccedil;&atilde;o, a pobreza e os tabus sociais ainda s&atilde;o barreiras para as mulheres com gravidez indesejada.<\/p>\n<p>Entre janeiro e mar&ccedil;o deste ano, 13% dos pedidos de aborto foram rejeitados porque o feto tinha mais de 12 semanas, conforme relat&oacute;rio divulgado na semana passada. O estudo tamb&eacute;m revela que alguns centros se negavam a realizar abortos se as pacientes tinham mais de nove semanas de gravidez, apesar de a lei autorizar esses casos. \u201cEsta pr&aacute;tica impediu que muitas pacientes conhecessem seu direito a um aborto seguro e legal com at&eacute; 12 semanas de gesta&ccedil;&atilde;o em qualquer centro autorizado pelo governo, &agrave; sua escolha\u201d, diz o informe elaborado pelo Centro para a Pesquisa sobre Sa&uacute;de Ambiental e Atividades da Popul&ccedil;&atilde;o (Crehpa).<\/p>\n<p>A pesquisa tamb&eacute;m mostra que apenas 50% das pacientes sabiam que o aborto era legal. \u201cMuitas pessoas n&atilde;o sabem que os servi&ccedil;os de aborto s&atilde;o legalizados. Isto deve ser informado em n&iacute;vel comunit&aacute;rio\u201d, disse a diretora do Hospital de Maternidade de Katmandu, Kasturi Malla. Por sua vez, Wendy Darby, ativista da ONG norte-americana Ipas, que colabora com o programa de abortos do Nepal, afirmou que \u201co grande desafio &eacute; educar as mulheres sobre seus direitos e sobre o que &eacute; um aborto seguro\u201d, ap&oacute;s t&ecirc;-lo praticado durante anos na clandestinidade.<\/p>\n<p>Apesar de terem acesso a um aborto seguro, essas barreiras fazem com que muitas mulheres continuem apelando para m&eacute;todos perigosos. O estudo do Crehpa revela que de 1.560 casos tratados na unidade de cuidados p&oacute;s-aborto do Hospital de Maternidade entre abril de 2004 e abril de 2005, 138 foram por complica&ccedil;&otilde;es causadas por abortos inseguros. Um quarto dessas pacientes havia tentado interromper a gravidez em cl&iacute;nicas n&atilde;o autorizadas; um sexto foi tratado por pessoas n&atilde;o especializadas, e um oitavo havia tentado abortar ingerindo drogas proibidas. O restante utilizou ervas, \u201csubst&acirc;ncias identificadas ou outras medidas\u201d para por fim &agrave; gesta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\u201cA ingest&atilde;o de rem&eacute;dios n&atilde;o revelados pelos pacientes e a introdu&ccedil;&atilde;o de peda&ccedil;os de pau s&atilde;o os m&eacute;todos clandestinos mais usados\u201d, disseram m&eacute;dicos entrevistados pelo Crehpa em 2005. A ignor&acirc;ncia e irregularidade dos servi&ccedil;os de aborto s&atilde;o as principais causas pelas quais as mulheres continuam apelando para m&eacute;todos n&atilde;o-seguros, disse Lokhari Bashyal, do F&oacute;rum para o Direito das Mulheres e o Desenvolvimento. \u201c&Agrave;s vezes, as mulheres deixam passar o prazo legal de 12 semanas para realizar um aborto por falta de conhecimento. E se v&atilde;o a uma cl&iacute;nica autorizada, muitas vezes n&atilde;o tem medico\u201d, disse &agrave; IPS. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Katmandu, 09\/10\/2006 &ndash; Quando come&ccedil;ou o s&eacute;culo XXI, mais mulheres morriam durante o parto no Nepal do que em praticamente qualquer outro pa&iacute;s, e estimava-se que a metade das mortes maternas em hospitais era causada por abortos mal praticados. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/direitos-humanos\/mulher-nepal-legaliza-o-aborto-a-sociedade-ainda-ignora\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1474,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,7],"tags":[17],"class_list":["post-2131","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-saude","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2131","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1474"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2131"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2131\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2131"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2131"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2131"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}