{"id":21325,"date":"2016-10-26T12:06:46","date_gmt":"2016-10-26T12:06:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=215315"},"modified":"2016-10-26T12:06:46","modified_gmt":"2016-10-26T12:06:46","slug":"cidades-debatem-sobre-a-infraestrutura-necessaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/10\/ultimas-noticias\/cidades-debatem-sobre-a-infraestrutura-necessaria\/","title":{"rendered":"Cidades debatem sobre a infraestrutura necess\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_215316\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-215316\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/quito1-629x472.jpg\" alt=\"Uma das preocupa\u00e7\u00f5es quanto ao cumprimento do conte\u00fado da Habitat III est\u00e1 no financiamento das novas obras, considerando as elevadas quantias de investimento. Na imagem, uma fotocomposi\u00e7\u00e3o de cidades europeias em uma exposi\u00e7\u00e3o da Habitat III, em Quito. Foto: Emilio Godoy\/IPS\" width=\"360\" height=\"270\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/quito1-629x472.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/quito1-629x472-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Uma das preocupa\u00e7\u00f5es quanto ao cumprimento do conte\u00fado da Habitat III est\u00e1 no financiamento das novas obras, considerando as elevadas quantias de investimento. Na imagem, uma fotocomposi\u00e7\u00e3o de cidades europeias em uma exposi\u00e7\u00e3o da Habitat III, em Quito. Foto: Emilio Godoy\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>De fato, um dos maiores desafios da Nova Agenda Urbana \u00e9 a sustentabilidade ambiental e financeira da infraestrutura necess\u00e1ria para desenvolver os compromissos assumidos em Quito em mat\u00e9ria de habita\u00e7\u00e3o, transporte, servi\u00e7os p\u00fablicos e acesso a inform\u00e1tica.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por\u00a0Emilio Godoy, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Quito, Equador, 26\/10\/2016 \u2013 \u201cN\u00f3s prefeitos temos que administrar as cidades m\u00e9dias como se fossem capitais\u201d, afirmou H\u00e9ctor Mantilla, prefeito de Floridablanca, a terceira cidade em import\u00e2ncia do departamento de Santander, no norte da Col\u00f4mbia. \u201cOs cidad\u00e3os n\u00e3o querem apenas servi\u00e7os p\u00fablicos, mas tamb\u00e9m infraestrutura, e assim podem ser geradas obras sustent\u00e1veis\u201d, ambiental e financeiramente, acrescentou.<\/p>\n<p>Mantilla, que ocupa o cargo desde janeiro deste ano, participou da terceira Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Habita\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Urbano Sustent\u00e1vel (Habitat III), realizada na capital do Equador entre os dias 17 e 20 deste m\u00eas, que desembocou na <em>Declara\u00e7\u00e3o de Quito Sobre Cidades e Assentamentos Sustent\u00e1veis Para Todos<\/em>, conhecida com Nova Agenda Urbana (NAU).<\/p>\n<p>Na c\u00fapula, que a ONU Habitat organiza a cada 20 anos, Mantilla falou das necessidades de infraestrutura e sobre sua gest\u00e3o. Floridablanca, com 300 mil habitantes, faz parte da \u00e1rea metropolitana de Bucaramanga, junto com outros dois munic\u00edpios. Para atender diferentes demandas sociais, a administra\u00e7\u00e3o local construiu dois distribuidores vi\u00e1rios e um parque de parapente.<\/p>\n<p>As experi\u00eancias e expectativas do prefeito refletem as preocupa\u00e7\u00f5es dos governos, especialmente municipais. De fato, um dos maiores desafios da NAU \u00e9 a sustentabilidade ambiental e financeira da infraestrutura necess\u00e1ria para desenvolver os compromissos assumidos em Quito em mat\u00e9ria de habita\u00e7\u00e3o, transporte, servi\u00e7os p\u00fablicos e acesso a inform\u00e1tica.<\/p>\n<p>Para a mexicana Alicia B\u00e1rcena, secret\u00e1ria executiva da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal), as prioridades residem em mobilidade, \u00e1gua e saneamento, moradia adequada, resili\u00eancia, energia renov\u00e1vel, fomento \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o e combate \u00e0 segrega\u00e7\u00e3o e \u00e0 desigualdade.\u201cFalta estrutura. N\u00e3o est\u00e1 suficientemente integrada. Temos dois cen\u00e1rios. O norte-americano, com taxas de motoriza\u00e7\u00e3o aceleradas, ou o europeu, com cidades menores, onde o uso do carro particular \u00e9 desestimulado\u201d, explicou \u00e0 IPS<\/p>\n<p>A dirigente da Cepal afirmou que \u201c\u00e9 necess\u00e1rio um tipo de infraestrutura e planejamento para que seja resiliente\u201d, uma caracter\u00edstica fomentada nos \u00faltimos anos por organismos internacionais como Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e relacionada com a capacidade de um ecossistema para absorver o estresse ambiental sem mudar seus padr\u00f5es ecol\u00f3gicos caracter\u00edsticos.<\/p>\n<p>Em 2015, 54% da popula\u00e7\u00e3o mundial vivia em entornos urbanos, taxa que subir\u00e1 para 66% at\u00e9 2050. O continente americano ser\u00e1 a regi\u00e3o mais urbanizada do mundo, com 87% de popula\u00e7\u00e3o urbana. Em particular, a Am\u00e9rica Latina e o Caribe ter\u00e3o 86%, Oceania 74%, Europa 82%, \u00c1sia 64% e \u00c1frica 56%.<\/p>\n<div id=\"attachment_215317\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"wp-image-215317\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/quito2.jpg\" alt=\"O prefeito H\u00e9ctor Mantilla (direita) falou na Habitat III sobre as necessidades de infraestrutura das cidades m\u00e9dias, no seu caso, Floridablanca, no departamento colombiano de Santander. Foto: Emilio Godoy\/IPS \" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/quito2.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/quito2-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">O prefeito H\u00e9ctor Mantilla (direita) falou na Habitat III sobre as necessidades de infraestrutura das cidades m\u00e9dias, no seu caso, Floridablanca, no departamento colombiano de Santander. Foto: Emilio Godoy\/IPS<\/p><\/div>\n<p>O estudo <em>Am\u00e9rica Latina e Caribe, Desafios, Dilemas e Compromissos de Uma Agenda Urbana Comum<\/em>, divulgado durante a c\u00fapula de Quito, diz que, apesar do consider\u00e1vel aumento de infraestrutura obtido nas \u00faltimas d\u00e9cadas, seu d\u00e9ficit nas cidades continua sendo um dos maiores desafios para os pa\u00edses em desenvolvimento em geral.<\/p>\n<p>O documento, elaborado pelo F\u00f3rum de Ministros e Autoridades M\u00e1ximas da Habita\u00e7\u00e3o e do Urbanismo da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, pela Cepal e pelo Escrit\u00f3rio Regional para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe da ONU Habitat, diz que a Am\u00e9rica Latina e o Caribe t\u00eam taxa de investimento de 2% do produto interno bruto regional, contra 8% do PIB regional do sudeste da \u00c1sia.<\/p>\n<p>A taxa de investimento total em infraestrutura \u201cesteve em retrocesso nas tr\u00eas \u00faltimas d\u00e9cadas, devido, sobretudo, a uma redu\u00e7\u00e3o relativa do investimento p\u00fablico, a um aumento limitado do investimento privado e a uma retra\u00e7\u00e3o das fontes de financiamento multilateral\u201d, segundo\u00a0 estudo.<\/p>\n<p>No Sul em desenvolvimento as metr\u00f3poles enfrentam contamina\u00e7\u00e3o, exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, crescimento ca\u00f3tico, tr\u00e2nsito congestionado, prolifera\u00e7\u00e3o da economia informal e desigualdade. V\u00e1rios c\u00e1lculos medem a dimens\u00e3o dos requerimentos. O Programa Cidades Emergentes e Sustent\u00e1veis do BID estima a brecha de infraestrutura urbana para investimentos priorit\u00e1rios nessas cidades em US$ 142 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Por seu lado, a Alian\u00e7a da Lideran\u00e7a de Cidades para o Financiamento Clim\u00e1tico projeta uma necessidade global de US$ 93 trilh\u00f5es para infraestrutura de baixo carbono e resiliente \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica durante os pr\u00f3ximos 15 anos.A NAU menciona 33 vezes a palavra \u201cinfraestrutura\u201d, embora care\u00e7a de vias e metas para desenvolv\u00ea-la.<\/p>\n<p>A pergunta recorrente \u00e9 de onde sair\u00e1 o dinheiro para a infraestrutura, considerando que regi\u00f5es como a Am\u00e9rica Latina atravessam um freio econ\u00f4mico, depois de uma d\u00e9cada de expans\u00e3o, que permitiu combater a pobreza e ampliar a obra p\u00fablica.<\/p>\n<p>O colombiano Andr\u00e9s Blanco, especialista em desenvolvimento urbano e habita\u00e7\u00e3o do BID, prop\u00f5e v\u00e1rios mecanismos, entre eles a recupera\u00e7\u00e3o da renda urbana ou do lucro do solo para o Estado. \u201cA ideia b\u00e1sica \u00e9 utilizar esse recurso para financiar infraestrutura. Mas n\u00e3o se faz porque h\u00e1 um problema de fluxo de caixa. O custo \u00e9 pago pelo governo e pelas comunidades, mas se privatiza o beneficio ao dono do solo\u201d, apontou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Em tr\u00eas cidades brasileiras, o BID registrou que o investimento de US$ 1 por metro quadrado em instala\u00e7\u00f5es de \u00e1gua pot\u00e1vel eleva o valor do solo em US$ 11, de US$ 3 por m2 em esgoto elevou esse valor em US$ 8,50; e de US$ 2,58 por m2 de pavimenta\u00e7\u00e3o, em US$ 9,10. Em Quito, a transforma\u00e7\u00e3o de solo rural em urbano o valorizou em 400%.<\/p>\n<p>Em Quito,o BID publicou o documento <em>Expandindo o Uso da Valoriza\u00e7\u00e3o do Solo<\/em>e em breve divulgar\u00e1 outro sobre o lucro urbano.Em Floridablanca, o governo local recuperou US$ 30 mil, de um total de US$ 175 mil, que cem propriedades devem pagar por terem se beneficiado por investimentos em equipamentos urbanos. \u201cOsrecursoss\u00e3oo grande desafio da NAU, como encontrar financiamento. Os prefeitos devem priorizar a obra de pequena escala, mas \u00e9 necess\u00e1ria grande infraestrutura nas \u00e1reas metropolitanas\u201d, disse Mantilla.<\/p>\n<p>Para B\u00e1rcena, a Habitat III deixa \u201cuma grande tarefa de financiamento. O uso do solo poderia ser mais rent\u00e1vel. Os Estados n\u00e3o podem sozinhos, por isso, tem de haver uma grande coaliz\u00e3o entre governos, empresas, organiza\u00e7\u00f5es para tornar mais habit\u00e1vel o espa\u00e7o p\u00fablico e urbano e conectar mais as cidades\u201d.<\/p>\n<p>A Cepal, que elabora um estudo sobre o uso do tempo nas cidades, prop\u00f5e mecanismos como pol\u00edticas de captura do valor do solo, para aumentar a arrecada\u00e7\u00e3o e dirigir a forma e a infraestrutura urbana; a emiss\u00e3o de b\u00f4nus municipais, para arrecadar capital para projetos de infraestrutura de longo prazo; e plataformas de investimento para atrair dinheiro privado.<\/p>\n<p>No <em>Panorama Global Sobre Caminhada e Ciclismo<\/em>, divulgado em Quito, o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) exorta os pa\u00edses a investirem pelo menos 20% de seus or\u00e7amentos de transporte em infraestrutura para pedestres e ciclistas, para salvar vidas, reverter a polui\u00e7\u00e3o e reduzir as emiss\u00f5es de carbono. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/cidades-debatem-sobre-infraestrutura-necessaria\/\">Cidades debatem sobre a infraestrutura necess\u00e1ria<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De fato, um dos maiores desafios da Nova Agenda Urbana &eacute; a sustentabilidade ambiental e financeira da infraestrutura necess&aacute;ria para desenvolver os compromissos assumidos em Quito em mat&eacute;ria de habita&ccedil;&atilde;o, transporte, servi&ccedil;os p&uacute;blicos e acesso a inform&aacute;tica. 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