{"id":21328,"date":"2016-10-26T11:58:37","date_gmt":"2016-10-26T11:58:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=215338"},"modified":"2016-10-26T11:58:37","modified_gmt":"2016-10-26T11:58:37","slug":"quem-paga-pelo-assassinato-de-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/10\/ultimas-noticias\/quem-paga-pelo-assassinato-de-mulheres\/","title":{"rendered":"Quem paga pelo assassinato de mulheres?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_215339\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"wp-image-215339\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mulheres-4.jpg\" alt=\" V\u00edtimas e parente de mulheres v\u00edtimas de feminic\u00eddio reclamam a\u00e7\u00f5es de Estados e sociedades latino-americanas. Foto: Juan Monseinco\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mulheres-4.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mulheres-4-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><br \/> V\u00edtimas e parente de mulheres v\u00edtimas de feminic\u00eddio reclamam a\u00e7\u00f5es de Estados e sociedades latino-americanas. Foto: Juan Monseinco\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Globalmente, a impunidade \u00e9 um elemento comum na perpetua\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o contra as mulheres. <\/em><\/p>\n<p><strong><em>Phumzile Malambo-Ngcuka*<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 26\/10\/2016 \u2013 A ONU Mulheres est\u00e1 profundamente preocupada pela brutal viol\u00eancia sexual e pelo assassinato de mulheres e meninas recentemente registrados na Argentina e que repercutem em toda a Am\u00e9rica Latina, e al\u00e9m. Esta \u00e9 uma forma de terror \u00edntimo que foi normalizada em sua magnitude e pela aceita\u00e7\u00e3o de sua inevitabilidade em algumas partes. Mas isso n\u00e3o \u00e9 normal e n\u00e3o pode continuar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos custos pessoais inaceit\u00e1veis, revelam-se profundas e prejudiciais falhas da sociedade que ultimamente tem um alto custo na perda de progresso em cada pa\u00eds. Unimos vozes a todos que dizem \u201cnem uma a menos\u201d e pedimos a\u00e7\u00f5es urgentes em todos os n\u00edveis, desde os governos at\u00e9 as pessoas, que impulsionem mudan\u00e7as para prevenir que n\u00e3o haja mais um \u00fanico assassinato. A viol\u00eancia contra as mulheres e as meninas deve parar.<\/p>\n<p>Primeiramente, o recente caso de feminic\u00eddio de uma adolescente na Argentina e o assassinato de uma menina de nove anos no Chile n\u00e3o devem ficar sem castigo. Globalmente, a impunidade \u00e9 um elemento comum na perpetua\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o contra as mulheres. Se os homens podem tratar as mulheres t\u00e3o mal quanto queiram com pouca ou nenhuma consequ\u00eancia, isso nega todos os esfor\u00e7os para construir um mundo que seja seguro para as mulheres e as meninas e no qual elas possam florescer.<\/p>\n<div id=\"attachment_215340\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"size-full wp-image-215340\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Phumzile.jpg\" alt=\"Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU Mulheres. Foto: Devra Berkowitz\/ONU\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Phumzile.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Phumzile-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU Mulheres. Foto: Devra Berkowitz\/ONU<\/p><\/div>\n<p>Cerca de 60 mil mulheres e meninas s\u00e3o assassinadas a cada ano no mundo, com frequ\u00eancia e em uma escalada de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Estudos nacionais realizados na \u00c1frica do Sul e no Brasil estimam que a cada seis horas uma mulher \u00e9 morta por seu companheiro \u00edntimo. O lar n\u00e3o \u00e9 um abrigo e \u00e9 arriscado para as mulheres denunciarem seus agressores.<\/p>\n<p>Sair de casa tamb\u00e9m implica perigos. Estudos recentes realizados no Brasil indicam que 85% das mulheres t\u00eam medo de sair na rua. Em Port Moresby, em Papua-Nova Guin\u00e9, cerca de 90% das mulheres e meninas sofrem alguma forma de viol\u00eancia sexual quando utilizam o transporte p\u00fablico.<\/p>\n<p>Como comunidade internacional, articulamos fortemente um espa\u00e7o pr\u00f3prio para uma popula\u00e7\u00e3o pujante de mulheres e meninas, e as m\u00faltiplas formas em que isso \u00e9 melhor para todos. Desde a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, adotada em setembro de 2015, at\u00e9 a Nova Agenda Urbana adotada este m\u00eas em Quito, est\u00e1 claro que precisamos acabar com a viol\u00eancia e prevenir a sua repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso exige leis, pol\u00edticas p\u00fablicas, cidades seguras, transporte p\u00fablico, melhores servi\u00e7os e o compromisso de homens e meninos na constru\u00e7\u00e3o de uma cultura que acabe com todas as formas de discrimina\u00e7\u00e3o contra mulheres e meninas e que termine com o feminic\u00eddio. A mudan\u00e7a deve ocorrer em muitos n\u00edveis, tanto nas estruturas culturais como f\u00edsicas de nossas sociedades. Trabalhamos de perto com a sociedade civil e o movimento feminista, que s\u00e3o atores importantes na den\u00fancia da viol\u00eancia, impulsionando a mudan\u00e7a de pol\u00edticas e propondo solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para obter mais informa\u00e7\u00e3o e apoiar o fim da impunidade,desenvolvemos, junto com o Escrit\u00f3rio do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos (IACNUDH), um modelo de protocolo que permite investigaradequadamente esse tipo de crime para acabar com a impunidade, al\u00e9m de identificar as brechas na cadeia de investiga\u00e7\u00e3o para conseguir prevenir os feminic\u00eddios.<\/p>\n<p>Vamos us\u00e1-lo inicialmente para a investiga\u00e7\u00e3o de feminic\u00eddios na Am\u00e9rica Latina, onde o n\u00famero de pa\u00edses com altas taxas de feminic\u00eddio est\u00e1 crescendo. Estamos alinhadas com a Relatora Especial das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Viol\u00eancia Contra as Mulheres, que chamou pela cria\u00e7\u00e3o de um observat\u00f3rio global de feminic\u00eddios, com um painel interdisciplinar de especialistas para coletar e analisar dados sobre esses assassinatos,suas causas e suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>Existem alguns progressos animadores: na Am\u00e9rica Latina, 16 pa\u00edses (quase metade da regi\u00e3o) adotaram legisla\u00e7\u00e3o para garantir que o feminic\u00eddio seja adequadamente investigado e punido.Isso deve ser uma tend\u00eancia global. N\u00e3o \u00e9 responsabilidade de um \u00fanico setor, mas um esfor\u00e7o coletivo e coordenado.<\/p>\n<p>Exortamos os governos a reconhecerem a magnitude e as implica\u00e7\u00f5es da viol\u00eancia contra mulheres e meninas, e se comprometam em recolher dados com os quais se possa quantific\u00e1-la, e n\u00e3o apenas fornecer servi\u00e7os para as sobreviventes e v\u00edtimas, mas incrementar substancialmente uma forte a\u00e7\u00e3o judicial para conseguir o fechamento de casos com as respectivas condena\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de esfor\u00e7os construtivos e criativos para prevenir e castigar todos os crimes violentos contra mulheres e meninas.<\/p>\n<p>Em n\u00edvel mundial, no ano passado subscrevemos o objetivo de igualdade de g\u00eanero e elimina\u00e7\u00e3o de todas as formas de viol\u00eancia contra mulheres e meninas. Conseguir isso n\u00e3o \u00e9 apenas o fim de uma terr\u00edvel viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, mas a chave para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor e mais igual \u2013 um planeta 50-50. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*Este \u00e9 um artigo de opini\u00e3o de Phumzile Mlambo-Ngcuka, secret\u00e1ria-geral adjunta das Na\u00e7\u00f5es Unidas e diretora executiva da ONU Mulheres.<\/em><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/quem-paga-pelo-assassinato-de-mulheres\/\">Quem paga pelo assassinato de mulheres?<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Globalmente, a impunidade &eacute; um elemento comum na perpetua&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia e discrimina&ccedil;&atilde;o contra as mulheres. Phumzile Malambo-Ngcuka* Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 26\/10\/2016 &ndash; A ONU Mulheres est&aacute; profundamente preocupada pela brutal viol&ecirc;ncia sexual e pelo assassinato de mulheres e meninas recentemente registrados na Argentina e que repercutem em toda a Am&eacute;rica Latina, e al&eacute;m. 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